segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Francisco pede aos jovens a "coragem da misericórdia"

 
Cidade do Vaticano – Cerca de 30 mil jovens estão reunidos em Valença, na Espanha, para o 38º encontro europeu da Comunidade de Taizé.
De 28 de dezembro a 1° de janeiro, Valença acolhe a juventude europeia para uma nova etapa da “Peregrinação de Confiança através da Terra”, iniciada pelo irmão Roger no final dos anos 70.
O Papa Francisco enviou sua mensagem através do Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, pedindo que os jovens criem em suas comunidades um “oásis de misericordia”, em especial para “os inúmeros migrantes que têm necessidade de acolhimento”.
O Papa – lê-se no texto – aprecia a escolha dos jovens de querer aprofundar, em seu encontro anual, o tema da Misericórdia  e lhes agradece pelo seu empenho nesse sentido, com todas as forças criativas e a imaginação próprias da juventude.
“Também vocês – prossegue a mensagem – desejam que a Misericórdia se manifeste em todas as suas dimensões, inclusive sociais. O Papa os encoraja a continuar neste caminho, a ter a coragem da Misericórdia, que os conduzirá não somente a recebê-la para si mesmos, em sua vida pessoal, mas também a estar próximos daqueles que estão em dificuldade. Vocês sabem que a Igreja está presente para toda a humanidade e onde há cristãos, toda pessoa deveria encontrar um oásis de Misericórdia. Isso é o que as suas comunidades podem se tornar”.
Por fim, Francisco recorda o Ir. Roger, fundador da Comunidade de Taizè: “Ele amava os pobres, os mais desfavorecidos, os que aparentemente não contam nada e soube demonstrar através de sua vida que a oração se conjuga com a solidariedade humana. Por meio de sua experiência de solidariedade e misericórdia – conclui o Pontífice – que vocês possam viver esta exigente felicidade, tão rica de significado, à qual o Evangelho os chama”.
Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Papa: "Onde nasce Deus, nasce a esperança e floresce a misericórdia"



Cidade do Vaticano – “Onde nasce Deus, nasce a esperança, nasce a paz e floresce a misericórdia”. Na tradicional Mensagem Urbi et Orbi por ocasião do Natal, o Papa Francisco rezou pela paz. Ao recordar os tantos conflitos em andamentos nas diversas partes do mundo e as situações que ferem a dignidade humana, pediu: “Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: A paz esteja contigo!”.
Assista a mensagem na íntegra no canal youtube
Diante de milhares de fieis reunidos na Praça São Pedro e adjacências, o Papa Francisco dirigiu-se “à cidade e ao mundo” da sacada central da Basílica de São Pedro, para anunciar que “Cristo nasceu para nós (…) Ele é o “dia” luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo”.
O presepio mostra-nos o “sinal” que Deus nos deu: “um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. E “juntamente com os pastores – convidou o Santo Padre -  prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração, todos temos necessidade”:
“Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis”.
Paz no Oriente Médio
“Onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra” – disse o Pontífice - recordando que “precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído”:
“Oxalá israelenses e palestinos retomem um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira. Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iêmen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o patrimônio histórico e cultural de povos inteiros”.
Terrorismo e cristãos perseguidos
O Papa recordou ainda as vítimas dos “hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egito, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis”, pedindo também  consolação e força ao Menino Jesus para os cristãos “perseguidos em muitas partes do mundo por causa de sua fé. São os mártires de hoje”.
África
O fortalecimento do diálogo na República Democrática do Congo, no Burundi e no Sudão do Sul foi ressaltado pelo Papa, “em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua”.
Ucrânia e Colômbia
O Papa referiu-se também à Ucrânia, pedindo que a verdadeira paz “inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro” e que ilumine os esforços do povo colombiano, para que “continue empenhado na busca da desejada paz”.
Dignidade humana ferida
O Papa recordou também da existência de “multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens”:
“Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico”.
Refugiados
O drama das milhares de pessoas que viajam “em condições desumanas”,  arriscando a própria vida em busca de segurança e de uma esperança foram recordados por Francisco:
“Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem”.
Desempregados
O Santo Padre também pediu que o Senhor dê esperança aos desempregados, que são tantos,  e sustente “o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas no campo político e econômico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana”.
Encarcerados e misericórdia
Ao falar da misericordia, o Papa dirigiu-se aos encarcerados:
“Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Este é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal”.
E assim hoje, juntos, concluiu o Papa, “exultemos no dia da nossa salvação”, fixando o olhar nos braços abertos de Jesus no presépio, que nos mostra o abraço misericordioso de Deus” e que proclama: “A paz esteja contigo!”.
Após o Papa concedeu a todos a sua Bênção com a Indulgência Plenária na forma prevista pela Igreja. 
Ao concluir, Francisco dirigiu-se a todos os presentes na Praça São Pedro e àqueles que o acompanhavam pela rádio, televisão e outros meios de comunicação, para desejar as suas mais cordiais felicitações de Natal:
Misericórdia com os irmãos
“É o Natal do Ano Santo da Misericórdia, por isto desejo a todos que possa acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim, faremos crescer a paz!”. 
Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A visita do anjo aos pastores - Paz aos Excluídos! (Lc 2,1-20)


