quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A missão desde Betânia – Uma prova de amor!

"Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho...!" [Tom Jobim]

No Brasil a Igreja Jovem está a caminho com a Igreja Latino-americana. Estamos juntos/as em Betânia, rumo à Jerusalém. Vamos vivendo o mês missionário, que celebramos em toda Igreja, bem como o Dia Nacional da Juventude, que reflete sobre “Juventude e Missão”. Todos nós queremos ser missionários. Sair de nós mesmos! Sair... Faz lembrar o profeta/poeta dom Hélder que um dia nos disse e eternizou:
  
Missão é partir, caminhar,
deixar tudo, sair de si,
quebrar a crosta do egoísmo
que nos fecha no nosso Eu.
 
É parar de dar volta
ao redor de nós mesmos
 como se fôssemos o centro
 do mundo e da vida.
 
 É não se deixar bloquear pelos
problemas do pequeno mundo a que
pertencemos: a humanidade é maior.
 
Missão é sempre partir,
mas não devorar quilômetros.
 
 É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos.
Descobri-los e encontrá-los.
 
E se, para encontrá-los e amá-los,
 é preciso atravessar os mares
e voar nos céus,
então missão é partir até os confins
 do mundo.

Que maravilha ser missionário/a! Que maravilha também nos darmos conta disso em Betânia. Todos/as precisamos de uma “Betânia”. Todos/as vamos construindo uma Betânia para nós e com outros/as amigos/as e companheiros/as do caminho. Com Jesus não foi diferente. Esse lugar na vida Dele foi físico, mas também simbólico. Físico, como cidade onde residiam alguns de seus amigos/as e onde Ele sempre estava antes de ir a Jerusalém e antes de tomar grandes decisões. Betânia também era lugar simbólico, porque em Sua vida era espaço de cultivo da missão, lugar de amigos/as, de festa, de partilha, de escuta, de conversas, de comer e beber.
Ser missionário é uma prova de amor. Quem ama de verdade toma iniciativa missionária e vai viver a vida de fraternidade com outros. A Pastoral da Juventude em muitos cantos do continente, ainda hoje, fazem a experiência das missões jovens. Continuamos, do nosso jeito, o projeto de Deus. É importante dizer que Deus é quem nos visitou primeiro e por isso, nos tornamos mais divinos quando missionários.
O Documento de Aparecida em certa altura aponta com convicção: “A Igreja peregrina é missionária por natureza” (347). Daria pra dizer então que ou somos missionários e missionárias ou não somos igreja, porque esse elemento faz parte da nossa natureza. E ninguém melhor que a juventude sabe fazer essa experiência. Sair de si e encontrar os outros. Encontrar os outros nos seus grupos, nos outros grupos, nas casas, nas ruas, nas festas, nas partilhas... Que fantástico ter um coração missionário! Um coração que não é fechado, não é egoísta, não pensa somente “no próprio umbigo”. Marta e Maria foram grandes missionários. Lázaro foi grande missionário. Betânia é lugar de viver e de impulsionar a missão.
Quais “Betânias” os/s jovens tem, vivem e vão construindo? O que seria a “Betânia” como lugar físico para os/as jovens? O que seria a “Betânia” simbólica na vida da juventude? A Pastoral da Juventude também é chamada a ser Betânia. É chamada a ser lugar de alimentar para seguir em missão pelo Reino, pela vida. É chamada a ser lugar de fazer amizades profundas. Como alimentar e fortalecer ainda mais a “Betânia” que a PJ é e vai vivendo em seu caminho com os/as jovens? Sem dúvida nenhuma é tempo de fortalecer os grupos de jovens e a vida em grupo. É urgente fortalecer “as Betânias” dos grupos de jovens.
No cheiro das estradas, dos asfaltos, da poeira quente... nos passos do Mestre, sejamos missionários do Reino, defensores e anunciadores da vida, desde Betânia.

