terça-feira, 27 de outubro de 2015

30 anos do Dia Nacional da Juventude, numa crônica de Pe. Hilário Dick


CHEGANDO AOS 30, A VIDA AINDA COMEÇA

Pe. Hilário Dick, sj
- Aí cê me pede pra falar dos 30 anos do Dia Nacional da Juventude (DNJ)… Muitos anos, muitos caminhos, não acha? Quem já era nascido então? Se eu já tinha 48 anos, vocês nem na imaginação…
- Mas sim. Fale. Por quê? Quando? E outras coisas…
- Aí vamos. 1985, esta é uma data. A juventude incomodando de novo porque incomodara muito no Maio de 1968, 47 anos atrás, tempo do seu vô. O Brasil saindo da ditadura de mais de 20 anos; grandes mobilizações querendo participação do povo, juventude levantando a cabeça. E a ONU declara:
- 1985, Ano Internacional da Juventude!
A Globo (veja só quem…) investe num encontrão de milhões de jovens no Rio para cantar, dançar, fumar, ouvir estrangeiros, mas nada de discussão de jovens ou sobre juventude. Seria o Ano Internacional da Juventude… Os jovens da Pastoral da Juventude com milhares de grupos articulados (no meu Estado havia mais de 4 mil grupos articulados), olhando firme para o Brasil, decidem:
- Com todos estes grupos espalhados pelo Brasil, nós é que vamos celebrar o AIJ… E foi. E decidiram. Nas paróquias, dioceses, regionais; com cartazes, muitas camisetas, painéis de metros e mais metros (ai como me lembro!), cantos, temas, subsídios, teatros.
- Temas?
- Sociedade nova (1985), terra, índio (1988), ecologia (1992), educação (1989), trabalho, AIDS (1993), tudo na reza, tudo com as mãos na realidade e não só no peito fazendo sinais da cruz… “Quero ver o novo no poder” (1996) – “Nas asas da esperança gestamos a mudança” (1998) – “Políticas Públicas para a Juventude” (2001 a 2006) – “Contra o extermínio da juventude, na luta pela vida” (2009), tanta coisa… E não era de brincar.
- Muito jovem?
- Muito. Difícil de contar. Em São Paulo, no Maranhão, nas Amazonas, no Paraná, mais de 20 mil em Timbó, mais de 40 mil em Passo Fundo, mais de 50 mil em Santa Cruz, em tantos lugares, em tudo que é canto… Jesus! Que beleza.
- Verdade? Exagero…
- Exagero, nada. Pergunte os que estavam, antes que fiquem velhos e velhas demais, os que contavam os ônibus, os que viam a massa naqueles campos de futebol, os que estavam nas curvas desejando boas vindas, naquelas praças, naquela oktoberfest lotada, naqueles espaços enormes com bandeiras, barracas enormes. Era jovem de todo canto com suas alegrias e cantorias.
- E bispos?
Sempre alguns. Poucos, porque tinham muito trabalho. Alguns vibrando, outros meio desconfiados. Padres? Bem mais. Bonito ver as celebrações com cantorias de arrepiar, com tudo de direito. E não era só “viva Jesus” nem só “santa marias”, era isso e era grito de sonhos, de lutas, de direitos, de reclamações. Era reza com mãos na terra, olhando para os sonhos.
- E isso foi indo?
- Foi indo e mais indo e ao pé de certa figueira, aparecem algumas nuvens mais fortes. Ano muito forte foi o de 2007 onde aparece o melhor documento sobre a evangelização da juventude, mas também suas contradições. Quantos bispos leram este documento? Parece que só fala de Setor e o resto não interessa. Aí vem alguma tristura também para o que devia ser e era o DNJ porque, por vezes, as igrejas e autoridades têm medo destas coisas de juventude reclamando pelo direito de ser. E eles, com poder, sem muitas perguntas, foram proibindo, dificultando aos poucos, impondo, querendo coisas mais “piedosas”. Ainda falam de protagonismo, mas lá por trás ficam tomando conta do lugar do jovem porque é preciso ortodoxia, é preciso cuidado, não se pode incomodar os “endinheirados” e outros pensamentos que nem se dizem alto…
- Falar mais de Jesus?
- Sim, de um jeito que não é bem o de Nazaré, mas falar de Jesus. Acham bonito que haja aleluias, choros, esquecimento das nuvens escuras do social, muita dança, muito abraço deixando para os cantos os compromissos com as raças, os exterminados, as negritudes, as pobrezas e os que se amontoam nas periferias. Na questão de gênero, nem pensar. E o ano de 1989, ano da queda do Muro de Berlim e da superação de alguns medos morais, já passara.
- Certa tristezinha, né?
- Certa, sim. A falta de profecia, de pegar os problemas sociais nas mãos, fazendo com que não se vejam as infelicidades, as violências, as corrupções não só de uns, também das igrejas, as crueldades com a mulher, os meninos e meninas em busca de sua identidade, a deixação de lado dos pobres, das roças, dos índios, dos que vivem de desejar. Dói. Dói ver que se tem raiva do pobre e de quem tem carinho com os preferidos de Deus.
- E a festa?
- Pois, pois. Aprendemos que a vida, também a vida da história dos 30 anos do DNJ, que a vida é uma sopa de misturança de alegrias, esperanças, festas e choros, gritos, e lutas. O DNJ não foi fundado para rezar, está claro, mas assusta; foi fundado para que os jovens de fé mostrassem aos jovens que não tiveram ainda a graça de encontrarem um sentido divino de viver, que a vida é bonita, sim. No jovem se devem encontrar Juventude e Missão, ouvindo aquele de Nazaré dizer: levante-se, seja fermento! Mais ainda: aprender que fomos feitos para sermos livres, não escravos, nem submissos, nem dependentes, mas protagonistas, donos e donas de nossa caminhada.
- DNJ é isso?
- DNJ é caminhada, é concentração, é romaria nalgum lugar, é deixar a internet de lado por um tanto, é olhar para os lados e não ver só celular, com muito jovem, muita bandeira, muito canto, encenações, celebrações, diversas delegações com camisetas gritando coisas, com hinos, com bonés específicos, com coisas para vender, com visitas a serem feitas nos espaços, com grupos musicais e cantores cantando não só coisas de céu; é saber ser irmão e irmã e não exploradores/as de sentimentos, é palco, é grupo que anima e é muito jovem caminhando, cantando, ouvindo, todos girando em torno de uma sociedade que deve ser festa de todos, não dos mesmos.

