sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O primeiro impacto da Boa Nova de Jesus no povo (Mc 1, 21-28)

1. SITUANDO

O texto de hoje descreve várias atividades de Jesus: a admiração do povo diante do ensinamento de Jesus (Mt 1,21-22), o primeiro milagre da expulsão de um demônio (Mt 1,23-28), a cura da sogra de Pedro (Mc 1,29-31), a cura de muitos doentes (Mc 1,32-34). Marcos recolheu estes episódios, que eram transmitidos oralmente nas comunidades, e os uniu entre si como tijolos numa parede.

Nos anos 70, época em que Marcos escreveu, as comunidades necessitavam de orientação. Descrevendo como foi o início da atividade de Jesus, Marcos indicava como elas deviam fazer para anunciar a Boa Nova aos que viviam oprimidos pelo medo dos demônios, pela imposição arbitrária de normas ultrapassadas, pela perseguição por parte do Império Romano. Marcos fez catequese contando para as comunidades os fatos e acontecimentos da vida de Jesus.

 

2. COMENTANDO

1. Marcos 1,21-22: Admirado com o ensino de Jesus, o povo cria consciência crítica

A primeira coisa que Jesus faz é chamar gente para formar comunidade (Mc 1,16-20). A primeira coisa que o povo percebe é o jeito diferente de Jesus ensinar. Não é tanto o conteúdo, mas sim o jeito de ensinar, que impressiona. Por este seu jeito diferente, Jesus cria consciência crítica no povo com relação às autoridades religiosas da época. O povo percebe, compara e diz: Ele ensina com autoridade, diferentemente dos escribas. Os escribas da época ensinam citando autoridades. Jesus não cita autoridade nenhuma, mas fala a partir da sua experiência de Deus e da vida.

2. Marcos 1,23-26: Jesus combate o poder do mal

O primeiro milagre é a expulsão de um demônio. O poder do mal tomava conta das pessoas e as alienava de si mesmas. Hoje também, muita gente vive alienada de si mesma pelo poder dos meios de comunicação, da propaganda do governo e do comércio. Vive escrava do consumismo, oprimida pelas prestações e ameaçada pelos cobradores. Acha que  não vive direito como gente se não comprar aquilo que a propaganda anuncia. Em Marcos, o primeiro gesto de Jesus consiste em expulsar e combater o poder do mal. Jesus envolve as pessoas a si mesmas. Devolve a consciência e a liberdade.

3. Marcos 1,27-28: A reação do povo - o primeiro impacto

Os dois primeiro sinais da Boa Nova que o povo percebe em Jesus são estes: o seu jeito diferente de ensinar as coisas de Deus e o seu poder sobre os espíritos impuros. Jesus abre um novo caminho para o povo conseguir a pureza através do contato com ele. Naquele tempo, uma pessoa que era declarada impura já não podia comparecer diante de Deus para rezar e receber a bânção prometida por Deus a Abraão. Teria que se purificar primeiro. Assim, havia muitas leis e normas que dificultavam a vida do povo e marginalizavam muita gente como impura. Agora, purificadas por Jesus, as pessoas impuras podiam comparecer novamente à presença de Deus.

4. Marcos 1,29-31: Jesus restaura a vida para o serviço

Depois de participar da celebração do sábado, na sinagoga, Jesus entra na casa de Pedro e cura a sogra dele. A cura faz com que ela se coloque imediatamente de pé. Com a saúde e a dignidade recuperadas, ela se põe a serviço das pessoas. Jesus não só cura, mas cura para que a pessoa se coloque a serviço da vida.

5. Marcos 1,32-24: Jesus acolhe os marginalizados

Ao cair da tarde, terminado o sábado, na hora do aparecimento da primeira estrela no céu, Jesus acolhe e cura os doentes e os possessos que o povo tinha trazido. Doentes e possessos eram as pessoas mais marginalizadas naquela época. Elas não tinham a quem recorrer. Ficavam entregues à caridade pública. Além disso, a religião as considerava impuras. Elas não podiam participar da comunidade. Era como se Deus as rejeitasse e as excluísse. Jesus as acolhe. Assim, aparece em que consiste a Boa Nova de Deus e o que ela quer atingir na vida da gente: acolher os marginalizados e os excluídos e reintegrá-los na convivência.

 

3. ALARGANDO

Os oito pontos da missão da comunidade

Um duplo cativeiro marcava a situação do povo na época de Jesus: o cativeiro da religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época, e o cativeiro da política de Herodes, apoiada pelo Império Romano e mantida por todo um sistema bem organizado da exploração e de repressão. Por causa disso, uma grande parte do povo vivia excluída, enxotada e sem lugar, nem na religião nem na sociedade. Era o contrário da fraternidade que Deus sonhou para todos! É neste contexto que Jesus começa a realizar sua missão.

