sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Papa canonizará Beato Anchieta em abril

O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, comunicou na manhã de ontem, 27, que o papa Francisco irá declarar santo o bento José de Anchieta, missionário que viveu no Brasil.
Dom Raymundo Damasceno esteve em reunião com o papa, no Vaticano, para dar início à preparação da celebração de canonização. Em entrevista à Rádio Vaticano, o cardeal explicou que o papa Francisco optou por uma cerimônia simples que consistirá na assinatura de um decreto no qual será declarado santo o apóstolo José de Anchieta. O evento ocorrerá no próximo mês de abril, com data e local a serem definidos.
De acordo com dom Damasceno, a missa de canonização será celebrada em uma igreja de Roma. Na ocasião o papa Francisco irá declarar santos o missionário brasileiro e dois beatos canadenses.
“José de Anchieta deixou marcas profundas no início da colonização do Brasil, como também na sua evangelização. Eu creio que ele mereça ser cultuado por toda a Igreja”, disse o cardeal.
O arcebispo explicou que no Brasil haverá uma celebração mais solene, em âmbito nacional, possivelmente durante a 53ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), no período de 30 de abril a 09 de maio, com a presença do episcopado brasileiro. Serão propostas outras celebrações nos estados onde o beato José de Anchieta percorreu em sua caminhada missionária como o Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CNBB disponibiliza material da CF 2014

Os subsídios da Campanha da Fraternidade 2014, como o manual, texto- base, via sacra, celebrações ecumênicas, folhetos quaresmais, CD e DVD, banner, entre outros, estão disponíveis nas Edições CNBB. No site da Conferência é possível baixar os spots para rádio e tv, cartaz da campanha, a oração e apresentações do texto-base.
O cartaz da CF 2014 traz o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1). Os spots têm duração de 30 segundos e podem ser veiculados pelas emissoras de rádio e tv interessadas. Os demais produtos são adquiridos pelo site:www.edicoescnbb.org.br ou pelo telefone: (61) 2193.3001.
Formação
Com o objetivo de trabalhar os conteúdos da campanha nas escolas, foram produzidos também subsídios de formação voltados aos jovens do ensino fundamental e médio, além de encontros catequéticos para crianças e adolescentes.
Significado do cartaz
1-O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente.
2-Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra, na parte superior do cartaz, expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade.
3-As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior.
4-A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos. (Fonte: CF 2014).
Fonte: CNBB

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Primeira partilha do serviço de Aline Ogliari, na Secretaria Nacional da PJ

Dos primeiros passos e sentimentos no serviço da Secretaria Nacional da PJ

“Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer, o sonho acontecer...”
(Milton Nascimento)

Passado um mês da Ampliada Nacional da PJ, em Ribeirão das Neves/MG, senti a vontade de escrever uma pequena partilha de como tem sido viver esse início de processo, ou de um novo ciclo. Em um mês, já provei da saudade de casa e de “gentes”; já me senti perdida na quantidade de coisas para encaminhar; eu, menina do interior, já me impressionei em andar em São Paulo, já fui ao Pará (!) e andei uma hora e meia de balsa na travessia do rio Tocantins (!!). Mas, para eu conseguir me expressar melhor, preciso fazer memória do ciclo que estava vivendo.
Dia 25 de janeiro de 2014, nas páginas do meu projeto de vida e da minha história toda, estará para sempre guardado como um momento único, assim como o dia 18 de julho de 2011, quando comecei a trabalhar na Diocese de Chapecó, na liberação diocesana para as PJs. Mais ainda: ficará marcado como o dia 18 de fevereiro de 2006, quando assumi de fato, a minha vida no grupo de base. Talvez não tivesse clareza do tamanho do compromisso que assumia nesse momento, e que fez com que a minha caminhada e militância fosse para contribuir, junto a tant@s, na construção de espaços de vida para os todos e todas, em especial para a juventude, a partir de uma fé encarnada e libertadora que a Pastoral da Juventude nos provoca a viver.
Lá se vão 08 anos, e eu ainda estou a descobrir e a me encantar cada vez mais com esse jeito de ser Igreja Jovem, Igreja CEBs, Povo de Deus, profética e testemunhal. De formas e intensidades diferentes, isso acontece com tantos jovens e tantas jovens que se colocam na vivência de um grupo de base da PJ em qualquer canto do Brasil e da América Latina; que se encantam, que choram, que amam e constroem espaços fraternos e de partilhas em suas comunidades e paróquias, e que mesmo sem saber, se predispõem a todos os serviços que essa pastoral pode vir a precisar  mais adiante.
Para mim, o tempo de serviço dedicado na Diocese foi muito forte. Amadureci mais ainda minha fé e a identidade eclesial que acredito, e tenho certeza que uma Igreja só será de fato profética e do povo se ela for coerente às práticas libertadoras de Cristo, independente da cristologia que a orienta. O tempo foi de saída desse espaço, e eu refleti muito isso – o processo posterior, o acompanhamento, e no fundo também na dor da despedida, mas acima de tudo na alegria em saber que sempre vou ter dessa água da fonte para beber e que a acolhida recíproca sempre acontecerá.
Foram muitos os nomes que me marcaram nesse tempo e que deixaram traços únicos em minha personalidade e no meu jeito de fazer e acreditar na PJ e nesse modelo de Igreja. Mesmo sabendo que vou esquecer alguém importante, queria lembrar alguns companheiros e companheiras que estiveram juntos no cuidado, nos sonhos, na partilha em tardes, madrugadas, rodas de chimarrão, nas andanças pelas estradas, e que me inspiram muito: Xarope, Tiago, Lila, Fernanda, Paulinha, Thiesco, Candin, Uilian, Josy, Cris, Claudinho, Iva, Thuane, Domingos, Priscilla, Szymanski... Cada um com o seu jeito nas histórias construídas em “nossos causos”.
Dizer “sim” ao serviço da Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude não foi fácil. Foram tempos de rezar o projeto de vida, de se retirar e de ouvir. Eu encontrei muito apoio na Diocese, sejam das lideranças leigas, jovens ou não, sejam de padres, religiosos/as, e seja do meu bispo. Não foi fácil dar a resposta e nem está sendo fácil ainda “assimilar” que eu, uma jovem do interior de uma cidade pequena do oeste de Santa Catarina, na simplicidade e na humildade de quem muito pouco tem para oferecer, mas que oferece tudo o que possui, estarei nesse serviço nos próximos três anos...
A caminhada e a construção do Reino exigem zelo, prudência, testemunho, coerência, fidelidade. Para nós, seguidoras e seguidores de Cristo, que provamos dessas dimensões todos os dias, sabemos o quão difícil é seguir esse “guri”. Talvez, a coerência, e consequentemente a fidelidade, sejam as mais difíceis de viver e, ao mesmo tempo, são as mais testemunhais. Não é fácil “ser fiel às pequenas coisas para poder o ser nas grandes” (cf. Lc 16, 10).
A responsabilidade é muito grande! Ajudar a cuidar, de um lugar diferente e que às vezes pode parecer distante, dos mais de nove mil grupos de base da PJ, dos/as jovens que fazem parte deles e da dinâmica de organização de cada lugar, é, sem dúvida alguma, uma missão gigantesca e que eu sei que só é possível porque não estamos caminhando sozinhos e sozinhas. Tem muita gente amando e contribuindo de forma verdadeira, gratuita e desinteressada. Isso me deixa feliz e mais segura para estar no serviço da Secretaria.
Uma vez o meu pai me disse que “muitas seriam as dúvidas, as angústias, os medos e os desejos de desistir e de voltar para casa; muitas seriam [e são] as crises de opção e de fé, mas que eu não esquecesse que acima de tudo está o Reino, que ele é o nosso Horizonte. Para ele, tudo de nós”... O seu Mateus não foi o primeiro que falou isso, e nem será o último (ainda bem!).
É por esse Horizonte que nós caminhamos e doamos nossas vidas, e não podemos jamais duvidar e perder ele de vista. Na subversividade que é caminhar rumo a esse Horizonte, não podemos perder também a ternura, a profecia e a esperança; e nem duvidar do sentimento que nos guia: sim, eu sei que é amor. Só pode ser! “Se não for amor, o que será?”.

