quinta-feira, 27 de março de 2014

Comissão pela Reforma Política discute Plano de Mobilização

Membros da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas reúnem-se ontem, 26, no auditório 10 das Comissões da Câmara dos Deputados. No encontro, serão abordados assuntos como o Plano de Mobilização em apoio ao Projeto de Lei n. 6.316/13 da Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e a Formação da Coalização Parlamentar pela Reforma Política Democrática.
 Estarão presentes na reunião o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, diretores da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Política Brasileiro e demais entidades.
Projeto de Lei 6316/13
Construído em conjunto pela CNBB, OAB e demais entidades que integram a Coalizão Democrática, o Projeto de Lei 6. 316/13 trata da proibição de doações de recursos financeiros por empresas para financiar campanhas eleitorais; da mudança no sistema de votação, sendo feito em dois turnos, no qual, no primeiro, o eleitor votaria em um programa, em ideias e, no segundo turno, escolheria as pessoas que irão colocar em prática o projeto; da equiparação entre o número de homens e mulheres no meio político, sendo que para cada candidato homem, teria uma mulher; e da regulamentação do artigo 14 da Constituição de 1988, sobre os instrumentos de participação popular.
O projeto de reforma política deve ser proposto como uma lei de iniciativa popular. Por isso, a coalizão tem o objetivo de colher mais de 1,5 milhão de assinaturas, para que o texto seja recebido pelo Congresso Nacional.
Coalização Parlamentar pela Reforma Política Democrática
No dia 12 de março, a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas recebeu, na sede da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), em Brasília, 15 parlamentares, entre senadores e deputados federais, que manifestaram apoio às ações de mobilização do grupo. Na ocasião, dom Joaquim Mol explicou a relevância da participação desses parlamentares na iniciativa. “É muito importante que essas pessoas, de fato, nos apoiem nesse projeto até para que, dentro do próprio Congresso Nacional, que terá que discutir e votar esta matéria, haja um ambiente preparado para isso”, disse.
Fonte: CNBB

terça-feira, 25 de março de 2014

Coordenação Nacional da PJ realiza primeira reunião de 2014

      
          Foi próximo à casa da poetisa Cora Coralina na cidade de Goiás Velho – GO que a Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude e a Comissão Nacional de Assessores se reuniram de 20 a 23 de março tendo o Mosteiro da Anunciação como ponto de acolhida. Este foi o primeiro encontro dos jovens após a realização da Ampliada Nacional da PJ (ANPJ), realizada em janeiro na cidade de Ribeirão das Neves/MG.
          As deliberações da Ampliada foram os principais pontos refletidos pela Coordenação. Para contribuir com a reflexão dos principais apontamentos o grupo contou com orientação metodológica do assessor da ANPJ, Eder D`artagnan. As reflexões sobre os Projetos Nacionais foram feitas e encaminhadas a partir do que os grupos elencaram em janeiro com contribuições de jovens de todo o Brasil. Outra novidade foi a presença da nova Secretária Nacional da PJ, a jovem Aline Ogliari em sua primeira reunião.
       A secretária lembrou da emoção trazida por estar na cidade onde Dom Tomás Balduíno exerceu o pastoreio até 1998, inspirando a defesa do direito à terra aos pequenos produtores e indígenas. “Estar na minha primeira reunião da coordenação nacional da PJ nessa cidade foi muito forte. O coração bateu apressado e espero que isso seja sinal de esperança fortalecida para o próximo triênio. Espero também que todos os e as jovens dos grupos de base e coordenações recebam e sintam todo esse pulsar nosso por ter estado nesse chão, e que seja recíproco para nós receber o pulsar da realidade dos mais diversos cantos do Brasil”, destacou Aline.
         Quem também fez sua primeira reunião foi a Comissão Nacional de Assessores(CNA), eleita na Ampliada. Irmão Paulo de Jesus, um dos novos membros do grupo, disse que o primeiro encontro dos assessores “foi de muita alegria e esperança”. O grupo refletiu sobre como se dará o acompanhamento aos Regionais, bem como a realização do Encontro Nacional de Assessores (ENA). Irmão Paulo disse que a prioridade é aprofundar o ministério da assessoria e ser presença significativa junto aos jovens de todos os cantos. Além dele, Irmã Tomelina, Loide Almada, Pe. Joel Nalepa, Pe. Sebastião Corrêa e Alberto Chamorro compõe a nova CNA, que tem ainda a presença de Irmão Joilson Toledo no acompanhamento de transição até o fim do ano.
         A Coordenação Nacional da PJ e Comissão Nacional de Assessores voltam a se reunir no mês de novembro na cidade de Manaus/AM. Antes disso, parte do grupo se encontra na capital amazonense para preparar o 11º Encontro Nacional da PJ, que acontece em janeiro de 2015.
 ENPJ
            Um dos principais pontos de pauta da reunião da Coordenação Nacional da PJ foi a preparação para o 11º Encontro Nacional. A jovem Elayne Cardoso, representante do Regional Norte 1 (AM e RR) e membro da PJ da Arquidiocese de Manaus, apresentou os principais trabalhos desenvolvidos pela equipe local, que já se mobiliza para o grande encontro celebrativo.
            “Nossos jovens estão muito empenhados e animados com esse momento. Estamos esperando ansiosos e com o coração cheio de esperança e amor todos os jovens que virão de todos os cantos do país para beber da nossa experiência de Igreja a esperança que brota do chão da Amazônia”, declarou Elayne.
           O 11º ENPJ tem como lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia” e a iluminação bíblica “Mestre, onde moras? Vinde e vede” (Jo, 38b.39ª).

