quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CNBB divulga nota "Eleições Municipais 2012 - Voto consciente e limpo"

cnbb
Durante entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, 27 de setembro, a presidência da CNBB apresentou a sua mensagem para as eleições municipais 2012. O texto foi aprovado durante a última reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), realizado esta semana na sede da entidade, em Brasília (DF).
A seguir, a íntegra da nota.
Eleições Municipais 2012 - Voto consciente e limpo
O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília de 25 a 27 de setembro, considerando as eleições municipais do próximo mês de outubro, vem reforçar a importância desse momento para o fortalecimento da democracia brasileira. Estas eleições têm característica própria por desencadear um processo de maior participação em que os candidatos são mais próximos dos eleitores e também por debater questões que atingem de forma direta o cotidiano da vida do povo.
A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, em serviço de todas as pessoas (cf. GS 75). Saudamos, portanto, os candidatos e candidatas que, nesta ótica, apresentam seu nome para concorrer a um cargo eleitoral. Nascido da consciência e do desejo de servir com vistas à construção do bem comum, este gesto corrobora o verdadeiro sentido da atividade política.
Estimulamos os eleitores/as, inclusive os que não têm a obrigação de votar, a comparecerem às urnas no dia das eleições para aí depositar seu voto limpo. O voto, mais que um direito, é um dever do cidadão e expressa sua corresponsabilidade na construção de uma sociedade justa e igualitária. Todos os cidadãos se lembrem do direito e simultaneamente do dever que têm de fazer uso do seu voto livre em vista da promoção do bem comum (cf. GS 75).
A lei que combate a compra de votos (9840/1999) e a lei da Ficha Limpa (135/2010), ambas nascidas da mobilização popular, são instrumentos que têm mostrado sua eficácia na tarefa de impedir os corruptos de ocuparem cargos públicos. A esses instrumentos deve associar-se a consciência de cada eleitor tanto na hora de votar, escolhendo bem seu candidato, quanto na aplicação destas leis, denunciando candidatos, partidos, militantes cuja prática se enquadre no que elas prescrevem.
A vigilância por eleições limpas e transparentes é tarefa de todos, porém, têm especial responsabilidade instituições como a Justiça Eleitoral, nos níveis Federal, Estadual e Municipal, bem como o Ministério Público. Destas instâncias espera-se a plena aplicação das leis que combatem a corrupção eleitoral, fruto do anseio popular. O resgate da ética na política e o fim da corrupção eleitoral merecem nossa permanente atenção.
O político deve cumprir seu mandato, no Executivo ou no Legislativo, para todos, independente das opções ideológicas, partidárias ou qualquer outra legítima opção que cada eleitor possa fazer. Incentivamos a sociedade organizada e cada eleitor em particular, passadas as eleições, a acompanharem a gestão dos eleitos, mantendo o controle social sobre seus mandatos e cobrando deles o cumprimento das propostas apresentadas durante a campanha. Quanto mais se intensifica a participação popular na gestão pública, tanto mais se assegura a construção de uma sociedade democrática.
As eleições são uma festa da democracia que nasce da paixão política. O recurso à violência, que marca a campanha eleitoral em muitos municípios, é inadmissível: candidatos são adversários, não inimigos. A divisão, alimentada pelo ódio e pela vingança, contradiz o principio evangélico do amor ao próximo e do perdão, fere a dignidade humana e desrespeita as normas básicas da sadia convivência civil, que deve orientar toda militância política. Do contrário, como buscar o bem comum, princípio definidor da política?
A Deus elevemos nossas preces a fim de que as eleições reanimem a esperança do povo brasileiro  e que, candidatos e eleitores, juntos, sonhem um país melhor, humano e fraterno, com justiça social.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, abençoe nossa Pátria!
Brasília, 27 de setembro de 2012

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva

Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
Fonte:  cnbb.org.br

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu sou, nós somos Testemunhas do Reino!


