segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Francisco: os pobres estão no centro do Evangelho



O Papa Francisco rezou o oração mariana do Angelus deste domingo (24/01), com os fieis e peregrinos que se encontravam na Praça São Pedro, não obstante o frio. 
Na alocução que precedeu a oração, o pontífice disse que o evangelista Lucas, antes de apresentar o discurso programático de Jesus, em Nazaré, resume brevemente sua atividade evangelizadora.

Mestre diferente
“É uma atividade que Ele cumpre com a força do Espírito Santo: a sua palavra é original, porque revela o sentido das Escrituras; é uma palavra que tem autoridade, porque manda até mesmo nos espíritos impuros e eles obedecem. Jesus é diferente dos mestres de seu tempo. Não abriu uma escola para o estudo da Lei, mas pregava e ensinava em todo lugar: nas sinagogas, nas ruas e nas casas. Jesus é diferente também de João Batista que proclama o juízo iminente de Deus, enquanto Jesus anuncia o seu perdão de Pai."
O Papa convidou os fieis a entrarem na Sinagoga de Nazaré. “O que acontece é um fato importante que delineia a missão de Jesus. Ele se levanta para ler a Sagrada Escritura. Abre o Livro do Profeta Isaías e encontra a passagem onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres’. A seguir, depois de um momento de silêncio cheio de expectativa, diz, diante da perplexidade geral: ‘Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabaram de ouvir’”.
Cristão e missionário é a mesma coisa
“Evangelizar os pobres: esta é a missão de Jesus; esta é também a missão da Igreja, e de todo batizado na Igreja. Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho com a palavra e, primeiramente, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de todo seu membro. Observa-se que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás, privilegia os que estão distantes, os sofredores, os doentes, os descartados pela sociedade.”
A seguir, Francisco perguntou: O que significa evangelizar os pobres? “Significa se aproximar deles, servi-los, libertá-los de sua opressão e tudo isso no nome e com o Espírito de Cristo, porque é Ele o Evangelho de Deus, é Ele a Misericórdia de Deus, é Ele a libertação de Deus, é Ele que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. O texto de Isaías, reforçado por pequenas adaptações introduzidas por Jesus, indica que o anúncio messiânico do Reino de Deus que veio ao nosso meio, se dirige de forma preferencial aos marginalizados, prisioneiros e oprimidos.” 
Evangelho, não política
“Provavelmente no tempo de Jesus estas pessoas não estavam no centro da comunidade de fé. E nos perguntamos: hoje, em nossas comunidades paroquiais, nas associações e nos movimentos, somos fieis ao programa de Jesus? A evangelização dos pobres, levar-lhes a Boa Nova, é a prioridade? Atenção: não se trata de prestar assistência social e muito menos de atividade política. Trata-se de oferecer a força do Evangelho de Deus que converte os corações, cura novamente as feridas, transforma as relações humanas e sociais segundo a lógica do amor. Os pobres, de fato, estão no centro do Evangelho.”
O Papa Francisco concluiu sua alocução pedindo à Virgem Maria, "Mãe dos evangelizadores, para que nos ajude a sentir com vigor a fome e a sede do Evangelho que existem no mundo, especialmente no coração e na carne dos pobres. Que ela ajude cada um de nós e toda comunidade cristã a testemunhar concretamente a misericórdia, a grande misericórdia, que Cristo nos doou”.
Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou e pediu aos peregrinos provenientes da Itália e outras partes do mundo para que rezem por ele. 
Fonte: Rádio Vaticana

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Rito do Lava-pés: também as mulheres poderão ser escolhidas



O Papa Francisco decidiu fazer uma mudança nas rubricas do Missal Romano relativas ao Rito do “Lava pés” contido na Missa da Santa Ceia: de agora em diante, entre as pessoas escolhidas pelos pastores poderão ser incluídas também as mulheres.O Papa explica sua decisão numa Carta endereçada ao prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah. Por conseguinte, o referido Dicastério vaticano emitiu um Decreto a propósito.
Expressar a caridade sem limites de Jesus
“Expressar plenamente o significado do gesto realizado por Jesus no Cenáculo, o seu doar-se ‘completamente’, para a salvação do mundo, a sua caridade sem limites”: com essas palavras, o Papa Francisco explica, na Carta ao Cardeal Sarah, a decisão de modificar a rubrica do Missal Romano que indica as pessoas escolhidas para receber o “Lava-pés” durante a Missa da Santa Ceia, na Quinta-feira Santa.
Incluídas as mulheres entre os fiéis escolhidos
A decisão do Papa, tomada “após atenta ponderação”, explica o próprio Pontífice, faz de modo que “de agora em diante os pastores da Igreja possam escolher os participantes para o rito entre todos os membros do povo de Deus”.Efetivamente, se antes estes deviam ser homens adultos ou jovens, agora – explica o decreto da Congregação para o Culto Divino – poderão ser quer homens, quer mulheres, “convenientemente jovens e idosos, sadios e doentes, clérigos, consagrados e leigos”, incluídos casados e solteiros.“Esse pequeno grupo de fiéis deverá representar a variedade e a unidade de cada porção do povo de Deus”, ressalta o Dicastério, sem especificar o seu número.
Explicar adequadamente aos escolhidos o significado do rito
Ademais, o Santo Padre recomenda que “seja dada aos escolhidos uma adequada explicação do significado do próprio rito”. Cabe a estes – escreve o secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Arthur Roche, num artigo para o L’Osservatore Romano – oferecer com simplicidade a sua disponibilidade.
“Cabe a quem cuida das celebrações litúrgicas preparar e dispor todo necessário para ajudar todos a participar frutuosamente deste momento: a vida de todo discípulo do Senhor é memorial (anamnesi) do ‘mandamento novo’ ouvido no Evangelho.”
Gesto já realizado pelo Papa Francisco
Vale recordar que o Papa Francisco já realizou o rito do Lava-pés com a participação de algumas mulheres, por exemplo, na Quinta-feira Santa do ano passado, quando celebrou, em Roma, a missa da Ceia do Senhor no Cárcere de Rebibbia. 
Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Visto Branco: pela liberdade de fé!