Após a descrição da preparação da Boa Nova (Mc 1,1-13) e da sua proclamação (Mc 1,14-15), Marcos reúne, um depois do outro, oito episódios ou atividades de Jesus para descrever a missão das comunidades (Mc 1,16-45). É a mesma missão que Jesus recebeu do Pai (Jo 20,21). Estes oito episódios são oito critérios para as comunidades fazerem uma boa revisão e verificar se estão realizando bem a sua missão. Vejamos:

1) Mc 1,16-20: Criar comunidade - A primeira coisa que Jesus faz é chamar pessoas para segui-lo. A tarefa básica da missão é congregar as pessoas em torno de Jesus e criar comunidade.

2) Mc 1,21-22: Despertar consciência crítica - A primeira coisa que o povo percebe é a diferença entre o ensino de Jesus e o dos escribas. Faz parte da missão contribuir para que o povo crie consciência crítica frente à religião social.

3) Mc 1,23-28: Combater o poder do mal - O primeiro milagre de Jesus é a expulsão de um espírito impuro. Faz parte da missão combater o poder do mal que estraga a vida e aliena as pessoas de si mesmas.

4. Mc 1,29-31: Restaurar a vida para o serviço - Jesus curou a sogra de Pedro, ela levantou-se e começou a servir. Faz parte da missão preocupar-se com os doentes de tal modo que possam levantar-se e voltar a prestar serviço aos outros.

5. Mc 1,32-34: Acolher os marginalizados - Depois que o sábado passou, o povo trouxe até Jesus todos os doentes e endemoniados, para que Jesus os curasse, e ele curou a todos, impondo-lhes as mãos. Faz parte da missão acolher os marginalizados.

6. Mc 1,35: Permanecer unido ao Pai pela oração - Após um dia de trabalho até tarde, Jesus se levantou cedo para poder rezar num lugar deserto. Faz parte da missão permanecer unido à fonta da Boa Nova que é o Pai, através da oração.

7. Mc 1,36-39: Manter a consciência da missão - Os discípulos gostaram do resultado e queriam que Jesus voltasse. Mas ele seguiu adiante. Faz parte da missão não se fechar no resultado já obtido e manter viva a consciência da missão.

8. Mc 1,40-45: Reintegrar os marginalizados na convivência - Jesus cura um leproso e pede que se apresente ao sacerdote para poder ser declarado curado e voltar a conviver com o povo. Faz parte da missão reintegrar os marginalizados na convivência humana.

Esses oito pontos, tão bem escolhidos por Marcos, mostram o rumo e o objetivo da missão de Jesus: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundânci" (Jo 10,10). Estes mesmos oito pontos podem servir como avaliação para a nossa comunidade. Por aí a gente vê como Marcos constrói o seu Evangelho. Construção bonita, que leva em conta duas coisas ao mesmo tempo (1) informa as pessoas a respeito das coisas que Jesus fez e ensinou; (2) forma as comunidades e as pessoas para a missão de anunciadores e anunciadoras da Boa Nova.

Fonte: Caminhando com Jesus | Carlos Mesters, Mercedes Lopes. PNV 182/183 - P. 28 - 31

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

"Sermos profetas da esperança" é o compromisso da juventude do ENPJ

Momento de oração do 11ºENPJ

Em carta divulgada na missa de encerramento do 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, delegados se comprometem a assumir o apelo do Papa Francisco e serem profetas da esperança. Ela foi produzida ao longo do encontro por uma comissão de jovens e apresentada no final da celebração, no último domingo, 25. Nela, além do compromisso, eles partilham as experiências vividas durante a semana.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

ENPJ recebe carta do Papa Francisco

Papa Francisco
Os jovens reunidos no Encontro Nacional da Pastoral da Juventude foram surpreendidos na tarde desta quarta-feira com a carta do Papa Francisco.
Na carta, Francisco faz um apelo aos jovens a se manterem firmes na caminhada. “Nunca percam a esperança e a utopia, vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todo são os que podem construir uma nova Civilização do amor”, diz a carta. 
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Papa exorta à união das religiões para o bem do Sri Lanka