sábado, 24 de outubro de 2015

PJ lança edital de candidatura para o 12º ENPJ



“Tome o remo nas mãos, temos que navegar!
na fraternura, seguir o jovem Bom Pastor
Pelas trilhas, com nossa bandeira
ao som da canção, na viola e tambor.”
Hino do 11º ENPJ, Manaus 2014
Depois de ter feito morada no último janeiro nas terras manauaras, por ocasião do seu 11º Encontro Nacional, e lá, ter partilhado “a vida, o pão e a utopia”, a Pastoral da Juventude abre espaço para que outras dioceses experimentem a alegria de acolher pjoteir@s de todo país em sua casa. Lançamos hoje o edital de candidatura para o 12º ENPJ e, com ele, as expectativas para esse grande encontro, em 2018, nalgum lugar desse imenso Brasil.
O Encontro Nacional da Pastoral da Juventude é uma grande celebração da vida, espaço de partilha que quer possibilitar um amplo olhar para a realidade da juventude brasileira, a partir dos grupos de base, da sua ação, missão, intervenção social e a construção da Civilização do Amor à luz do seguimento a Jesus de Nazaré.
“Acolher o 11º ENPJ era um sonho do regional Norte 1. A Pastoral da Juventude do regional tinha o desejo de mostrar o quão é rico evangelizar nessa desafiante realidade. Por isso mesmo, realizá-lo foi para nós uma tarefa motivadora”, conta Lidiane Cristo, da coordenação nacional da PJ pelo Regional Norte 1.
Lidiane conta ainda que o ENPJ “mobilizou grupos, pessoas e instituições que abraçaram esse sonho junto com a Arquidiocese e o Regional”. “Hoje temos uma igreja jovem muito mais fortalecida. Conseguimos articular grupos de jovens e o povo continua animado com a proposta e a identidade da PJ. São heranças mais do que organizativas. Mas que estão marcadas para sempre no coração daquel@s jovens que participaram ativamente da construção desde sonho”, lembra a jovem manauara.
E 2018 está logo ali. Que o desejo do (re)encontro motive sua diocese a pensar a possibilidade de sediar o 12º. De Manaus, para onde vai o trem da história da Pastoral da Juventude em 2018…?
Clique aqui, baixe o Edital e converse com sua diocese. Quem sabe aí será a próxima casa da PJ do Brasil!
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Coordenação e Assessoria Nacionais da PJ se reúnem em Chapecó (SC)