Fonte: Teias da Comunicação (pj.org.br)

domingo, 23 de março de 2014

“É para a liberdade que Cristo nos libertou” - Roda de Conversa para grupos de jovens


Roda de Conversa para Grupos de Jovens “É para a liberdade que Cristo nos libertou” é um material que está em sintonia com a Igreja do Brasil nessa Campanha da Fraternidade 2014 que tem como centralidade a reflexão sobre o Tráfico de pessoas. É destinado aos jovens nos seus diversos espaços, para que possam dialogar, aprofundar e construir o enfrentamento dessa “chaga” social. É, também, nosso primeiro material elaborado, de vários outros que ainda virão durante esse ano de caminhada: Semana da Cidadania, Semana do Estudante, Dia Nacional da Juventude, entre outros... Esperamos contribuir com o processo dos grupos, na tarefa de sermos juventude organizada em nossa pluralidade brasileira. Somos Bianca, Bruno, Maicon, Thiesco e tantos e tantas que com o coração cheio de amor e simplicidade se colocam a disposição de construir.


Fonte: Teias da Comunicação

terça-feira, 18 de março de 2014

40 milhões de brasileiros não tem acesso à água tratada

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O Brasil possui cerca de 12% de toda a quantidade de água doce do mundo distribuída em rios e tem em suas terras o maior rio em termos de extensão e volume do planeta, que é o Rio Amazonas. Ainda assim, milhões de brasileiros sofrem com a escassez de água. Fenômenos como a urbanização em massa, desperdício de água e crescimento da demanda fazem com que a água, antes um bem de fácil acesso e disponível para todos, venha se tornando gradativamente uma mercadoria.
O aquecimento global e o desperdício hídrico estão sendo motivos de alarde ao redor do mundo.
Em termos mundiais, a quantidade de água doce presente é suficiente para atender de 6 a 7 vezes o mínimo anual que cada habitante do mundo precisa. Mesmo parecendo uma quantidade abundante, esse recurso representa apenas 0,3% do total de água no Planeta. O restante dos 2,5% de água doce está nos lençóis freáticos e aquíferos, nas calotas polares, geleiras, neve permanente e outros reservatórios, como pântanos.
No Brasil, parte da água já perdeu a característica de recurso natural renovável devido aos processos de urbanização, industrialização e produção agrícola que são pouco estruturados em termos de preservação ambiental e da água. Além da redução na quantidade de água potável e na degradação do ambiente – resultando em mais escassez – a distribuição de água é desigual. Enquanto algumas cidades a possuem em abundancia ao ponto de desperdiçarem, outras sofrem meses a fio sem acesso à água potável sequer para consumo próprio. Em pesquisa realizada pela especialista em água e saneamento do Banco Mundial, Maria Catalina Ramirez,cerca de 36 milhões de pessoas na América Latina não têm acesso à água potável .
É importante haver uma conscientização mundial sobre este tema, a fim de evitar o desperdício deste bem e preservar nossos recursos. A poluição tem se tornado, junto com a escassez, fator alarmante. A quantidade de água potável já está em crescente redução e junto a isso soma-se a enorme quantidade de lixo tóxico, descarte de materiais hospitalares e restos de comida nos rios e lagos ao redor do planeta. Além disso, é preciso proporcionar formas de distribuição igualitária da água de modo que todos possam ter acesso ao recurso com qualidade.
A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água, lançado oficialmente em uma cerimônia que aconteceu dia 11 de fevereiro daquele ano. Para John Ashe, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,“as crises de água, saneamento e de energia são os principais desafios globais de desenvolvimento, já que atualmente 783 milhões de pessoas vivem sem água potável, 2,5 bilhões não têm saneamento adequado e 1,4 bilhão não têm acesso a eletricidade”. Além disso, de acordo com dados da ONU, todos os anos 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas de higiene. 
No Brasil, 19 milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas não contam com água potável. Outras 21 milhões que vivem em áreas rurais também não têm acesso à água tratada. Além disso, apenas 46% dos domicílios brasileiros contam com coleta de esgoto. (Funasa/Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento Básico – 2010)
A população vem reagindo a este problema por meio de campanhas de conscientizaçãorealizadas em diversas cidades. Um exemplo disso é a comunidade de Nova Colônia, Rio de Janeiro. Os moradores iniciaram dia 3 de fevereiro uma campanha focando no uso consciente da água, cortando ações de desperdício como lavagem de calcadas, desligar a torneira quando ninguém estiver usando e não prolongar o período do banho al;em do necessário para uma boa higiene pessoal.  “(…) A gente pode até ficar sem luz, mas sem água ninguém consegue viver. As pessoas têm que se conscientizar e usar direito esse nosso bem tão precioso”, afirma um dos moradores da cidade.
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por Tanara Adriano, da Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional, com informações da ONU e do site Socioambiental
Fonte: Cáritas Brasileira

segunda-feira, 17 de março de 2014

Escola da Juventude Dom Hélder Câmara dá inicio as atividades de 2014


Entre os dias 14 e 15 de março, estiveram reunidos quase 60 jovens de diversas paróquias da Arquidiocese de Feira de Santana, para a realização da 1ª Etapa da Escola da Juventude Dom Hélder Câmara. A formação foi realizada na Chácara Santo Inácio, de propriedade da Companhia de Jesus residentes em nossa Arquidiocese. Foram momentos fortes de mística, formação e partilha. A EJ se iniciou em 2003, por se verificar a necessidade de uma formação mais concreta e enraizada na perspectiva juvenil de nossa terra. 