Colombo - O segundo compromisso do Papa neste seu primeiro dia no Sri Lanka foi o encontro com os líderes religiosos. O Papa começou seu discurso agradecendo por estar presente no encontro que reuniu as quadro maiores comunidades religiosas do Sri Lanka: budismo, hinduísmo, islamismo e cristianismo.
Respeito 
Francisco disse que foi ao Sri Lanka, a exemplo dos Papas Paulo VI e João Paulo II, para demonstrar o grande amor e a solicitude da Igreja Católica pelo país, confirmar os católicos na fé em Cristo, rezar juntos e compartilhar alegrias e sofrimentos.
Lembrando o Concílio Vaticano II, o Papa recordou que a Igreja Católica declarou o profundo e duradouro respeito pelas outras religiões, e acrescentou:
 “É neste espírito de respeito que a Igreja Católica deseja cooperar convosco e com todas as pessoas de boa vontade na busca da prosperidade para todos os cingaleses. Espero que a minha visita ajude a encorajar e aprofundar as várias formas de cooperação inter-religiosa e ecumênica que têm sido empreendidas nos anos recentes”, assegurou o Pontífice.
Diálogo
Francisco destacou ainda a necessidade de se continuar a progredir na senda do diálogo já que as relações inter-religiosas e ecumênicas têm hoje um papel essencial e de urgência no Sri Lanka.
“Durante muitos anos, os homens e mulheres deste país foram vítimas de guerra civil e de violência. O que é necessário agora são a cura e a unidade, não mais conflitos nem divisões. Sem dúvidas, a promoção da cura e da unidade é um nobre compromisso que incumbe sobre quantos têm no coração o bem da nação e, na verdade, da família humana inteira. Espero que a cooperação inter-religiosa e ecumênica possa provar que os homens e as mulheres não têm de esquecer a própria identidade, tanto étnica como religiosa, para viverem em harmonia com os seus irmãos e irmãs”, declarou o Papa.
“Que o crescente espírito de cooperação entre os líderes das diferentes comunidades religiosas encontre expressão num compromisso que ponha a reconciliação de todos os cingaleses no centro de qualquer esforço para renovar a sociedade e as suas instituições”, exortou Francisco. 
Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Celebração homenageia Zilda Arns e dá o primeiro passo para beatificar a fundadora da Pastoral da Criança


O primeiro passo para a beatificação da médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, aconteceu no último sábado, 10, na Arena da Baixada, em Curitiba (PR). Cerca de 40 mil pessoas de todos os estados brasileiros estiveram presentes na celebração que marcou a entrega oficial da moção que solicita a abertura do processo de beatificação de Zilda Arns.
A moção é um documento que reúne assinaturas, com o objetivo de demonstrar o apoio da população a uma causa ou proposta. Neste caso, os fiéis apoiam o reconhecimento à fama de santidade e ao legado evangelizador e pastoral da doutora Zilda.
A celebração eucarística foi conduzida pelo presidente da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno, e contou com a presença de mais de 20 bispos de vários municípios brasileiros e autoridades municipais e estaduais.
Beatificação
De acordo com Nelson Arns, coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança e filho de Zilda, o evento foi resultado de uma rede nacional de mobilização, que coletou assinaturas para a moção de apoio à beatificação. O documento com mais de 130 mil assinaturas foi entregue durante a celebração eucarística à arquidiocese de Curitiba e o próximo passo será o encaminhamento do processo completo para o Vaticano.
“O trabalho de minha mãe à frente da Pastoral foi marcado pelo altruísmo e isso permanece até hoje. As pessoas que integram a Pastoral buscam melhorar sua atuação junto às crianças e à sociedade, não pedem nada para si, mas pelos outros. O apoio à beatificação de uma pessoa que não era religiosa também chama a atenção para o fato de que todos os cristãos são chamados à santidade, e não apenas aqueles que seguem a vocação religiosa”, disse.
Para o arcebispo da Paraíba (PB) e membro do Conselho Diretor da Pastoral da Criança, dom Aldo Di Cillo Pagoto, responsável pelo anúncio de que a Igreja do Brasil daria início ao pedido de beatificação de Zilda, o reconhecimento da médica representaria a valorização do enorme legado deixado por ela. “Zilda dedicou-se à uma certa concepção de vida que precisa ser valorizada. Foi agregadora dos valores de defesa e promoção da vida de crianças e idosos. Seu trabalho tem um caráter sagrado, mas também político. Por isso pedimos reconhecimento para essa líder e benemérita”, declarou.
Biografia
Zilda Arns nasceu em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, Santa Catarina (SC). Ela desenvolveu um importante trabalho social, reconhecido em todos o país. Fundou a Pastoral da Criança em 1983 e, mais tarde, a Pastoral da Pessoa Idosa. A médica pediatra e sanitarista ficou conhecida nacionalmente e em mais 21 países pelo trabalho de combate à mortalidade infantil e de proteção a gestantes e idosos, com a ajuda de um exército de mais de 200 mil voluntários.
A candidata à beata morreu no dia 12 de janeiro de 2010, durante o terremoto que devastou o Haiti, onde estava em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país.  
Fonte: CNBB

domingo, 11 de janeiro de 2015

Brasileiros têm até fevereiro para aderir a Projeto Popular pela Reforma Política


