terça-feira, 29 de novembro de 2016

“A consolação da esperança cristã”, pede o Papa às vítimas do acidente aéreo


O Papa Francisco enviou uma mensagem de pesar ao Cardeal Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, pelas vítimas da tragédia aérea na Colômbia na madrugada desta terça-feira.
Na mensagem – assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin – o Santo Padre, “consternado pela trágica notícia do acidente aéreo na Colômbia, que causou numerosas vítimas no Brasil”, pede a Dom Sérgio que transmita “suas condolências e sua participação na dor de todos os enlutados, ao mesmo tempo que encomenda a Deus Pai de Misericórdia os falecidos”.
Francisco pede “ao céu conforto e restabelecimento para os feridos, coragem e a consolação da esperança cristã para todos os atingidos pela tragédia e envia, a quantos estão em sofrimento e procuram remediá-lo, uma propiciadora Bênção Apostólica”.
Da mesma forma, o Pontífice enviou sua mensagem de pesar ao Bispo de Sonsón Rionegro, Colômbia, Dom Fidel León Cadavid Marín, território onde ocorreu a tragédia.
Na mensagem – assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin – o Santo Padre “eleva orações pelo eterno descanso dos falecidos”, ao mesmo tempo que pede a Dom Marín que transmita seu “sentido pesar aos familiares e a todos que choram tão sensível perda, junto com expressões de afeto, solidariedade e consolo aos feridos e afetados pelo trágico acontecimento”.
Por fim, o Papa Francisco pede ao Senhor “que derrame sobre todos eles os dons da serenidade espiritual e da esperança cristã” e concede de coração a Bênção Apostólica.
Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CNBB lança Doutrina Social da Igreja para os Jovens



Com 12 capítulos, o livro apresenta temas que se referem ao amor humano, a família, economia e política
A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou na quarta-feira, 23 de novembro, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja para os Jovens – Docat. A cerimônia ocorreu na sede da CNBB, em Brasília (DF) e reuniu a presidência da entidade, membros do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) e representantes do Youcat Foundation. 
Na cerimônia, o vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger contextualizou o surgimento da Doutrina Social da Igreja (DSI). “A Doutrina Social da Igreja se olharmos bem tem princípios lá no Antigo Testamento com o ensinamento dos profetas, mas foi Jesus que nos apresentou em pontos claros o que a Igreja deve ensinar a todos. A partir de Leão XIII, no final do século 19, essa Doutrina da Igreja foi sendo solidificada, apresentada de forma muito clara, especialmente através das encíclicas papais, e com o resultado de toda essa caminhada surgiu a Doutrina Social da Igreja".
Para dom Murilo, a DSI é a base do Docat, apresentado pelo papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Cracóvia, na Polônia. “Um jovem lendo esse catecismo, estudando e refletindo vai poder saber o que a Igreja espera dele como alguém que é ‘Sal da Terra e Luz do Mundo’. Esse presente que o papa deu aos jovens e que muito ajuda a Igreja é colocado agora também nas mãos dos jovens brasileiros”, sublinhou o bispo. 
Com uma adaptação atraente e ilustrativa, o Docat é um pequeno manual dos Ensinamentos Sociais da Igreja. O livro foi idealizado pelos mesmos criadores do Catecismo Jovem (Youcat). Seu principal objetivo é ensinar numa linguagem dialógica, com perguntas e respostas, como os jovens cristãos podem mudar o mundo através da ação social e política, com base nos ensinamentos do Evangelho.  
A elaboração e a ilustração do livro contou com a participação de jovens de diferentes países, inclusive do Brasil. Um deles é o missionário e responsável pelo Youcat Center Brasil, Jeronimo Lauricio, que esteve presente na abertura de lançamento. Para ele, a experiência de colaborar na elaboração do Docat é de “gratidão”. O diretor executivo do Youcat Center, Dr.Christian Lerman também participou da cerimônia. 

