sexta-feira, 26 de junho de 2015

Santa Sé reconhece oficialmente o Estado da Palestina



Cidade do Vaticano –  O aguardado Acordo global entre a Santa Sé e o Estado da Palestina foi assinado na manhã desta sexta-feira (26/06), no Vaticano. O reconhecimento da Santa Sé ao Estado da Palestina é o resultado do Acordo Básico, assinado entre a Santa Sé e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), datado de 15 de fevereiro de 2000, e das negociações de uma Comissão bilateral, realizadas nos últimos anos.
O Acordo Global, constituído de um Preâmbulo e de 32 artigos, divididos em 8 capítulos, refere-se aos aspectos essenciais da vida e da atividade da Igreja, no Estado da Palestina. Ao mesmo tempo, reafirma o apoio a uma solução negociada e pacífica da situação na região. O Acordo Global entre a Santa Sé e o Estado da Palestina entrará em vigor depois que ambos os Países informarem, por escrito, que os requisitos constitucionais ou internos são satisfatórios. 

Novidade
A novidade, além de refletir a evolução da situação naquela região é, sobretudo, a liberdade reconhecida pela "Igreja católica, pelas pessoas jurídicas e canônicas e por todos os católicos" (art.2 §3), interpretada e regulada com base nos padrões mais reconhecidos do direito internacional na matéria. 
O Preâmbulo do Acordo, redigido de acordo com a vigência do direito internacional, traz alguns pontos-chave: a autodeterminação do povo palestino, o objetivo da solução de dois Estados (Two-State solution), o significado não-simbólico de Jerusalém, o caráter sagrado da cidade para hebreus, cristãos e muçulmanos e o seu valor religioso universal e cultural como tesouro para toda a humanidade e os interesses da Santa Sé na Terra Santa. 
O Acordo foi assinado, por parte da Santa Sé, pelo Secretário para as Relações com os Estados, Arcebispo Paul Richard Gallagher e pelo lado do Estado da Palestina, por Riad Al-Malki, Ministro das Relações Exteriores. Participaram da assinatura, entre outros, par parte da delegação da Santa Sé, o Núncio Apostólico em Jerusalém e Palestina, Dom Antonio Franco, e o Patriarca de Jerusalém dos Latinos, Sua Beatitude Fouad Twal; e por parte da delegação do Estado da Palestina, o vice-chefe do Alto Comitê Presidencial para os Assuntos da Igreja na Palestina, Ramzi Khoury, e o representante Do Estado da Palestina, junto à Santa Sé, Issa Kassissieh.

