terça-feira, 17 de outubro de 2017

CPT critica novo decreto de "combate" ao trabalho escravo

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Igreja Católica engajada no combate ao trabalho escravo e aos conflitos no campo, criticou a portaria divulgada pelo governo segunda-feira (16/10), com novas regras para o combate à escravidão contemporânea. Segundo a CPT, a norma "acaba" com o livre exercício do Estado na fiscalização e punição desse tipo de crime.
Na prática, o decreto modifica a definição de trabalho escravo e deixa nas mãos do ministro a inclusão de empresas na chamada "lista suja", que engloba aqueles que desrespeitam os direitos trabalhistas.
Segundo o texto, publicado no Diário Oficial da União, apenas poderá ser considerada escravidão a submissão do trabalhador sob ameaça de castigo, a proibição de transporte obrigando ao isolamento geográfico, a vigilância armada para manter o trabalhador no local de trabalho e a retenção de documentos pessoais.
A Comissão Pastoral da Terra lamenta as mudanças em conceitos ligados à caracterização do trabalho escravo, como a que vincula a jornada exaustiva e o trabalho degradante ao impedimento de locomoção do trabalhador.  
Também a Organização Internacional do Trabalho (OIT) manifestou "preocupação" pelas mudanças em torno da definição e da fiscalização contra o trabalho escravo no Brasil, informou Antônio Rosa, representante da entidade em Brasília.
"O Brasil, a partir de hoje, deixa de ser referência no combate à escravidão que estava sendo na comunidade internacional", disse Rosa, que é coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Escravo da OIT no país. O decreto estabelece um conceito "condicionado à situação de liberdade, e não é assim no mundo, a escravidão moderna não é caracterizada assim", lamentou.
Em Nota Pública, a CPT, através de sua Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo, e a Comissão Episcopal Pastoral Especial de Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB, se manifestam sobre a Portaria do Ministério do Trabalho que "numa só canetada, elimina os principais entraves ao livre exercício do trabalho escravo tais quais estabelecidos por leis, normas e portarias anteriores". 

Confira a íntegra da nota, publicada em 16 de outubro de 2017.

Com informações da Rádio Vaticano

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Mensagem Final da Ampliada das CEBs NE3 em Livramento de Nossa Senhora/BA



Chegamos em Livramento cinquenta e oito pessoas representantes de quinze dioceses e arquidioceses (Jequié, Vitória da Conquista, Caetité, Camaçari, Livramento, Alagoinhas, Feira de Santana, Irecê, Rui Barbosa, Juazeiro, Serrinha, Barra, Bom Jesus da Lapa, Ilhéus e Salvador), com as presenças de D. Itamar Vian, bispo referencial das CEBs (Arquidiocese de Feira de Santana) e D. Armando Bucciol (Diocese de Livramento) e de membros da CPT, Pastoral da Juventude e do Conselho Nacional de Leigos do Brasil – CNLB, para refletir sobre nossa conjuntura política e social e nosso papel perante aos desafios que nos são impostos frente à atual crise que assola nosso país. No campo e na cidade, na vida das CEBs, sermos protagonistas, este foi o chamado.
Antes do crepúsculo quente do dia 06 de outubro, iniciamos os trabalhos cheias e cheios de esperança e assim seguimos durante os dias deste nosso Encontro, vimos que o exemplo de Jesus ungido, encarnado e vindo ao mundo, é nosso grande motivo para construir uma Igreja em saída, uma Igreja cujo campo de ação é o mundo, exortadas e exortados pela Palavra que diz: “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex. 3,7). Assim, nossa ação evangelizadora e transformadora, deve passar pelo cuidado com a formação à luz das novas perspectivas abertas desde Puebla, e retomadas pelo Documento de Aparecida e todos os outros que se seguiram desde lá, levando o Evangelho para as estruturas do mundo, com respeito à alteridade.
Nossa mensagem evangelizadora deve ser permanente e ter a essência do Cristo que viveu e vive entre nós, e que por vezes, o esquecemos e transferimos para os ídolos criados pela ação da mídia, inclusive de nossa própria Igreja. Deve ter o perfil de Maria, como uma mãe que cuida dos seus e do nosso amoroso Pai que nos conduz à vida comunitária e ao cuidado com a nossa Casa Comum. Ser concreta, corajosa, criativa e ousada a partir da escuta do Espirito Santo para dar testemunho do Cristo, fazendo a experiência da fé a partir de uma vida comunitária, sendo o que precisa ser, para além do jogo das aparências.
A Igreja – nós, é chamada a ser Corpo de Cristo na história, para não deixar cair a profecia, como denúncia e anúncio de esperança do bem viver. Lembramos que a identidade e a dignidade laical está na máxima de sobretudo sermos Igreja e não apenas pertencermos a ela, pois dar testemunho da Igreja é fonte para a leiga e o leigo como protagonistas eclesiais, superando e fazendo o enfrentamento dos desafios criados pelas forças limitadoras da vivência da fé, vistas na oposição entre a fé e a Vida, entre o sagrado e o profano, entre a Igreja e o mundo e entre a identidade eclesial e o ecumenismo, ultrapassando o ranço da crítica e partindo para a ação a qual somos convidadas e convidados pelo Batismo e pela Crisma.
Como leigas e leigos, devemos atender o chamado da Igreja do Cristo que nos anima a sermos a eclesia, como um corpo que não entende separação entre ministros ordenados e povo, que em comunhão, segue em harmonia na construção do Reino, mantendo os olhos fixos no UNGIDO, sem promover um modelo de Igreja que não humaniza, não liberta e não emancipa.
Assim, fomos animadas e animados a sermos uma Igreja que caminha contrária à idolatria do dinheiro, que alerta para as forças condutoras de desesperanças e descréditos na vida e em Cristo, e que se faz, a exemplo de Francisco de Assis, Santa Terezinha, Maria e São Judas instrumento para a construção de outras formas de viver.
A espiritualidade vivenciada nestes dias, nos faz enxergar caminhos e acreditar que é possível construir um futuro com esperança e alternativo para uma crise que se prolonga e é agravada com a perda de direitos conquistados historicamente, que no momento nos é imposta, e se torna imperativo vencê-la. Tomarmos esta crise como nossa messe se faz importante e imediato, pois o dono da vinha caminha conosco e se faz morada em nós.
Entusiasmadas e entusiasmados, seguimos para as nossas comunidades construindo a celebração do 14º Intereclesial da CEBs em Londrina, imbuídas e imbuídos do Espírito Santo, entendendo que é na luta diária que Cristo se faz em nós, para compreendermos e vivermos neste tempo desafiador que pede diálogo e respeito para tornarmos nossos lugares espaços potencializadores à cultura do bem viver.
Equipe de Coordenação das CEBs, Região Nordeste 3.
por Caroline  Teixeira e Maura Evangelista CEBs NE 3
Fotos  Ivo - Arquivos CEBs do Brasil