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ na Diocese de Erexim/RS
 
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e noviço admitido à Companhia de Jesus
 
Fonte: Cajueiro

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nesta quarta, Coalizão Democrática coleta assinaturas para Projeto de Lei pela Reforma Política e Eleições Limpas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e entidades que integram a Coalizão Democrática promovem nesta quarta-feira, 27 de novembro, o Dia Nacional de Coleta de Assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas.
 A partir das 16h, haverá uma concentração no Museu Nacional, em Brasília (DF), seguida de uma marcha até a Rodoviária do Plano Piloto, onde será realizada a coleta de assinaturas. Estarão presentes, entre outros, o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis; o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinicius Furtado.
De acordo com dom Joaquim Mol, o objetivo do evento é coletar assinaturas para que o projeto de lei possa ser levado ao Congresso Nacional. “É um projeto de lei de iniciativa popular possível e acordado entre uma boa quantidade de entidades civis”, explica.
Dom Mol afirma que a iniciativa também é uma oportunidade de se criar consciência de cidadania e participação popular.
Segundo o bispo, pessoas, movimentos sociais e instituições na medida em que aderem, têm confirmado a urgência e necessidade de se fazer a reforma política. “Desta forma, tem aumentado a nossa esperança”, ressalta dom Mol.
O bispo acrescenta ainda que o “movimento ganha o coração das pessoas aos poucos” e pede para que cada entidade que já aderiu à campanha para que multiplique a divulgação e discussão do projeto.
Proposta
Entre as principais mudanças propostas pelo projeto de lei de iniciativa popular estão: a proibição do financiamento privado e a instauração do financiamento democrático de campanha eleitoral; adoção do sistema eleitoral do voto dado em listas pré-ordenadas, democraticamente formadas pelos partidos, e submetidas a dois turnos de votação; regulamentação dos instrumentos da democracia participativa, previstos na Constituição; criação de instrumentos eficazes voltados aos segmentos sub-representados da população, como os afrodescendentes e indígenas.
Participação das dioceses
Em outubro, o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner enviou uma carta, assinada por dom Joaquim Mol,  aos bispos do Brasil  com explicações e orientações sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política.  “A carta que enviamos é para que cada diocese se organize e pense a questão, estude o material e planeje a coleta de assinaturas”.
A ficha para coleta de assinaturas está disponível no site da CNBB: www.cnbb.org.br

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Brasil terá representação no 9º Congresso Missionário na Venezuela

O 4º Congresso Missionário Americano e 9º Congresso Missionário Latino Americano (CAM 4 - Comla 9) terão como tema “Discípulos missionários de Jesus Cristo da América, em um mundo secularizado e pluricultural” e lema “América missionária, partilha tua fé”. Os eventos reunirão cerca de 4 mil participantes do continente americano, entre os dias 26 de novembro e 1º de dezembro, na cidade de Maracaibo,  Venezuela.
 O Brasil participará com uma delegação de 141 pessoas, entres elas bispos, padres, religiosos e representantes dos Conselhos Missionários Regionais (Comires), organismos e forças missionárias.
Os congressos missionários latinos nasceram das motivações do Beato João Paulo II que pediu para que houvesse uma maior integração entre os países.
“A proposta é impulsionar as igrejas particulares de toda América para o compromisso missionário, respondendo aos desafios da missão no mundo secularizado e pluricultural”, explica a assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Missionária e Cooperação Intereclesial, da CNBB, irmã Dirce Gomes da Silva.
Os Congressos contarão com 22 fóruns temáticos. O Brasil coordenará o debate sobre a “Profecia e martírio na América”, com a participação do bispo do Xingu e presidente do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), dom Erwin Kräutler, e da coordenadora da Comissão Justiça e Paz do Regional Norte 2, irmã Henriqueta Cavalcante.
“O que se espera é uma reflexão teológica e bíblica para um discernimento concreto da realidade missionário no país, para que a Igreja viva em estado permanente de missão”, comenta irmã Dirce Gomes que fará a mediação da mesa de debate.
Fonte: CNBB

sábado, 23 de novembro de 2013

Oficio Divino da Juventude - participe dê sua opinião


Um caminho de mística - 10 anos de ODJ
 
Acabaram-se os exemplares da 5ª edição do Ofício da Juventude. Agora estamos no caminho da 6ª edição buscando grupos religiosos que desejam apoiar a nova impressão. Neste volume só serão feitas algumas correções pequenas. Vamos manter em respeito a quantidade de livros impressos.

Novo projeto – ODJ do ciclo da Páscoa está sendo organizado. Estamos organizando um grupo de pessoas e instituições que irão organizar as celebrações, cantos, salmos, hinos, danças, etc. Já temos data para o lançamento. É um sonho será na memória da Páscoa do Gisley em junho de 2014.
Estamos sonhando, porém, para sua concretização precisamos de muitos esforços reunidos. Um projeto assim, envolve muita gente. Por isto, queremos convocar você, seu grupo, sua congregação para participar deste processo.