1. Situando: O motivo que levou José e Maria a viajar para Belém foi o recenseamento decretado pelo imperador de Roma (Lc 2,1-7). Periodicamente, as autoridades romanas decretavam tais recenseamentos nas várias regiões do seu imenso império. Era para recadastrar a população e saber quanto cada pessoa tinha que pagar de imposto. Os ricos pagavam imposto sobre a terra e sobre os bens que possuíam. Os pobres pagavam pelo número de filhos. Às vezes, o imposto total chegava a mais de 50% dos rendimentos da pessoa.
Há uma diferença significativa entre o nascimento de Jesus e o nascimento de João. João nasce em casa, na sua terra, no meio dos parentes e vizinhos e é acolhido por todos (Lc 1,57-58). Jesus nasce desconhecido, fora de sua terra, no meio dos pobres, fora do ambiente da família e da vizinhança. "Não havia lugar para ele na hospedaria". Teve que ser deitado numa manjedoura. 
 
2. Comentando: 

2.1 Lucas 2,8-9: Os primeiros convidados
Os pastores eram pessoas marginalizadas, pouco apreciadas. Viviam junto com os animais, separados do convívio humano. Por causa do contato permanente com os animais eram considerados impuros. Ninguém jamais os convidava para vir visitar um recém-nascido. É a estes pastores que aparece o anjo do Senhor para transmitir a grande notícia do nascimento de Jesus. Diante da aparição dos anjos, eles ficam com medo.

2.2 Lucas 2,10-12: O primeiro anúncio da boa-nova
A primeira palavra do anjo é: "Não tenham medo!" A segunda é: "Alegria para todo o povo!" A terceira é: "Hoje!" Em seguida, vêm três nomes para identificar quem é Jesus: Salvador, Cristo e Senhor! SALVADOR é aquele que liberta todos de tudo que os amarra! Os governantes daquele tempo gostavam de usar o título de Salvador (Soter). CRISTO significa ungido ou messias. Era um título dado aos reis e aos profetas. Era também o título do futuro libertador. Significa que esse menino recém-nascido veio realizar as esperanças do povo. SENHOR era o nome que se dava ao próprio Deus! São os três maiores títulos que se possa imaginar. A partir deste anúncio do nascimento de Jesus como Salvador, Cristo e Senhor, você imagina alguém da mais alta categoria. E o anjo lhe diz: "Atenção! Tem um sinal! Você vai encontrar um menino deitado num barraco no meio dos pobres!" Você acreditaria? O jeito de Deus é diferente mesmo!