No oeste catarinense, na atual sede da secretaria nacional da PJ, a cidade de Chapecó, os jovens da Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude, juntamente com a Comissão Nacional de Assessores, se reuniram para mais um encontro de partilhas, trabalhos e deliberações. O grupo permaneceu de 8 a 12 de outubro, encerrando as atividades na mística da padroeira do Brasil: Nossa Senhora Aparecida.
Com quem já havia chegado, no dia 08 foram feitas duas visitas, em dois lugares de resistência nessa região: o Assentamento Dom José Gomes, terra conquistada há poucos anos e que conta com 30 famílias assentadas; e a área indígena Toldo Ximbangue, primeira área indígena demarcada no Brasil, e onde a conquista é marcada por ameaças de morte, emboscadas, e a conquista do povo Kaingang.
A pauta da reunião foi extensa, com destaque para o olhar o processo que está sendo construído desde janeiro de 2014, no pós-ANPJ de Belo Horizonte. Nesse contexto, uma avaliação dos quatro serviços em que a PJ nacional se organiza: coordenação, secretaria nacional, representação no CONJUVE, e comissão nacional de assessores/as.

Outro destaque foi a escolha do próximo local que acolherá a ANPJ, em 2017. Após a apresentação das candidaturas de dois regionais – o Sul 3 (RS) e Nordeste 1 (CE) – e análise dos pré-projetos de ambos, houve um bonito momento de mística para a escolha. O local escolhido foi o chão nordestino. Para a ANPJ também, já foram criadas as equipes de metodologia e de executiva, e distribuição dos/as coordenadores/as nacionais em diversas equipes de serviço.
O ano de 2016 será um ano muito intenso, com dois processos em curso: o de “fechar” o processo da ANPJ de 2014, e de iniciar o processo para a ANPJ de 2017. A equipe de metodologia construirá um caminho  a ser percorrido até a janeiro de 2017, buscando envolver todos os regionais, suas dioceses, e grupos de jovens.
E como sempre é tempo de chegadas e partidas, nessa reunião três membros se despediram do serviço da coordenação nacional: Murilo Rebouças (Nordeste 3 – BA e SE), Uilian Dalpiaz (Sul 4 – SC) e Matheus Fernandes (Sul 3 – RS). A eles, agradecemos muito pela vida dedicada a esse espaço. Da mesma forma, acolhemos 5 jovens que passam a integrar a Coordenação: Tiago Medeiros (Nordeste 3), Tiago Arcego da Silva (Sul 4), Débora Ghiel (Sul 3), Aercilon Carlos Andrade (Centro Oeste – GO e DF), e Cleuton Moraes (Norte 2 – PA e AP). Desejamos boas vindas e agradecemos pelo “sim” a esse serviço.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Carta aberta da PJ Nacional pela permanência do lugar da juventude no Governo Federal