Um abraço grande, na ternura e na certeza do Reino,
Aline Ogliari

 Brasília/DF, 25 de fevereiro de 2014.
Autora: Aline Ogliari
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pastorais da Juventude debatem Reforma Política na Semana da Cidadania de 2014

Motivadas pela 5º Semana Social Brasileira e pelas manifestações que explodiram no Brasil em junho de 2013, as Pastorais da Juventude do Brasil (PJs) lançam a Semana da Cidadania de 2014 fortalecendo a luta pela transformação do sistema político e social brasileiro.

O tema “Juventude na luta pela reforma política” nos remete às várias manifestações que sempre foram parte da história das PJs e da CNBB. De maneira especial, reapresenta o desejo que todos e todas temos de melhorar a vida do povo brasileiro, entendendo que isso só será possível se tivermos uma Política limpa e transparente. A 5ª Semana Social Brasileira, realizada também em 2013, nos provocava a cerca do “Estado para quê e para quem?”, e fortaleceu necessidade de refletirmos em todas as camadas da sociedade o modelo de Estado que temos: um modelo que gera desigualdades sociais profundas e sujeitos corruptos, que só pensam em se perpetuar no poder, não atendendo os clamores do povo e executando seu verdadeiro papel em uma sociedade justa e democrática.
Com o lema “É hora de transformar o que não dá mais”, verso da músicaMomento Novo, as Pastorais da Juventude querem convocar toda a juventude brasileira a unir forças no debate por um novo modelo de sociedade, que garanta acima de tudo justiça e dignidade a todos e todas, tendo como ponto de partida a reforma, urgente e necessária, do sistema politico brasileiro.
Motivados pelas bem-aventuranças, “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6), nós ousamos dar passos firmes na construção da Civilização do Amor.

Para baixar o cartaz, clique aqui.

“Por isso vem, entra na roda com a gente também”!

Fonte: Pastorais da Juventude do Brasil

Teologia da Libertação sem ideologia


A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A antessala deste livro extraordinário do cardeal Gerhard Müller e do extraordinário prefácio de Francisco remonta à quarta-feira, 11 de setembro de 2013. Data histórica: na capela de Santa Marta, a residência onde vive o papa que renunciou ao Apartamento apostólico, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé acompanhou o seu velho amigo peruano Gustavo Gutiérrez para concelebrar a missa junto com o papa.
No dia 22 de julho de 1968, em uma vila de pescadores no Pacífico, em ChimboteGutiérrez era o jovem teólogo que deveria entreter os seminaristas sobre a "teologia do desenvolvimento" e, ao invés, lhes falou sobre a Teología de la libertación: três anos mais tarde, esse se tornou o título do texto que batizaria a corrente teológica mais discutida do fim do século XX.
Agora, o tema da pobreza e da "missão libeartadora" e "evangelizadora" da Igreja está no centro do livro de Müller. Além disso, o título retoma justamente a expressão de Francisco: "Pobre para os pobres. A missão da Igreja" (Livraria Editora Vaticana, 312 páginas).
Além dos escritos do cardeal, o livro recebe contribuições do próprio Gutiérrez e de Josef Sayer, o teólogo que, há 25 anos, propiciou o encontro entre o futuro "guardião da fé" e o pai da teologia da libertação.
Uma reflexão sobre a pobreza para além das forçações ideológicas (Müller explica que "a autêntica teologia da libertação" é "oposta" ao "marxismo" assim como ao "liberalismo contemporâneo"), à luz essencial do Evangelho e daquela "conversão" de vida que faz reconhecer os outros como irmãos: porque Mammon, escreve Francisco, não é a riqueza em si, mas aquela escondida, que produz iniquidade por estar fechada à solidariedade.
Editado pelo professor Pierluca Azzaro, que supervisionou a escrupulosa tradução, o livro será apresentado pelo autor no dia 25 de fevereiro, em Roma, às 18 horas, na Via della Conciliazione 5, juntamente com o cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga e o padre Federico Lombardi.
No fim, Francisco agradece o cardeal Müller pela obra e se dirige a quem o lê: "Estou certo de que cada um de vocês, de algum modo, se deixará tocar o coração e sentirá surgir dentro de si a exigência de uma renovação da vida. Pois bem, amigos leitores, saiba, que, nessa exigência e nessa estrada, vocês vão me encontrar a partir de agora com vocês, como irmão e sincero companheiro de viagem".
Fonte: Ihu Online

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Nos caminhos de Samaria – o coração agradecido!