Estava no advento da viagem para a Espanha, por conta da Jornada Mundial da Juventude, em Madri, e o sentimento era de medo e incertezas. Eram vários os motivos pra sentir o que sentia. A conjuntura eclesial nos mostrava que a opção não era mais pela vivência comunitária que nós, jovens pejoteiros de todos os cantos e especificidades desse Brasil, somos e fazemos. A opção agora era por um tipo de vivência mais “intra”, mais preocupada com os números e com a obediência. Para mim que cresci no meio das Comunidades Eclesiais de Base, que aprendi com meus párocos, meus queridos amigos e “pais” na vivência eclesial verdadeira, a questioná-los e aos que fossem necessário quando minha fé o mandasse fazer, isso era duro e trazia uma desesperança desoladora!
Eu não sabia o que fazer!
Peguei o ônibus no dia 14 de julho com destino à Goiânia. Em alguns momentos me vi chorando como criança, porque eu não sabia o que fazer com essa nova realidade. Foi no silêncio e na solidão daquela viagem que eu comecei a refletir minha vida e meu serviço na Pastoral. Não foi fácil! Troquei mensagens de celular com alguns amigos e amigas. Dessa forma eles e elas também ajudavam a compreender algumas coisas e me faziam entender que deveria confiar em Deus e não desanimar.
Uma das mensagens dizia: “o Pedro [Casaldáliga] vai tá lá. Procura ele. Conversa com ele!” “Se apoia em quem estiver lá”. Foi o que eu fiz!
Cheguei a Goiânia e fui primeiro visitar minha irmã mais velha, a Socorro. Ela foi me pegar na rodoviária. Ela já mora lá há alguns anos e quase nunca a vejo. Sempre é bom revê-la, abraçá-la, partilhar a vida com ela! Ela me compreende muito, pois a gente participava junto do grupo de jovens da comunidade! A gente passou o dia juntos, ela, o Fabricio, esposo dela e eu. Foi muito bom passar aqueles momentos, mesmo que pouco tempo com eles! A tarde, antes de ela ir trabalhar, foi me deixar na CAJU. A despedida foi rápida, pois já estava atrasada para o serviço. Mas a presença dela me confortou, e isso valeu!
Quando entrei na CAJU me encontrei com tanta gente boa! Tanta gente linda desse imenso Brasil! Pejoteiros, militantes de movimentos sociais... Amantes da causa juvenil... Foi maravilhoso rever muitos rostos e abraçá-los em mais um reencontro que a caminhada nos proporciona. Muito especial também conhecer tantos outros rostos... Alguns já amigos do mundo virtual, outros conhecidos naquele momento. Cada um e cada uma marcaram minha vida com intensidade!
Nesse dia estava acontecendo o CONUNE (Congresso da UNE) perto da CAJU e a gente aproveitou pra dar uma passadinha lá. Fomos ver a galera das outras juventudes. Sofri certo impacto, pois tinha outra visão daquele espaço. Foi interessante. Vi muita gente das PJs lá. Gente que há muito tempo não via. Foi muito bom ver o rosto de outras juventudes que no fundo lutam pelo mesmo que eu, mesmo que não da mesma forma. Não demoramos muito... Logo retornamos pra CAJU e ficamos aguardando, enquanto partilhávamos a vida, a Celebração de Envio para a viagem.
A Celebração foi no espaço ecumênico da Casa. Jovens, adultos, crianças e gente já mais experiente. Brasileiros, estrangeiros, brancos, negros e índios... Gente de muitos lugares e de varias organizações reunidas para celebrar e partilhar a Vida. Foi um momento lindo! Ali eu já começava a perceber mais claramente que aquele cenário sombrio que me angustiava não era o único cenário.Havia resistência! Existem os que persistem! Sempre haverá!
Um dos momentos mais lindos da Celebração foi a partilha do padre Geraldo, então coordenador da Casa. Ele estava sofrendo muitas ameaças de morte por causa da defesa da vida da Juventude. Ele dizia: “Há uma lista lá fora pra quem quiser ser mártir! Quem quiser pode ir lá e assinar”. Aquela frase foi um pouco pra descontrair... Mas olhando agora, com mais calma... Refletindo a nossa vida, vejo que não há necessidade de assiná-la. Nós os persistentes já a assinamos. Assinamos pelo simples fato de persistir! De seguir o Ressuscitado! Assinamos pela escolha que fizemos, de defender a vida até as últimas consequências! Digo isso porque não podemos negar essa escolha. Não mesmo! Não podemos nos acovardar! Há companheiros e companheiras que não se acovardaram e deram suas vidas pela Vida! Vem logo à mente o Gisley, a Dorothy, o Josimo, Dom Helder, Dom Romero... Estes já estão na eternidade com a Trindade! Mas há os que ainda persistem!Há Geraldos, Tábatas, Hilários, Carmens, Pedros, Marias, Antonios, Franciscos... Nós estamos aqui! Não podemos retroceder! Pela memória dos que foram e pela presença dos que persistem!Naquele momento selamos nosso compromisso com uma linda Ciranda pela Vida. Varias rodas com todas as gentes cantando a esperança e dançando a beleza da Vida!