“Nenhum jovem sem possibilidades!”
(Discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares na Bolívia)
A Pastoral da Juventude, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com mais de 40 anos de articulação nacional, com acúmulo histórico no debate de políticas públicas de juventude, e tendo capilaridade em todos os estados brasileiros, vem, por meio desta carta, se manifestar sobre a possibilidade de extinção da Secretaria Nacional de Juventude/SNJ e do Programa Nacional de Inclusão de Jovens/ProJovem, ambos do Governo Federal.
Este ano se celebra dez anos da conquista e execução de políticas públicas de juventude no país, fruto da incansável luta dos diversos movimentos juvenis, dentre eles a Pastoral da Juventude, e também pela prioridade dada à agenda de juventude por parte do governo eleito nas urnas e nas ruas em 2002. Podemos citar alguns exemplos de investimento em ferramentas e políticas públicas de juventude que foram sendo desenvolvidas nesse tempo, desde 2005, com a aprovação da Política Nacional de Juventude (que criou a SNJ, o ProJovem e o Conselho Nacional de Juventude/CONJUVE): novas Universidades Federais, ProUni, Pronatec, FIES, Ciência Sem Fronteiras, Estação Juventude, inclusão do termo “juventude” na Constituição Federal, Estatuto da Juventude, Participatório, Conferências Nacionais de Juventude (2008, 2011 e 2015), e o Plano Juventude Viva.
Porém, o cenário político, social e econômico que estamos vivendo no Brasil e no mundo nos aponta inúmeros desafios, sobretudo de manter a estabilidade do país garantindo aquilo que é direito e conquista do povo. Diante das dificuldades, a solução, para alguns, parece ser clara: reformar a estrutura organizacional a fim de preservar a governabilidade, reduzir gastos cortando políticas públicas conquistadas na luta, e elevar a taxa de juros e impostos para aumentar a arrecadação e manter a máquina girando.
Antes de mais nada, queremos lembrar que nem a juventude, nem os povos tradicionais, os camponeses e as camponesas, as mulheres, os negros e as negras, os trabalhadores e as trabalhadoras, nem os e as pobres devem pagar a conta de uma política econômica que serve somente o grande capital!
Neste contexto todo, a juventude brasileira, que soma 26% da população compreendida na idade entre 15 e 29 anos, se vê jogada para escanteio com a possível extinção da Secretaria Nacional de Juventude, órgão de governo na esfera federal que representa essa parcela significativa da população do país. Além da SNJ, também há a possibilidade real da extinção do ProJovem, responsável por profissionalizar e incluir jovens no mercado de trabalho.
Em carta aberta divulgada em janeiro deste ano, nós da Pastoral da Juventude reafirmamos nosso compromisso evangélico de seguir cuidando e lutando pela vida em plenitude também na dimensão do diálogo político com o Governo Federal, por meio da SNJ. Na ocasião, reafirmamos ainda que, sempre quando a vida de nossos/as jovens estivesse ameaçada e em jogo, seríamos um dos primeiros a criticar com autonomia todo descaso e incoerência dada pela pauta em andamento. A juventude brasileira foi historicamente excluída das políticas de desenvolvimento do país, sendo, bem pelo contrário, alvo frequente de políticas genocidas e higienistas de uma sociedade politicamente incorreta – o que, para nós da Pastoral da Juventude, são sinais do Anti-Reino de Deus. Cada passo foi arduamente conquistado, e não admitimos retrocessos.
Não admitimos, devido a interesses políticos e econômicos, pôr em xeque a vida na sua integralidade, a histórica conquista de direitos sociais e as políticas de juventude. Em pleno ano que acontece a 3ª Conferência Nacional de Juventude, não queremos fazer o enterro simbólico daquilo que, para nós, deveria ser fator potencial de cuidado e promoção da vida da juventude brasileira, e de execução de políticas afirmativas e transformadoras.
O Papa Francisco fala na carta que nos enviou por ocasião do nosso 11º Encontro Nacional que “em todo tempo histórico se falou pejorativamente dos jovens, mas também em todo tempo foi essa mesma juventude que dava testemunho de compromisso, fidelidade e alegria”. E é por essa fidelidade evangélica à vida da juventude que, enquanto Pastoral da Juventude, repudiamos qualquer tentativa de rebaixamento do lugar da Juventude no Governo Federal. Isso será uma medida arbitrária que fere o grito que as juventudes ecoam nas ruas; e que caso aconteça, acompanharemos – não em silêncio – a inexecução de diversas políticas públicas de juventude que estão em andamento, e a perda de conquistas que ainda não estão consolidadas na sua plenitude.
O espírito da paz inquieta não nos deixará esmorecer na luta em defesa das juventudes, do seu protagonismo e contra toda e qualquer forma de violência e extermínio de jovens.
Não recuaremos! Não retrocederemos! Nenhum direito a menos!
Secretaria Nacional, Coordenação Nacional e
Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude
Chapecó/SC, 16 de outubro de 2015.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Diocese de Crato (CE) sediará a Ampliada Nacional da PJ, em 2017