 “Em tudo dai graças”.
[1Ts 5,18]

“Um coração que não cabe num só peito”.
[Mario Quintana]

Caminhamos rumo à Jerusalém. Caminhamos porque nos colocamos no amor e no serviço a juventude. A causa do Reino do Pai não nos deixa ficar parados. Nesse ano, caminhamos em Samaria, na Samaria de Jesus e nas “Samarias” da juventude. No caminho nos deparamos com um poço. E neste poço estamos. Há momentos em que é preciso beber água e água da vida. No poço nos encontramos com Jesus e com a juventude. Estamos sedentos.
Nesse mês, somos inundados de gratidão. Na memória do texto de Lucas (17, 11-19) com o samaritano leproso que é curado e volta para agradecer a Jesus, nós, Igreja Jovem do Continente, nos colocamos em atitude de agradecimento. E no caminho à Jerusalém vamos com o coração agradecido. O texto que aponta a compaixão de Jesus pelos 10 leprosos nos provoca também a recuperar gestos de gratidão. Num tempo de consumo, há um imaginário que “nada se faz de graça”. Não há espaço para o gratuito. Com isso, a atitude de agradecer parece estar fora de moda. Se não tomarmos cuidado a fé também pode tornar-se um negócio. A Teologia da Retribuição foi condenada por Jesus. A ideia de que eu ofereço algo para Deus e quero em troca um milagre é uma forma de mercantilizar a fé, tornando-a pura retribuição.
Reconhecer o amor de Deus já é infinitamente suficiente para sermos agradecidos. Apenas um dos curados, segundo o relato de Lucas, voltou para agradecer. Ao que Jesus o respondeu: “a tua fé te salvou”. O coração agradecido e a salvação estão intimamente ligados. Uma mudança de olhar é necessária para recuperarmos essa atitude em todos nós.
Ser agradecido é também saber reconhecer as belezas da humanidade. É preciso sensibilidade. Quantos pôr-do-sol! Quantos nascer do sol! Quantas pessoas! Quantos corpos em movimento! Quanta música! Quanto esporte! Quanta juventude! Quanto amor! Quantas amizades! Quantos encontros! Quantos, quantos...
Diante disso, o que agradecer do caminho percorrido no seguimento a Jesus e no serviço a juventude? Os jovens tecendo vida em grupo? Os jovens construindo seu protagonismo? Os assessores gastando a vida no acompanhamento?  Os projetos de vida sonhados, rezados, vividos, partilhados? Os encontros? As assembleias? As ampliadas? As marchas? As romarias? O cotidiano dos grupos? As Eucaristias? Os abraços? As vidas que se cruzaram? As amizades? Os sonhos? Os olhares? As dores? Os medos? As pedras? Os desafios? Os amores? As causas? A memória? As opções assumidas e encarnadas ao longo do caminho? O Divino na juventude? As orações? Os materiais produzidos? As construções coletivas? O que mais agradecer? É preciso recuperar o agradecimento. É uma questão de felicidade. De salvação!
Oxalá, o caminho para Jerusalém seja sempre percorrido com um coração muito agradecido por tanto bem e tanta vida que o Senhor, a quem seguimos, nos concede no serviço a juventude.

Com baldes cheios de gratidão caminhamos por Samaria, rumo a Jerusalém.

Mantra:
“No caminho percorrido agradecemos,
Reconhecendo as belezas dessa vida.
‘Foi a tua fé que te salvou!’
Com gratidão, bebemos de água da vida...”

Cladilson Nardino, estudante de Eng. Civil, membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR
Luis Duarte Vieira – Noviço Jesuíta e Militante da Pastoral da Juventude
Maicon André Malacarne – Padre, assessor da Pastoral da Juventude da Diocese de Erexim/RS

Fonte: Cajueiro


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Papa Francisco inicia seu primeiro Consistório

A família “é célula fundamental da sociedade humana”, disse o papa Francisco na abertura dos trabalhos do Consistório extraordinário, que teve início hoje, 20, no Vaticano.
Estão presentes 185 cardeais, com a participação dos 19 prelados que serão criados cardeais pelo papa Francisco sábado, 22, entre eles o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta.
Em foto divulgada pela Rádio Vaticano, o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, aparece caminhando ao lado do papa Francisco.
O colégio cardinalício está reunido para refletir sobre temas relacionados à Família.  “A nossa reflexão terá sempre presente a beleza da família e do matrimônio, a grandeza desta realidade humana, tão simples e ao mesmo tempo tão rica, feita de alegrias e esperanças, de fadigas e sofrimentos, como o é toda a vida”, comentou o papa no início da reunião.
Reflexão
Durante o Consistório serão aprofundadas a teologia da família e a pastoral que deve ser implementada no contexto atual.  O papa Francisco pediu aos cardeais que ajudem a refletir sobre a realidade da família com profundidade sem cair na “casuística”.
“Hoje, a família é desprezada, é maltratada, pelo que nos é pedido para reconhecermos como é belo, verdadeiro e bom formar uma família, ser família hoje; reconhecermos como isso é indispensável para a vida do mundo, para o futuro da humanidade”, afirmou Francisco.
Concluindo sua fala, o papa lembrou que é necessário colocar em evidência o plano de Deus para a família. E disse aos cardeais: “ajudemos os esposos a viverem-no com alegria ao longo dos seus dias, acompanhando-os no meio de tantas dificuldades com uma pastoral inteligente, corajosa e amorosa".
Após a colocação do papa, o presidente emérito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, o cardeal Walter Kasper, também falou aos participantes.
No decorrer da reunião, estão previstas outras intervenções sobre a família que irão contribuir para a preparação do próximo Sínodo dos Bispos, em outubro.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Curso à distância sobre a CF 2014 tem novas turmas