Terminado esse momento celebrativo, fomos encaminhados para os ônibus que nos levariam até Ribeirão Cascalheira-MT. Foram mais de 10 horas até chegarmos ao lugar mais esperado por mim nos últimos anos.
Era momento de celebrar com todas e todos Lutadores/as, todas e todos as/os persistentes na causa do Reino. Estávamos na Romaria dos Mártires da Caminhada!
Chegamos lá pela hora do almoço. Logo que descemos, encontrei  o Leandro Longo, um grande amigo que conheci no 12º Intereclesial das CEBs, em Porto Velho. Foi muito bom revê-lo! Abraçamos-nos, conversamos um pouco. Logo ele me disse que havia acabado de sair da casa do Pedro. Que havia falado com ele. Eu mais que depressa pedi a ele que mostrasse a casa. Estava bem à nossa frente! Estavam comigo as queridas manas, Paula e Pâmela da PJ do RS. As chamei e disse-lhes que iríamos ver o Pedro Casaldáliga. Fomos correndo!
Quando chegamos ao quintal da casa, tivemos outros dois ótimos encontros. O primeiro foi com o Mirim, querido amigo de grandes aventuras nessa vida pastoral! Místico, doce e simples como sempre, nos acolheu como um verdadeiro amante das diversas experiências de celebrar a vida! O reencontro com ele sempre me traz paz inquieta e ousadia, mas também muita ternura! O outro foi com Dom Leonardo, o então bispo da Prelazia e Secretário Geral da CNBB. Este me surpreendeu! Sua acolhida ali mesmo, no quintal, foi de uma singeleza... Sua atenciosidade para conosco foi ímpar. Vi poucos como ele serem tão ternos daquela forma.
Nós estávamos muito ansiosos. Enquanto conversávamos com Dom Leonardo, lá dentro, na sala, sentado numa cadeirinha de “macarrão” estava o Pedro, Bispo, pastor e poeta da Libertação... Um dos grandes referenciais dessa Igreja-Povo que caminha na construção do Reino. Prefiro não chamá-lo de “Dom”, pois tenho a impressão de ser um título que ele mesmo não goste muito, apesar de ele ser um dom de Deus para a humanidade.
Ele estava lá, sentado almoçando. Com uma simplicidade que há muito não via em nenhum pastor da nossa Igreja. Sua mesa era uma dessas mesas de plástico que se usa em quintal de casa.
Esperamos ele terminar o almoço e pedimos para o Mirim nos levar até ele. Ele estava acompanhado com dois outros homens. Na hora em que entramos os homens pareciam ter entendido que aquele seria um momento muito especial pra gente e nos deixaram um pouco a sós com o Pedro.
E foi mesmo! Foi o encontro de uma geração que cresce lendo as cartas, as poesias, as reflexões de um pastor que é referência de vida doada! Foi um encontro maravilhoso! Há anos esperado! Me senti representando naquela sala vários jovens da Diocese de Marabá que sempre sonhamos em estar ali, vivendo aquele momento!
Foi pouco tempo, mas valeu! O Pedro me fez, na simplicidade de sua vida, entender que nossa escolha não nos permite medo, nem desesperança!
“Sempre do lado dos mais pobres”. Foi o que ele me disse ao ouvido e beijando meu rosto. Naquele momento entendi o porquê de estar ali, o porquê de doar a minha vida à Pastoral e à Luta pelo Reino. Eu vi Cristo nele! Foi Ele quem falou pelo Pedro!
Ele me abriu os olhos e o coração. Levantou minha cabeça e me mostrou que o horizonte é o próprio Cristo. E que Cristo nos é apresentado todos os dias naqueles/as que sofrem todo tipo de exclusão.
Pra mim foi inacreditável aquele momento! Não imaginávamos que o veríamos tão rápido, logo que chegássemos. Não imaginei que seria possível conversar com ele, porque era muita gente ali. Acho que tivemos sorte!  Providência Divina, eu diria!
Quando saímos da casa do Pedro, para ele descansar, fomos andar pelos espaços organizados para a Romaria. Tinha muita coisa legal da Economia Popular Solidária. Lá encontramos mais companheiros/as!
Participamos de todos os momentos.
A abertura, o acendimento da fogueira, das velas... A caminhada de noite... A chegada ao Santuário dos Mártires da Caminhada... Tudo fortalecedor...
Eu esperei muito por esses momentos... Foram anos planejando estar, algum dia, em Ribeirão, participando da Romaria e conhecendo Pedro Casaldáliga.
Foi tudo como eu queria! Tudo místico, envolvente... Fazia arder mesmo o coração!
Na celebração de envio tudo também foi muito bonito. Mas o que marcou mesmo foi o testemunho mulher do Cacique Chicão Xucuru e do nosso pastor, Pedro Casaldáliga. Aliás, foram aquelas duas falas que mais marcaram minha ida àquele lugar sagrado. “Somos o Povo da Esperança! Não ter esperança é heresia! Somos o Povo que acredita no Ressuscitado!” dizia o Pedro em sua fala final... Muito forte também a fala da índia Xucuru que afirmava que o sangue dos mártires de seu povo voltava pra ela, pois eles não a deixariam lutar sozinha!
Para mim valeu toda aquela experiência! Mas com certeza aqueles poucos momentos sentado na sala com Pedro, Paula e Pâmela, ficarão marcados na memória para sempre!