domingo, 1 de outubro de 2017

Mês Missionário 2017 - juntos na missão permanente



Começa neste domingo o Mês das Missões e a Campanha Missionária 2017. Em 14 de abril de 1926 o papa Pio XI, oficializou o penúltimo domingo de outubro como Dia Mundial das Missões no qual, as paróquias do mundo inteiro são convidadas a rezar e fazer uma coleta especial em favor das missões.Este ano, a coleta será feita nas celebrações dos dias 21 e 22 de outubro.
“A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. Este é o tema da Campanha Missionária 2017. O lema, “Juntos na missão permanente”, reforça a importância de caminharmos unidos, como Igreja, Povo de Deus e anunciar a Boa Nova em todos os tempos e lugares.
Este foi também, o tema do 4º Congresso Missionário Nacional realizado nos dias 07 a 10 de setembro, em Recife (PE).
O tema da Campanha Missionária nos motiva a intensificar iniciativas de animação e cooperação missionária em todo o mundo. O objetivo é rezar pelas missões, despertar vocações missionárias e realizar a Coleta no Dia Mundial das Missões.
Testemunho
Assistir ao DVD da Campanha Missionária, 1º Dia.
De onde vem a verdadeira “alegria” segundo o Evangelho?
O cartaz da Campanha Missionária destaca a alegria do Evangelho e a Igreja que caminha unida. A arte mostra a Igreja, Povo de Deus, formada por diferentes sujeitos da missão, de diversas idades e etnias. Todos caminham juntos, depois de terem sido encontrados por Jesus Cristo, como Igreja em saída, ad gentes, enviada a testemunhar a alegria do Evangelho. O povo traz a Palavra de Deus, fonte da missão. Carrega também, a Cruz das missões jesuíticas, que marcou a Bolívia e toda a América Latina, no processo de evangelização. Este é o principal símbolo do 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5).
A alegria tem a sua motivação mais profunda no encontro com Cristo ressuscitado. A presença de Jesus sempre provoca muita alegria!
Oração do Mês Missionário
Deus de misericórdia,
que enviaste o Teu Filho Jesus Cristo
e nos sustentas com a força do Espírito Santo,
ensina-nos a caminhar juntos
e, a exemplo de Maria, nossa Mãe Aparecida,
na celebração dos 300 anos do encontro da imagem,
sejamos, em toda a parte,
testemunhas proféticas da alegria do Evangelho
para uma Igreja em saída. Amém.
Fonte: Pontifícias Obras Missionárias