O Curso à distância sobre a Campanha da Fraternidade 2014 está com inscrições abertas para novas turmas. Este ano, a campanha tem como tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1). O curso é uma novidade e conta com a supervisão da equipe executiva da CF da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Os participantes terão acesso às informações das práticas de tráfico humano em suas várias formas, bem como reflexão bíblico-teológica, indicações sobre o enfrentamento e canais de denúncia de situações de tráfico. De acordo com o secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, o objetivo do curso é “oferecer uma nova modalidade de capacitação sobre os conteúdos da Campanha da Fraternidade e, assim, contribuir com a formação que ocorre nos regionais e em várias dioceses do Brasil”.
Módulos
O curso é oferecido em quatro módulos, com total de 40 horas e duração de 40 dias. Abordará especificamente o Texto Base da CF 2014, focado no método: ver, julgar e agir. As unidades do curso são: 1-) O tráfico humano no contexto da globalização, com foco na mobilidade e trabalho, e as formas de enfrentamento ao tráfico humano, 2-) A iluminação no Antigo e Novo Testamento, 3-) Propostas para o enfrentamento do tráfico humano e canais de denúncia e 4-) Histórico e sentido da Campanha da Fraternidade no Brasil.
Durante o curso, os alunos entenderão as condições de denúncias e aprenderão como agir concretamente nos casos de tráfico humano. “A CNBB tem buscado meios para cumprir a missão de capacitar os agentes que atuam nas pastorais para que estejam cada vez mais preparados”, destaca padre Luiz Dias.
As inscrições para o curso podem ser feitas pelo site: www.solarconsultoria.com
 Informações: (61) 3364.2097
Fonte: CNBB

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Pastorais da Juventude do Regional Nordeste 3 se reúnem em Ampliada



Aconteceu neste fim de semana (14 a 16 de fevereiro) a Ampliada Regional das Pastorais da Juventude do Regional Nordeste 3, na cidade de Baianópolis (Diocese de Barreiras/BA). Teve como tema: Pastorais da Juventude: Memória e Organização; o lema foi: "Vamos fincar o nosso pé, e fazer a nossa história; e a iluminação bíblica foi: "Vi então um novo céu e uma nova terra”. (Ap 21,1). 

As atividades começaram na sexta à noite, se fazendo a memória da caminhada conjunta das Pastorais da Juventude do Brasil, (PJ, PJMP, PJR, PJE) no Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), através de depoimentos de antigos assessores como o Ir. José Conceição e o Marcelino. Também foi feita a memória dos 3 anos de caminhada do Eric Gamaliel em frente a nossa articulação da PJB Regional, através de uma mística que recordou o nome dos diversos lugares e espaços em que ele esteve representando nossas Pastorais. Depois, todos os presentes foram emergidos na realidade da cidade, com um grupo de reisado local, com o qual foram percorridos alguns locais com o intuito de retomar a caminhada histórica das Pastorais da Juventude na Bahia e Sergipe; foram recordados nomes, espaços, sonhos, lutas... Foi finalizado a noite de trabalhos com a dança típica do reisado. 

O sábado foi iniciado com a reza do Ofício Divino da Juventude, seguida pela palavra do bispo responsável pelas juventudes em nosso regional, Dom José Valmor Cesar Teixeira. Em seguida quem falou foi o Padre Gilvar Ivo, que acompanhou a PJB como assessor nestes últimos 3 anos. Logo após, tivemos a partilha de três pessoas muito expressivas na caminhada da articulação da PJB Regional: Claudia Santos, que já foi da assessoria; Maicelma Maia que já foi articuladora e o Eric Gamaliel, também articulador. Esse foi o momento de fazer um resgaste histórico da PJB Regional, bem como apontar as luzes e angústias para a caminhada. Na parte da tarde foi o momento de pensar sobre os serviços da articulação, assessoria e também sobre a estrutura, através de grupos, que partilharam as ideias a serem sistematizadas pela equipe de metologia e secretaria. O sábado foi concluído, com a noite cultural, que trouxe elementos da cultura popular, em especial dos tempos juninos, que são tradição forte em Baianópolis. Teve casamento na roça, quadrilha, show ao vivo, entre outras coisas que ajudaram os participantes a se integrarem com a cultura local.   

Já no domingo, as atividades foram começadas com a Santa Missa, na Igreja Matriz de Baianópolis, dedicada ao Senhor do Bonfim. O padre Ariovan Gonçalves deu as boas vindas ao presentes, em especial aos delegados da ARPJB, e ao Dom César, que presidiu a Missa. O final da celebração foi dedicado ao discurso do Eric Gamaliel, falando como foi seu serviço às Pastorais da Juventude nesses três anos. Também foram feitas homenagens, pelos participantes da Ampliada, tanto ao Eric, como a seus familiares. Foram momentos de muito emoção e partilha, celebrando a vida que é doada pelo Reino, pela construção da Civilização do Amor. O trabalho continuou no domingo com a reuniões de cada especifica das Pastorais da Juventude; e depois as reuniões dos sub's para encaminhamentos próprios e propostas de datas e locais para a Ampliada da PJB 2015. 