Somos Testemunhas do Reino!

Texto reescrito em setembro de 2011.

Thiesco Crisóstomo


Autor: Thiesco Crisóstomo, Secretário Nacional da PJ
Fonte: pj.org.br

domingo, 23 de setembro de 2012

PJ lança roteiro sobre eleição 2012


Querida juventude,

“Felizes os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.”
(Mt 5,9)

O Brasil vive um momento de mudanças no cenário político nos municípios. É o tempo das eleições municipais, fato este que afetam diretamente as nossas vidas, seja pelo envolvimento próximo de muitos/as jovens, seja pela simples noção de que o nosso voto interferirá na sociedade em que vivemos pelos próximos quatro anos.
Nas eleições de 2012, mais de um milhão de jovens com 16 anos deverão votar pela primeira vez. Somados aos/as jovens de 17 a 20 anos, eles são mais de 11 milhões de eleitores. Temos também os/as mais de 17 mil jovens na faixa etária entre os 18 a 24 anos, que são candidatos aos cargos de vereador ou prefeito. Dentre eles/as muitos oriundos de uma caminhada e participação eclesial, em especial na PJ. A participação dos/as jovens na política é uma oportunidade de contribuir para a maturidade da democracia no país e boa parcela dos/as jovens brasileiros estão, sim, dispostos a participar das decisões políticas do país
Neste intuito, a Pastoral da Juventude (PJ) aproveita este momento importante para ajudar os grupos de base a refletirem melhor sobre a participação da juventude na política. Apesar dos sucessivos fatos apresentados pela mídia, especialmente nas redes sociais, desmotivando a participação da sociedade na política, é preciso ter em mente que o período das eleições é um momento que suscita na sociedade a possibilidade de mudança deste cenário.
Além disso, estamos em sintonia com a proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, que este ano motiva nos cristãos e em toda a sociedade a reflexão do voto consciente, para que não sejam reeleitos candidatos de “ficha suja”. Outra proposta é promover o voto consciente que surge da necessidade de não permitir a venda de votos, uma prática que apesar de antiga e considerada ultrapassada, ainda persiste e ressurge de várias maneiras nos períodos eleitorais.
Queremos com este subsidio dialogar sobre a política para e com os/as jovens, do nosso jeito de ser Igreja, de forma simples e com uma linguagem acessível. Por isso elaboramos um roteiro para encontro dos grupos de base e rodas de conversa, divididos em dois blocos. Segue ainda, em anexo, o material da CNBB “Voto Consciente – Eleições 2012” e o documento “Pacto pela Juventude”, uma proposição das organizações da sociedade civil que compõe o Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), para que os governos federal, estaduais e municipais se comprometam com as políticas públicas de juventude em suas ações e programas, e aos candidatos/as a prefeitos/as e vereadores/as para que incorporem as demandas juvenis em suas plataformas eleitorais.
Desejamos que este material chegue aos nossos/as jovens, bem como a vontade de mudar a sociedade em que vivemos, que inicia com o bom emprego do nosso voto.

Bom trabalho a todos/as e boa eleição!


Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da
Pastoral da Juventude

Baixe o subsídio no link:
Fonte: Teias da Comunicação Nacional

sábado, 15 de setembro de 2012

Jovens podem decidir eleições com voto consciente


Em menos de um mês, eleitores de 5.568 municípios brasileiros vão escolher os futuros prefeitos entre os mais de 15.550 candidatos considerados aptos pela Justiça Eleitoral. E o voto jovem tem a possibilidade de decidir quem sairá vencedor.
Ao total, o Brasil tem 140,6 milhões de eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, 41,3% têm entre 16 e 34 anos, ou seja, 58,2 milhões. Só entre os adolescentes de 16 e 17 anos, com voto facultativo, há 2,9 milhões de eleitores. Considerados apenas os jovens entre 16 e 24 anos, há 24,8 milhões de votos que podem fazer a diferença.
Mas, em quem votar? Quais critérios usar para escolher um bom candidato? Quais são as principais demandas da cidade? Quais os planos de governo? E os 450 mil candidatos às 58 mil vagas de vereador, o que pensam e sugerem para melhorar as cidades?
Voto ConscientePensando nisso, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a campanha “Voto Consciente – Eleições 2012”. De acordo com o secretário-geral e bispo auxiliar de Brasília, dom Leonardo Steiner, a atitude é uma contribuição com orientações aos fieis e a todos os cidadãos, firmadas na ética e na cidadania à luz do Evangelho. "A campanha quer contribuir para a recuperação da política como a construção do bem comum, recolocando-a no patamar do qual jamais deveria ter saído", disse.

A campanha tem uma série de nove vídeos (links ao final da matéria) com temas para refletir sobre a importância do voto.