coalizaodemocratica

Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas reforça a campanha de adesão ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular.  Para tramitar no Congresso Nacional, o projeto que propõe a Reforma Política precisa de 1,5 milhão de assinaturas até fevereiro deste ano. Mais de 500 mil brasileiros aderiram à campanha, em 2014, por meio de abaixo-assinado. A iniciativa tem o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que elegeu o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Joaquim Mol, presidente da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política. 
O movimento propõe a instalação de uma Constituinte Exclusiva para a consolidação da reforma política no país. E entre os principais temas está a proibição do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, a  realização de  eleições proporcionais em dois turnos,  o fortalecimento dos mecanismos da democracia direta e participativa  e a inclusão das mulheres na política, por meio da paridade de gênero em lista pré-ordenada. 
Agora, as organizações em torno da Coalizão querem intensificar a coleta de assinaturas, com atos e manifestações em todos os estados. Com esta pretensão, a Coalizão lançou também, no último mês de novembro, o “Manifesto Reforma Política Democrática Já!”, que prevê três etapas de atividades. 
Até fevereiro deste ano, estão previstas ações com vistas ao Dia Nacional de Coleta de Assinaturas e um Seminário sobre Reforma Política, que será realizado durante a Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro. 
A Coalizão pela Reforma Política propõe, ainda, a realização da Semana de Luta Pela Reforma Política com atos públicos nas capitais e nas maiores cidades brasileiras. A entrega das assinaturas ao Congresso Nacional deverá ocorrer em meio a uma concentração popular, reunindo cidadãos de todo o País, em Brasília. Mais de uma centena de organizações representativas da sociedade apoiam a iniciativa, tais como  a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). 
A legislação brasileira não permite assinaturas digitais ou pela internet. Portanto, para aderir a Projetos de Iniciativa Popular como o da Reforma Política é necessário imprimir o formulário, assinar corretamente com todos os dados. Depois de preenchido, o documento pode ser entregue na secretaria das paróquias. 
Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte

“Tu és o meu Filho bem-amado; em ti encontro o meu agrado” (Mc 1, 7-11)



Nesse Domingo, que comemora o batismo de Jesus, mais uma vez encontramos a figura do Precursor, João Batista, que foi uma das principais personagens das liturgias do Advento.  Mas, na leitura de hoje, a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele: literalmente “atrás de mim”.  A expressão, que denota a dignidade, como em um cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem – pois tirar as sandálias era serviço de um escravo.  Jesus é o mais importante, pois com a vinda dele inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os Essênios) somente para o fim dos tempos.

Nesse texto de Marcos, o interesse volta-se menos para o batismo de Jesus como tal, e mais para a revelação divina que se lhe seguiu.  Sendo batizado por João, Jesus coloca-se dentro da humanidade caída, e publicamente assume o compromisso com a vontade do Pai.  A frase “viu os céus rasgarem-se e o Espírito como uma pomba descer sobre si” enfatiza que Deus intervém para realizar as suas promessas (cf. Is 63,19) através do envio do Espírito Santo.  Descendo sobre Jesus, o Espírito o designa como sendo o Salvador prometido e esperado.  A voz do Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público como seu Filho (cf. Sl 2,7), seu bem-amado, objeto da sua predileção.

Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai.  Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus – cada um(a) de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (cf. I Jo 3,1), a quem aprouve escolher-nos.  Nada pode nos separar desse amor divino – nem a nossa fraqueza, nem o pecado (cf. Rm 8,39). O que é importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (cf. I Jo 4, 10-11).  Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as conseqüências – uma vida de fidelidade, que o levaria até a Cruz e a Ressurreição! (cf. Fl. 2,6-11)  Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz.  O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que “já está no meio de nós” (cf. Mc 1,14).
Fonte: CEBI

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ano da Paz proposto pela CNBB tem iniciativas pelo Brasil

Com a chegada do Ano Novo, iniciaram-se também ações pela Paz. Em 2014, os bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovaram, por unanimidade durante a 52ª Assembleia Geral, o Ano da Paz. Trata-se de um período de reflexões, orações e ações sociais, que se estenderá até o Natal de 2015.Baixe aqui o banner do Ano da Paz.
 Com a proposta do Ano da Paz, a Igreja no Brasil quer ajudar na superação da violência e despertar para a convivência mais respeitosa e fraterna entre as pessoas, explica o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. “A violência, a falta de paz, provém do desprezo aos valores da família, da escola na formação do cidadão, do desprezo da vida simples", pontua dom Leonardo.
De acordo com os últimos dados do Mapa da Violência, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Os jovens são os principais afetados neste contexto, somando mais de 27 mil vítimas naquele ano.
Dom Leonardo afirma que as relações mais próximas, na atualidade, encontram dificuldade de manterem-se vivas e que há uma violência generalizada. "Violência que se manifesta na forma da morte de pessoas, na falta de ética na gestão da coisa pública, na impunidade", explicou.
Ações práticas
Para celebração do Ano da Paz, serão aproveitados os meses temáticos do Ano Litúrgico, como os meses vocacional, da Bíblia e da missão. "Vamos refletir durante o ano sobre o porquê da violência e sobre a necessidade de uma convivência fecunda e frutuosa. O Ano Litúrgico nos oferece oportunidades para pensar sobre a paz e a realidade da violência", lembrou dom Leonardo.
O arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva, afirma que o Ano da Paz é um convite para reflexão sobre os motivos de tantos acontecimentos violentos. "Está na hora da sociedade brasileira dar passos no sentido de buscar uma harmonia maior no relacionamento humano. Os nossos relacionamentos estão muito degastados", ressalta.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