Interatividade

Visando aproximar mais ainda os jovens da DSI, o Docat também pode ser acessado por celulares e outros dispositivos móveis, por meio de um aplicativo (app). De acordo com o assessor da Comissão para a Juventude da CNBB, padre Antônio Ramos Prado, a versão traz a íntegra do documento, que é organizado em 12 capítulos. Além disso, há uma área de jogos, que testa o conhecimento do usuário e também proporciona interatividade entre eles.
O livro já disponível na ‘Edições CNBB’. Acesse o site da editora e confira o lançamento.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Para CNBB, é "inadequado e abusivo" que reforma do Ensino Médio seja feita por MP



Conselho Episcopal Pastoral (Consep) aprovou nota sobre a Medida Provisória 746/16 que pretende reformar o Ensino Médio.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido na sede da entidade, em Brasília (DF), nos dias 22 e 23 de novembro, aprovou a nota sobre a chamada "Reforma do Ensino Médio", apresentada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional na forma de Medida Provisória. Para os bispos, são louváveis as iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar a realidade do ensino brasileiro, mas "assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução". A entidade acredita que "questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais".
No texto, os bispos ressaltam que a educação deve formar integralmente o ser humano. "O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental", afirmam na nota.  
Leia na íntegra:


NOTA DA CNBB SOBRE A “REFORMA DO ENSINO MÉDIO” – MP 746/16

“A fim de que os estudantes tenham esperança!”
(Papa Francisco, 14 de março de 2015)

 

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 22 e 23 de novembro de 2016, manifesta inquietação face a Medida Provisória 746/16 que trata da reforma do Ensino Médio, em tramitação no Congresso Nacional.
Segundo o poder executivo, a MP 746/16 é uma proposta para a superação das reconhecidas fragilidades do Ensino Médio brasileiro. Sabe-se que o modelo atual, não prepara os estudantes para os desafios da contemporaneidade. Assim, são louváveis iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar essa realidade. 
Contudo, assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução. Questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais. 
Toda a vez que um processo dessa grandeza ignora a sociedade civil como interlocutora, ele se desqualifica. É inadequado e abusivo que esse assunto seja tratado através de uma Medida Provisória.
A educação deve formar integralmente o ser humano. O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental. Há que se contemplar igualmente as dimensões ética, estética, religiosa, política e social. A escola é um dos ambientes educativos no qual se cresce e se aprende a viver. Ela não amplia apenas a dimensão intelectual, mas todas as dimensões do ser humano, na busca do sentido da vida. Afinal, que tipo de homem e de mulher essa Medida Provisória vislumbra?
Em um contexto de crise ética como o atual, é um contrassenso propor uma medida que intenta preparar para o mercado e não para a cidadania. Dizer que disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes e música são opcionais na formação do ser humano é apostar em um modelo formativo tecnicista que favorece a lógica do mercado e não o desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade.
Quando a sociedade não é ouvida ela se faz ouvir. No caso da MP 746/16, os estudantes reclamaram seu protagonismo. Os professores, já penalizados por baixos salários, também foram ignorados. Estes são sinais claros da surdez social das instâncias competentes. 
Conclamamos a sociedade, particularmente os estudantes e suas famílias, a não se deixar vencer pelo clima de apatia e resignação. É fundamental a participação popular pacífica na busca de soluções, sempre respeitando a pessoa e o patrimônio público. A falta de criticidade com relação a essa questão trará sérias consequências para a vida democrática da sociedade.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por nós.

 

Brasília, 23 de novembro de 2016.


Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Presidente em Exercicio da CNBB

Dom Guilherme A. Werlang, MSF
Bispo de Ipamerí
Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Papa apresenta carta apostólica na conclusão do Ano Santo da Misericórdia

Texto divulgado nesta segunda-feira indica perdão e caridade
Após o encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, foi apresentada a Carta Apostólica do papa Francisco “Misericórdia e mísera”. A carta, disponível em português, é dividida em 22 pontos e começa com a explicação do título: misericórdia e mísera são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera. O perdão e a caridade são os dois eixos centrais do documento divulgado nesta segunda-feira, dia 21 de novembro.
No texto, o papa Francisco explica o título que recorda a abordagem de Santo Agostinho da passagem do encontro de Jesus com a mulher adúltera.  “Esta página do Evangelho pode ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo. (...) No centro, não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus. (...) Não se encontram o pecado e o juízo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. (...) A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor”, escreve o pontífice.
Francisco recorda que ninguém pode pôr condições à misericórdia. “Esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste”. Concluído o Jubileu, há o convite para se olhar para frente e compreender como se pode continuar experimentando a riqueza da misericórdia divina.
Alguns pontos foram destacados do texto do papa pela Rádio Vaticano:

Celebração eucarística

Em primeiro lugar, Francisco aponta a celebração da misericórdia através da missa. Dirigindo-se aos sacerdotes de modo especial, o Papa recomenda a preparação da homilia e o cuidado na sua proclamação. “Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio”, adverte o pontífice. O papa faz algumas sugestões, como de um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, em prol de sua difusão, conhecimento e aprofundamento.