2.3 Lucas 2,13-14: Glória no mundo de cima, Paz no mundo de baixo

Uma multidão de anjos aparece e desce do céu. É o céu desabando sobre a terra. As duas frases do refrão que eles cantam dão o resumo do que Deus quer com o seu projeto. A primeira diz o que acontece no mundo lá de cima: "Glória a Deus nas alturas". A segunda diz o que vai acontecer no mundo cá de baixo: "Paz na terra aos seres humanos por ele amados". Se a gente pudesse experimentar o que significa realmente ser amado por Deus, então tudo mudaria e a paz viria morar na terra. E isto seria a maior glória para Deus que mora nas alturas.

2.4 Lucas 2,15-20: A palavra vai sendo acolhida e encarnada
A Palavra de Deus não é apenas um som que a boca produz. Ela é, sobretudo, um acontecimento! Os pastores dizem, literalmente: "Vamos ver esta palavra que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer!" Em seguida, Lucas diz que "Maria conservava estas palavras (acontecimentos) em seu coração" e as ruminava. São duas maneiras de se perceber  e acolher a Palavra de Deus: 1) Os pastores se levantam para ir ver os fatos e verificar neles o sinal que foi dado pelo anjo; 2) Maria conserva os fatos na memória e as confere no coração. Ou seja, ela conhece a Bíblia e tenta entender os fatos novos iluminando-os com a luz da Palavra de Deus.
 
3. Alargando: Novamente, ao longo da descrição do nascimento de Jesus, Lucas sugere que as profecias se realizaram! Eis algumas delas:
•    Apareceu a luz das nações, anunciada por Isaías! (Is 9,1; 42,6; 49,6).
•    Nasceu o menino, prometido pelo mesmo profeta (Is 9,5; 7,14).
•    O menino que devia nascer para dar alegria ao povo e trazer a salvação de Deus (Is 9,2).
•    Ele nasceu em Belém. Por isso é o Messias prometido, conforme anunciou Miquéias (Mq 5,1).
•    Chegou o tempo da paz anunciada por Isaías, em que animais e seres humanos vão se reconciliar e farão desaparecer da terra toda a violência assassina (Is 11,6-9).
O imperador romano pensava ser o dono do mundo. Na realidade, ele não passava de um empregado. Sem saber e sem querer, ele executava os planos de Deus, pois o decreto imperial fez com que Jesus pudesse nascer em Belém e realizar a profecia (Lc 2,1-7). 
O que chama a atenção neste texto são os contrastes:
•    Na escuridão da noite brilho uma luz (2,8-9)
•    O mundo lá de cima, o céu, parece desabar e envolver  nosso mundo cá de baixo (2,13).
•    A grandeza de Deus se manifesta na fraqueza de uma criança (2,7)
•    A glória de Deus se faz presente numa manjedoura de animais (2,16)
•    O medo provocado pela repentina aparição do anjo dá lugar à alegria (2,9-10)
•    Pessoas que vivem marginalizadas de tudo são as primeiras convidadas (2,8)
•    Os pastores reconheceram Deus presente numa criança (2,20)

Fonte: Texto extraído do Livro "O avesso é o lado certo" - Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Carta da PJ sobre a 3ª Conferência Nacional de Juventude

SiteCONFJUV_CartaFinal
Brasília/DF, 23 de Dezembro de 2015.
“Cremos ardentemente num céu novo e numa terra nova.
E pedimos com insistência que a Civilização do Amor seja muito em breve realidade entre nós”
(Credo da Civilização do Amor)