A programação começou na sexta à noite, com a acolhida e de uma dinâmica de apresentação. Logo após tivemos a mística de abertura, com a reflexão da passagem de Mt 5,13-14 ("sois o sal e a luz do mundo"). Logo depois houve uma breve conversa sobre a história da Escola da Juventude, bem como seus objetivos. 


No sábado de manhã tivemos a oração da manhã e logo após tivemos a assessoria da psicóloga Nelli, que falou sobre Autoconhecimento. No sábado pela tarde contamos com a assessoria de Johnny Santos, pjoteiro natural da Arquidiocese de São Paulo, que está morando em Santo Estevão, e compõe a Assessoria Arquidiocesana da Pastoral da Juventude. Ele falou sobre Antigo Testamento, focando principalmente os Profetas. No sábado pela noite tivemos uma roda de conversa sobre a Missão da Igreja. Primeiramente falou o Padre Raimundo Souza, que está no acompanhamento das juventudes do Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe) O padre falou um pouco dos documentos que embasam a atividade missionária da Igreja. Logo depois falou o noviço jesuíta e pjoteiro que já compôs a Coordenação Nacional da PJ, Luis Duarte. Este nos contou sobre sua história na Pastoral da Juventude, bem como sua descoberta e vocação na Companhia de Jesus. Por fim, a Irmã Flor, que faz parte das Irmãs Felicianas, contou um pouco de sua atividade missionária na Amazônia, onde teve muitas dificuldades, porém foi de enorme crescimento espiritual para esla. 
 
No domingo pela manhã rezou-se o Oficio Divino da Juventude, e depois os cursistas partiram para a Caminhada do Perdão da Arquidiocese.  Por fim, ficou a saudade deste fim de semana tão proveitoso para os representantes de nossos grupos de base, e a alegria de saber que em maio temos a 2ª etapa que abordará Afetividade e Sexualidade, Novo Testamento e Missão da PJ.

Erik Nascimento
Coordenação da Pastoral da Juventude - Arquidiocese de Feira

quinta-feira, 13 de março de 2014

Da imagem de Francisco à luta de Francisco


O dia 13 de março de 2013 está marcado para a história contemporânea da Igreja Católica e para muitos homens e mulheres de nossa época, religiosos ou não, como um aceno da esperança a quem andava na busca por ver a bimilenar instituição cristã dar passos significativos para o mundo. Da Praça de São Pedro um silêncio místico fez-se ecoar por todo o orbe. O silêncio, para os presentes, para quem estava acompanhando de qualquer parte do mundo, gritava nos corações. Daquele dia em diante, Jorge Mario Bergoglio, agora Francisco, passou a dar novos tons aos quadros da Igreja Católica.

Dentro de um ano o Papa Francisco se tornou uma verdadeira avalanche. Com sorrisos, gestos, palavras, atitudes concretas, cativa por onde passa gente das realidades mais plurais. É jovial e atrai de maneira inusitada as pessoas. Em uma palavra: é um fenômeno. Na atual cultura pop ele é pop, até porque os dividendos midiáticos de sua imagem rendem bastante. Se esse não é seu desejo, por outro lado, no nosso mundo tudo é, como se sabe, dinheiro. Na intuição poética dos Engenheiros do Hawaii "o papa é pop, o pop não poupa ninguém”.

De certa forma, sua figura mexe mais que a Igreja. Todo mundo está de olho no Francisco. Muitos até, segundo palavras suas em entrevista aqui publicada, vivem uma franciscomania. Até já passam a criar mitos em relação à sua pessoa. Numa sociedade de muitas carências e feridas, sua imagem oferece colo, aconchego, ternura e desenvolve imediata simpatia. E como filhos e filhas aflitos e perdidos por encontrar uma mãe, as multidões se entregam encantadas pelo espírito de finesse do Papa envolvente. Tanto é assim que na fala de muitas pessoas por aí, percebe-se nitidamente uma relação com o Francisco afeto, o que significa diálogo só com uma dimensão da vida do Papa.

Embora não seja, claro, a intenção do Papa Francisco, acontece com ele algo comum à história de todos os papas da Igreja nos últimos tempos; para bem e para mal, a instituição papado ganha o primeiro lugar sobre o eclesial. Desde que no Ocidente Cristão a Igreja teve toda a sua estrutura centralizada na imagem do Papa, processo gestado em séculos, mas, sobretudo, solidificado no século XI, com Gregório VII, a Igreja parece ser o que é o Papa. Nem mais nem menos. O eclesial fica sempre ao gosto do último Papa. O Papa Francisco mesmo sem o querer é apanhado por essa herança histórica, estruturada em todos os detalhes do funcionamento da Igreja, que exigem a palavra do pontífice no começo e no fim de suas atividades. Não é algo de que possa escapar facilmente, ainda que seu jeito pessoal faça frente a muito do que é usual no atual modelo da Igreja.