Perdão

O pontífice dedica amplo espaço na Carta Apostólica para falar do sacramento da Reconciliação, “que precisa voltar a ter o seu lugar central na vida cristã”. Francisco agradece aos “missionários da misericórdia”, que ele instituiu no início deste Jubileu para aproximar os fiéis da confissão. De fato, determinou que este ministério não termine com o fechamento da Porta Santa, mas permaneça até novas ordens. Aos confessores, o papa pediu acolhimento, disponibilidade, generosidade e clarividência. “Não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a fé e a misericórdia divina”, escreve, pedindo que seja reforçada nas dioceses a celebração da iniciativa “24 horas para o Senhor”, nas proximidades do IV domingo para a Quaresma.

Absolvição do aborto

Neste contexto, se encontra a grande novidade da Carta Apostólica. A partir de agora, o pontífice concede a todos os sacerdotes a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. “Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação.”

Fraternidade de São Pio X

Na mesma linha, o papa estende a absolvição sacramental dos pecados aos fiéis que frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, instituída no Ano Santo. “Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.”

Caridade

Francisco fala ainda da importância da consolação, principalmente na família e no momento da morte, mas é à caridade que dedica outra grande parte da Carta Apostólica: “Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta. (...) Por sua natureza, a misericórdia se torna visível e palpável numa ação concreta e dinâmica”.
O papa cita algumas iniciativas deste Ano Jubilar, como as sextas-feiras da misericórdia, para agradecer aos inúmeros voluntários que dedicam seu tempo ao próximo. Mas para incrementar essas iniciativas, o Pontífice pede que se “arregace as mangas”, com imaginação e criatividade. As obras de misericórdia – escreve – têm “valor social” diante de um mundo que continua gerando novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas.
“O caráter social da misericórdia exige que não permaneçamos inertes mas afugentemos a indiferença e a hipocrisia para que os planos e os projetos não fiquem letra morta”. Para Francisco, com as obras de misericórdia se pode criar uma verdadeira revolução cultural.

Dia Mundial dos Pobres

No final da Carta Apostólica, como mais um sinal concreto deste Ano Santo Extraordinário, o papa Francisco institui para toda a Igreja o Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no 33º Domingo do Tempo Comum. “Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres. Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa. Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização”, explicou.
Com informações da Rádio Vaticano
Foto: ANSA/L’Osservatore Romano

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Papa à Cop 22: combater as mudanças climáticas e a pobreza

O Papa Francisco enviou, nesta terça-feira (15/11), uma mensagem aos participantes da 22ª sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (Cop 22), em andamento até o próximo dia 18, em Marrakech, no Marrocos.
A nota foi enviada ao Ministro das Relações Exteriores e da Cooperação do Reino do Marrocos, Salaheddine Mezouar, Presidente dessa reunião sobre o clima.
Degradação ambiental
“A situação atual de degradação ambiental, fortemente ligada à degradação humana, ética e social que, infelizmente, vivemos todos os dias, interpela a todos nós, cada um com suas funções e competências, e nos reúne aqui com um renovado sentido de consciência e responsabilidade”, frisa o Papa na mensagem.

O Reino do Marrocos acolhe a Cop 22 poucos dias depois da entrada em vigor do Acordo de Paris, adotado menos de um ano atrás. “A sua adoção é uma forte tomada de consciência. Diante de temáticas complexas como as mudanças climáticas é necessário dar uma resposta coletiva responsável a fim de realmente colaborar na construção da nossa casa comum”, sublinha ainda o pontífice.