Logo depois foram os momentos dos encaminhamentos. A Ampliada das Pastorais da Juventude em 2015, será realizada entre os dias 20 e 22 de fevereiro, na Diocese de Ruy Barbosa. Sobre a assessoria da PJB para os próximos 3 anos, ainda não foram definidos nomes, no entanto foi sinalizado que a partir de agora a assessoria se dará de forma colegiada, com um padre, um/a relioso/a,e  um/a leigo/a. Por fim, habemus articulador da PJB: é o Mailson Pereira, jovem ligado a Pastoral da Juventude da Diocese de Amargosa. A ARPJB foi encerrada com uma mística em que se relembrou o dever que todos os pjoteiros/as do regional tem no cuidado um ao outro, bem como o cuidado que se deve ter com o novo articulador da PJB. Nesse papel, as PJs em cada diocese terão papel fundamental, assim como cada específica. Para finalizar pode-se deixar a seguinte frase que pode resumir a caminhada das Pastorais da Juventude na Bahia e Sergipe: "Temo mil razões para ser PJB". 


Fonte: Pastorais da Juventude do Brasil - Regional Nordeste 3

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PJ promove concurso para oração, arte e hino oficiais do 11º Encontro Nacional

De 18 a 25 de janeiro de 2015 acontecerá na Arquidiocese de Manaus, Regional Norte I (AM/RR) da CNBB, o XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ). O lema deste encontro é “NO ENCONTRO DAS ÁGUAS, PARTILHAMOS VIDA, PÃO E UTOPIA”, com iluminação bíblica: “Mestre onde Moras? Vinde e Vede” (Cf. Jo 1, 38c.39a). Este Encontro acontece com periodicidade de três anos e estamos nos preparando para receber centenas  jovens de todos os 18 Regionais da Igreja no Brasil.  
Queremos com o presente Edital abrir o concurso para a Arte, Hino e Oração Oficiais do XI ENPJ. As inscrições e envio das propostas será de 11 de Fevereiro à 11 de abril de 2014. O Resultado deverá ser publicado durante o Encontro do Bloco Norte da PJ entre os dias 01 e 05 de Maio em Manaus/AM.
Para fazer o download o Edital basta acessar: 

Fonte: Pastoral da Juventude - Arquidiocese de Manaus

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sem Terra marcham por Brasília contra a paralisação da Reforma Agrária


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Os 16 mil participantes do VI Congresso Nacional do MST realizam uma marcha em Brasília (DF) nesta quarta-feira (12). Os Sem Terra saem às 14h no ginásio Nilson Nelson, onde ocorre o IV Congresso Nacional do MST, e terá como destino a Esplanada dos Ministérios.
O ato vai denunciar a atual estagnação da Reforma Agrária no Brasil. Para o Movimento, este é um dos piores períodos da Reforma Agrária: apenas 7.274 famílias foram assentadas em 2013, a partir da desapropriação de 100 áreas, em 21 estados. Dados do Incra apontam que foram assentadas 30 mil famílias, número superestimado, já que inclui áreas de regularização fundiária na Amazônia. 
Durante todo o governo Dilma, apenas 176 desapropriações de terra foram realizadas, desempenho que só perde para os três anos do período Collor, quando 28 áreas foram desapropriadas.
O volume de acampados reafirma a necessidade de acelerar a Reforma Agrária no Brasil: mais de 150 mil famílias vivem atualmente em acampamentos, das quais 90 mil integram o MST. 
Para a integrante da direção nacional do MST, Itelvina Masoli, a marcha irá sintetizar a insatisfação dos agricultores Sem Terra. “Já estamos cansados de negociações. Nossa pauta está amarelada, pois não avança”. 
Na avaliação da dirigente, o Estado prioriza o modelo de desenvolvimento do capital e do agronegócio. “É o pior governo para a Reforma Agrária. Muitos acampamentos estão há anos sem solução.” 
Para ver todas as notícias do 6º Congresso do MST, clique aqui 
Fonte: MST

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MST quer recolocar a luta pela terra na agenda

4 congresso nacionalk mst - brasilia - df - agosto 2001Credito: arquivo MST
O Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) realiza seu 6º Congresso, de 10 a 14 de fevereiro, em Brasília, com um horizonte de desafios tão grande quanto os que marcaram sua fundação, há 30 anos. Naquela época, a prioridade era organizar, na luta pela reforma agrária e pelo fim do latifúndio improdutivo, a grande massa de trabalhadores pobres, recém-expulsa do campo pelas políticas ditas modernizadoras da ditadura.  Hoje, é requalificar a luta histórica pela terra em um país no qual a combinação da mais oferta de emprego na cidade e políticas sociais se sobrepôs à reforma agrária como opção política para combater a pobreza, condenando esta última à invisibilidade.

 “A questão luta pela terra hoje está fora da pauta da sociedade e do governo. Está cooptada por muitos intelectuais que acham que a reforma agrária e a luta pela terra não existe mais. Portanto, a luta pela terra está despolitizada. Ela tem acontecido, seja a luta dos indígenas, dos quilombolas, dos pescadores, a nossa luta. Mas está escondida, abafada”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST.
De acordo com ele, apesar do MST ter garantido assentamento a 350 mil famílias nestes 30 anos, a necessidade da reforma agrária continua atual, porque a alta concentração fundiária no campo brasileiro não se alterou e, mais grave, o capital internacional domina uma área cada vez maior, ameaçando áreas indígenas e quilombolas. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apontam que há, no país, 186 mil famílias acampadas aguardando assentamento, cerca de 100 mil delas pertencentes aos quadros do MST.
O dirigente reconhece que o volume de ocupações diminuiu, mas atribui o fenômeno menos a desarticulação do movimento do que as pressões da conjuntura. “As famílias vão ficar esperando mais 10 anos para serem assentadas ou vão buscar trabalho nas obras do PAC?”, questiona. E atesta que o MST vem mantendo a mobilização no campo, embora elas não encontrem eco na sociedade. “No abril vermelho do ano passado, foram 95 trancamentos de rodovias, por mais de 20 minutos. Nós quase paramos o Brasil, mas isso não virou notícia. A luta do MST não é mais notícia”, denuncia.
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Campanha de solidariedade para apoiar o 6° Congresso Nacional do MST 

