sábado, 5 de novembro de 2016

Papa aos Movimentos Populares: a corrupção não é um vício exclusivo da política

O Papa recebe, na tarde deste sábado (05/11), na Sala Paulo VI, cerca de cinco mil participantes no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que teve início em Roma na última quarta-feira (02/11).

O Encontro de três dias, que se conclui com a audiência do Papa, versa sobre o tema: “Três T: Trabalho, Teto, Terra; cuidado da natureza; migrantes e refugiados”. Participam do evento cerca de 200 membros, provenientes de 92 Movimentos Populares de 65 países.

Na inauguração dos trabalhos, o Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Peter Turkson, destacou “a urgência de denunciar a ditadura do dinheiro”. “Não só a ditadura do dinheiro e a injustiça social, mas também dar aos pobres e aos movimentos de base a possibilidade de se conhecer e dialogar, para que se tornem protagonistas da mudança que todos desejamos”.

O Cardeal Turkson salientou ainda as palavras-chave do encontro dos Movimentos Populares: “Terra, Teto, Trabalho”, que vão ao encontro das prioridades da Igreja Católica com as pessoas.

Os participantes aprofundaram outros aspectos e desafios da temática central como “a relação entre o povo e a democracia, o território e a natureza, o sofrimento dos migrantes e refugiados”.
Foram apontados ainda fatores e estruturas que contribuem e, muitas vezes, eternizam o ciclo da pobreza, como as “democracias de fachada” no plano político, a falta de trabalho digno, a discriminação social”.

Outros conferencistas dedicaram-se ao aprofundamento de outros aspectos da vida social, como a defesa das minorias; o combate à corrupção e ao crime”; a “ecologia integral”, defendida pelo Papa na sua encíclica ‘Laudato Si’; como também a crise migratória, que desafia a construção de “uma cultura viva, autêntica e sólida”.

Uma das colocações mais divulgadas do Papa foi da relação da corrupção com várias áreas da sociedade: "Como a política não é uma questão dos “políticos”, a corrupção não é um vício exclusivo da política. Existe corrupção na política, existe corrupção nas empresas, existe corrupção nos meios de comunicação, existe corrupção nas Igrejas e existe corrupção também nas organizações sociais e nos movimentos populares. É justo dizer que existe uma corrupção radicada em alguns âmbitos da vida econômica, em particular na atividade financeira, e que é menos notícia do que a corrupção diretamente e ligada ao âmbito político e social. É justo dizer que muito vezes se utilizam os casos de corrupção com más intenções."

Fonte: Rádio Vaticano


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