Tecnologia
Por outro lado, “a rápida entrada em vigor do acordo reforça a convicção de que podemos e devemos veicular a nossa inteligência para encaminhar a tecnologia, cultivar e limitar o nosso poder, e colocá-los “a serviço de um outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”, capaz de por a economia a serviço da pessoa humana, construir a paz e a justiça, e salvaguardar o ambiente”.
O Acordo de Paris traçou um percurso claro que toda a comunidade internacional é chamada a se comprometer. “A Cop 22 é uma etapa central deste percurso que incide sobre toda a humanidade, em particular sobre os mais pobres e nas gerações futuras que são a componente mais vulnerável do impacto preocupante das mudanças climáticas e nos lembra a responsabilidade ética e moral de agir sem demora, de forma livre de pressões políticas e econômicas, superando interesses e comportamentos particularistas.”
Solidariedade
“Uma das contribuições do Acordo de Paris é incentivar a promoção de estratégias de desenvolvimento nacional e internacional baseadas numa qualidade ambiental que podemos definir como solidária”, observa o Papa. O acordo incentiva “a solidariedade para com as populações mais vulneráveis e se baseia nas fortes ligações existentes entre a luta contra as mudanças climáticas e a pobreza. Embora sejam muitos os elementos técnicos chamados em causa nesse âmbito, estamos conscientes de que não se pode limitar tudo à dimensão econômica e tecnológica: as soluções técnicas são necessárias mas não suficientes; é essencial e necessário considerar atentamente os aspectos éticos e sociais do novo paradigma de desenvolvimento e progresso”.
Francisco destaca na mensagem dois campos fundamentais: o da educação e da promoção de estilos de vida capazes de favorecer modelos de produção e consumo sustentáveis. Recorda a necessidade de crescimento da consciência responsável para com a nossa casa comum. “A esta tarefa são chamados a dar sua contribuição todos os Estados, a sociedade civil, o setor primado, o mundo cientifico, as instituições financeiras, as autoridades de cada país, comunidades locais e populações indígenas.”

Cultura do cuidado 
O Papa faz votos de que os trabalhos da Conferência de Marrakech incentivem as pessoas a promoverem seriamente a “cultura do cuidado que permeie toda a sociedade”, o cuidado da criação, mas também do próximo, vizinho ou distante no espaço e no tempo.
“O estilo de vida baseado na cultura do descarte é  insustentável e não deve ter espaço em nossos modelos de desenvolvimento e educação. Este é um desafio educacional e cultural que deve responder também ao processo de implementação do Acordo de Paris”, conclui Francisco. 

Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 15 de novembro de 2016

PJ NE3 expressa apoio às ocupações de escolas e universidades


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A Pastoral da Juventude do Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe) vem por meio desta carta, expressar seu apoio, sintonia e encorajamento às juventudes que estão participando direta e indiretamente das ocupações das escolas e universidades, demonstrando luta e resistência frente à onda de retrocessos que ameaçam a qualidade da nossa educação (reforma do ensino médio e PEC 241 (atual PEC 55). Repudiamos os ataques e ameaças midiáticas em que os movimentos sociais e movimentos estudantis vêm sofrendo, por estarem organizados e em manifestação pela garantia dos nossos direitos. Esses movimentos lutam historicamente e são responsáveis por diversos direitos que hoje possuímos, não podemos nos omitir e/ou perder de vista o objetivo coletivo que deve sobressair aos interesses individuais que impedem e comprometem a ampliação de melhorias em nossa sociedade.
Acreditamos, que a proposta de reforma do ensino médio (via medida provisória) e PEC 241, assim como todo o projeto Temer de gestão, a saber reforma trabalhista e previdenciária por exemplo, não favorecerá o desenvolvimento do nosso país, pois compromete o acesso aos direitos duramente conquistados e garantidos até então pela Constituição Federal de 88. Educação e Saúde não são gastos, são na verdade investimentos, principalmente quando se fala dos setores que atendem especificamente os brasileiros mais pobres, como é o caso do setor público. Cortar verbas da educação pública é uma afirmação clara de que se pretende criar uma sociedade com maiores índices de desigualdade e pobreza, a saída da crise deveria ser mais verba para educação das nossas crianças e jovens.
Reafirmamos nosso compromisso, na defesa pela garantia dos direitos à todos e todas. Como cristãos e cristãs não podemos nos silenciar diante desse cenário de ataque sobretudo, aos mais empobrecidos. A precarização e sucateamento da coisa pública só crescerá se não ousarmos lutar. É preciso se posicionar, pois não fazê-lo é apoiar o sistema opressor, que já muito têm nos ferido. Iluminados/as pela passagem do evangelho que anuncia: “bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, pois serão saciados (MT 5, 6), afirmamos que o nosso lado é o dos que estão sendo perseguidos, presos e mortos nas reivindicações e também ao lado daqueles/as que estão nas ocupações lutando contra todo tipo de poder que tenta intimidar e calar.