No Encontro das Águas, Partilhamos a Vida, o Pão e a Utopia

ENPJ
Acontece em Manaus de 18 a 25 de janeiro o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. Um ano de preparação em que a PJ Nacional, PJ Regional Norte I a da PJ Arquidiocese de Manaus, vivenciaram o lema: No Encontro das Águas, Partilhamos a Vida, o Pão e a Utopia e, se deixaram iluminar pela passagem bíblica Jo 1, 38-39: “Mestre, onde moras? Vinde e Vede.” Um tempo de “ajudar a colocar em nível nacional as formas como se faz Pastoral da Juventude na Amazônia dentro de todos os desafios locais na evangelização da juventude”, ressaltou Lidiane Cristo, representante do Regional Norte I na Coordenação Nacional da PJ.
É na alegria de proporcionar um espaço para encontrar o Mestre Jesus na realidade Amazônica que acolheremos mais de 600 jovens e assessores da Pastoral da Juventude de todos os 18 regionais da Igreja do Brasil. Temos aproximadamente 600 voluntários jovens, assessores e amigos da PJ da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte I que estão servindo nas equipes locais de: acolhida, ambientação, alimentação, bem-estar/saúde, comunicação, cultura, finanças, hospedagem, infraestrutura, lojinha, limpeza, liturgia/mística, missão, passeio, secretaria e transporte.
Ressaltamos que Dom Sérgio Castriani, Arcebispo de Manaus, está sempre presente em todo o processo que vivenciamos e sempre reafirma à coordenação local: “precisamos priorizar três equipes; acolhida, hospedagem e alimentação; as demais tarefas, a PJ consegue dar conta com toda sua experiência.” São 270 famílias em 34 paróquias e áreas missionárias que abrirão suas casas para hospedar os participantes do 11º ENPJ. Na Paróquia Menino Jesus de Praga serão hospedado 54 delegados. A jovem Luanna Kháris partilha: “neste encontro queremos que os jovens possam se sentir bem acolhidos e amados por Deus e pela Igreja de Manaus e assim possam gerar frutos de vida no amor e na alegria”.
A abertura do Encontro será com uma missa campal, no Anfiteatro da Ponta Negra, às 17h30 do dia 18 de janeiro. Devemos contar com todos os grupos de jovens, bem como com a participação das comunidades das paróquias e áreas missionárias. Segundo a secretária nacional da PJ, Aline Ogliari, “A expectativa é que esse encontro seja um profundo marco em nossa história pastoral, que ele traga novos ares, fortaleça nossa identidade, e que sejamos capazes de cada vez mais ler e acolher os sinais dos tempos, traduzindo em experiências cada vez mais proféticas do anúncio e testemunho do Reino”.
Além da celebração de abertura acontecerão dois outros momentos abertos para Igreja de: a Romaria dos Mártires e a celebração de envio. A Romaria dos Mártires será na Ponta Negra. A concentração às 18h será em frente ao conjunto Jardim das Américas e seguirá para o Anfiteatro da Ponta Negra às 19h do dia 24 de janeiro, finalizando com um show. A celebração de encerramento será na Catedral Metropolitana de Manaus às 10h do dia 25 de janeiro. O jovem Matheus Castro, do setor 2 e referência local da liturgia no encontro, ressalta que “a liturgia e a mística perpassam todo o Encontro desde sua preparação até a execução. Queremos então ajudar os e as jovens a rezar e assim encontrar o Mestre que habita também na Igreja da Amazônia em unidade com toda Igreja do Brasil ”.
Mesas de debates e muita cultura marcam a programação do ENPJ
Destacamos alguns momentos durante a programação: mesa de debate, seminários, noites culturais, partilha com as famílias. Porém, queremos destacar o passeio ao encontro das águas e a missão jovem. A missão acontecerá em 48 locais, nas estradas, comunidades indígenas, ribeirinhas e na área urbana do centro e periferia.