CARTA DA PASTORAL DA JUVENTUDE SOBRE A 3ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE JUVENTUDE
A Pastoral da Juventude, em seu anseio por uma Terra Sem Males e por vida digna e abundante para todos e todas jovens, tem ocupado, ao longo de sua trajetória histórica, diversos espaços de construção de Políticas Públicas de Juventudes (PPJs). Acreditamos que a defesa da vida plena perpassa por uma atuação concreta nos campos sociais, políticos, culturais, religiosos, econômicos e ambientais.
Diante disso, em 2015, desde o primeiro momento, estivemos presentes no processo de construção da 3ª Conferência Nacional de Juventude, seja nas etapas municipais, regionais, territoriais, estaduais, livres, digital e nacional, compondo as Comissões Organizadoras de muitas dessas etapas. Desafiamo-nos ainda, a realizar conferências livres com jovens encarcerados/as, em diversos presídios do Brasil, em uma parceria com a Pastoral Carcerária.
Levamos para o debate, especialmente as pautas do enfrentamento à violência e o extermínio de jovens, especificamente o genocídio da juventude negra; a luta contra a redução da maioridade penal; a urgente necessidade de regulamentação e democratização da mídia; a reforma política; e tudo aquilo que tange a vida das juventudes e a construção da Cultura do Bem Viver.
A partir desta intensa mobilização, chegamos à etapa nacional da 3ª ConfJuv – que aconteceu em Brasília/DF nos dias 16 a 19 de dezembro de 2015 – com o expressivo e simbólico quantitativo de mais de 120 jovens, entre delegados/as, observadores/as, convidados/as e pessoal de apoio técnico. Tal fato, reafirma que a verdadeira construção democrática participativa só é possível a partir da organização e do empoderamento das bases nos processos da luta. Contudo, todos/as nós, representantes da Pastoral da Juventude na Conferência, juntamente com toda a Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude, de forma autônoma, legitimamos a presente carta, afim de esclarecermos nossas posturas e trazer nosso parecer sobre todo o processo que vivenciamos, pois, “não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4, 20).
Primeiramente, ressaltamos os avanços no que tange a garantia da representação da pluralidade das juventudes desse país; o esforço na efetivação da paridade de gênero; o cumprimento do recorte étnico-racial; a construção coletiva de PPJs entre os participantes através de uma metodologia mais horizontal; e a aprovação das prioridades necessárias frente a conjuntura política que vivemos. O que nos angustia, porém, foram os sérios limites que prejudicaram o processo e a garantia do direito a participação das juventudes.
Em nosso entendimento, a ausência do protagonismo do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) como um todo, e especialmente da Comissão Organizadora Nacional (CON) foi uma falha grave, visto que o papel que a sociedade civil organizada cumpre nesse espaço é de extrema importância, basta lembrar todo o avanço das conquistas nas PPJs no Brasil.
Por termos feito parte da CON desde o início de sua composição, é nosso dever também denunciar que nas reuniões que antecederam a etapa nacional, os encaminhamentos vieram já direcionados e definidos pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), sem que houvesse uma construção coletiva anterior. Tal fato é sintomático e representa a externalização da falta de diálogo que a SNJ tem tido junto aos movimentos de juventude da sociedade civil, gerando muitas limitações para o avanço nas PPJs. Esse dado precisa ser superado urgentemente. A distância da SNJ dos movimentos e representações resultou no não esclarecimento dos processos que foram readaptados, na não coletivização dos problemas enfrentados, e na falta de explicação sobre o fechamento de espaços.