Como participar?
1)  Enviar sugestões de cantos, salmos, hinos que deveria estar neste próximo ODJ – tempo de Páscoa. Enviar as sugestões para 
centrojuventude@cajueiro.org.br 

2)  Fazer a doação em dinheiro para este projeto. Reunir aí no grupo, com os amigos/as, fazer rifas. Conversar para ver quem deseja ser parceiro no projeto. Encaminhar parasoucajueiro@cajueiro.org.br.
O ODJ é uma obra que envolveu várias pessoas. Agora estamos com a responsabilidade de sua impressão, a partir da 6ª edição. E contamos com a contribuição de todas as pessoas que desejam cultivar a mística da Igreja Jovem.
 
Fonte: Cajueiro

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

No próximo domingo, comemora-se o Dia Nacional dos Leigos

Neste domingo, 24 de outubro, é celebrado o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas. Por ocasião da data, o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, dom Frei Severino Clasen, envia uma mensagem aos leigos. “Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades...”, destacou o bispo.
 
Leia o texto na íntegra:
Mensagem para o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas
Saúdo todos os leigos e leigas do Brasil pelo seu dia na festa de Cristo Rei!
Viva Cristo Rei!
Todas as criaturas necessitam de um ambiente saudável para nascer, crescer e viver em paz. É preciso construir a casa para que se possa viver com dignidade como pessoa humana, desde o momento em que tem início a existência, pois, já carrega a imagem de Cristo.
Jesus Cristo é proclamado Rei do Universo no último domingo litúrgico do ano. Ele tem um Reino para nós. Pela graça do Batismo, somos filiados à Igreja.  Como mãe, a Igreja oferece as condições espirituais e humanas para que a vida seja de fato vista como dom e riqueza imensurável. Portanto, cada criatura humana carrega dentro de si o grande sinal de Deus Uno e Trino. A festa de Cristo Rei é para todos os batizados. Lembramos nesse dia especialmente os leigos e leigas.
A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato, ao saudar os leigos e leigas, convoca-os para trabalhar na messe do Senhor e construir o Reino de paz e de justiça. O nosso espaço, o lugar onde vivemos, deve se tornar um sinal do Reino definitivo anunciado por Jesus Cristo. Por isso, são chamados para contribuir na evangelização. Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades, CEBs, dos conselhos de leigos e da presença nos diferentes espaços da sociedade como na cultura, na economia, no mundo do trabalho,  nas artes, na família, na política, na vida profissional, na educação, nos meios de comunicação,  dentre outros.  Reconhecemos que a maioria dos agentes de evangelização são as mulheres.
O trabalho humilde, simples, cotidiano, constante, sereno, fecundo das mulheres é a beleza gigantesca no anúncio do Reino de Deus. Que os homens também se sintam participantes nessa tarefa divina e santa, pois temos tantos homens espalhados pelo mundo afora se dedicando no anúncio do Evangelho e sua justiça. Que na festa de Cristo Rei, dia do leigo, saibamos valorizar todos os que são partícipes da gloriosa vinda de Cristo e com Ele, possamos construir o Reino definitivo.
No ano de 2014, teremos muitas oportunidades para aprofundar a reflexão sobre a missão e o ministério dos leigos. Está na hora de somarmos forças para equilibrar as relações no mundo todo, que nenhum filho de Deus, passe fome, se perca no crime e seja recolhido em prisões, mas que tenha saúde, educação, espaço para o lazer, trabalho digno, moradia; esse é o Reino que ainda deve ser construído, e a força do Evangelho nos proporciona e nos condiciona para tanto. Como afirma do Documento de Aparecida os leigos e leigas são chamados a ser construtores do Reino.  É uma questão de decisão, de participação e de iniciativa criativa e inspirada pela força de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Que a fé, aumentada e professada neste Ano da Fé, seja a força motora em cada cristão para ser instrumento de paz em toda parte.
Que o modelo de vida de família, testemunhada por Jesus, Maria e José, encoraje os leigos e leigas para serem discípulos missionários do Reino de Deus.
 