Confira abaixo cinco modos de dar um voto consciente e ajudar a construir cidadania.
1. Agir coletivamenteO tempo das eleições pode nos ajudar na reflexão e cons¬trução de novas práticas frente à democracia, valorizando o agir coletivo, que tem sua base na comunidade. É nas comunidades ou nos organismos da sociedade civil, que o povo se constitui como sujeito do processo político. Buscar a construção dessa consciência coletiva é fundamental para a conquista do bem comum, meta de toda ação política verdadeira.

2. Formar para a participaçãoDesencanto e descrédito têm marcado a política em nosso país. Causas para isso não faltam. O que fazer, então? Cruzar os braços? Ignorar? Não! O remédio é a participação de todos, especialmente dos jovens. O novo que queremos só virá com a nossa participação individual e coletiva. Há experiências positivas em várias cidades que mostram a força da comunidade quando o povo se organiza e participa.

3. Conscientizar para o voto cidadão
O voto tem relação com o bem comum e gera profundas consequências para a vida das pessoas em qualquer cidade e no campo. Se você ainda não está convencido disso, leia mais sobre o verdadeiro sentido da política. Além disso, troque ideias com outras pessoas; participe de debates, palestras, seminários.

Para as eleições deste ano, procure entender as funções que estão em jogo: prefeito, vice-prefeito, vereador. Assim você perceberá melhor se as práticas dos agentes políticos são coerentes ou não com suas funções.

Contra os candidatos corruptos, use a Lei da Ficha limpa, criada em 2010. Ela torna inelegíveis candidatos com passado sujo, com improbidades, crimes etc. O momento das eleições é muito importante para conhecer a ficha dos candidatos. Ficha suja não merece crédito e nem voto! Use também a Lei 9.840, em vigor desde 1999. Ela combate a compra de votos e o uso da máquina administrativa pelos candidatos.

4. Construir estruturas de participação permanenteO momento eleitoral é excelente oportunidade para se constituírem instrumentos de participação democrática no Município, que vão além da Democracia Representativa. Por isso, precisamos participar nos Conselhos garantidos pela Constituição Cidadã: educação, saúde, assistência social, idoso, mulher, criança e adolescente etc.. Exija o Orçamento Participativo no seu município e elimine a política de favores e o clientelismo; acompanhe os poderes constituídos formando grupos que participem das reuniões da Câmara; faça a mesma coisa com o Executivo.

5. Agir localmente, pensando globalmente
As eleições municipais nos ajudam a agir localmente, mas pensando globalmente. Por isso, tenha sempre presentes as grandes questões nacionais como: a revisão do modelo econômico e da forma de consumo; a busca de uma nova forma de encarar o trabalho, entendido como direito humano fundamental; a defesa da vida em todas as suas formas e dimensões; o acesso à terra e ao solo urbano por meio da Reforma Agrária; a democratização dos meios de comunicação; a Reforma Politica; a ecologia.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

GT sobre Tráfico de Pessoas e Pastorais do Setor da Mobilidade Humana refletem sobre CF/2014

GTescravoepastoralsocial2012
O Grupo de Trabalho sobre o Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (GT), e o Setor da Mobilidade Humana (SMH) da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB estão reunidos em Brasília, de 11 a 13 de setembro. O objetivo é aprofundar a temática da Campanha da Fraternidade (CF), que em 2014 terá como tema “Fraternidade e o Tráfico humano”.

Durante o encontro, ocorre a coleta de informações e subsídios para a preparação da CF/2014, além da articulação de ações conjuntas entre o SMH e GT, no enfrentamento ao tráfico de pessoas e trabalho escravo. Entre os participantes do encontro, estão dom José Luiz Ferreira Salles, bispo de Pesqueira (PE), e dom Enemésio Angelo Lazzaris, bispo de Balsas (MA).

Os participantes já compartilharam no evento o andamento dos trabalhos realizados. Willian Cesar Andrade e frei Xavier, ambos membros do GT, fizeram uma exposição sobre as configurações do Tráfico de Pessoas e do Trabalho Escravo. Houve também um painel sobre a realidade do Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo no Brasil.

Fazem parte do SMH os seguintes grupos: Apostolado do Mar, Pastoral Rodoviária, Pastoral dos Nômades, Pastoral do Turismo, Pastoral dos Refugiados, Núcleo dos Estudantes Internacionais, Pastorais das Migrações, Serviço Pastoral dos Migrantes, Pastoral Nipo-Brasileira e Missão Católica Polonesa.