Todavia, como fez João XXIII, Francisco trabalha muito para que as mudanças venham. Sua vida como um todo é exemplo disso. Também na Evangelii Gaudium, logo no número 1, enfatiza que a exortação pretende indicar caminhos para a Igreja nos próximos anos. Caminhos de mudanças, tendo a alegria do Evangelho no centro das ações pastorais da Igreja. Nesse sentido, ajuda a Igreja falar para o nosso mundo de modo concreto, como faz em cada parte da Exortação Apostólica.

Pela mídia em geral, e pelos meios de comunicação próprios da Igreja, são notórios seus movimentos para termos uma Igreja mais sinodal, colegiada, transparente, desapegada das riquezas, pobre com os pobres e dos pobres, de todos. Essa luta de Francisco é programática. Pelos próximos anos, deverá ser essa a atitude de toda a Igreja. Se isso não for feito pode-se correr o grande risco de se permanecer na apreciação prazerosa da imagem do Papa sem chegar aos eixos de sua mensagem. Passar da imagem ao programa de Francisco é uma questão vital para a Igreja. Não porque seja ele um salvador, pois se víssemos as coisas assim incorreríamos num erro. Mas porque sua mensagem é evangélica como do outro Francisco que o inspirou.

Chave para essa luta, como se pode ver aqui nesta reflexão, é a questão do papado. Se for do desejo de todos termos uma Igreja no centro e não o papado, se faz urgente, com clareza teológica, examinando a história, ver o que é essencial, o que é acessório nesta instituição. Se tal não ocorrer, passado o pontificado do Papa Francisco, já podemos esperar ansiosos pelo porvir, condicionado pelas virtudes e vícios do próximo papa.

[Magno Marciete é padre, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, doutorando pela mesma instituição e Professor na PUC- Minas]

Fonte: Adital

quarta-feira, 12 de março de 2014

Perdoar sempre


Neste domingo - dia 16 - acontece, em Feira de Santana, a Caminhada do Perdão. Perdoar faz bem, resistir ao perdão faz mal para a saúde física e psicológica. Segundo estudiosos no assunto, o perdão é fator preponderante na prevenção e na cura de doenças. Assim, o perdão está ligado não só a uma paz e alegria espiritual, mas também, a um salutar equilíbrio humano.

FOI LANÇADO nos Estados Unidos um livro que chama atenção de todos: "O Poder do Perdão". Trata-se de um livro de quase 300 páginas, contendo relatos dramáticos de situações conflitantes, entre pais e filhos, famílias, grupos e comunidades. Seu autor é Frederic Luskin, um psicólogo americano de 49 anos, que viveu algumas experiências difíceis no dia a dia de sua existência. Ele afirma que não é possível passar um longo período da vida com ódio, sem adoecer. Mais ainda, a pessoa que odeia torna-se mais feia.

O POVO garante: "É falando que a gente se entende". O diálogo é o melhor meio de entendimento. As vezes, é o único. Diálogo não significa gritar, nem pode ser uma conversa de surdos, onde todos falam e ninguém escuta. Dialogar é aproximar os corações e ouvir o que o outro quer dizer. Diálogo supõe a capacidade de pedir e dar o perdão.

PERDOAR é zerar a culpa, é assinar um tratado de paz com o fato, por mais doloroso que ele tenha sido. Perdoar é varrer da memória o episódio que um dia nos machucou de forma tão cruel. E quando fazemos isso, recuperamos a paz e até mesmo a saúde. Um provérbio popular garante: "Se queres ser feliz por um momento, vinga-te; se queres ser feliz para sempre, perdoa". 

O EVANGELHO é um livro repleto de sabedoria divina e humana. Um número impressionante de vezes, ele fala sobre o perdão. Precisamos sempre perdoar e pedir perdão. Mais ainda: ele explica que a nossa própria salvação passa pela porta do perdão. No Pai-Nosso, nós apresentamos uma proposta a Deus, uma proposta com duas possibilidades: perdoai-nos assim como nós perdoamos. A alternativa fica evidente: se não perdoarmos, não seremos perdoados. É perdoando aos outros que nos habilitamos ao perdão divino.

A CAMINHADA do Perdão quer nos ajudar a refletir sobre essas importantes verdades e provocar em nós uma mudança de vida em relação a nós mesmos, nossa família, nossas atividades e com Deus. Se Deus, que é Deus, perdoa sempre, quem somos nós para não perdoar o irmão por mais grave que seja a ofensa? E perdoando recebemos em troca saúde, alegria, paz, felicidade e o céu.