Fraternalmente,

Dom Frei Severino Clasen
Bispo de Caçador - SC
Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato

Fonte: CNBB

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Rede “Um grito pela vida” lança campanha contra o tráfico de pessoas na Copa do Mundo

“Jogue a favor da vida” é o lema da campanha que a rede “Um Grito Pela Vida” apresentou na última sexta-feira, 15 de novembro, em Brasília (DF). Cerca de 150 religiosos brasileiros e representantes da Alemanha, Colômbia, Bolívia e Uruguai participaram da iniciativa, que tem como objetivo sensibilizar a sociedade sobre a problemática do tráfico de pessoas em grandes eventos como a Copa do Mundo de futebol.


A rede “Um Grito pela Vida”, que organiza a campanha, é formada por religiosos que atuam com a prevenção ao tráfico de seres humanos em nível nacional. A logomarca da iniciativa traz as mãos que revelam o símbolo de força e vida. A bola de futebol e a palavra “jogue” têm a intenção de estimular a denúncia.
Para a coordenadora da campanha, irmã Eurides de Oliveira, a iniciativa é importante para tornar mais conhecida a questão no país. “É uma oportunidade singular para o crescimento da visibilidade do problema do tráfico, momento de contribuir para coibir o seu crescimento e chamar a atenção da população para este crime que existe em dimensões tão abrangentes, mas que é bastante invisível para a sociedade”, afirmou.
A religiosa explica que outras organizações são parceiras da Campanha, como a Pastoral do Menor, a Cáritas Internacional e o Ministério da Justiça. O lançamento da campanha será no início de 2014, com foco na prevenção e informação. O material impresso vai trazer orientações e será distribuído nas rodoviárias, aeroportos e hotéis das cidades que sediarão os jogos da Copa. Os trabalhos serão realizados a partir de 18 de maio até o final do evento.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Escola da Juventude forma alunos do ano de 2013

Nesse fim de semana (15 a 17), a Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana esteve reunida para a realização da última etapa da Escola da Juventude Dom Hélder Câmara no ano de 2013.
Na sexta pela noite foi rezado o Ofício Divino da Juventude, preparando para a celebração da formatura e da memória dos 40 anos da PJ no Brasil, na noite seguinte. No sábado de manhã foi abordado o tema: Análise de conjuntura sob a perspectiva juvenil, com a companheira Lua do Levante Popular da Juventude. No sábado pela tarde, o companheiro Moisés Lima, seminarista da congregação dos Redentoristas, e pjoteiro de Sergipe, assessorou a temática O/A Jovem nos Documentos da Igreja.
No sábado à noite chegou o momento mais esperado da etapa, que foi a formatura da turma 2013 da Escola da Juventude. Foi composta a mesa de abertura, com a coordenação da Escola da Juventude, e posteriormente foram entregues para os formandos, anéis de tucum para simbolizar o compromisso com a Pastoral da Juventude, e com todos os jovens e pobres. Logo depois foram entregues e assinados os certificados de conclusão, um a um. Por fim, foi feito o juramento da EJ, e terminou-se o dia com a festa da noite cultural.
 
No domingo de manhã, os pjoteiros participaram da missa na Paróquia Todos os Santos, acolhidos por Padre Jair, que sempre ajudou nas atividades da EJ, e por toda a comunidade. Logo após a Missa, partiu-se para a avaliação do ano, e encaminhamentos para as atividades da Pastoral da Juventude no fim de ano.
 
Parabéns a todos que persistiram até o final, e vamos prosseguir ajudando nossos grupos de jovens e nossa Pastoral da Juventude e toda nossa Igreja!
 
 
Fonte: Comunicação da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Negritude e libertação