Fonte: cnbb.org.br

domingo, 9 de setembro de 2012

PJ no Seminário Nacional da 5ª Semana Social Brasileira


Entre os dias 21 a 23 de agosto, em Brasília, no Instituto São Boa Aventura, foi realizado o primeiro Seminário Nacional em preparação da 5ª Semana Social Brasileira (SSB) que acontecerá no ano que vêm. O Seminário contou com a presença de diversas organizações eclesiais entre elas destacamos a presença da Pastoral da Juventude (PJ), Comissão Pastoral da Terra, Pastoral do Pescador, Pastoral Operária, Pastoral da Saúde, Cáritas Brasileira, Juventude Franciscana (JUFRA), Juventude Operária Católica (JOC), Maristas, Conferencia dos Religiosos do Brasil (CRB) e Casa da Juventude Pe. Burnier, além de padres e bispos. Participaram também movimentos sociais como Movimento do/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Assembleia Popular e Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA), entre outros.
Na mesa de abertura junto de Ivo Poletto do Fórum de Mudanças Climática e Elson Matias da JUFRA, Paula Grassi, representante da Pastoral da Juventude no CONJUVE, destacou a participação das juventudes na Cúpula dos Povos. A mesa teve a missão de avaliar o processo da RIO+20 e a Cúpula do Povos, realizadas no mês de junho na cidade do Rio de Janeiro.

O seminário da 5ª SSB foi um espaço de avaliação, estudo, mística, oração, partilha e planejamento. As reflexões foram feitas a partir de diversos métodos de análise. Entre os estudos aprofundados destaca-se o papel do Estado em diversos períodos da história, bem como os elementos, princípios e valores que devem compor o Estado que desejamos. Nas partilhas, os regionais expuseram as experiências dos seminários e atividades já realizadas em preparação à 5ª SSB. Entre os pontos refletidos e avaliados destacam-se: a importância e o desafio da Igreja provocar o debate de um Estado democrático horizontal; o envolvimento da CNBB na construção; a clareza na metodologia da 5ª SSB; definição da matriz teórica de análise do Estado; e que é necessário fazer decolar a discussão do Estado, sua necessidade e seu papel.

Por fim, foram planejados e encaminhados os próximos passos rumo a 5ª SSB, como o fortalecimento de uma coordenação executiva, e a criação de uma coordenação ampliada, formada pelas organizações eclesiais e sociais, como espaço representativo para pensar e planejar as ações. Ficou definido que a juventude terá uma vaga nesta coordenação executiva e que esta será ocupada pela Pastoral da Juventude, tendo a tarefa de disseminar entre as diversas expressões juvenis, os encaminhamentos da Semana Social Brasileira.

Fonte: pj.org.br

sábado, 8 de setembro de 2012

Estado a serviço da nação

Estamos muito distantes da democracia participativa, na qual haveria mecanismos para promover a interação entre sociedade civil e mundo político
Frei Betto

O lema do Grito dos Excluídos 2012, a ser celebrado a 7 de setembro pelos movimentos sociais em várias cidades do Brasil, dá título a este artigo. Promovido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Grito resgata o verdadeiro sentido de independência brasileira.

Nosso Estado é verdadeiramente democrático? Os países considerados exemplos de democracia, como EUA, França e Itália, estão atolados na crise econômica. Na Espanha, o desemprego afeta mais de 1/4 da população laboral. A Alemanha banca a prima-dona do coro dos falidos e a Rússia usa a democracia para sustentar a autocracia.
O paradoxal é a China. Distante do que o Ocidente considera democracia, governada por um partido único, logra crescer 10% ao ano, não provocar ou envolver-se em guerras, adotar uma postura antimilitarista e pacifista.
Em tese, a democracia seria o governo do povo para o povo, do Estado a serviço da nação. A realidade não confirma o ideal. Se o povo se autogovernasse, não passaria fome, não admitiria sobreviver na pobreza, não condenaria seus filhos ao desemprego nem permitiria que uma elite acumulasse fortunas exorbitantes.
Pela vontade do povo, todos teriam acesso à alimentação farta e saudável, educação gratuita e qualificada, serviços de saúde eficientes.
Quem governa o povo em nome do povo? No capitalismo, os que dispõem de amplos recursos financeiros. Vide o custo de uma campanha eleitoral. O poder econômico se sobrepõe ao político no modelo de democracia predominante no Ocidente. E o poder político adota uma estrutura tão complexa que acaba por tornar estéril a representatividade popular.
Você vota, mas quem escolhe os candidatos que merecem o seu voto? E com quem eles se comprometem de fato, com os anseios dos eleitores ou os interesses econômicos das fontes financiadoras de campanha? É óbvio, há exceções, mas são raras e limitadas em seu poder de influir por contrariar anseios poderosos.
Quantas vezes vemos, pela mídia, as portas dos palácios de governo se abrirem aos empresários! Quantas vezes nossos governantes aparecem sorridentes ao lado dos homens de dinheiro! Agora compare: quantas vezes mostram a cara ao lado de sindicalistas, líderes de movimentos populares, sem-terras, ambientalistas e desempregados?
Nossa democracia homeopática é meramente delegativa. Pelo voto, o eleitor delega a um político o poder de representá-lo. Eleito, o candidato tende a representar, de fato, quem lhe financiou a campanha. Portanto, nossa democracia é parcialmente representativa. Representa, na esfera política, quem tem poder na esfera econômica.
Estamos muito distantes da democracia participativa, na qual haveria mecanismos para promover a interação entre sociedade civil e mundo político, e assegurar transparência na atuação dos políticos e das instituições do serviço público. Basta lembrar que ainda vigora, no Brasil, o voto secreto no Congresso Nacional. E até hoje nossas Forças Armadas resistem à abertura dos arquivos de 21 anos de ditadura.
O preocupante é constatar que democracia e capitalismo passam a ser sinônimos. Um país é considerado democrata por assegurar a livre concorrência, a especulação na Bolsa de Valores, o enriquecimento pessoal sem limites, a evasão de divisas através do turismo meramente consumista e, em consequência, a desigualdade social.
Consta que em Atenas, berço da democracia, havia 20 mil cidadãos livres sustentados pelo trabalho de 400 mil escravos. Pelo jeito, nosso modelo atual não difere muito do original.
Há que adequar teoria e prática. A 7 de setembro os movimentos sociais farão em público este apelo. E a 7 de outubro nós, eleitores, temos a chance de dar um passo significativo nesse rumo, votando no direito de o povo ser governado pelo povo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PJ realiza ENAPJ no Rio de Janeiro