Fonte: Rádio Vaticano

sábado, 20 de junho de 2015

Mensagem da CNBB contra a Redução da Maioridade Penal



 “Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6).
Temos acompanhado, nos últimos dias, os intensos debates sobre a redução da maioridade penal, provocados pela votação desta matéria no Congresso Nacional. Trata-se de um tema de extrema importância porque diz respeito, de um lado, à segurança da população e, de outro, à promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. É natural que a complexidade do tema deixe dividida a população que aspira por segurança. Afinal, ninguém pode compactuar com a violência, venha de onde vier.
É preciso, no entanto, desfazer alguns equívocos que têm embasado a argumentação dos que defendem a redução da maioridade penal como, por exemplo, a afirmação de que há impunidade quando o adolescente comete um delito e que, com a redução da idade penal, se diminuirá a violência. No Brasil, a responsabilização penal do adolescente começa aos 12 anos. Dados do Mapa da Violência de 2014 mostram que os adolescentes são mais vítimas que responsáveis pela violência que apavora a população. Se há impunidade, a culpa não é da lei, mas dos responsáveis por sua aplicação.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), saudado há 25 anos como uma das melhores leis do mundo em relação à criança e ao adolescente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. As medidas socioeducativas nele previstas foram adotadas a partir do princípio de que todo adolescente infrator é recuperável, por mais grave que seja o delito que tenha cometido. Esse princípio está de pleno acordo com a fé cristã, que nos ensina a fazer a diferença entre o pecador e o pecado, amando o primeiro e condenando o segundo.
Se aprovada a redução da maioridade penal, abrem-se as portas para o desrespeito a outros direitos da criança e do adolescente, colocando em xeque a Doutrina da Proteção Integral assegurada pelo ECA. Poderá haver um “efeito dominó” fazendo com que algumas violações aos direitos da criança e do adolescente deixem de ser crimes como a venda de bebida alcoólica, abusos sexuais, dentre outras.
A comoção não é boa conselheira e, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas com danos irreparáveis para muitas crianças e adolescentes, incidindo diretamente nas famílias e na sociedade. O caminho para pôr fim à condenável violência praticada por adolescentes passa, antes de tudo, por ações preventivas como educação de qualidade, em tempo integral; combate sistemático ao tráfico de drogas; proteção à família; criação, por parte dos poderes públicos e de nossas comunidades eclesiais, de espaços de convivência, visando a ocupação e a inclusão social de adolescentes e jovens por meio de lazer sadio e atividades educativas; reafirmação de valores como o amor, o perdão, a reconciliação, a responsabilidade e a paz.
Consciente da importância de se dedicar mais tempo à reflexão sobre esse tema, também sob a luz do Evangelho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunido em Brasília, nos dias 16 a 18 de junho, em consonância com a 53ª Assembleia Geral da CNBB, dirige esta mensagem a toda a sociedade brasileira, especialmente, às comunidades eclesiais, a fim de exortá-las a fazer uma opção clara em favor da criança e do adolescente. Digamos não à redução da maioridade penal e reivindiquemos das autoridades competentes o cumprimento do que estabelece o ECA para o adolescente em conflito com a lei.
Que Nossa Senhora, a jovem de Nazaré, proteja as crianças e adolescentes do Brasil!
Brasília, 18 de junho de 2015.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília-DF
Presidente da CNBB

                 Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia-BA
              Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário Geral da CNBB

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Nova Encíclica do papa Francisco pede conversão ecológica

O Vaticano divulgou na manhã de hoje, 18, a nova Encíclica do papa Francisco, "Laudato si - sobre o cuidado da casa comum”. O texto trata da ecologia humana e o clima está no centro das preocupações apresentadas pelo pontífice.  Além disso, são apontadas as problemáticas e desafios de preservação e prevenção, como também aspectos da criação à proteção, e questões como fome no mundo, pobreza, globalização e escassez.  

Este é o primeiro documento escrito integralmente pelo pontífice, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente. Em 2013, no início do pontificado do papa Francisco, o primeiro documento publicado foi "Lumen Fidei", que já tinha sido iniciado pelo papa emérito Bento XVI.
Em consonância com a encíclica do papa, em 2016, a Campanha da Fraternidade Ecumênica da CNBB terá como tema “Casa comum, nossa responsabilidade”. A atividade será coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
Conversão ecológica
No final da Audiência Geral, da quarta-feira, 17, o papa Francisco disse que a Terra tem sido maltratada e saqueada. “Esta nossa ‘casa’ está sendo arruinada e isso prejudica a todos, especialmente os mais pobres. Portanto, o meu apelo é à responsabilidade, com base na tarefa que Deus deu ao ser humano na criação: 'cultivar e preservar' o 'jardim' em que ele o colocou. Convido todos a acolher com ânimo aberto este Documento, que está em sintonia com a Doutrina Social da Igreja”, alertou Francisco.
O papa explicou que o nome da Encíclica foi inspirado na invocação de São Francisco  “Louvado sejas, meu Senhor”, que no Cântico das Criaturas recorda que a terra pode ser comparada com uma irmã e uma mãe.
A nova Encíclica é composta por seis capítulos, são eles: “O que está a acontecer à nossa casa”, “O Evangelho da criação”, “A raiz humana da crise ecológica”, “Uma ecologia integral”, “Algumas linhas de orientação e ação” e “Educação e espiritualidade ecológicas”.
Ao longo do texto, o papa convida a ouvir os gemidos da criação, exortando todos a uma “conversão ecológica”, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade de um compromisso para o “cuidado da casa comum”.
“Deus, que nos chama a uma generosa entrega e a oferecer-Lhe tudo, também nos dá as forças e a luz de que necessitamos para prosseguir. No coração deste mundo, permanece presente o Senhor da vida que tanto nos ama. Não nos abandona, não nos deixa sozinhos, porque Se uniu definitivamente à nossa terra e o seu amor sempre nos leva a encontrar novos caminhos. Que Ele seja louvado!”, disse Francisco ao final da Encílica.
Fonte: CNBB