Cada vez mais no Brasil, novembro se torna o mês da consciência negra. As comemorações do aniversário do martírio de Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro, provocam manifestações culturais e religiosas afrodescendentes, entre as quais, algumas duram todo o mês.
Na primeira segunda feira de novembro, em cidades como Recife e o Rio de Janeiro, o centro urbano é tomado por caminhadas do povo de terreiros. Ali se juntam membros de várias nações de Candomblé, de Umbanda e outras tradições locais como a Jurema no Nordeste e a Macumba no Rio.
Um dos principais objetivos dessas manifestações pacíficas é denunciar agressões que continuam ocorrendo por parte de grupos religiosos fanáticos contra comunidades religiosas afrodescendentes. Outra reinvindicação é que se revejam os programas do ensino religioso ecumênico, para que nele haja também lugar para o conhecimento cultural das religiões de tradição afro. Essas são pautas mais especificamente religiosas.
No entanto, o que essas manifestações revelam de mais profundo é a vitalidade das comunidades de matriz afrodescendentes e como elas foram importantes na luta contra o racismo e no caminho da promoção e da libertação das pessoas empobrecidas no Brasil e em todo o mundo.
As homenagens a Zumbi se fazem por sua vida consagrada a acabar com a escravidão no Brasil. Infelizmente, o Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir oficialmente a escravidão, já no final do século XIX (1888). Quando isso ocorreu e de forma extremamente ambígua, (os negros foram mandados à rua sem nenhuma indenização nem ajuda para sobreviver), a luta contra a escravidão já tinha mais de cem anos. Dinamarca foi o primeiro país a abolir o comércio de escravos (1792), seguida do Reino Unido (1807) e Estados Unidos em 1810.
É claro que essas conquistas foram frutos não do senso de justiça ou da bondade dos patrões e sim da luta dos escravos por sua libertação. Nos países capitalistas, começava o processo de industrialização e as indústrias pediam operários capazes de manobrar máquinas e que ganhassem salários para comprar os produtos produzidos.
No mundo industrial, não havia mais interesse em manter escravos da gleba. Quem lutou contra a escravidão por motivos humanitários e por convicção ética foram os revolucionários que queriam libertar a América Latina do domínio europeu.
Em outubro de 1810, Miguel Hidalgo proibia a escravidão na  Nova Espanha (México). Pouco depois, na Venezuela, Simon Bolívar proclamava o direito à liberdade para índios e negros. E propunha educação para todos como caminho de promoção humana e igualdade social. Somente em 1926, a Sociedade das Nações (atual ONU) assinou a convenção que declarou ilegal a escravidão.
Mesmo assim, ainda agora, em 2013, o relatório anual da ONU denuncia que, no mundo, 30 milhões de pessoas humanas ainda são vítimas de escravidão (Cf. Folha de S. Paulo, 17/10/2013). Nesse relatório internacional, o Brasil é elogiado por sua legislação e pelo trabalho do Ministério do Trabalho que tem conseguido libertar muitos lavradores escravizados em latifúndios no campo e em carvoarias. Mas, ainda existem focos de escravidão nos estados do Norte e na periferia de cidades grandes como São Paulo.
 As tradições religiosas afro descendentes têm sido as mais fieis guardiães da dignidade e da liberdade das comunidades negras. Para as comunidades cristãs da primeira geração, Paulo escreveu: “É para que sejamos livres que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1. 13). “Onde está o Espírito de Deus, aí tem de haver liberdade” (2 Cor 3, 17). 
Fonte: Brasil de Fato (Por Frei Marcelo Barros)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Rede Cáritas no apoio imediato às vítimas do supertufão Haiyan