Além disso, nos deparamos com outros problemas graves, como a emissão de passagens que foi muito tardia e muitos dos bilhetes de retorno impediram que os/as delegados/as participassem dos momentos decisórios da Conferência, pois foram emitidos para o mesmo horário programado para a plenária final. Citamos ainda problemas na recepção das delegações, pois não haviam informações precisas e claras do destino e estadia, seja ainda no aeroporto ou já nos próprios hotéis, em alguns casos. Em todos esses casos, a dificuldade na liberação de recursos não pode e não deve ser usada como motivo para desorganização.
Continuamos apontando ainda que o caderno com as propostas construídas nas etapas estaduais e digital, não foi disponibilizado logo no credenciamento para que os/as delegados/as pudessem analisar o mesmo com mais atenção, sendo entregue apenas no terceiro dia. Outro problema foram as atividades que aconteceram de forma simultânea durante a programação, como foi o caso da leitura do regulamento da ConfJuv, feita enquanto os primeiros grupos de trabalho ainda estavam discutindo e escolhendo as suas propostas. Regulamento esse, que fora lido somente ao final do segundo dia, quando, na verdade, deveria ter sido lido e aprovado antes do início de qualquer atividade oficial.
A metodologia, como já dito, fora mais horizontal, tendo maior participação de fala dos/as delegados/as nos grupos, porém os momentos de contextualização das temáticas nos grupos foram muito longos. Quase não houveram momentos de plenárias, e as poucas que aconteceram, não foram participativas de fato, dando ampla voz para que os/as delegados/as se manifestassem.
Para finalizar nossa avaliação ainda compreendemos que, além de apresentar novas propostas, é fundamental que em um espaço de conferência sejam resgatadas as propostas elencadas em conferências anteriores, para se avaliar a execução de suas metas, se “conferindo” assim algo que já vem sendo desenvolvido. Na 3ª ConfJuv, isso não aconteceu. Não foram retomados nem alguns programas já existentes, como o Juventude Viva (principal programa de enfrentamento ao genocídio da juventude negra, e que se tornou um dos carros-chefes da SNJ desde que fora criado, mas que esteve em estado de inoperância em 2015), o Estação Juventude, o PROJOVEM, o Participatório, e nem foi contextualizado como está o andamento, regulamentação e aplicabilidade do Estatuto da Juventude, aprovado em 2013. Menos ainda se deram espaços para que fossem construídas sugestões para a melhoria dos mesmos.
Ainda em tempo, não podemos deixar de manifestar nosso repúdio à ação violenta e desnecessária da Polícia Militar do Governo do Distrito Federal, na noite de abertura da atividade. Isso só nos faz reafirmar com mais força que é urgente a necessidade de desmilitarizar a polícia! Da mesma forma também manifestamos repúdio à tentativa do Governo do DF em embargar a Conferência, ainda no início do dia 17, alegando descumprimento de horário para o término da mesma na noite anterior.
Gostaríamos de deixar claro que sempre seremos parceiros/as para pensar e cuidar da vida da juventude. Compreendemos a importância da conquista dos processos de Conferência e da garantia que a juventude deve ter de participação ativa. Jamais nos omitiremos de nos posicionar no intuito de parabenizar ou cobrar atitudes, posições e contextos. Jamais compactuaremos com projetos pequenos que visam o poder, ou sua manutenção, e que deixam a vida da juventude em segundo plano. Estamos dispostos/as a calar e ouvir, mas também de falar e sermos ouvidos/as em todos os processos de articulação e construção das PPJs no Brasil.
Por fim, queremos ecoar um apelo feito pelo Papa Francisco no encontro com os movimentos populares, na Bolívia: “Nenhum jovem sem perspectiva!”. Nosso desejo é que as juventudes brasileiras olhem para a 3ª Conferência Nacional de Juventude vislumbrando perspectivas reais de superar suas dores, e de construir seus sonhos.
#PJna3ªConfJuv!
Seguimos em marcha, pela vida da juventude!