Autor: Dom Itamar Vian
Fonte: Arquidiocese de Feira de Santana

terça-feira, 11 de março de 2014

Preparando a Caminhada do Perdão

Ao aproximar-se a “Caminhada do Perdão”, queremos preparar os nossos corações e, também, as nossas Comunidades e Arquidiocese para acolher a misericórdia de Deus. A Caminhada do Perdão é um caminho, um tempo oportuno, de conversão. Um voltar-se para Deus e os irmãos. Não há possibilidade de perdão sem mudança de vida, sem abrir as portas de nosso coração ao amor misericordioso de Deus e sem nos voltarmos para os irmãos. E o que devemos mudar?


À Luz do Espírito Santo podemos ver como está nossa casa, nossa paróquia, nossa Arquidiocese. Reconhecer o que está sujo, desarrumado, o que falta por causa de nossa desídia e comodismo, nossa falta de esperança. Sabemos que a misericórdia e o amor de Deus é infinitamente maior que nossos pecados. Podemos confiar-nos ao amor do Pai, manifestado em Jesus Cristo. Na força do Espírito Santo podemos nos levantar e caminhar para a Páscoa. Podemos renascer como pessoas novas e empenhar-nos na renovação da Igreja, sempre e hoje especialmente, necessitada de purificação (LG, 8).

Necessitamos colaborar com todas as pessoas de boa vontade para a construção de um mundo novo, sem exclusões, sem tráfico de pessoas, sem irmãos pisados em sua dignidade por causa da miséria, das drogas, da violência. Somos chamados a sermos missionários e anunciar a Boa Nova de que Deus nos ama e quer que vivamos como filhos e irmãos. Estamos iniciando a Quaresma. Em nossos ouvidos ressoam as palavras que escutamos na imposição das cinzas: “ Converte-te e crede no Evangelho”. Eu, que sou cinza, estou chamado a ser e viver como filho de Deus!

O papa Francisco nos diz na introdução da sua Mensagem Quaresmal: “Por ocasião da Quaresma ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão”. Sem dúvida que nos podem servir, e muito, para esta nossa Caminhada do Perdão. Lendo, meditando, levando à prática, conversando com outros, refletindo em comunidade, tiraremos muito fruto. Como ajuda para nosso “Caminho de Conversão” podem nos servir:

• Oração ao Espírito Santo: “Vinde Espírito Santo” (Liturgia e Cantos, n. 1207)

• Salmo 50 : “Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!”

• Mensagem do papa Francisco para a Quaresma/2014


“Vinde, Espírito Santo e do céu mandai luminoso raio.
“Vinde, Pai dos pobres, doador dos dons, luz dos corações.....”

Pe.Avelino Brugos
Fonte; Secretaria de Pastoral da Arquidiocese de Feira de Santana

domingo, 9 de março de 2014

Mensagem da CNBB sobre doação de órgãos para transplantes

Segue, na íntegra, a mensagem do bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2014, “Fraternidade e Tráfico Humano”. No texto, dom Leonardo fala mais especificamente a respeito da doação de órgãos para transplantes. De acordo com dom Leonardo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apoia a doação de órgãos para transplantes. "Órgãos e tecidos não podem ser comprados nem vendidos e só podem ser doados de forma livre, generosa e altruísta", afirma. Leia, abaixo, a mensagem.
 FRATERNIDADE E TRÁFICO HUMANO
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTES
A Campanha Fraternidade aborda a cada ano realidades da vida eclesial e social. A realidade do Tráfico Humano que estamos discutindo, refletindo e rezando fala de diversos aspectos da vida dos nossos irmãos e irmãs. A vida humana é dom e cada pessoa é um filho, uma filha de Deus. Estamos sempre na busca de salvar a vida de pessoas.
Ao abordarmos o tráfico humano lembramos a importância dos transplantes de órgãos que salvam milhares de vidas todos os anos, em todo o mundo.
Como lembra Beato João Paulo II: “a doação de órgãos é o maior gesto de amor ao próximo que pode ser feito por todos nós.” Órgãos e tecidos não podem ser comprados nem vendidos e só podem ser doados de forma livre, generosa e altruísta.
A doação entre pessoas vivas somente pode ser feita nos casos de parentes próximos. Depois da morte, as famílias precisam autorizar as doações e, somente dessa forma, os transplantes poderão ser realizados.
O progresso da medicina tem salvado pessoas através do transplante de órgãos. A fila à espera de um transplante que possa salvá-la é grande. Há necessidade de doadores de órgãos para continuar curando os milhares de doentes.
Qualquer tipo de comércio de órgãos é proibido por lei e é combatido pelos médicos.
Vamos conversar na nossas famílias sobre a decisão de ser um doador, pois, por inúmeras vezes, a família deixa de autorizar a doação, por não conhecer o desejo do seu ente querido.
Ao combatermos todos os modos de tráfico humano lembramos que a doação de órgãos é esperança de vida! Ela é apoiada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB.
Um abençoada caminhada quaresmal com Jesus Crucificado Ressuscitado,

+ Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
Fonte: CNBB

sexta-feira, 7 de março de 2014

“Quaresma, tempo de recolhimento para oração”, afirma dom Leonardo

Na Quarta-feira de Cinzas, 5, a Igreja Católica iniciou o período da Quaresma, considerado um tempo de conversão. O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, explica que a  Quaresma é oportunidade para intensificar a oração pessoal, em família e na comunidade.
“É um tempo muito precioso, quando podemos entrar no mistério da dor e o sofrimento de Jesus. Podemos ver a profundidade da nossa participação na vida, na morte e ressurreição do Cristo”, afirma.
De acordo com o bispo, o tempo Quaresmal é um período de recolhimento para a oração. “Assim a comunidade pode participar intensamente da morte e ressurreição de Jesus. E desse recolhimento desabrocha a esperança, vem vida nova e um sentido novo para todo o universo. A vida e a morte de Jesus perpassou toda a obra da criação. Nós nos recolhemos para viver essa grandeza”, acrescenta.
Ir ao encontro 
Relembrando as palavras do papa Francisco, que tem incentivado a Cultura do Encontro, dom Leonardo deseja que as dioceses e paróquias do Brasil estejam atentas aos mais necessitados neste período quaresmal. “Em nossas comunidades existem pastorais que cuidam das pessoas que sofrem e realmente precisam de ajuda, como os doentes, os pobres, as crianças, os idosos. Nós queremos estar presentes onde existe o sofrimento humano, isso é a caridade”, ressalta o secretário geral da CNBB.  
Dom Leonardo recorda também o pensamento de Bento XVI, ao se referir à caridade como o “amor em movimento”.  “É sair de nós mesmos e irmos ao encontro das pessoas que precisam de nós. O mais bonito é que aos sairmos, nós recebemos”, acrescenta.
Dignidade humana
A Campanha da Fraternidade (CF), que este ano aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1), pode auxiliar no itinerário de libertação pessoal, comunitária e social, proposto para ser feito na Quaresma. “Os exercícios quaresmais do jejum, da oração e da esmola abrem silenciosamente toda a nossa pessoa para o encontro com Aquele que é a plenitude da vida, com Aquele que é a luz e a vida de toda pessoa que vem a este mundo”, disse dom Leonardo.
Realizada durante os quarenta dias da Quaresma, a CF 2014 tem como objetivo identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana. “A verdade liberta, pois traz à luz o sentido da grandeza, da beleza, da dignidade da pessoa humana. Ser filho, filha de Deus é a verdade que liberta, torna livres, deixa viver na liberdade”, fala dom Leonardo.
Ainda conforme o bispo, “a Campanha da Fraternidade, ao trazer à luz um verdadeiro drama humano deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade”.
A abertura da CF 2014 aconteceu na Quarta-feira de Cinzas. No dia 13 de abril, Domingo de Ramos, ocorrerá a Coleta Nacional da Solidariedade. 
Fonte: CNBB

quinta-feira, 6 de março de 2014

Papa Francisco envia mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014

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Por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2014, que aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”,  o papa Francisco enviou mensagem aos bispos da CNBB e  a todos os fiéis das dioceses, paróquias e comunidades do Brasil. No texto, o papa afirma que o tráfico de pessoas é uma “uma chaga social”.
“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”, destacou Francisco. 
Ao final da mensagem, Francisco concedeu bênção apostólica a todos os brasileiros desejando uma Quaresma de vida nova em Cristo.
Confira a íntegra da mensagem:
Queridos brasileiros,
Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recordo a vitória da Páscoa: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: “Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!”. Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõe este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.
Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! “A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência” (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?
Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós: “Abbá, Pai!” (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.
Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.
Francisco
Fonte: CNBB

quarta-feira, 5 de março de 2014

Tem início a Campanha da Fraternidade 2014

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade de 2014 nesta Quarta-feira de Cinzas, dia 5 de março, em sua sede em Brasília (DF). Este ano, a campanha aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
Representantes do governo e entidades da sociedade civil marcaram presença na solenidade, entre eles: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado; e a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke.
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, presidiu a cerimônia. Segundo dom Leonardo, a Igreja inicia um “tempo de conversão” em se tratando da Quaresma. No Brasil, a Conferência dos Bispos apresenta a Campanha da Fraternidade “como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social”.
Para dom Leonardo Steiner, a CF 2014 quer contribuir na identificação das práticas do tráfico humano em suas várias formas. “O tráfico humano de hoje é, certamente, fruto da cultura que vivemos. A Campanha da Fraternidade, ao trazer à luz um verdadeiro drama humano deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade”, explicou.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que o governo se une à CNBB e às demais entidades na luta contra o tráfico de pessoas. Para o ministro, o Estado deve reagir frente a essa realidade. “É inaceitável um crime como o tráfico humano e que pessoas sejam tratadas como objetos, como escravos. Não importa a modalidade deste crime. Ele tem que ser objeto de uma reação muito forte da sociedade moderna, do Estado moderno”, disse.
Mensagem do papa
O papa Francisco enviou mensagem por ocasião da abertura da campanha no Brasil. O texto foi lido pelo secretário executivo da CF 2014, padre Luiz Carlos Dias. 
De acordo com o papa, não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria.  "Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc”, disse.  O papa se dirigiu aos fiéis, exortando sobre a problemática do tráfico de pessoas. “Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha”, lembrou o papa.
Dignidade humana
Para a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke, é necessário debater a temática do tráfico humano de forma aberta e coerente. “A Campanha da Fraternidade nos coloca um grande desafio de falar honestamente das hierarquias econômicas, sociais e culturais, que acabam legitimando esse tipo de exploração humana”, apontou a pastora.
O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado, destacou que a OAB reconhece a CNBB como uma parceira de lutas em defesa da dignidade humana. “A Campanha da Fraternidade vai chamar a atenção para essa grande chaga que é a opressão, o abandono, em uma sociedade estruturada sob bases injustas, visando apenas o consumismo e o capitalismo. Que cada brasileiro nesta campanha, lute pelo desaparecimento do tráfico humano”, concluiu.
Fonte: CNBB