No fim do encontro, logo após a celebração de envio, como gesto concreto faremos um ato político. Segundo Matheus Fernandes da coordenação nacional da PJ pelo Rio Grande do Sul, “O Ato pela Reforma Política é muito importante. A política deve ser serviço e então é momento de renovação para que não sirva a interesses particulares e sim a toda sociedade. Assim podemos nos manifestar enquanto jovens cristãos conscientes, por uma reforma política que garanta, de fato, as políticas públicas e um sistema político mais limpo”.
Que Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Manaus e do Amazonas, possa iluminar e interceder por nós em todo o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Pronto o processo de canonização de Dom Oscar Romero


San Salvador  - O Bispo Auxiliar de San Salvador, Dom Gregorio Rosa Chávez, afirmou em uma entrevista ao Canal salvadorenho 21 que foram cumpridos todos os requisitos para a canonização de Dom Óscar Arnulfo Romero e mostrou confiança de que poderá ser realizada o mais breve possível, ainda em 2015.
Santo pelas mãos de Francisco
O prelado afirmou que a Igreja Católica salvadorenha ficaria muito contente se fosse o próprio Papa Francisco a presidir a Missa de canonização do mártir salvadorenho."O Papa está convencido da santidade de Dom Romero - afirmou  o prelado -, por isto solicitou a aceleração do processo e está seguro de que é um passo que deve ser dado...mas a boa notícia é que a canonização está a caminho".Dom Rosa Chávez manifestou esperança de que durante a visita do Papa aos Estados Unidos e México, programada para setembro de 2015, tenha espaço na agenda para "una escapadita" a El Salvador para santificar Dom Romero.
Dom Óscar Romero foi assassinado na capela do Hospital da Providência, em San Salvador, no dia 24 de março de 1980. 
Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cimi repudia declarações da ministra Kátia Abreu



O Conselho Indigenista Missionário manifesta um veemente repúdio às declarações que a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu (PMDB-TO) deu em entrevista publicada neste dia 05 de janeiro de 2015 no Jornal Folha de S. Paulo.

A ministra mais uma vez defende a Proposta de Emenda Constitucional 215/00 e tenta deslegitimar o direito dos povos indígenas sobre suas terras tradicionais arguindo a tese absurda de que “os índios saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção”. Uma afirmação tão descabida e desconectada da realidade do nosso país só pode ser fruto de uma total ignorância e de uma profunda má fé.  Quem realmente conhece a história de nosso país sabe que não são os povos indígenas que saíram ou saem das florestas. São os agentes do latifúndio, do ruralismo, do agronegócio que invadem e derrubam as florestas, expulsam e assassinam as populações que nela vivem.

A “rainha da motosserra”, como a ministra da Agricultura também é conhecida, passa inclusive por ridícula ao negar o direito dos povos lembrando que “o Brasil inteiro era deles”. Não é digno de quem foi chamada a ser ministra de Estado do Brasil propagar a ideia caricata de que os povos indígenas estariam reivindicando “o Brasil inteiro”. A Constituição Federal de 1988 garante o direito dos povos indígenas sobreviventes dos seculares massacres às terras tradicionalmente habitadas por eles, como garantia para a sua sobrevivência física e cultural. É no mínimo uma atitude esdrúxula de quem mal assumiu o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento vir a público com insinuações desrespeitosas à Lei Suprema do País. Não satisfeita em atacar, bem no início do “novo” governo Dilma, os povos indígenas, a representante do latifúndio tenta ainda pôr uma “pá de cal” sobre o inexistente processo de reforma agrária no Brasil e esgrime descaradamente a tese de que no Brasil não existiria mais latifúndio.

Com essa entrevista a ministra Kátia Abreu, além de revelar prepotência e cinismo, demonstra claramente que está no governo Dilma para pisotear os direitos daqueles que lutam pela distribuição equânime da terra, pelos direitos dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses e pelo meio ambiente. A ministra confessa sem meias palavras que assumiu sua pasta para defender o latifúndio e os privilégios que o governo tem concedido ao agronegócio.

A presidente Dilma Rousseff não se deixou impressionar pelas manifestações contrárias de amplos setores da sociedade brasileira à nomeação de Kátia Abreu, inimiga declarada dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses e do meio ambiente. Com a entrevista ficou evidente que as preocupações e os temores destes setores com o novo governo Dilma são legítimos e justificáveis.

O latifúndio, o ruralismo e o agronegócio não têm limites. Diante de tamanha insensatez e insensibilidade, não resta outra alternativa aos povos senão dar continuidade ao processo de articulação, mobilização e luta em defesa de suas terras e de suas vidas.

Brasília, DF, 05 de janeiro de 2015.