Assinam:
PJteiros e PJteiras delegados/as, convidados/as, observadores/as e membros da equipe técnica presentes na 3ª Conferência Nacional de Juventude,
Secretaria Nacional, Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dom Zanoni abre o Ano da Misericórdia na Arquidiocese de Feira

Neste domingo, dia 13 de dezembro, aconteceu a Celebração de Abertura do Ano Santo da Misericórdia na Arquidiocese de Feira de Santana, pelo Arcebispo Metropolitano Dom Zanoni Demettino Castro. A concentração aconteceu na Igreja Senhor dos Passos, onde após os ritos iniciais saiu a Procissão da Misericórdia em direção à Catedral Metropolitana de Santana. Lá o Arcebispo Dom Zanoni presidiu a Solene Celebração Eucarística, onde aconteceu o ritual de Abertura da Porta da Misericórdia. A Santa Missa contou com a presença de muitos presbíteros, religiosos, religiosas, diáconos, seminaristas e leigos das diversas paróquias da Arquidiocese. Um momento de graça, alegria e celebração da vida, buscando sermos semeadores e testemunhas da Misericórdia.
Neste domingo, o  Papa Francisco abriu a Porta da Misericórdia na Igreja de São João do Latrão, Catedral de Roma. Neste momento o Santo Padre nos afirmou: 
“Abrimos a Porta Santa, aqui e em todas as catedrais do mundo. Também este simples sinal é um convite à alegria. Inicia o tempo do grande perdão. É o Jubileu da Misericórdia. É o momento para redescobrir a presença de Deus e a sua ternura de Pai. Deus não ama a rigidez. Ele é Pai, é terno. Faz tudo com a ternura de Pai”. 

Fonte: Arquidiocese de Feira de Santana

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Papa abre a Porta Santa: começa o Jubileu da Misericórdia



Cidade do Vaticano – “Atravessar hoje a Porta Santa nos compromete a adotar a misericórdia do bom samaritano”: este é o espírito com o qual se deve viver o Jubileu Extraordinário, conforme disse o Papa Francisco na missa celebrada por ocasião da Festa da Imaculada Conceição (08/12), na Praça S. Pedro.
Com a cidade de Roma blindada e um forte aparato de segurança, com três mil agentes nas ruas da capital, o afluxo de peregrinos começou na madrugada nos arredores da Praça, que foi aberta às 6h30. Os controles policiais, com a passagem pelo detector de metais, tardaram o ingresso dos fiéis.  Cerca de 50 mil pessoas participaram da celebração.
Pecado e graça
Na homilia que antecedeu a abertura da Porta Santa, o Pontífice recordou o mesmo gesto realizado em Bangui (Rep. Centro-Africana) e ressaltou a primazia da graça: “A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva”.
A própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa, explicou o Papa. “Se tudo permanecesse relegado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai.”
Também este Ano Santo Extraordinário é dom de graça, prosseguiu Francisco. “Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, que vem ao nosso encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia.”
Para o Pontífice, é preciso antepor a misericórdia ao julgamento, se quisermos ser justos com Deus. “Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não corresponde a quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma”, exortou.
Concílio Vaticano II
Em sua homilia, o Papa fez um paralelo com outra porta “escancarada” 50 anos atrás pelos Padres conciliares. O Concílio, afirmou, foi primariamente um encontro; um encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo.
“Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adotar a misericórdia do bom samaritano.”
Porta Santa
Após a comunhão, teve início o rito de abertura da Porta Santa, na entrada da Basílica de S. Pedro. O diácono convidou os fiéis para a inauguração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia com estas palavras: “Abre-se diante de nós a Porta Santa. É o próprio Cristo que, através do mistério da Igreja, nos introduz no consolador mistério do amor de Deus".
Em procissão, os concelebrantes se posicionaram na entrada da Basílica. Também estava presente o Papa Bento XVI. Diante da Porta Santa, o Pontífice fez uma oração e recitou a seguinte fórmula: “Esta é a porta do Senhor. Abri-me as portas da justiça. Por tua grande misericórdia entrarei em tua casa, Senhor”.
O Santo Padre abriu a Porta Santa e se deteve em silêncio em sua entrada. Francisco entrou por primeiro na Basílica de S. Pedro, seguido por Bento XVI, pelos concelebrantes e por alguns representantes de religiosos e fiéis leigos – momento em que foi entoado o Hino do Ano Santo da Misericórdia. No Altar da Confissão, o Papa fez uma oração e concendeu a todos a sua bênção apostólica.
Fonte: Rádio Vaticano