De acordo com ele, colabora especialmente para esta “invisibilidade” da luta pela terra o papel desempenhado pela mídia convencional no que ele chama de aliança do agronegócio. “É um movimento muitíssimo articulado. A composição da aliança do agronegócio é formada por transnacionais, com o dinheiro da financeirização, pelo latifúndio no Brasil abrindo espaço, pelo Congresso Nacional, onde a bancada ruralista possui mais de 200 representantes e o MST apenas dois deputados, pelo Judiciário, no qual adormecem processos referentes à desapropriação de 200 mil hectares de terra, e por essa mídia, com as bênçãos do governo federal”, afirma.
As críticas ao governo Dilma
Na avaliação do movimento, a inoperância do atual governo é crucial para o impasse vivido pela reforma agrária. No último ano do governo Lula, 55 mil famílias foram assentadas no país. No governo Dilma, os dados oficiais apontam 21 mil em 2011, 22 mil em 2010 e 30 mil no ano passado. Mas o MST contesta os números de 2013. Segundo o movimento, foram apenas sete mil novos assentamentos: o restante foi regularização fundiária de áreas da Amazônia e realocação de novas famílias em lotes vagos.  “A reforma agrária vive hoje, no governo Dilma, seu pior momento. São resultados muito inferiores aos do governo Lula, o que mais assentou famílias, e mesmo aos do governo Fernando Henrique Cardoso, o que mais destinou áreas à reforma agrária”, comparou o dirigente.
As críticas atingem também às políticas públicas para o campo. A qualificação dos assentamentos prometida pela presidenta, na avaliação do MST, não se concretiza.
“Há assentamentos criados por FHC que ainda não tem casa ou energia elétrica”, denuncia Conceição. O dirigente observa ainda que, enquanto crescem os subsídios para as multinacionais e o perdão das dívidas dos grandes latifundiários, os recursos para a reforma agrária são cada vez mais burocratizados e difíceis de serem acessados.
A maior ameaça, porém, é o que o movimento classifica de “privatização da reforma agrária”: a titularização definitiva de famílias assentadas, que transfere as terras públicas às mãos privadas, respaldada pelo governo Dilma no final de 2013.
“Em toda a sua história, entre projetos de colonização e reforma agrária, o Incra regularizou cerca de 10% de toda a terra do país. E, com a titularização, toda esta terra pode voltar ao mercado”, explica ele. Para o MST, a terra destinada à reforma agrária deve ser uma concessão de uso real, entregue às famílias para usufruto e passadas de geração a geração, mas jamais privatizadas.
Expectativas e novas estratégias
As expectativas para o Congresso do MST são tão grandiosas quanto é possível esperar do maior movimento de massas do país: 15 mil delegados de 23 estados, de 700 a 1000 crianças sem-terrinha, 250 convidados internacionais. Na grade da programação, discussões internas se misturam a palestras de lideranças do MST, intelectuais, sempre com a participação de representantes de outros movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, organizações da sociedade civil.
Uma feira de produtos orgânicos e agroecológicos, que será instalada no local do evento, o ginásio Nilson Nelson, pretende mostrar à sociedade os benefícios de uma reforma agrária popular e bem conduzida. Também estão programados atos públicos, marchas e manifestações para o período. “Nosso congresso tem caráter massivo, já que esperamos reunir mais de 17 mil pessoas, de estudo, porque vamos aprofundar o debate político, e de luta, que é a natureza do MST”, resume.
A frase de ordem já foi definida: “Lutar e construir uma reforma agrária popular”. Uma mudança de rumo significativa em relação à do último congresso, realizado em 2007, que defendia “Reforma agrária para justiça social e soberania alimentar”.
Segundo Conceição, a grande aposta é redefinir as novas bases da luta pela terra, a partir de uma aliança unitária com outros movimentos camponeses, além de indígenas, quilombolas, pescadores, extrativistas.
“Nós queremos recuperar aquilo que aconteceu em 1962, no 1º Congresso de Lavradores, em Belo Horizonte, onde foram tiradas as bases da reforma agrária, das reformas de bases que o presidente Jango [João Goulart], logo em seguida, foi ao Rio de Janeiro anunciar, mas foi impedido de realiza-las pelo golpe que deu início à ditadura”, explica ele.
Fonte: MST

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Papa divulga mensagem para JMJ 2014

O Vaticano divulgou na última quinta-feira, dia 07, a mensagem do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). A cada ano, até 2016, o santo padre refletirá com os jovens sobre as Bem-aventuranças do evangelho de são Mateus (5, 1-12).

A mensagem escrita no dia 21 de janeiro deste ano traz a primeira meditação papal do trecho “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5, 3).


Antes da reflexão, no início da carta, Francisco recorda a JMJ 2013 como “encontro extraordinário”, no qual “Jesus fez ouvir de novo a sua chamada para que cada um de nós se torne seu discípulo missionário, O descubra como o tesouro mais precioso da própria vida e partilhe esta riqueza com os outros, próximos e distantes, até às extremas periferias geográficas e existenciais do nosso tempo”.
Confira a carta na íntegra:


MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
 PARA A XXIX JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
(Domingo de Ramos, 13 de Abril de 2014)
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3)

Queridos jovens,
Permanece gravado na minha memória o encontro extraordinário que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude: uma grande festa da fé e da fraternidade. A boa gente brasileira acolheu-nos de braços escancarados, como a estátua de Cristo Redentor que domina, do alto do Corcovado, o magnífico cenário da praia de Copacabana. Nas margens do mar, Jesus fez ouvir de novo a sua chamada para que cada um de nós se torne seu discípulo missionário, O descubra como o tesouro mais precioso da própria vida e partilhe esta riqueza com os outros, próximos e distantes, até às extremas periferias geográficas e existenciais do nosso tempo.
A próxima etapa da peregrinação intercontinental dos jovens será em Cracóvia, em 2016. Para cadenciar o nosso caminho, gostaria nos próximos três anos de refletir, juntamente convosco, sobre as Bem-aventuranças que lemos no Evangelho de São Mateus (5, 1-12). Começaremos este ano meditando sobre a primeira: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3); para 2015, proponho: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8); e finalmente, em 2016, o tema será: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7).