terça-feira, 4 de março de 2014

Mensagem do papa Francisco para a Quaresma

O convite aos cristãos para testemunharem sua fé por meio da convivência comunitária é feito pelo papa Francisco em sua mensagem para o Quaresma 2014, que terá início no dia 05 de março, Quarta-feira de Cinzas. O texto divulgado pelo Vaticano, apresenta algumas reflexões chamadas pelo de “caminho pessoal e comunitário de conversão”. 
“O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança”, disse o papa Francisco. Confira a íntegra da mensagem:
Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)
 
Queridos irmãos e irmãs!
 
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
 
A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
 
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
 
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).
 
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.
 
O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
 
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.
 
O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
 
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
 
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
 
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
 
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
 
Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.
 
Francisco

Fonte: CNBB
 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Abertura da Campanha da Fraternidade 2014

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fará a abertura oficial da Campanha da Fraternidade de 2014 na Quarta-feira de Cinzas, dia 5 de março, às 14h, em sua sede em Brasília. Este ano, a campanha aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). O evento será transmitido, ao vivo, pelas emissoras de inspiração católica.
bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, presidirá a cerimônia. Na ocasião estarão presentes representantes do governo e de entidades da sociedade civil. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado; e a secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke, confirmaram presença.
Na ocasião, será divulgada a mensagem do papa Francisco para a Campanha da Fraternidade.
Arquidiocese de Feira de Santana
Neste dia 05 de março, às 19 horas, na Catedral Senhora Sant'Ana, o arcebispo metropolitano Dom Itamar Vian vai abrir a Campanha da Fraternidade de 2014 que tem como tema “Tráfico Humano”. A campanha é promovida, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Sempre acontece durante a Quaresma. “A exploração e o tráfico de pessoas como escravas e como mercadoria é um fato vergonhoso. Anualmente mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo se tornam vítimas desta prática desumana. O tráfico de pessoas acontece para fins de exploração sexual, trabalho escravo, venda e remoção de órgãos, adoção ilegal e outros. A Campanha da Fraternidade de 2014 vai tratar dessa cruel realidade”, disse dom Itamar Vian.
Fonte: CNBB e Arquidiocese de Feira de Santana

domingo, 2 de março de 2014

‘Não adianta falar de combate ao tráfico humano sem falar de combate à pobreza’

Religiosa que trabalha no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes fala da importância da Campanha da Fraternidade 2014
“Nenhum tipo de criminalização nos deve fazer recuar. Temos que levantar a cabeça e saber que a vida é muito preciosa para ser violada.” A entrevista foi feita por telefone, antes de ligar para o celular da irmã Henriqueta Cavalcante, que mora no Pará, foi preciso enviar uma mensagem, explicar a importância da matéria para, após a concordância da religiosa, ligar e fazer a entrevista.
Devido ao seu trabalho junto à Comissão de Justiça e Paz da CNBB, a Irmã é vítima de ameaças, por isso a cautela no atendimento de ligações de números desconhecidos. Henriqueta atua no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes e, consequentemente, no combate ao tráfico humano.
A Religiosa não escondeu sua empolgação com a Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Tráfico Humano”, “Estou muito confiante no objetivo dela [da Campanha], que é dar visibilidade para esse crime e diminuir o número de possíveis vítimas.”
A Irmã, porém, alerta que é preciso cuidar “para que a Igreja e a CF tenham coragem de denunciar o problema que vivemos, não adianta falar de combate ao tráfico humano sem falar de combate à pobreza, combate à desigualdade econômica, desigualdade cultural que existe em nossos locais”.

Henriqueta comenta sobre a existência de documentos e leis que pautam o combate ao tráfico humano, como, por exemplo, Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, porém a execução de tais leis acaba se tornando um desafio. Para ela, nenhuma das esferas do Poder Público – Federal, Estadual e Municipal – conseguiu “dar atenção e atendimento adequado para as pessoas que sofrem com o problema do tráfico”.
“Não podemos apenas pensar em enfrentar esse crime, mas se trata de dar respaldo para quem consegue se livrar dele. É preciso prevenir esse ato criminoso, precisamos de uma estrutura maior para que o serviço seja qualificado”, afirmou.