“Mãe do Céu Morena, Senhora da América Latina
De olhar e caridade tão divina, de cor igual à cor de tantas raças.
Virgem tão serena, Senhora destes povos tão sofridos,
Patrona dos pequenos e oprimidos, derrama sobre nós as tuas graças”
Buscar conhecer onde o Mestre mora é um exercício permanente para a Pastoral da Juventude. Reconhecer o Mestre no rosto sofrido de nosso povo e de nossa juventude precisa ser feito com muita sensibilidade e compromisso. Essa é a nossa missão. Isso dinamiza e dá sentido para a nossa caminhada.
De Belo Horizonte, em 2014, o trem da história da Pastoral da Juventude passou por Manaus em janeiro de 2015, no nosso 11º Encontro Nacional; e hoje segue para uma nova terra, acolhendo em mais gente em seus vagões.
No dia de Nossa Senhora Aparecida, anunciamos com muita alegria o chão que a PJ do Brasil inteiro fará morada nos dias 22 a 29 de janeiro de 2017. O chão seco e fértil do Nordeste será a casa de acolhida de muitas histórias, jeitos, sotaques e sonhos. A Diocese de Crato, no Ceará (Regional Nordeste 1), acolherá a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude.
E é à ela, Padroeira do Brasil, nossa Negra Mariama, que pedimos que nos abençoe nesse processo que se inicia hoje, no desejo de seremos sempre fieis ao Evangelho e à vida de nossa juventude.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Conic apresenta texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica  (CFE) de 2016,  que será realizada em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o objetivo de debater com a sociedade questões do saneamento básico a fim de garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos. 
O tema escolhido para a reflexão é “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). A proposta está em sintonia com a Encíclica do papa Francisco, “Laudato Si”. 
“Nesse tema e lema, duas dimensões básicas para a subsistência da vida são abarcadas a um só tempo: o cuidado com a criação e a luta pela justiça, sobretudo dos países pobres e vulneráveis. Nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, queremos instaurar processos de diálogos que contribuam para a reflexão crítica dos modelos de desenvolvimento que têm orientado a política e a economia”, explica a coordenação geral, representada pelo bispo da Igreja Anglicana e presidente do Conic, dom Flávio Irala, e a secretária-geral, pastora Romi Márcia Bencke. 
Ainda, na apresentação do texto-base, a organização diz que a reflexão da CEF 2016 será “a partir de um problema específico que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico em nosso país”. 
O texto-base está organizado em cinco partes, a partir do método ver, julgar e agir. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2016. 
Campanha cruza fronteiras
Uma das novidades da Campanha é a parceria com a Misereor - entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. 
Desde 1958, a Misereor contribui para fortalecer a voz dos povos do Sul, que lutam e buscam caminhos que possam conduzir ao bem-viver dos homens e mulheres. A CFE está em sintonia, também, com o Conselho Mundial das Igrejas e com o papa Francisco. 
Integram a Comissão da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil, Diretoria do Conic, Misereor. 
CNBB com informações do Conic