– Coordenação da Pastoral da Juventude – Regional NE3
– Assessoria da Pastoral da Juventude – Regional NE3

sábado, 12 de novembro de 2016

CELAM cria Conselho da Mobilidade Humana e dos Refugiados



Nasce no coração do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) um novo organismo pastoral. Trata-se do Conselho Latino-americano da Mobilidade Urbana e dos Refugiados (CLAMOR).
A decisão, comunicada na quinta-feira (10/11) pelo CELAM, consta na ‘Declaração de Honduras’, que segue o recente seminário realizado em Tegucigalpa por iniciativa do Departamento Justiça e Solidariedade do CELAM (Dejusol), dedicado aos migrantes, aos refugiados, ao tráfico de pessoas.
Na Declaração é evidenciada “a grave situação vivida por milhares de irmãos e irmãs que viram-se obrigados a emigrar, encontrando muros físicos, políticos, religiosos e culturais ao invés de portas abertas”.
Em particular, são trazidos alguns exemplos, como “as 15 mil pessoas, mexicanas, turcos, paquistaneses, togoleses, sírios, haitianos, eritreus e congoleses, bloqueadas nos últimos quatro meses em Tijuana”, na fronteira entre o México e a Califórnia.
Ou também, “os mais de 26 mil menores chegados nos últimos seis meses – segundo a UNICEF – no norte do México e nos Estados Unidos, pedindo asilo”.
Todavia, “não é menos dramática a situação dos cubanos bloqueados no Panamá ou Costa Rica e não menos dilacerante a situação de milhares de haitianos que fogem da pobreza, obrigados a percorrer rotas perigosas e enfrentar fortes discriminações”.
O CLAMOR, nas intenções da Igreja latino-americana, terá a missão de articular e coordenar “os esforços das diversas realidades da Igreja “que se ocupam da questão.


Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Papa aos sem-teto: perdão por cristãos que lhes desviam o olhar

Peço-lhes perdão pelas pessoas da Igreja que não olharam para vocês, que voltaram o olhar para o outro lado: foram palavras do Papa Francisco acolhendo ao meio-dia desta sexta-feira (11/11), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de quatro mil pessoas provenientes de muitos países europeus que viveram ou que vivem na rua, presentes estes dias em Roma para celebrar o seu Jubileu da Misericórdia.
Várias associações que assistem pessoas em grave situação de precariedade e sem-teto aderiram ao evento promovido pela Associação francesa “Irmão”.
As palavras pronunciadas pelo arcebispo de Lion, Cardeal Philippe Barbarin, abrindo o encontro, foram precedidas dos calorosos cumprimentos e abraços entre Francisco e seus convidados.
“Vimos encontrar a Igreja e o próprio Cristo”, disse Etienne Villemain da Associação Irmão dirigindo-se ao Papa, a quem agradeceu por habitualmente recordá-los desse modo. Também nós queremos experimentar a ternura de Deus, disse, expressando ao Pontífice um grande desejo: de que possam ser organizadas Jornadas mundiais dos pobres.
Em seguida, Christian e Robert deixaram o seu testemunho: dois sem-teto, repletos de gratidão para com aqueles que os ajudaram e para com o Papa, por levar consigo os pobres em seu coração.
O Pontífice iniciou dizendo ter anotado algumas palavras que tinha acabado de ouvir. As seguintes: “como seres humanos  não nos diferenciamos dos grandes do mundo. Temos nossas paixões e nossos sonhos, que buscamos levar adiante dando pequenos passos”.
A paixão e os sonhos: duas palavras que podem ajudar. “Não deixem de sonhar”, recomendou o Santo Padre, falando espontaneamente aos presentes, ou seja, sem texto previamente preparado.
“A pobreza está no coração do Evangelho. Aquele que tem tudo não pode sonhar! As pessoas, os simples foram até Jesus porque sonhavam que os haveria de curar, de libertar, de servir e seguiram-no e Ele os libertava.”
Uma segunda palavra: “A vida é tão bela”. O que significa que a vida seja bela mesmo nas situações piores? – perguntou-se o Papa. Isso significa dignidade! A mesma dignidade que teve Jesus que nasceu pobre, que viveu como pobre:
“Sei que muitas vezes vocês encontraram pessoas que queriam explorar a pobreza de vocês... porém, sei que este sentimento de ver que a vida é bela, este sentimento, esta dignidade, salvou-os de ser escravos. Pobre sim, escravo não! A pobreza está no coração do Evangelho, para ser vivida. A escravidão não está no Evangelho para ser vivida, mas par ser libertada.”
Sempre encontramos pessoas mais pobres do que nós, a capacidade de ser solidários é um dos frutos que a pobreza nos dá: “obrigado por este exemplo que vocês dão. Vocês ensinam ao mundo a solidariedade!” Francisco disse ter ficado impressionado ao ouvir falar de paz. A pobreza maior é a guerra, afirmou, a guerra que destrói:
“A paz que, para nós cristãos, teve início numa estrebaria, a partir de uma família marginalizada; a paz que Deus quer para cada um de seus filhos. E vocês, a partir da pobreza, da situação em que vivem, podem ser artífices de paz. A guerra se faz entre ricos, para ter mais, para ter mais território, mais poder, mais dinheiro. Precisamos de paz no mundo! Precisamos de paz na Igreja; todas as Igrejas precisam de paz; todas as religiões precisam crescer na paz.”
Agradeço a vocês por terem vindo aqui visitar-me, disse, por fim Francisco, pedindo perdão se alguma vez os ofendeu com suas palavras ou por não ter dito as coisas que deveria dizer:
“Peço-lhes perdão por todas as vezes que nós, cristãos, diante de uma pessoa pobre ou de uma situação pobre olhamos para o outro lado. O perdão de vocês, a homens e mulheres da Igreja, que não querem olhar ou não quiseram olhar para vocês, é água benta para nós, é limpeza para nós, é ajudar-nos a voltar a crer que no coração do Evangelho está a pobreza como grande mensagem e que nós – os católicos, os cristãos, todos – devemos formar uma Igreja pobre para os pobres.”
Ao término do encontro, o Papa, colocando-se de pé, recitou uma invocação ao Senhor: “Deus, Pai de todos nós, de cada um de vossos filhos, peço-vos que nos dê força, que nos dê alegria, que nos ensine a sonhar para olhar adiante; que nos ensine a ser solidários, porque somos irmãos; e que nos ajude a defender a nossa dignidade”.
Em seguida, Francisco deteve-se ainda por um momento intenso de oração silenciosa, circundado de homens e mulheres que lhe puseram as mãos em suas costas. Um gesto que expressou, mais do que as palavras, a amizade entre o Papa e os pobres. (AM/RL


Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

CNBB apresenta texto-base e hino da CF 2017



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade (CF) de 2017. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), a iniciativa alerta para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros.
Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
Ainda de acordo com o bispo, a Campanha deseja, antes de tudo, que o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. “Cultivar e guardar nasce da admiração! A beleza que toma o coração faz com que nos inclinemos com reverência diante da criação. A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.
Além de abordar a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles moram, a Campanha deseja despertar as famílias, comunidades e pessoas de boa vontade para o cuidado e o cultivo da Casa Comum. Para ajudar nas reflexões sobre a temática são propostos subsídios, sendo o texto-base o principal.
Dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, o texto-base faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões sobre os biomas e os povos originários, sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017. 

Cartaz 

Para colocar em evidência a beleza natural do país, identificando os seis biomas brasileiros, o Cartaz da CF 2017 mostra o mapa do Brasil, em imagens características de cada região. Compõem também o cenário, como personagens principais, os povos originários; os pescadores e o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, acontecido há 299 anos. Além da riqueza dos biomas, o cartaz quer expressar o alerta para os perigos da devastação em curso, além de despertar a atenção de toda a população para a criação de Deus.
Adquira o material da CF 2017 no site das Edições CNBB.
Hino
Um concurso promovido pel CNBB selecionou o Hino da Campanha da Fraternidade 2017, e a música vencedora é de autoria do Padre José Antônio de Oliveira (letra) e de Wanderson Luis Freitas da Silva (música).
O CD da Campanha da Fraternidade 2017 também conta com mais três músicas que foram enviadas ao concurso, que são de autoria do Padre Cireneu Kuhn, verbita de Santo Amaro (SP), Casimiro Vidal Nogueira, de Curitiba (PR) e da parceria entre J. Thomaz Filho e Wallison Rodrigues.
HINO OFICIAL DA CF 2017
Letra: Padre José Antônio de OliveiraMúsica: Wanderson Luis Freitas da Silva
01 – Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão (cf. LS, n.1)
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar o bem guardar a criação.”
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
02 – Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom (cf. Gn 1-2).
03 – Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
04 – Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração (cf. Os 2.16),
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
05 – Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção (cf LS, n.207).
06 – Que entre nós cresça uma nova ecologia (cf LS, cap.IV),
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.
Fonte: CNBB e A12

domingo, 6 de novembro de 2016

CNBB lembra tragédia do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG) em Nota Oficial