Dom Erwin Kräutler
Bispo do Xingu e Presidente do Cimi

Emília Altini
Vice-Presidente do Cimi

Cleber César Buzatto
Secretário Executivo do Cimi

Comissão disponibiliza materiais para a CF 2015

O lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2015 será no dia 18 de fevereiro, às 10h30, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. Para auxiliar na vivência e divulgação da Campanha nas dioceses, paróquias e comunidades, a Comissão Executiva da CF 2015 disponibiliza materiais para serem baixados, entre eles o cartaz, textos formativos, hino e partitura, oração e apresentações. Confira aqui. 
Com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), a  Campanha da Fraternidade (CF) 2015 buscará recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II.
O texto-base utilizado para auxiliar nas atividades da CF 2015 está disponível nas Edições CNBB. O documento reflete sobre a dimensão da vida em sociedade que se baseia na convivência coletiva, com leis e normas de condutas, organizada por critérios e, principalmente, com entidades que “cuidam do bem-estar daqueles que convivem”.
Fonte: CNBB

domingo, 4 de janeiro de 2015

Papa prioriza universalidade na escolha de novos cardeais

Cidade do Vaticano – “O critério mais evidente é o da universalidade”, afirmou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e Diretor da Rádio Vaticano, Padre Federico Lombardi, ao contextualizar a divulgação dos nomes dos novos cardeais feita pelo Papa durante o Angelus deste domingo (04/01).
No total, 15 novos cardeais com direito a voto em Conclave serão criados por Francisco no Consistório do próximo dia 14 de fevereiro. Os futuros cardeais são provenientes de 14 países diferentes: 5 da Europa, 3 da Ásia, 3 da América Latina (México incluído), 2 da África e 2 da Oceania. “Vemos a presença de países que nunca tiveram um cardeal (Cabo Verde, Tonga, Myanmar), de pequenas comunidades eclesiais ou em situação de minoria”, afirmou Lombardi.
A estas realidades particulares pertencem o Bispo de Tonga, Dom Soane Patita Paini Mafi, presidente da Conferência Episcopal do Oceano Pacífico, assim como Dom Arlindo Gomes Furtado, bispo de Santiago de Cabo Verde, uma das mais antigas dioceses da África, sem esquecer do Arcebispo de Morelia, Dom Alberto Suárez Inda, região mexicana conturbada pela violência.
Tradição
Neste segundo Consistório do seu Pontificado, observa-se que Francisco volta a olhar para as “periferias existenciais”, não se detendo a meras nomeações. “Nota-se que entre os novos cardeais está somente um da Cúria Romana. Confirma-se também que o Papa não se sente vinculado às tradições das ‘sedes cardinalícias’ – que eram motivadas por razões históricas em diversos países – e que, por isso, o cardinalato era quase que, automaticamente, vinculado a tais sedes”, esclareceu Lombardi.
Fonte: Rádio Vaticano

sábado, 3 de janeiro de 2015

Jesus é luz para todos - os Magos do Oriente (Mt 2,1-12)




O relato da visita dos Magos do Oriente faz parte do Evangelho da Infância de Jesus segundo Mateus (Mt 1-2). Mais do que informar dados biográficos, essas narrativas querem fazer uma profunda reflexão teológica para compreender a vida de Jesus e servir de luz na caminhada das comunidades daquele tempo e ainda hoje. Aproximemo-nos ao texto em três momentos.