sábado, 3 de outubro de 2015

Mês de outubro: Igreja se une na Campanha Missionária



O mês de outubro, instituído pelo papa Paulo VI como o Mês Missionário, em 1926, é o tempo em que a Igreja no Brasil realiza a mobilização em torno da Campanha Missionária. A iniciativa deste ano propõe o tema “Missão é servir”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2015. O lema é “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 10,44).
O objetivo principal da Campanha Missionária é “sensibilizar, despertar vocações missionárias, bem como realizar a Coleta no Dia Mundial das Missões”, que será celebrado no dia 18 de outubro.
Para o bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Esmeraldo Barreto de Farias, é preciso animar as pessoas para que vivam a missão em suas respetivas realidades, não somente no sentido pessoal, como também na família, no ambiente profissional e na comunidade em geral.  “Não sou eu sozinho a viver a missão, mas sou eu e outros cristãos, na comunidade da qual participo e com outras comunidades também”, afirma. “Cada um de nós é chamado a ser missionário e a viver como missionário e que a missão nos faz mergulhar na vida de Jesus”, diz o bispo.
Segundo o bispo, é importante estar atento para as diversas realidades missionárias do Brasil, presentes nas periferias das grandes e pequenas cidades, nas diferentes regiões do País. “Em especial, a Campanha Missionária chama a atenção para a Amazônia, com características muito específicas, e necessidade de pessoas e de ajuda econômica para que o trabalho de evangelização possa ser desenvolvido”, ressalta.
A Campanha Missionária é organizada pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) com a colaboração das Comissões para a Ação Missionária e para a Amazônia da CNBB, em conjunto com outros organismos que compõem o Conselho Missionário Nacional (Comina).
Reprodução/POMDe acordo com as POM, “o tema da Campanha Missionária de 2015 destaca a essência da mensagem de Jesus. Ele veio ‘para servir’”.

Materiais

Os subsídios da Campanha Missionária foram preparados pelas POM e enviados para as 275 dioceses e prelazias do Brasil para serem distribuídos entre as paróquias e comunidades.
O conjunto de materiais é composto por cartaz com o tema e o lema, livrinho da Novena Missionária, um DVD com testemunhos missionários, a mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial das Missões, e seis versões de marcadores de página com a Oração da Campanha Missionária com as imagens de Santa Teresinha do Menino Jesus, São Francisco Xavier, Nossa Senhora Aparecida, dom Oscar Romero, Charles de Foucauld e do papa Francisco. Todos os subsídios estão disponíveis aqui.

Coleta

O Dia Mundial das Missões, que será celebrado no dia 18 de outubro, penúltimo domingo do mês, é o “ponto alto” da Campanha Missionária, quando é feita a coleta.  
O diretor nacional das POM, padre Camilo Pauletti, explica que os recursos arrecadados são para ajudar a Igreja em terras de missão. "São muitas Igrejas, muitos projetos. Mais de 3 mil instituições são ajudadas por essa coleta”, diz. O sacerdote também ressalta o crescimento das doações entre 5 e 6%, na comparação do resultado de 2014 com 2013.
Com informações e fotos das Pontifícias Obras Missionárias

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Papa Francisco: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa



Cidade do Vaticano – Foi divulgada nesta quinta-feira, 1º de outubro, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que será celebrado no dia 17 de janeiro de 2016. “Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa!, escreve Francisco na sua mensagem para a ocasião que tem como tema “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia”.
No texto o Papa cita por primeiro a bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia na qual ele recorda que “há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai”.
Destaca então nesta perspectiva que vivemos neste momento fluxos migratórios em contínuo aumento em todo o planeta: assim prófugos e pessoas em fuga da sua pátria interpelam os indivíduos e as coletividades, desafiando o modo tradicional de viver e, por vezes, transtornando o horizonte cultural e social com os quais se confrontam, escreve Francisco.
E o Papa faz uma constatação: “com frequência sempre maior, as vítimas da violência e da pobreza, abandonando as suas terras de origem, sofrem o ultraje dos traficantes de pessoas humanas na viagem rumo ao sonho dum futuro melhor. Se, entretanto, sobrevivem aos abusos e às adversidades, devem enfrentar realidades onde se aninham suspeitas e medos”.
Hoje o Evangelho da misericórdia – prossegue Francisco - mais do que no passado, sacode as consciências, impede que nos habituemos ao sofrimento do outro e indica caminhos de resposta que se radicam nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, concretizando-se nas obras de misericórdia espiritual e corporal.
Precisamente diante desta constatação, O Papa quis que o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2016 fosse dedicado ao tema: “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia”.
Os fluxos migratórios constituem já uma realidade estrutural, e a primeira questão que se impõe refere-se à superação da fase de emergência para dar espaço a programas que tenham em conta as causas das migrações, das mudanças que se produzem e das consequências que imprimem novos rostos às sociedades e aos povos.
Todos os dias, porém, as histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, testemunha de inaceitáveis crises humanitárias que surgem em muitas regiões do mundo. A indiferença e o silêncio abrem a estrada à cumplicidade, quando assistimos como expectadores às mortes por sufocamento, privações, violências e naufrágios.
“De grandes ou pequenas dimensões, sempre tragédias são; mesmo quando se perde uma única vida humana”.
Francisco recorda que os emigrantes são nossos irmãos e irmãs que procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos. E faz uma pergunta: “porventura não é desejo de cada um melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar que possa partilhar com os seus entes queridos?”
O Pontífice sublinha que quem emigra é forçado a modificar certos aspectos que definem a sua pessoa e, mesmo sem querer, obriga a mudar também quem o acolhe. Então como viver estas mudanças de modo que não se tornem obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento, mas sejam ocasião para um autêntico crescimento humano, social e espiritual, respeitando e promovendo aqueles valores que tornam o homem cada vez mais homem no justo relacionamento com Deus, com os outros e com a criação?
Como fazer então para que a integração se torne um enriquecimento mútuo, abra percursos positivos para as comunidades e previna o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo ou da xenofobia?
Muitas instituições, associações, movimentos, grupos comprometidos, organismos diocesanos, nacionais e internacionais experimentam o encanto e a alegria da festa do encontro, do intercâmbio e da solidariedade. Eles reconheceram a voz de Jesus Cristo: “Olha que Eu estou à porta e bato”. E, todavia, não cessam de se multiplicar os debates sobre as condições e os limites que se devem pôr à recepção, não só nas políticas dos Estados, mas também em algumas comunidades paroquiais que veem ameaçada a tranquilidade tradicional.
Diante de tais questões, como pode a Igreja agir senão inspirando-se no exemplo e nas palavras de Jesus Cristo? A resposta do Evangelho é a misericórdia.
Nesta perspectiva, é importante olhar para os emigrantes não somente com base na sua condição de regularidade ou irregularidade, mas sobretudo como pessoas que, tuteladas na sua dignidade, podem contribuir para o bem-estar e o progresso de todos..
A Igreja coloca-se ao lado daqueles que se esforçam por defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, exercendo antes de mais nada, o direito a não emigrar a fim de contribuir para o desenvolvimento do país de origem.
O olhar de Francisco via também para a causa das migrações afirmando que é necessário esconjurar, se possível já na origem, as fugas dos prófugos e os êxodos impostos pela pobreza, a violência e as perseguições. Sobre isto, é indispensável que a opinião pública seja informada de modo correto, até para prevenir medos injustificados e especulações sobre a pele dos emigrantes.
Ninguém pode fingir que não se sente interpelado pelas novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas que vendem e compram homens, mulheres e crianças como trabalhadores forçados na construção civil, na agricultura, na pesca ou noutros âmbitos de mercado. Quantos menores são, ainda hoje, obrigados a alistar-se nas milícias que os transformam em meninos-soldados!
Quantas pessoas são vítimas do tráfico de órgãos, da mendicidade forçada e da exploração sexual! Destes crimes aberrantes fogem os prófugos do nosso tempo, que interpelam a Igreja e a comunidade humana, para que também eles possam ver, na mão estendida de quem os acolhe, o rosto do Senhor, “o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação”.
E o Papa conclui dirigindo-se diretamente aos irmãos e irmãs emigrantes e refugiados! “Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa! Não deixeis que vos roubem a esperança e a alegria de viver que brotam da experiência da misericórdia de Deus, que se manifesta nas pessoas que encontrais ao longo dos vossos caminhos! 
Fonte: Rádio Vaticano