O dia 21 de janeiro é marcado como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Um dia de luta, de reflexão, debate e ações que motivem a busca pela liberdade de culto religioso e combate ao racismo, além da consolidação de um Estado laico, de fato.
A data foi sancionada pela Lei nº 11.635 em 2007 e faz referência ao dia da morte de Mãe Gilda, Ìyálòrìsà (Yalorixá)do IIé Àṣẹ (Axé) Abassá ti Ògún, que faleceu em 2000, em Salvador (BA), após sofrer atos de intolerância. Em 1999, o jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, estampou em sua capa uma foto da Ìyálòrìsà(Yalorixá) Gildásia dos Santos e Santos. Mãe Gilda trajava roupas de sacerdotisa para ilustrar uma matéria cujo título era: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Depois disso, sua casa foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente, e seu terreiro foi depredado por evangélicos. Mãe Gilda não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu no dia 21 de janeiro de 2000.
Na mistura das cores, de Branco nos vestimos de luta:
A Campanha Visto Branco deste ano remete, em sua identidade visual, a uma releitura das fitas do Senhor do Bonfim. Símbolo forte do sincretismo, inicialmente entre católicos(a) era conhecida como “medida do Bonfim”, por sua medida original de 47 centímetros ter o tamanho do braço direito da estátua de Jesus Cristo, o Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia. Para as matrizes africanas, cada cor estaria ligada a um Òrìşà (Orixá). O efeito das cores ressalta a diversidade.
Ao vestirmos branco, denunciamos as violações de direitos humanos e unimos forças para superação das intolerâncias e desigualdades que estruturam nosso mundo. Casos como o de Mãe Gilda, como da menina Kailane Campos, candomblecista apedrejada na saída de um culto no Rio de Janeiro, e tantos outros que passam velados, mostram a necessidade da efetivação de um Estado laico, uma trajetória longa para ser consolidada de fato.
O combate à intolerância começa com a mudança de comportamento individual e coletivo dos seres humanos que convivem dentro da mesma comunidade. É, portanto, uma predisposição de (re)conhecer o/a diferente e aceitá-lo/a.
Pela liberdade de fé!
A liberdade está e sempre esteve em disputa. E, para que ocorram conquistas em termos de direitos, é necessário lutar. Uma luta que ocorre mediante diálogo, comprometimento e tem como utopia a mudança e superação das violações de direitos.
Que o símbolo desta data sinalize possíveis atitudes durante o ano todo: dialogar mais e, principalmente, ouvir e se predispor a conhecer. São caminhos de construção de um mundo onde as diferenças entre crentes e não crentes possa coexistir, para a convivência comum.
A Rede Ecumênica da Juventude se coloca a serviço, em irmandade e parceria, juntas e juntos, na promoção dos direitos das juventudes, na efetivação de um Estado laico de fato e na superação das intolerâncias, para um debate que acontece todo dia nas mais variadas esferas, sociais, políticas e religiosas.
Participe com a gente: venha para a luta
Para apoiar e se integrar à Campanha Visto Branco durante os dias 21 a 24 de janeiro, publique uma foto, de forma pública, nas redes sociais e vestindo branco com as hashtags: #vistobranco #estadolaicodefato #reju.
Ainda serão divulgadas as atividades relacionadas à data. Fique atenta/o para participar da programação na sua cidade.
Basta de intolerâncias e preconceitos com as religiões de matriz africana e afro-brasileiras, pelo direito à livre consciência, culto e crença de todas religiões! Pela liberdade de crer e não crer!
Àṣẹ (Axé), Amém, Awere, Aleluia, Namastê, Gasshô, Shalom!
Alexandre Magno da Glória (Candomblecista)
 Débora Ludwig (Luterana)
 Edoarda Sopelsa Scherer (Católica)
Fonte: Rede Ecumênica de Juventude (REJU)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