“Esse acontecimento não pode ser esquecido nem banalizado” afirmam os Bispos
“A imensidão de lama, de rejeitos de minério da barragem rompida, ao atingir as famílias, levou consigo suas casas, seus meios de sustentação e, na sua face mais cruel, a própria vida de dezenove pessoas”, lembra a Nota Oficial emitida nesta sexta-feira pela presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Os bispos constatam que esse acontecimento trágico ocorrido no dia 5 de novembro de 2015 continua com suas consequências ainda em curso “alastradas por comunidades e cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, chegam até o Oceano Atlântico, causando danos socioambientais, econômicos e culturais incalculáveis. Um ano depois, constata-se que, a bacia Rio Doce ainda está longe de apresentar os desejáveis sinais de recuperação”.
No final da Nota, os bispos assumem as palavras de D. Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, posicionando-se, mais uma vez, ao lado das vítimas “para que tenham seus direitos respeitados, sua dignidade reconhecida, seus bens ressarcidos e seu protagonismo considerado na busca de soluções que atendam a seus legítimos interesses” (Encontro Nacional dos Movimentos Populares, Mariana, 03/06/2016).
Leia a Nota:

Nota sobre um ano da “Tragédia de Mariana”


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por intermédio de sua Presidência, traz à memória a tragédia que causou inúmeras vítimas, com o rompimento da Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana – MG, no dia 5 de novembro de 2015. As consequências, ainda em curso, alastradas por comunidades e cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, chegam até o Oceano Atlântico, causando danos socioambientais, econômicos e culturais incalculáveis. Um ano depois, constata-se que, a bacia Rio Doce ainda está longe de apresentar os desejáveis sinais de recuperação.
Esse acontecimento não pode ser esquecido nem banalizado. A imensidão de lama, de rejeitos de minério da barragem rompida, ao atingir as famílias, levou consigo suas casas, seus meios de sustentação e, na sua face mais cruel, a própria vida de dezenove pessoas. Nossa voz faz ecoar o grito dos que clamam pela apuração dos fatos, responsabilização dos culpados e justa indenização dos atingidos.
Fazemos nossas as palavras de D. Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, colocando-nos ao lado das vítimas “para que tenham seus direitos respeitados, sua dignidade reconhecida, seus bens ressarcidos e seu protagonismo considerado na busca de soluções que atendam a seus legítimos interesses” (Encontro Nacional dos Movimentos Populares, Mariana, 03/06/2016).
Convidamos nossas comunidades a permanecerem unidas na oração em favor dos atingidos por essa tragédia, pedindo a Deus que os fortaleça na busca dos seus direitos, contando com a intercessão materna de Nossa Senhora Aparecida.

Brasília, 04 de novembro de 2016.
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB


Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

sábado, 5 de novembro de 2016

Papa aos Movimentos Populares: a corrupção não é um vício exclusivo da política

O Papa recebe, na tarde deste sábado (05/11), na Sala Paulo VI, cerca de cinco mil participantes no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que teve início em Roma na última quarta-feira (02/11).

O Encontro de três dias, que se conclui com a audiência do Papa, versa sobre o tema: “Três T: Trabalho, Teto, Terra; cuidado da natureza; migrantes e refugiados”. Participam do evento cerca de 200 membros, provenientes de 92 Movimentos Populares de 65 países.

Na inauguração dos trabalhos, o Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Peter Turkson, destacou “a urgência de denunciar a ditadura do dinheiro”. “Não só a ditadura do dinheiro e a injustiça social, mas também dar aos pobres e aos movimentos de base a possibilidade de se conhecer e dialogar, para que se tornem protagonistas da mudança que todos desejamos”.

O Cardeal Turkson salientou ainda as palavras-chave do encontro dos Movimentos Populares: “Terra, Teto, Trabalho”, que vão ao encontro das prioridades da Igreja Católica com as pessoas.

Os participantes aprofundaram outros aspectos e desafios da temática central como “a relação entre o povo e a democracia, o território e a natureza, o sofrimento dos migrantes e refugiados”.
Foram apontados ainda fatores e estruturas que contribuem e, muitas vezes, eternizam o ciclo da pobreza, como as “democracias de fachada” no plano político, a falta de trabalho digno, a discriminação social”.