filipinas-caritas
Relato enviado por Ryan Worms, da Cáritas Canadá, diretamente de Cebu, nas Filipinas
“A desolação está por toda a parte e as vítimas necessitam de ajuda em todos os âmbitos”, disse o padre Edwin Garigues, diretor da Cáritas Filipinas, voltando de Cebu depois de ter visitado a população atingida na ilha de Leyte, a mais afetada pelo supertufão ‘Haiyan’. “A Cáritas deve aumentar a distribuição de alimentos e de materiais para abrigos temporários. A mobilização da Igreja, a solidariedade das dioceses e as Cáritas de todo o mundo nos permite confiar em nossa capacidade para enfrentar os desafios dessa grande emergência.”
Ontem, domingo, dia 17 de novembro, em Ormoc temos visto as destruições causadas pelo tufão. A maior parte das casas estão completamente destruídas e a população tenta recuperar alguns materiais de suas casas para construir abrigos temporários.
Demetria Omega (foto), 75 anos, é uma das vítimas da tempestade em Ormoc. Ao lado de prateleiras com poucas frutas e verduras, rodeada pelos seus netos, ela conta o seu trauma: “quando o tufão chegou pensei que eu fosse morrer. Todas as casas estavam voando e eu, meu filho e meus netos tentávamos com toda a força do mundo nos proteger. Precisamos de comida, primeiro de comida, e também de algum lugar para nos abrigar.” Demetria, como o restante dos filipinos, está fazendo o possível para enfrentar as dificuldades. “Não podemos nos queixar sem atuar. Consegui um pequeno empréstimo de 25 dólares para montar esse ponto de venda com frutas e verduras. Assim, espero apoiar minha família e enfrentar essa tragédia. É importante se manter ativa e fazer o possível para os meus netos.”
Se os danos são imensuráveis em Ormoc, eles são ainda maiores em Tacloban, especialmente na comunidade de Palo.
“Quando olho pela janela de minha casa afetada, vejo um vale de mortos”, disse dom John Du, arcebispo de Palo, um dos povos mais atingidos por Haiyan na província de Leyte. “Em Palo, 95% dos edificios desapareceram. Estamos enterrando os corpos ao redor das paróquias. Necesitamos de tudo. A ajuda às vítimas está sendo organizada, já estamos distribuindo alimentos e materiais para os abrigos temporários.”
Hoje, segunda-feira, dia 18 de novembro, uma primeira entrega de materiais está sendo organizada em Palo pela CRS (Catholic Relief Service).
Dez dias depois da passagem do tufão mais forte da história, a Cáritas tem informações mais precisas dos danos e das necesidades das vítimas. A ajuda internacional está enfrentando dificuldades  logísticos para fazer chegar os alimentos e outros bens às pessoas que perderam tudo.
Povos afetados nas províncias de Leyte, Samar, Panay y Mindoro tem tido pouco ou nenhum apoio.
É neste contexto que a Igreja Católica e a Rede Cáritas se revelam fundamentais no socorro imediato as vítimas.
Hoje, em Cebu, está sendo organizada uma reunião de coordenação das Cáritas presentes nas Filipnas com os bispos e representantes das dioceses afetadas com o objetivo de compartilhar as informações recolhidas nas diferentes províncias e continuar o trabalho de desposta da rede e da Igreja.
“As orações, a solidariedade e a mobilização de nossos irmão e irmãs no mundo nos permitirá seguir adiante.” 
Fonte: Cáritas Brasileira

sábado, 9 de novembro de 2013

Seminário reúne sociedade civil para debater tráfico humano

Agentes de pastorais, lideranças sociais, professores e pesquisadores participam do Seminário sobre “O papel da sociedade e da Igreja no enfrentamento do tráfico humano”, de 7 a 9 de novembro, na Casa de Retiro da Assunção, em Brasília. O objetivo é formar os agentes multiplicadores que atuam durante a Campanha da Fraternidade que, em 2014, abordará o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

O evento é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Tráfico Humano por meio da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB. Essa mobilização quer contribuir para uma compreensão sobre o tráfico de pessoas, suas causas e raízes, além de preparar os agentes com informações e ferramentas para atuarem nas comunidades no enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Diversas entidades e movimentos sociais marcam presença, como a Catholic Relief Services, Rede um Grito pela Vida (RCB), Campanha de Olho aberto para não virar escravo, Instituto Migrações de Direitos Humanos e Pastoral da Mulher Marginalizada.
Serão constituídos grupos de trabalhos, nos quais os participantes debaterão o tráfico humano a partir de diferentes perspectivas. O seminário conta com a assessoria da secretária executiva do Setor Pastoral da Mobilidade Humana, Ir. Rosita Milesi, e do assessor da Pastoral Social da CNBB, padre Ari Antônio dos Reis.

Programação dos painéis:
Dia 07
14h30 – Exibição do filme: Panorama mundial e nacional sobre o tráfico de pessoas
16h30 – Apresentação da CF 2014 – Fraternidade e Tráfico Humano
17h15 – Debates
 Dia 08
8h30 – Conceituação e Modalidades de Tráfico de Pessoas no Brasil: a importância de uma visão integral da problemática
9h00 – Contexto Social e Vulnerabilidades das vítimas do tráfico humano: causas e consequências
10h15 – Normativas Nacionais e Internacionais referentes ao Tráfico de Pessoas
10h45 – As políticas de enfrentamento ao Tráfico Humano no Brasil: conhecendo as redes e os serviços públicos
14h00 – Grupos de Trabalhos
 Dia 09
08h30 – Partilho dos Grupos
11h00 – Avaliação e encerramento

Fonte: CNBB

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CNBB envia carta aos bispos sobre coleta de assinaturas para o PL pela Reforma Política no Brasil