1. A força revolucionária das Bem-aventuranças
É-nos sempre muito útil ler e meditar as Bem-aventuranças! Jesus proclamou-as no seu primeiro grande sermão, feito na margem do lago da Galileia. Havia uma multidão imensa e Ele, para ensinar os seus discípulos, subiu a um monte; por isso é chamado o «sermão da montanha». Na Bíblia, o monte é visto como lugar onde Deus Se revela; pregando sobre o monte, Jesus apresenta-Se como mestre divino, como novo Moisés. E que prega Ele? Jesus prega o caminho da vida; aquele caminho que Ele mesmo percorre, ou melhor, que é Ele mesmo, e propõe-no como caminho da verdadeira felicidade. Em toda a sua vida, desde o nascimento na gruta de Belém até à morte na cruz e à ressurreição, Jesus encarnou as Bem-aventuranças. Todas as promessas do Reino de Deus se cumpriram n’Ele.
Ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus nos convida a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor assegura-nos a sua graça e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, há pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão cotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só Deus, amor infinito, pode dar.
As Bem-aventuranças de Jesus são portadoras de uma novidade revolucionária, de um modelo de felicidade oposto àquele que habitualmente é transmitido pelos mass media, pelo pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, é um escândalo que Deus tenha vindo para Se fazer um de nós, que tenha morrido numa cruz. Na lógica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes são considerados «perdedores», fracos. Ao invés, exalta-se o sucesso a todo o custo, o bem-estar, a arrogância do poder, a afirmação própria em detrimento dos outros.
Queridos jovens, Jesus interpela-nos para que respondamos à sua proposta de vida, para que decidamos qual estrada queremos seguir a fim de chegar à verdadeira alegria. Trata-se dum grande desafio de fé. Jesus não teve medo de perguntar aos seus discípulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por outros caminhos (cf.Jo 6, 67). E Simão, denominado Pedro, teve a coragem de responder: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68). Se souberdes, vós também, dizer «sim» a Jesus, a vossa vida jovem encher-se-á de significado, e assim será fecunda.

2. A coragem da felicidade
O termo grego usado no Evangelho é makarioi, «bem-aventurados». E «bem-aventurados» quer dizer felizes. Mas dizei-me: vós aspirais verdadeiramente à felicidade? Num tempo em que se é atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco de contentar-se com pouco, com uma ideia «pequena» da vida. Vós, pelo contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações! Como dizia o Beato Pierjorge Frassati, «viver sem uma fé, sem um património a defender, sem sustentar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas ir vivendo. Não devemos jamais ir vivendo, mas viver» (Carta a I. Bonini, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua beatificação, João Paulo II chamou-lhe «homem das Bem-aventuranças» (Homilia na Santa Missa: AAS 82 [1990], 1518).
Se verdadeiramente fizerdes emergir as aspirações mais profundas do vosso coração, dar-vos-eis conta de que, em vós, há um desejo inextinguível de felicidade, e isto permitir-vos-á desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas «a baixo preço» que encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a riqueza de modo egoísta e idolatrando-os, podemos experimentar também momentos de inebriamento, uma falsa sensação de satisfação; mas, no fim de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos impelidos a buscar sempre mais. É muito triste ver uma juventude «saciada», mas fraca.
Escrevendo aos jovens, São João dizia: «Vós sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós e vós vencestes o Maligno» (1 Jo 2, 14). Os jovens que escolhem Cristo são fortes, nutrem-se da sua Palavra e não se «empanturram» com outras coisas. Tende a coragem de ir contra a corrente. Tende a coragem da verdadeira felicidade! Dizei não à cultura do provisório, da superficialidade e do descartável, que não vos considera capazes de assumir responsabilidades e enfrentar os grandes desafios da vida.