Outros conferencistas dedicaram-se ao aprofundamento de outros aspectos da vida social, como a defesa das minorias; o combate à corrupção e ao crime”; a “ecologia integral”, defendida pelo Papa na sua encíclica ‘Laudato Si’; como também a crise migratória, que desafia a construção de “uma cultura viva, autêntica e sólida”.

Uma das colocações mais divulgadas do Papa foi da relação da corrupção com várias áreas da sociedade: "Como a política não é uma questão dos “políticos”, a corrupção não é um vício exclusivo da política. Existe corrupção na política, existe corrupção nas empresas, existe corrupção nos meios de comunicação, existe corrupção nas Igrejas e existe corrupção também nas organizações sociais e nos movimentos populares. É justo dizer que existe uma corrupção radicada em alguns âmbitos da vida econômica, em particular na atividade financeira, e que é menos notícia do que a corrupção diretamente e ligada ao âmbito político e social. É justo dizer que muito vezes se utilizam os casos de corrupção com más intenções."

Fonte: Rádio Vaticano


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

“Hoje católicos e luteranos são chamados a um novo momento”, afirma dom Zanoni



Em artigo, arcebispo de Feira de Santana fala sobre busca de comunhão entre católicos e luteranos
No dia 31 de outubro de 2017 completarão os 500 anos da Reforma Protestante, dia em que se faz memória das 95 teses que Martinho Lutero expôs sobre a porta da Igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha. Já neste ano de 2016 iniciaram as mobilizações em torno das celebrações marcadas pela proposta de celebração conjunta entre católicos e luteranos. O arcebispo de Feira de Santana (BA) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Zanoni Demettino Castro, escreveu um artigo no qual ressalta que, na atualidade, “católicos e luteranos são chamados a um novo momento”.
De acordo com o arcebispo, são cinco séculos de conflitos, de troca de acusações, de excomunhões, de guerras e divisões. “Quanta dor e sofrimento. Quanta violência em nome da religião”, lamenta. Neste novo momento, reflete dom Zanoni, católicos e luteranos são “desafiados como cristãos a fazerem memória deste acontecimento com outros olhos, os olhos da fé em Jesus Cristo, que nos amou sem impor condições e nos disse que nos amassemos uns aos outros como ele nos amou”.
Nesta semana, o papa Francisco viajou para a Suécia, onde participou da comemoração dos 50 anos de diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Luterana, na esteira da recordação dos 500 anos da Reforma protestante.
“Dou graças a Deus por esta recordação conjunta dos 500 anos da Reforma, que estamos vivendo com espírito renovado e conscientes de que a unidade entre os cristãos é uma prioridade, porque reconhecemos que, entre nós, é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa”, disse o pontífice em seu discurso durante o evento ecumênico na Arena de Malmõ.
Em seu artigo, dom Zanoni recorda a retomada do diálogo. “Há mais de cinquenta anos o entendimento entre católicos e luteranos vem crescendo, num constante e frutuoso diálogo ecumênico. Diferenças são superadas, entendimentos aprofundados e a confiança cada vez mais fortalecida”, escreveu.

Ações comuns

O membro da Comissão para o Ecumenismo da CNBB ainda ressalta as ações comuns em defesa dos pobres e necessitados. “Lutas travadas juntos são realidades cada dia mais constantes. Quantas oportunidades para sonharmos juntos e testemunhar o Deus de amor e misericórdia”, ressaltou.
Na última segunda-feira, dia 31 de outubro, foi firmada uma Declaração de Intenções entre a Caritas Internationalis e o Serviço Mundial luterano. No documento, as entidades se comprometem com objetivos como a criação de oportunidades; a cooperação em situações apropriadas; partilha de ensinamentos, desafios e oportunidades; o entendimento da Declaração de Intenções por parte de seus membros e o trabalho conjunto em harmonia.
As áreas de atuação definidas pela declaração são o auxílio a refugiados, deslocados internos e migrantes; a construção da paz e da reconciliação; a resposta humanitária; a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e programas e ações entre as confissões. Encontros anuais serão realizados afim de planejar ações futuras. 

Agradecimento

Para dom Zanoni, gora é tempo de “agradecer a Deus a caminhada feita. Vivemos um novo tempo, que exige escuta e entendimento, que nos ensina a não mais impor nossas verdades, mas, sobretudo, deixar o outro falar, contar a sua história, apresentar seu ponto de vista”, afirmou.
Leia o artigo de dom Zanoni Demettino Castro na íntegra: "Do conflito à comunhão" 

Com informações e foto da Rádio Vaticano