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, enviou aos bispos da Conferência a proposta de Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma Reforma Política no Brasil, o formulário para a coleta de assinaturas e uma carta da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política.
 Segundo dom Leonardo, “o passo a ser dado é a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, a ser levado ao Congresso Nacional”. Para tanto, de acordo com o bispo, a ficha de coleta de assinaturas deve ser multiplicada.
A carta, assinada pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol, foi aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência, durante reunião realizada no último mês de outubro.
“Esta carta cumpre o objetivo de informar sobre os últimos acontecimentos acerca deste assunto e também de convidar a todos os bispos a acompanharem e participarem, em suas dioceses, do movimento que se iniciou recentemente”, disse dom Joaquim Mol.
Leia, na íntegra, a carta enviada aos bispos do Brasil.

Carta sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popoular pela Reforma Política

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, ciente da necessidade de mudanças mais profundas na realidade política do Brasil, criou uma Comissão de Acompanhamento da Reforma Política, presidida por mim. Esta carta, que foi apresentada ao Conselho Permanente da CNBB em 24/10/13, cumpre o objetivo de informar sobre os últimos acontecimentos acerca deste assunto e também de convidar a todos os bispos a acompanharem e participarem, em suas Dioceses, do movimento que se iniciou recentemente.
Seguem os principais pontos.
1. Várias tentativas de Reforma Política foram feitas no Congresso Nacional. Todas foram infrutíferas por uma única razão: os congressistas não têm interesse em reformar o sistema político e eleitoral do nosso país, por se encontrarem em zona de conforto no atual sistema. É verdade, igualmente, que há vários parlamentares empenhados em fazer uma Reforma Política.
2. Algumas entidades organizadas na sociedade civil, percebendo a dificuldade instalada no Congresso Nacional, organizaram debates e formularam propostas de Reforma Política, com o intuito de coletarem assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular.
3. Ao percebermos o ambiente político modificado pelas manifestações a partir de junho e ao mesmo tempo as várias propostas de Reforma Política em circulação, mas sem a necessária conjunção de forças, a CNBB convidou um conjunto expressivo de entidades da sociedade civil , para um encontro em sua sede, dia 14/08/2013, com vistas a unificarmos os objetivos e as áreas a serem reformadas. Quinze entidades compareceram e aceitaram a proposta.
4. Nesta primeira reunião foi eleita a coordenação do movimento e foi definida a tarefa da mesma: apresentar uma proposta de Projeto de Lei de Reforma Política para o Brasil, abrangendo cinco áreas escolhidas pelos presidentes das entidades, a saber:
a. afastamento do poder econômico das eleições;
b. adoção do sistema eleitoral do voto dado ao partido e depois a um candidato de uma lista formada democraticamente;
c. alternância de gênero nas listas de candidatos;
d. fortalecimento dos partidos e fidelidade partidária programática;
e. regulamentação dos instrumentos da democracia direta, previstos no Artigo 14 da Constituição: projeto de lei de iniciativa popular, referendo e plebiscito.
Este delicado trabalho exigiu que todos colocassem suas propostas sobre a mesa para sofrerem as alterações de interesse comum às entidades. Todos ofereceram e todos cederam. O Projeto de Lei ficou pronto e posteriormente foi apresentado, aperfeiçoado e aprovado pelo plenário das entidades.
5. Dia 3/9/2013, num ato público realizado na CNBB, com participação de muitas pessoas, foi dado ao conhecimento público a proposta unificada do Projeto de Lei com o nome de "Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas", bem como a unificação dos esforços de entidades e pessoas pela necessária e urgente Reforma Política. Naquele dia, 35 entidades assinaram o Projeto de Lei.
6. Esta proposta de Reforma Política foi entregue ao presidente da Câmara Federal, Deputado Henrique Alves, pelas entidades, agora em número de 44, na presença de dezenas de parlamentares apoiadores, dia 10/9/2013.
Cerca de 130 parlamentares subscreveram a proposta. Explicitamos ao presidente da Câmara Federal a necessidade de se colocar a proposta em votação imediatamente para que fosse ao senado e logo sancionada pela Presidente da República, de modo a cumprir o tempo regulamentar e passar a valer já nas próximas eleições.