Assessores e assessoras da Pastoral da Juventude reúnem-se no Rio de Janeiro
Eram mais de cem. Vindos dos quatro cantos do Brasil, de todos os regionais da CNBB, leigas/as, religiosas/os e sacerdotes, traziam no corpo a marca e o sonho da Pastoral da Juventude. Buscando refletir o “acompanhamento juvenil em tempos de mudança”, eles foram reafirmar “a estranha mania de ter fé na vida”. Como no texto do Apocalipse de São João, eles subiram, foram para o alto de Santa Tereza, debaixo dos braços do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, para ver a realidade com os olhos de Deus, partilhar a vida, angústias, alegrias e sonhos, e traçar estratégias para cuidar e acompanhar a juventude.
Entre mantras, cores, movimentos e escuta da Palavra, iniciou-se o Encontro Nacional de Assessores, que aconteceu entre os dias 16 e 19 de agosto de 2012. A metodologia do encontro lembrava aos assessores/as da responsabilidade que tinham para com a juventude que haviam cativado e da necessidade de se ver o essencial, por vezes invisível. O caminho proposto, portanto, fazia o movimento de olhar para os assessores/as e depois para os/as jovens. Por meio de partilha de saberes (mesas de discussão), geração de saberes (plenárias) e construção de um diário (registro), foi-se construindo o encontro.
Dom Nelson Francelino Ferreira, bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e referencial da juventude no Regional Leste I, acolheu os participantes. “O tema do encontro é pertinente e significativo neste tempo de mudanças em que vivemos. É preciso, no entanto, ter maturidade, equilíbrio e respeito para com as diferenças que surgem e ter atenção ao novo” – afirmou o bispo.
O segundo dia foi marcante para os participantes do encontro. Questionamentos e incertezas pautaram as partilhas da manhã sobre o tempo de mudanças e a realidade das juventudes. Pela tarde, olhar o cenário eclesial seja na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2011-2015), da preparação e vivência da Jornada Mundial da Juventude, da Campanha da Fraternidade 2013 e também do trabalho desenvolvido pela Conferência dos Religiosos do Brasil sobre a evangelização da juventude, deixou os participantes desinstalados. Muitas perguntas ressoaram pelos corações daqueles que se colocam no serviço de acompanhar a juventude.
Numa partilha profética e esperançosa, ouviu-se dos quatros cantos do país assessores/as afirmando seu desejo de ser “Igreja Jovem” e sua opção pela evangelização da juventude por meio da Pastoral da Juventude. À noite, iluminados pela Palavra de Deus celebraram a caminhada vivida com persistência, resistência e esperança de, mesmo em meio aos poços fechados pelo deserto afora, continuar acreditando no serviço de acompanhar os/as jovens.
O seguimento de Jesus na perspectiva de Nazaré com atenção ao crescimento, conflito e esperança na busca da autonomia foi à reflexão conduzida na manhã do terceiro dia do encontro. Falar de Jesus histórico, resgatando sua origem em Nazaré, possibilitou aos/às assessores/as fazer um paralelo com a prática pastoral e os lugares onde atuam. Perceber a humanidade de Jesus e seu apostolado provocou, trouxe ânimo e forças para o serviço dos/as assessores/as que veem no Mestre um modelo de acompanhamento e construção de autonomia. Afirmar a eclesialidade, pautada em projetos pastorais consistentes e orgânicos, que levam em consideração a realidade local e a necessidade de um acompanhamento de qualidade, foi o horizonte das discussões da tarde de sábado e parte da manhã do domingo.
O último dia foi tempo de organizar a esperança para viver os sonhos. Momento de pautar a ação da assessoria da PJ nos regionais e dioceses. Espaço de sonhar e propor iniciativas que potencializem cada vez mais a evangelização da juventude, em especial por meio do acompanhamento em vista da construção da autonomia juvenil.
Para os/as assessores/as que participaram do ENAPJ o encontro foi tempo de rever os processos, renovar as esperanças, perceber que não se está sozinho/a no serviço de acompanhar os/as jovens da Pastoral da Juventude e de reafirmar a opção por uma Igreja Jovem. Segundo a teóloga e assessora do CEBI, Mercedes Buldallez, uma das facilitadoras de tema do encontro é tempo de manter firme um projeto pastoral que promove a vida e o protagonismo da juventude. “Não deixe a peteca da PJ cair”, afirmou Mercedes.
Para Andrea Estevam, assessora da PJ no regional Norte I e da diocese de Boa Vista/RR, o ENAPJ foi tempo de muita vida e pensar na caminhada que se deve trilhar no seguimento de Jesus e acompanhamento dos/as jovens. “Dias de vida e vida plena!!! O ENAPJ se fez Nazaré para os assessores e se fez nossa casa, casa da mãe, com cheiros, gentes,cores e gostos tão familiares. Tempo de intimidade gostosa de se reconhecer na palavra (sagrada) pronunciada por alguém que acabamos de conhecer... Penso que voltamos grávidos, agora à caminho do encontro com Isabel. Santos caminhos que nos levaram ao ENAPJ e que nos levarão a ver nascer a "Civilização do Amor" – concluiu a assessora”.
Por fim, merece destaque a presença de dom Eduardo Pinheiro, bispo auxiliar de Campo Grande/MS e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, de pe. Antonio Ramos (Toninho), assessor da mesma Comissão, de Pe. Luz Carlos Dias, assessor da Campanha da Fraternidade e Evangelização na CNBB, de Frei Rubens Mota, assessor da CRB Nacional e de representantes da Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude.
Fonte: Teias da Comunicação – Pastoral da Juventude (www.pj.org.br)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Gritos dos/as Excluídos/as 2012