“Há um caso emblemático de uma moça que foi traficada para a Espanha e retornou de uma forma completamente destruída. O olhar dessa moça, a fala dela, atualmente sofre de uma esquizofrenia muito avançada… Ela perdeu o sentido da existência. Isso me chama a atenção porque ela está tão arrebentada. O que mais me preocupada é o fato de ela não se identificar. Ela sofreu tanto e não nega o sofrimento, mas nega que foi traficada. A pessoa que a traficou está em liberdade, e ela está numa situação de miséria e de abandono por parte do Estado, que não garante a recuperação mínima de sua saúde mental e qualidade de vida”, conta a Religiosa referindo-se a um dos casos que mais a marcou.
 A denúncia feita por irmã Henriqueta é sobre a falta de fiscalização nas fronteiras do País. Ela aponta a entrada de bolivianos, venezuelanos, paraguaios e haitianos, muitas vezes vítimas de tráfico para servirem ao trabalho escravo, à prostituição e, até mesmo, à mendicância. Os estados para os quais esses traficados se direcionam são os mais distintos, a Irmã enumera alguns: São Paulo, Acre, Amazonas e Pará.
Por: EdCarlos Bispo de Santana
Fonte: Cáritas Brasileira

sábado, 1 de março de 2014

"É preciso dar fé e esperança aos jovens desencantados", diz Francisco


Cidade do Vaticano - Educar não é somente transmitir conhecimento. A transmissão da fé, feita unicamente através do ensinamento de conteúdos, será superficial ou ideológica. Foi o que disse o Papa Francisco dirigindo nesta sexta-feira um longo e articulado discurso espontâneo – ou seja, sem texto – aos membros da Pontifícia Comissão para a América Latina. A transmissão da fé – disse o Santo Padre – não terá raízes se não for acompanhada de comportamentos e de valores.

Para poder transmitir a fé, além da divulgação de conteúdos, é necessário criar o hábito de uma conduta, favorecer a recepção de valores que a preparem e a façam crescer. A transmissão da fé – disse o Papa – se baseia em três pilares: utopia, memória e discernimento.

O primeiro, importante para as crianças e, sobretudo, para os jovens, "é a boa gestão da utopia". Na América Latina – recordou o Pontífice – "uma gestão não totalmente equilibrada da utopia", como no caso da Argentina, levou jovens da ação Católica a se unirem, nos anos setenta, à guerrilha. Mas saber fazer a utopia de um jovem "é uma riqueza", observou. "Um jovem sem utopia é um velho precoce."

Depois, os outros dois pilares: num jovem – acrescentou Francisco – uma utopia "cresce bem se acompanhada pela memória e discernimento. A utopia olha para o futuro, a memória olha para o passado, e o presente se discerne".

"O jovem deve receber a memória e plantar as raízes da sua utopia nesta memória; discernir no presente a sua utopia, o sinal dos tempos. Sim, a utopia segue adiante, mas é muito radicada na memória e na história que recebeu. Discernir no presente – precisamos de mestres de discernimento para os jovens! – e já projetado para o futuro."

A chave para enfrentar "a emergência educacional" – prosseguiu – é o encontro entre gerações, o encontro entre jovens e anciãos. De fato, este encontro permite conhecer o passado e saber ler o presente. A fé de um jovem – ressaltou em seguida o Pontífice – amadurece se não faltam a memória do passado, o discernimento do presente, e a utopia do futuro.

Mas o verdadeiro problema na sociedade de hoje é "a cultura do descarte": "hoje, para a economia que se radicou no mundo, no centro está o deus dinheiro e não a pessoa humana", afirmou o Santo Padre.

E, portanto, "tudo aquilo que não entra nesta ordem, se descarta. Descartam-se as crianças que sofrem, que incomodam e que não convém que cheguem", "descartam-se os anciãos" e "em alguns países da América Latina há a eutanásia escondida": por vezes são considerados "material de descarto".

Além disso, existem os jovens. Hoje em dia – afirmou – "incomoda a este sistema mundial a quantidade de jovens aos quais é necessário dar trabalho" e, portanto, há "esse percentual tão alto de desemprego juvenil. Estamos tendo uma geração de jovens que não têm a experiência da dignidade!"

Assim, "hoje também os jovens fazem parte deste material de descarto". E o jovem que se encontra sem trabalho "anestesia a utopia". A droga, que está destruindo esta geração de jovens", e "não é somente um problema de vício", e "a proliferação de dependências", quais a ludopatia, são alguns dos obstáculos ao longo do caminho das novas gerações.

"A utopia de um jovem entusiasta – disse o Papa – hoje se transformando em desencanto." É preciso dar fé e esperança aos jovens desencantados – afirmou o Pontífice dirigindo-se aos membros da Pontifícia Comissão para a América Latina.

Ademais, no discurso entregue, mas não lido, o Papa ressaltou que a "Igreja quer imitar Jesus no aproximar-se dos jovens". Deseja repetir que vale a pena seguir o exemplo que nos foi dado. Um exemplo de dedicação, de serviço, de amor desinteressado e de luta pela justiça e a verdade. É belo viver como Jesus, expulsando o egoísmo e deixando-se atrair pela beleza e pela bondade.

"Quem conhece Jesus profundamente – lê-se no texto – não fica na poltrona. Une-se a seu estilo de vida e chega a ser um discípulo missionário de seu Evangelho, dando alegre testemunho de sua fé, não poupando sacrifícios."

Os jovens ouçam a Palavra de Jesus, ouçam que Cristo não é um personagem de uma novela, mas uma pessoa viva. Os jovens esperam em nós. Não os decepcionemos! "Que as comunidades cristãs da América Latina e do Caribe – exortou por fim o Pontífice – saibam ser próximas, mestras e mães de todos e de cada um de seus jovens." (RL)

Fonte: Rádio Vaticano