terça-feira, 16 de junho de 2015

17º Força Jovem é celebrado no Limoeiro



Neste domingo (14) foi celebrado o 17º Força Jovem, encontro da PJ das Foranias 4 e 5 da Arquidiocese de Feira de Santana. Com a temática “Juventude, sal da terra e luz do mundo, foram realizados momentos de oração, descontração e formação, na Comunidade Nossa Senhora da Ajuda, na Paróquia Nossa Senhora dos Humildes. Importante ressaltar a presença de pjoteiros de diversas paróquias das Foranias 1, 2 e 3 também. 
O encontro começou com a acolhida das paróquias e a oração inicial que trouxe a iluminação bíblica do encontro, presente em no Evangelho segundo as Comunidades de Mateus  5,13-14. Nessa oração foram colocados os elementos presentes na oração, como o sal, mostrando que devemos fazer a diferença na sociedade, e uma vela representando a luz que devemos ser no meio aos outros jovens.
Em seguida foram realizadas as seguintes oficinas: Juventude e vocação (Ir. Eleudiane Carvalho), Como fazer PJ (Erik Nascimento), Juventude e Sexualidade (Luana Souza e Marisa Salvi), Por que ser contra a redução da maioridade penal (Reginaldo Dias) e Chega de violência e extermínio de jovens (Bruno Conceição). Todas as oficinas foram apresentadas ao público na parte da tarde, antes das apresentações culturais e das bandas. Logo sem seguida foi realizada a Santa Missa celebrada pelo pároco Cristiano Fechine, que ressaltou a vocação da Pastoral da Juventude de ser sal em meio às nossas comunidades. Foi realizada também a Ciranda pela vida e contra o extermínio da juventude, conduzida pelo secretário regional da PJ, Bruno Conceição. Este foi o momento de recordar as inúmeras vítimas, em especial jovens, da violência em nossas cidades. A animação do encontro ficou por conta da Banda Akua Viva com a sua mescla de ritmos e o final ficou com  Liz e Banda que animou a galera pjoteira e toda comunidade do início ao fim.

Fonte: Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana

Em defesa da vida plena: PJ Nacional envia carta motivando novos passos

Campanha_PJ
Hoje celebramos a Páscoa de Gisley. Com o coração cheio de ternura, mas também cheio da coragem da luta, convidamos você para rezar as palavras que a Pastoral da Juventude reúne reafirmando um grito que não vai se calar: CHEGA DE VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DE JOVENS!
Vamos unir a nossa voz à voz de tantos e tantas pelo Brasil em mais um passo de luta e profetismo.
É tempo de renovar a esperança e continuar na defesa da vida da juventude!
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Celebremos a páscoa de Pe. Gisley – ODJ para os Grupos de Jovens

Jovem, sonhador, neotéfilo, religioso, padre estigmatino. Nasceu em 17 de novembro de 1977, no interior do estado de Goiás na cidade de Morrinhos. Era um filho dedicado e atencioso. Irmão e tio presente, amigo da vida. Entrou no seminário onde cursou o curso de filosofia, sendo ordenado sacerdote em 2005, pela Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (Estigmatinos).
Gisley
Este foi o Padre Gisley Azevedo, um amigo e companheiro de caminhada, que há seis anos nos deixou, vítima do mal que tanto combateu. Seu engajamento na luta contra violência e o extermínio de jovens também trouxe boa nova, impulsionando o nascimento da Campanha Nacional Contra Violência e o extermínio de jovens. Hoje sua memória nos enche de esperança e ousadia na continuidade da defesa, intransigente, da vida de tantos e tantas jovens.
Somos motivad@s pela entrega total de Jesus de Nazaré, coração amigo e acolhedor, a fazer memória, no dia da Pascoa de Padre Gisley, da sua vida e de tantas outras amigas e amigos que doam suas vidas pelo Reino da Vida.
A Pastoral da juventude convida a todos os grupos de jovens do Brasil, a se irmanarem e celebrarem juntos, no dia 15 de junho, este a Páscoa de Gisley, na Páscoa do Nazareno, que também é nossa!
Equipe do Projeto Mística e Construção
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