O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo. È um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos(as).
O Grito dos(as) Excluídos(as), como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos:
  • denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social;
  • tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome;
  • propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.
O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.
As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos – e se estendem por todo o território nacional.
Em 2012 o Grito dos(as) Excluídos(as) traz como tema: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”
Ajude a divulgar e faça parte desta manifestação popular!
Materiais para download

domingo, 2 de setembro de 2012

Céu ou Inferno




Um cidadão partiu para a outra vida. São Pedro, muito solícito e democrático, mandou que escolhesse sua moradia definitiva no céu ou no inferno, dando-lhe porém a chance de passar primeiro um dia no céu e outro dia no inferno, antes da escolha final.

LEVOU-O para o céu. Apresentou-lhe Jesus Cristo que logo o conduziu ao Pai. Encontrou também ali Maria Santíssima, os Apóstolos, uma multidão de santos e de anjos. O ambiente revelou-se de extrema cordialidade, paz e harmonia. Sentiu-se acolhido por todos.
O DIA PASSOU muito depressa. Mas tinha que ir também até ao inferno. Ali encontrou um belo jardim, com água límpida caindo de uma cascata; uma mansão de fazer inveja a qualquer um. O diabo o recebeu com um caloroso abraço. Foram-lhe servidas cinco refeições durante o dia. O dia todo houve diversões as mais variadas, onde a liberdade total era a tônica. Estava proibido proibir.
PASSADO o dia, São Pedro o chamou para a decisão. Ao que o cidadão respondeu: O céu é bonito e agradável, mas, pensando bem, sinto-me mais à vontade no inferno. É mais divertido e ali tenho mais prazeres.
REMITIDO para lá, qual não foi sua surpresa, ao ser recebido pelo mesmo diabo, num ambiente sujo, mal cheiroso, com os companheiros passando miséria e fome, brigando entre si; esgoto ao céu aberto, sem água nem luz, sem segurança e sem higiene.
RECLAMOU do diabo: - Ontem era outra coisa! Uma beleza! E hoje esta miséria? Ao que o diabo respondeu: é verdade! Ontem estávamos em Campanha Eleitoral! O discurso do palanque é diferente do discurso do governo. Conseguimos teu voto! Hoje participas da realidade que escolheste. Sê bem-vindo aqui no inferno!
AS ELEIÇÕES municipais são uma excelente oportunidade para a prática democrática do voto. São um direito do cidadão. Cabe a ele escolher aqueles que irão administrar a vida pública de nosso município durante os próximos quatros anos.
MUITAS pessoas se deixam enganar pelas promessas eleitorais, pela propaganda e pela publicidade! A política porém é coisa séria e o voto tem poder de decisão. Meu voto vale um município melhor, por isso, deve ser dado com responsabilidade e consciência, para não se arrepender depois.