3. Felizes os pobres em espírito…
A primeira Bem-aventurança, tema da próxima Jornada Mundial da Juventude, declara felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Num tempo em que muitas pessoas penam por causa da crise econômica, pode parecer inoportuno acostar pobreza e felicidade. Em que sentido podemos conceber a pobreza como uma bênção?
Em primeiro lugar, procuremos compreender o que significa «pobres em espírito». Quando o Filho de Deus Se fez homem, escolheu um caminho de pobreza, de despojamento. Como diz São Paulo, na Carta aos Filipenses: «Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens» (2, 5-7). Jesus é Deus que Se despoja da sua glória. Vemos aqui a escolha da pobreza feita por Deus: sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). É o mistério que contemplamos no presépio, vendo o Filho de Deus numa manjedoura; e mais tarde na cruz, onde o despojamento chega ao seu ápice.
O adjetivo grego ptochós (pobre) não tem um significado apenas material, mas quer dizer «mendigo». Há que o ligar com o conceito hebraico de anawim (os «pobres de Iahweh»), que evoca humildade, consciência dos próprios limites, da própria condição existencial de pobreza. Os anawim confiam no Senhor, sabem que dependem d’Ele.
Como justamente soube ver Santa Teresa do Menino Jesus, Cristo na sua Encarnação apresenta-Se como um mendigo, um necessitado em busca de amor. O Catecismo da Igreja Católica fala do homem como dum «mendigo de Deus» (n. 2559) e diz-nos que a oração é o encontro da sede de Deus com a nossa (n. 2560).
São Francisco de Assis compreendeu muito bem o segredo da Bem-aventurança dos pobres em espírito. De fato, quando Jesus lhe falou na pessoa do leproso e no Crucifixo, ele reconheceu a grandeza de Deus e a própria condição de humildade. Na sua oração, o Poverello passava horas e horas a perguntar ao Senhor: «Quem és Tu? Quem sou eu?» Despojou-se duma vida abastada e leviana, para desposar a «Senhora Pobreza», a fim de imitar Jesus e seguir o Evangelho à letra. Francisco viveu a imitação de Cristo pobre e o amor pelos pobres de modo indivisível, como as duas faces duma mesma moeda.
Posto isto, poder-me-íeis perguntar: Mas, em concreto, como é possível fazer com que esta pobreza em espírito se transforme em estilo de vida, incida concretamente na nossa existência? Respondo-vos em três pontos.
Antes de mais nada, procurai ser livres em relação às coisas. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evangélico caracterizado pela sobriedade, chama-nos a não ceder à cultura do consumo. Trata-se de buscar a essencialidade, aprender a despojarmo-nos de tantas coisas supérfluas e inúteis que nos sufocam. Desprendamo-nos da ambição de possuir, do dinheiro idolatrado e depois esbanjado. No primeiro lugar, coloquemos Jesus. Ele pode libertar-nos das idolatrias que nos tornam escravos. Confiai em Deus, queridos jovens! Ele conhece-nos, ama-nos e nunca se esquece de nós. Como provê aos lírios do campo (cf. Mt 6, 28), também não deixará que nos falte nada! Mesmo para superar a crise económica, é preciso estar prontos a mudar o estilo de vida, a evitar tantos desperdícios. Como é necessária a coragem da felicidade, também é precisa a coragem da sobriedade.
Em segundo lugar, para viver esta Bem-aventurança todos necessitamos de conversão em relação aos pobres. Devemos cuidar deles, ser sensíveis às suas carências espirituais e materiais. A vós, jovens, confio de modo particular a tarefa de colocar a solidariedade no centro da cultura humana. Perante antigas e novas formas de pobreza – o desemprego, a emigração, muitas dependências dos mais variados tipos –, temos o dever de permanecer vigilantes e conscientes, vencendo a tentação da indiferença. Pensemos também naqueles que não se sentem amados, não olham com esperança o futuro, renunciam a comprometer-se na vida porque se sentem desanimados, desiludidos, temerosos. Devemos aprender a estar com os pobres. Não nos limitemos a pronunciar belas palavras sobre os pobres! Mas encontremo-los, fixemo-los olhos nos olhos, ouçamo-los. Para nós, os pobres são uma oportunidade concreta de encontrar o próprio Cristo, de tocar a sua carne sofredora.
Mas – e chegamos ao terceiro ponto – os pobres não são pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles têm tanto para nos oferecer, para nos ensinar. Muito temos nós a aprender da sabedoria dos pobres! Pensai que um Santo do século XVIII, Bento José Labre – dormia pelas ruas de Roma e vivia das esmolas da gente –, tornara-se conselheiro espiritual de muitas pessoas, incluindo nobres e prelados. De certo modo, os pobres são uma espécie de mestres para nós. Ensinam-nos que uma pessoa não vale por aquilo que possui, pelo montante que tem na conta bancária. Um pobre, uma pessoa sem bens materiais, conserva sempre a sua dignidade. Os pobres podem ensinar-nos muito também sobre a humildade e a confiança em Deus. Na parábola do fariseu e do publicano (cf. Lc 18, 9-14), Jesus propõe este último como modelo, porque é humilde e se reconhece pecador. E a própria viúva, que lança duas moedinhas no tesouro do templo, é exemplo da generosidade de quem, mesmo tendo pouco ou nada, dá tudo (Lc 21, 1-4).

4. … porque deles é o Reino do Céu
Tema central no Evangelho de Jesus é o Reino de Deus. Jesus é o Reino de Deus em pessoa, é o Emanuel, Deus conosco. E é no coração do homem que se estabelece e cresce o Reino, o domínio de Deus. O Reino é, simultaneamente, dom e promessa. Já nos foi dado em Jesus, mas deve ainda realizar-se em plenitude. Por isso rezamos ao Pai cada dia: «Venha a nós o vosso Reino».
Há uma ligação profunda entre pobreza e evangelização, entre o tema da última Jornada Mundial da Juventude – «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28, 19) – e o tema deste ano: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3). O Senhor quer uma Igreja pobre, que evangelize os pobres. Jesus, quando enviou os Doze em missão, disse-lhes: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento» (Mt 10, 9-10). A pobreza evangélica é condição fundamental para que o Reino de Deus se estenda. As alegrias mais belas e espontâneas que vi ao longo da minha vida eram de pessoas pobres que tinham pouco a que se agarrar. A evangelização, no nosso tempo, só será possível por contágio de alegria.
Como vimos, a Bem-aventurança dos pobres em espírito orienta a nossa relação com Deus, com os bens materiais e com os pobres. À vista do exemplo e das palavras de Jesus, damo-nos conta da grande necessidade que temos de conversão, de fazer com que a lógica do ser mais prevaleça sobre a lógica do ter mais. Os Santos são quem mais nos pode ajudar a compreender o significado profundo das Bem-aventuranças. Neste sentido, a canonização de João Paulo II, no segundo domingo de Páscoa, é um acontecimento que enche o nosso coração de alegria. Ele será o grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude, de que foi o iniciador e impulsionador. E, na comunhão dos Santos, continuará a ser, para todos vós, um pai e um amigo.
No próximo mês de Abril, tem lugar também o trigésimo aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Redenção. Foi precisamente a partir daquele ato simbólico de João Paulo II que principiou a grande peregrinação juvenil que, desde então, continua a atravessar os cinco continentes. Muitos recordam as palavras com que, no domingo de Páscoa do ano 1984, o Papa acompanhou o seu gesto: «Caríssimos jovens, no termo do Ano Santo, confio-vos o próprio sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a ao mundo como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade, e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção».
Queridos jovens, o Magnificat, o cântico de Maria, pobre em espírito, é também o canto de quem vive as Bem-aventuranças. A alegria do Evangelho brota dum coração pobre, que sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o coração da Virgem, que todas as gerações chamam «bem-aventurada» (cf. Lc 1, 48). Que Ela, a mãe dos pobres e a estrela da nova evangelização, nos ajude a viver o Evangelho, a encarnar as Bem-aventuranças na nossa vida, a ter a coragem da felicidade.

Vaticano, 21 de Janeiro – Memória de Santa Inês, virgem e mártir - de 2014.

FRANCISCO, Bispo de Roma

Fonte: Blog da CNBB