quarta-feira, 10 de junho de 2015

PJ lança cartilha sobre a 3ª Conferência Nacional de Juventude

siteCONFJUV
Não é mais novidade que 2015 é o ano da 3ª Conferência Nacional de Juventude (ConfJuv). Ela foi convocada pela presidenta Dilma Rousseff no dia 28 de abril de 2015, e tem como tema “As várias formas de mudar o Brasil”. O período de duração desse processo começou em maio, e vai até dezembro. Todo o processo de preparação para a etapa nacional está contido no Regimento Interno, aprovado pela Comissão Organizadora Nacional (CON). Um dos objetivos da 3ª ConfJuv é ampliar a participação das juventudes a partir das suas várias formas de expressão, além de debater e aprovar o Plano Nacional de Juventude para os próximos 10 anos.
A Pastoral da Juventude quer novamente ter e deixar sua marca nesse processo. Há poucos dias, divulgamos nossa logomarca, e hoje, divulgamos essa cartilha que contém várias orientações sobre nossa participação na 3ª ConfJuv. Nela, apresentamos uma breve linha histórica sobre as Políticas Públicas de Juventude no Brasil, o que é e o que propõe a Comissão Organizadora Nacional para a ConfJuv, como iremos nos posicionar e participar nesse tempo, bem como quais serão as bandeiras que assumimos enquanto PJ. Também trazemos vários elementos visando empoderar mais ainda os grupos e as coordenações.
“É muito importante que, enquanto jovens protagonistas e enquanto militantes da Pastoral da Juventude, participemos desse processo da Conferência Nacional, somando nossas ações a tantas outras que acontecem pelo Brasil. Sabemos que muito temos a contribuir nessa discussão, e que o Projeto do Reino nos provoca a não nos ausentarmos do debate e da construção. Queremos um país que dê lugar a todos e a todas, que coloque a juventude e todo o seu povo no centro”, lembra a secretária nacional da PJ, Aline Ogliari.
Daniel Seidel, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, e quem revisou a cartilha, parabeniza a PJ pela iniciativa de mobilizar a participação da PJ na 3ª Conferência Nacional da Juventude. Para Daniel, “este é o protagonismo colocado em prática: lutar pela conquista de direitos para as juventudes no Brasil, que menciona também o Papa Francisco: “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem” (Evangelli Gaudium, nº 02). Ele conclui dizendo que “a doce alegria se encontra no serviço, principalmente aos jovens mais empobrecidos, vítimas da discriminação e de violências. Sigam adiante, rompendo barreiras e construindo pontes”.
É importante que essa cartilha chegue a todos os grupos de base e lideranças, especialmente àquelas que estarão contribuindo com a organização de alguma das etapas.
Façamos ressoar!
Tamo junto pra mudar o Brasil!
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

terça-feira, 9 de junho de 2015

Pastorais da Juventude lançam cartaz da Semana do/a Estudante 2015

A Semana do/a Estudante 2015 já tem cartaz! Ele foi lançado nesta segunda-feira (08) pelas Pastorais da Juventude. O lema “Democratização da informação em defesa da cultura da paz” será refletido junto à iluminação bíblica de Gêneses, “Onde está teu irmão?” (cf. Gn 4, 9).
A ciranda, aliás, é o grande destaque da arte. Jovens em sua diversidade se encontram numa comunicação plena, onde todos têm voz e vez. O tema motiva para essa dimensão da reflexão: “Juventude, escola e sociedade: uma ciranda de vida”.
O desenho é do artista baiano Aurélio Fred, com arte gráfica de Thiesco Crisóstomo.
O subsídio da SDE, que acontece em 09 a 15 de agosto, será lançado em breve.
Clique aqui para baixar o cartaz em alta resolução.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

quinta-feira, 4 de junho de 2015

CEBs do Regional NE3 emitem carta contra o extermínio da juventude


cartaz_campanha

NOTA DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE DO REGIONAL NE-3 SOBRE A VIOLÊNCIA E O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE

Nós, Comunidades Eclesiais de Base do Regional NE3, reunidas no II Encontrão Regional das CEBs, nas terras de Caetité-BA, nos dias 21 a 24 de maio de 2015, ao analisar a realidade de nossas juventudes e aprofundar esses elementos numa oficina sobre a temática, elegemos como compromisso a necessidade de defender e garantir a vida de todas as juventudes, sobretudo, aquelas que vivenciam situações de violação de direitos e risco eminente de morte, seja no campo e na cidade, principalmente, nas periferias dos nossos centros urbanos e em meio aos povos e comunidades tradicionais.
Clamamos “Chega de Violência e Extermínio de Jovens”, porque as juventudes de nossas comunidades querem viver. Diante da situação do país, mais do que nunca, precisamos levantar a bandeira da Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens, assumi-las em nossas bases e fortalecê-las por todo o nosso regional.
Levantamos a bandeira da permanência e valorização da vida no campo e nos territórios dos povos e comunidades tradicionais, para que as nossas juventudes rurais e de povos e comunidades tradicionais tenham a garantia da sua identidade (camponesa, indígena, quilombola, fundo e fecho de pasto, pescadores, marisqueiras, extrativistas, entre outros), podendo viver do seu espaço territorial e no seu ambiente identitário, de forma digna e respeitosa.
Frente ainda às tentativas de marginalização e criminalização dos nossos e das nossas jovens dizemos “Não a Redução da Maioridade Penal”. Queremos a garantia de mais direitos e de políticas públicas de qualidade, que permitam aos nossos jovens e às nossas jovens terem uma vida que vale a pena ser vivida, para que possam exercer o seu protagonismo juvenil em nossas comunidades e em meio à sociedade.
As juventudes são parte integrante da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base e toda ação que afronte a vida dos nossos e das nossas jovens nós repudiamos e denunciamos.
Para que todos e todas jovens tenham vida, e a tenham em abundância, seguimos firmes na caminhada.

Mailson Pereira
Articulador das Pastorais da Juventude do Brasil no Regional NE-3

Tiago Aragão
Pela equipe de Coordenação das CEBs NE-3

terça-feira, 2 de junho de 2015

CEBs do Regional NE3 enviam carta após seu 2º Encontrão

MENSAGEM DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE DO REGIONAL NORDESTE III AO POVO DE DEUS DA BAHIA E SERGIPE

Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz..(Cfr. Lc 11, 33).
Nós, das Comunidades Eclesiais de Base, do Regional Nordeste III – Bahia e Sergipe, reunidos e reunidas, na cidade de Caetité-Ba, nos dias 21 a 24 de maio de 2015,com a presença das Dioceses de Aracaju,Alagoinhas, Barra, Bom Jesus da Lapa, Senhor do Bomfim, Caetité, Camaçari, Feira de Santana, Itabuna, Ilhéus, Irecê,Jequié, Juazeiro, Livramento de Nossa Senhora, Paulo Afonso, Ruy Barbosa, Salvador, Serrinha e Vitória da Conquista.
Em consonância com a Semana de oração pela unidade dos Cristãos, nas celebrações preparativas e a solenidade de Pentecostes, que lembra o nascimento da Igreja, tempo inspirador em que acontece o II Encontrão das CEB´s com a missão de refletir,sobre o tema: “As CEB´s e a força do Testemunho”e, o Lema: “O jeito de ser Igreja em todos os cantos”.Ao todo, éramos 282 participantes, compreendidos em: Leigos e Leigas, Bispos, padres, seminaristas, religiosas e religiosos, comunidades remanescentes de quilombolas, indígenas,assessorias, e da pastora Nancy Cardoso da Igreja Metodista.Juntos, vimos de várias e diferentes comunidades, com muito entusiasmo e expectativas, em busca de um novo revigoramento da vida celebrada e das comunidades em estado permanente de missão.
Objetivando atender às expectativas de um povo que clama por justiça e dignidade humana, as CEB´s prepararam as seguintes oficinas: 1- Na defesa da Vida, com o assessor Roberto Malvezzi (Gogó); 2- Juventude, com o assessor Pe. Cláudio; 3- Conflitos Sociais, com assessor Frei Luciano Bernard; 4- A Igreja em saída missionária, com Mônica Muggler e 5- Meios de Comunicação, com assessor Pe. Paulo Henrique.
O encontro iniciou com uma celebração trazendo a memoria da religiosidade popular. No segundo dia, lançamos um olhar sobre a atual conjuntura. A assessora, profª. Alidéia, de Caetité, foi muito feliz na explanação do assunto, de forma bem atualizada, pedagógica e ilustrativa. Apresentou uma conjuntura atual, mundial, nacional e local deixando na assembleia sentimentos de perplexidade, inquietação e questionamentos da gravidade do momento histórico e nos chamando para a responsabilidade como Igreja. Como continuar em silêncio diante de tamanha situação?
Os pronunciamentos do PAPA Francisco, tem sido contundentes e denuncia as diversas realidades de violência contra a humanidade, a exemplo de: migração de haitianos, aumento do trabalho escravo, estado subservienteao poder econômico, privatização dos elementos da natureza: água, ventos, terras, minérios, corrupção, descrédito da população para com os políticos, violência, investida contra os direitos das comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, fundos e fechos de pasto e brejeiros, investidas contra os direitos trabalhistas, conquistados com tantos sofrimentos.
Seguindo as colocações do frei Dom Luis Cappio, bispo da Diocese de Barra, ainda sonhamos com uma Igreja atenta à inspiração do Divino Espírito Santo a exemplo das primeiras comunidades cristãs e fieis ao projeto de Jesus Cristo. Uma Igreja em missão permanente que dê atenção aos necessitados de seu tempo. Que a ação de cada comunidade seja fruto de uma experiência pessoal, a partir de Jesus Cristo e não baseada em atitudes meramente pessoais.
Seguindo a programação no sábado à tarde, houve a socialização do Documento 100 da CNBB, pelo padre Osvaldino Alves Barbosa, da Diocese de Caetité. O mesmo abordou a temática: “Comunidade de Comunidades;” conversão pastoral e paroquial, conversão pessoal e estrutural. Fundamentado no documento citado, nos mostrou uma igreja preocupada com sua missão e ação. Uma igreja em continuidade com a eclesiologia do Concílio Vaticano II e das conferências latino-americanas. Uma igreja que insiste no valor das Comunidades e incentiva a presença e a participação de leigos e leigas, visando uma igreja toda ela ministerial. Que busca formar, motivar, acompanhar e dar apoio a seus membros seja qual foro ministério de cada um e de cada uma.Uma igreja tão sonhada por Dom Oscar Romero e que hoje se torna o sonho de todos nós.
A exemplo de dom Hélder Câmara que nos dizia: “Não deixem a profecia morrer.” e diante da problemática apresentada e como resultado das oficinas, surgiram as seguintes propostas como compromissos que podem ser assumidos pelas comunidades:
1. Que a Igreja incentive formação específica para suas lideranças no intuito de participarem dos conselhos municipais de educação,visando uma educação contextualizada para atender às necessidades do aluno do campo;
2. Formar e fortalecer, nas paróquias e municípios as comissões de meio ambiente;
3. Revigorar nas paroquias COMIPAS (Comissão Missionária Paroquial) e nas comunidades, equipes missionárias;
4. Criar grupos ou equipes de ação missionaria que visitem os novos areópagos: condomínios fechados, novos conjuntos habitacionais, periferias, povoados desassistidos;
5. Criar grupos de formação para o uso correto dos meios de comunicação social;
6. Criar ou fortalecer as equipes de pastoral da comunicação;
7. Fortalecer as lutas contra a maioridade penal;
8. Fortalecer as campanhas contra a violência e o extermínio de jovens.
9. Fortalecer as Campanhas de Revitalizações dos rios e contra o desmatamento.
10. Assumir a luta pelo saneamento a partir da Campanha da Fraternidade de 2016.
Ao entardecer do terceiro dia, em caminhada pelas ruas da cidade de Caetité, celebramos o testemunho de nossos mártires: Índio Galdino, dos pataxós, Antônio Conselheiro, o povo negro e o extermínio de jovens. Lembramos também da beatificação de Dom Oscar Romero, em El Salvador como mártir da justiça pelo Reino, também a reivindicação dos Tupinambás contra a PEC 215/00 (sobre a demarcação das terras indígenas) que tramita no congresso
Encerrando o II Encontrão, nos dirigimos em caminhada à Catedral de Senhora Santana com o povo de Deus para a celebração eucarística de nosso Pentecostes.

Segundo o Espirito do Deus dos vivos assumimos estes compromissos acima citados.
Amem, axé, awerê, aleluia.
Caetité. 24 de Maio de 2015.