1. Jesus atualiza a memória profética
Numa perspectiva, percebemos como a comunidade de Mateus quer mostrar como em Jesus se cumpre a esperança de seu povo. Por isso, já situara sua origem humana (Mt 1,1-17) e divina (Mt 1,18-25), conforme tinha dito o profeta Isaías (Mt 1,22-23; Is 7,14). Em nosso relato, mais elementos vêm confirmar essa perspectiva da esperança profética.
estrela esperada, que sairia da linhagem do pai Jacó (Nm 24,17), é Jesus de Nazaré, descendente de Davi, outra estrela da estirpe de Jacó. Essa estrela é a verdadeira luz para todos os povos, é o “sol da justiça”, anunciado pelo profeta Malaquias (Ml 3,20). Davi é da tribo de Judá e Belém é sua aldeia de origem. Por isso, os autores deste relato fazem memória da esperança do profeta Miquéias (Mq 5,1-3), que não acreditava mais nas autoridades de Jerusalém, a capital, mas em um governante que viria desde a periferia, como Davi, quando era um pobre pastor de ovelhas antes de se tornar rei em Hebron e, depois, também em Jerusalém.
Outro aspecto dessa memória da esperança do povo é o fato de lembrar vários textos que anunciam a vinda do rei justo para todos os povos, enquanto do Oriente e do Ocidente eles viriam trazendo-lhe presentes (Sl 72,10-15; Is 49,23; 60,5-6). Os presentes anunciam que Jesus é rei (ouro) divino (incenso), que veio trazer libertação para muitos. Por isso, é uma ameaça para outros, que o matam (a mirra era usada nos sepultamentos – Jo 19,39-40)
2. A estrela do rei que vem da periferia
Em outra perspectiva, convém identificar as figuras de Herodes, dos sumos sacerdotes e dos escribas do povo.
Em 37 aC, Herodes Magno foi proclamado, por Roma, rei sobre toda a Palestina com o título de “rei sócio e amigo do povo romano”. Esse título nos mostra que Herodes representava, de fato, os interesses do imperador na região e cobrava os impostos para o império, reprimindo toda e qualquer resistência. De fato, era um poder dependente e subserviente aos interesses do império colonialista. Morreu no ano 4 aC.
Os sumos sacerdotes eram o grupo dos sacerdotes ricos e, junto com os escribas, representavam o poder religioso judaico. Os escribas, também conhecidos por legistas ou doutores da lei, eram os intérpretes das Escrituras. Isso lhes dava prestígio e influência em meio ao povo. Junto com os grandes sacerdotes e os anciãos (representantes dos bem situados economicamente), os escribas faziam parte do Sinédrio ou Grande Conselho. O Sinédrio era a autoridade máxima dos judeus e foi nele que se decidiu a morte de Jesus (Jo 11,45-54). Da mesma forma como Herodes, também os sumos sacerdotes, chefes do Sinédrio, eram poder dependente de Roma, uma vez que, no tempo de Jesus, eram nomeados pelos interventores romanos, os procuradores.
É importante que tenhamos clareza sobre isso, a fim de entender o que a comunidade de Mateus nos quis dizer em nosso texto. Não é por acaso que Herodes (poder político) e cidadãos de Jerusalém vissem seus privilégios ameaçados com o novo projeto de vida trazido por Jesus, o rei justo que nasce para todas as nações a partir de uma casa da periferia. É por isso que Herodes busca, através da mentira, enganar os magos a fim de colocar em prática seu plano perverso de matar o Messias (Mt 2,13). E também não é por acaso que grandes sacerdotes e escribas (autoridades religiosas) se aliem ao poder político na identificação do lugar onde devia nascer Jesus, pois percebiam que, há séculos, sua religião oficial deixara de brilhar como luz profética na defesa da vida, do amor e da liberdade.
Agora, Jesus é a estrela da justiça que brilha para a vida de todos os povos. Sua luz não é perceptível em Jerusalém, o centro do poder religioso judaico e dependente dos interesses romanos. Por isso, sua estrela não é visível aos magos. Sua luz vem da periferia, de Belém, que significa “casa do pão”. O encontro com o Deus Emanuel acontece lá onde está quem não tem vez nem voz nos centros de poder, acontece na periferia. E mais. É significativo que Jesus nasce na casa do pão. É que pão repartido é o coração de sua boa-nova. Cotidianamente, promove a partilha do pão ao redor da mesa ou em regiões desérticas. Não é por acaso que colocou o pedido pelo pão no centro dos assuntos preferências de suas conversas com o Pai. E nos pediu que os mesmos assuntos fossem também o conteúdo básico de nossa busca de intimidade com o Pai (Mt 6,9-13; Lc 11,2-4). Por fim, deixa-nos o gesto da partilha do pão como o maior sinal de sua presença entre nós (Mt 26,26-29).
3. Nos magos, os povos acolhem o messias
O evangelho segundo Mateus é o único a relatar a vinda dos sábios do Oriente. Aqui, oriente não é um lugar determinado, mas é uma referência ao lado em que nasce o sol, símbolo da luz e da vida, tal como o anjo que vem do nascente e anuncia a marca do Deus vivo em todos os seus servos (Ap 7,2-3). Nos magos, os povos acolhem o messias, que se manifesta a todas as nações.
A este texto do evangelho da infância, foram acrescentadas, pela tradição, inúmeras lendas. Um delas afirma que os magos teriam vindo da Pérsia, por ser uma cultura versada na astrologia. Outra fixa o número de magos. Seriam três. Esse número é deduzido da quantidade de presentes dados ao menino, como gesto de solidariedade para com a criança pobre que não nasce em berço de ouro. No entanto, o texto não afirma quantos eram os magos.
O texto também não diz que eles eram reis. Aliás, o rei era quem buscava matar a criança recém-nascida. As informações sobre os magos enquanto “reis”, com “nomes” e “cores” são inseguras. Alguns atribuem a São Leão Magno (papa de 440 a 461) o título de “reis” para os magos. Isso se deve não somente à influência dos cânticos de Is 60, mas também ao contexto de aliança entre a Igreja e os reis de Roma.
No século VII, eles teriam recebido “nomes” populares: Baltazar, Melchior e Gaspar. E, no século XV, lhes teriam sido atribuídas as “cores”: Melquior representaria as etnias brancas, Gaspar as amarelas e Baltazar as negras, a fim de simbolizar o conjunto da humanidade que acolhe e reconhece o Messias como Deus conosco e libertador de todas as formas de violência e de exclusão.
Fonte: Ildo Bohn Gass