O referido Deputado reconheceu a importância do ato, a legitimidade da proposta e assumiu, diante de todos, o compromisso de colocá-la em votação. Em ato contínuo, noticiamos aos veículos de comunicação que nos aguardavam na sala de entrada da Câmara Federal. Informo aos senhores que muitos veículos de comunicação não têm interesse na Reforma Política: mesmo acompanhando intensa movimentação naqueles dias, alguns veículos não noticiaram o fato.
7. A Reforma Política não foi colocada em votação. Já imaginávamos esta possibilidade. Por isso a proposta foi elaborada no formato de Projeto de Lei de Iniciativa Popular, acompanhada da folha de assinaturas. Precisamos nos empenhar neste grande trabalho e desencadear uma campanha cívica, unificada, solidária pela efetivação da Reforma Política, assim como aconteceu, vitoriosamente, em vários outros momentos da história recente do Brasil, como as campanhas pelas eleições diretas, ficha limpa, recursos para a saúde.
8.  Os principais pontos do Projeto de Lei de Iniciativa Popular são os seguintes:
a. Proibição do financiamento de campanha por empresa. Instauração do financiamento democrático de campanha, constituído do financiamento público e de contribuição de pessoa física limitada a R$ 700,00. O total desta contribuição não poderá ultrapassar o limite de 40% dos recursos públicos recebidos pelo partido, destinados às eleições;
b. Adoção do sistema eleitoral do voto dado em listas pré-ordenadas, democraticamente formadas pelos partidos com a participação dos filiados e não só dos dirigentes, e submetidas a dois turnos de votação, constituindo o sistema denominado “voto transparente”, pelo qual o eleitor inicialmente vota no partido e posteriormente escolhe individualmente um dos nomes da lista;
c. Alternância de gênero nas listas mencionadas no item anterior;
d. Regulamentação dos instrumentos da Democracia Participativa, previstos no art. 14 da Constituição, de modo a permitir sua efetividade, reduzindo-se as exigências para a sua realização, ampliando-se o rol dos órgãos legitimados para iniciativa de sua convocação, aumentando-se a lista de matérias que podem deles ser objeto, assegurando-se financiamento público na sua realização e se estabelecendo regime especial de urgência na tramitação no Congresso;
e. Modificação da legislação para fortalecer os partidos, para democratizar suas instâncias decisórias especialmente na formação das listas pré-ordenadas, para impor programas partidários efetivos e vinculantes, para assegurar a fidelidade partidária, para considerar o mandato como pertencente ao partido e não ao mandatário;
f. Criação de instrumentos eficazes voltados aos segmentos sub-representados da população, como os afrodescendentes e indígenas, com o objetivo de estimular sua maior participação nas instâncias políticas e partidárias;
g. Previsão de instrumentos eficazes para assegurar o amplo acesso aos meios de comunicação e impedir que propaganda eleitoral ilícita, direta ou indireta, interfira no equilíbrio do pleito, bem como garantias do pleno direito de resposta e acesso às redes sociais.
Estamos cientes da complexidade desta matéria, mas também convictos de que a Reforma Política é uma das principais iniciativas da população brasileira neste momento,
considerando os baixos índices de credibilidade dos poderes legislativo, judiciário e executivo, dos partidos políticos;
considerando que a inclusão social em curso aprimora a consciência cívica, o desejo de participação e a cobrança de direitos;
considerando que povo brasileiro, especialmente a juventude, reage fortemente contra os escândalos de corrupção e exigem punição efetiva para os culpados;
considerando as distorções do sistema político e eleitoral que alargam o fosso entre a Nação e o Estado, os representados e os representantes, a sociedade e o governo;
considerando que a atual conjuntura impõe que se proceda com urgência a uma profunda Reforma em nosso sistema político e eleitoral.
Por isso, apresentamos a "Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas" como o melhor caminho possível neste momento para esta transformação e conclamamos a todos os brasileiros em suas cidades, mas especialmente, por esta carta, a todos os bispos e suas dioceses a participarem desta Campanha pelo aperfeiçoamento da Democracia.
Este assunto já foi tratado em reuniões do CONSEP e do CONSELHO PERMANENTE da CNBB e será aprofundado a cada passo neste caminho.
Renovo-lhe meus sentimentos de respeito e fraternidade, em Cristo Jesus.
Cordialmente,

Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães

Bispo Auxiliar de Belo Horizonte
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação
Presidente da Comissão de Acompanhamento da Reforma Política