CNBB e Cáritas lançam campanha em solidariedade a migrantes e refugiados

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, em consonância com o Jubileu Extraordinária da Misericórdia, convocado pelo papa Francisco, promovem Campanha de solidariedade em prol dos migrantes e refugiados. Confira o vídeo da campanha
“Estamos diante de uma situação de migração muito grande. O papa tem nos alertado para sairmos ao encontro dos nossos irmãos e irmãs que deixam suas terras, que buscam aconchego e lugar para morar. Vamos ajudar com essa ação solidária promovida pela CNBB e Cáritas, para podermos melhor acolher, a Jesus, por meio dos nossos irmãos que sofrem”, motiva o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. 
Por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado no domingo, 17 de janeiro, o Vaticano divulgou mensagem do papa Francisco. O texto, intitulado "Os migrantes e os refugiados nos interpelam: a resposta do Evangelho da misericórdia”, recorda os sofrimentos dos povos que são obrigados a deixar as regiões onde habitam. 
Na mensagem, o papa pede que a sociedade se empenha para minimizar os sofrimentos dessas populações. “Os emigrantes são nossos irmãos e irmãs que procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos. Porventura não é desejo de cada um melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar que possa partilhar com os seus entes queridos?”, refletiu Francisco. 
Ao final do texto, o papa envia palavras de esperança aos migrantes e refugiados: “Queridos irmãos e irmãs emigrantes e refugiados! Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa! Não deixeis que vos roubem a esperança e a alegria de viver que brotam da experiência da misericórdia de Deus, que se manifesta nas pessoas que encontrais ao longo dos vossos caminhos!”, escreveu. 
Realidade pelo mundo
Em todo o planeta, 60 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, migrando para outros países. Atualmente, constata-se uma crescente discriminação e criminalização das pessoas que se encontram na condição de migrantes e refugiadas. Essa situação contribui para que essas populações se tornem ainda mais vulneráveis em termos socioeconômicos e mais sujeitas à violência.
Os recursos arrecadados com a campanha serão destinados a ações de sensibilização da sociedade quanto à importância da acolhida, solidariedade e ajuda humanitária a essas pessoas. São atividades voltadas ao fortalecimento das iniciativas já existentes; de apoio à criação de novos centros de acolhida, atendimento e promoção dos direitos humanos.
Além disso, por meio dos recursos pretende-se criar uma rede católica destinada a formar, integrar e fomentar o acolhimento, a proteção legal e a integração local de migrantes e refugiados em todo o Brasil; e de apoio a iniciativas correlatas desenvolvidas em outros países, com a ação da Caritas Internacional.
A coleta de solidariedade deve ser feita por meio de depósito bancário, na conta da Cáritas. 

Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta corrente: 32.792-1

Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta Corrente: 3735-5

Baixe os materiais da campanha e ajude a divulgar: http://caritas.org.br/refugiados-e-imigrantes 
Fonte: CNBB e Cáritas Brasileira

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Papa na Sinagoga: todos pertencemos a uma única família, a família de Deus



Francisco tornou-se, na tarde deste domingo (17/01), o terceiro Pontífice a visitar a Sinagoga de Roma. Durante a visita ao Templo Maior, o Papa recordou a expressão cunhada por São João Paulo II que, em 1986, disse que os judeus são os "irmãos mais velhos" dos cristãos. Francisco incentivou todos os empenhados na construção do diálogo judaico-cristão a seguirem perseverantes e recordou os judeus romanos perseguidos deportados durante a invasão nazista. 


Abaixo, publicamos a íntegra do discurso de Francisco
"Caros irmãos e irmãs,
Sinto-me feliz por estar aqui, entre vocês, nesta Sinagoga. Agradeço pelas palavras cordiais do Dr. Di Segni, a senhora Durighello e o Dr. Gattegna. Agradeço a todos vocês pela calorosa recepção. Tada rabbá! Obrigado!
Na minha primeira visita a esta Sinagoga, como Bispo de Roma, desejo expressa-lhes, como também a todas as Comunidades judaicas, a saudação fraterna de paz desta e de toda a Igreja católica.
As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, eu já estava acostumado a ir às sinagogas para encontrar as comunidades lá reunidas; seguir de perto as festividades e comemorações judaicas; dar graças ao Senhor, que nos dá a vida e nos acompanha no caminho da história.
Ao longo do tempo, criou-se uma união espiritual que favoreceu o nascimento de autênticas relações de amizade, que inspirou um empenho comum. No diálogo inter-religioso é fundamental encontrar-nos, como irmãos e irmãs, diante do nosso Criador e a Ele prestar louvor; respeitar-nos e apreciar-nos mutuamente e colaborar.
No diálogo judeu-cristão há uma ligação única e peculiar em virtude das raízes judaicas do cristianismo: judeus e cristãos devem, portanto, sentir-se irmãos, unidos pelo próprio Deus e por um rico patrimônio espiritual comum (cf. Declaração Nostra aetate, 4) no qual basear-nos e continuar a construir o futuro.
Ao visitar esta Sinagoga, prossigo nas pegadas dos meus Predecessores. O Papa João Paulo II esteve aqui há trinta anos, em 13 de abril de 198; Papa Bento XVI esteve entre vocês há seis anos, agora estou aqui.
Naquela ocasião, João Paulo II cunhou a bela expressão “irmãos mais velhos”! De fato, vocês são os nossos irmãos e as nossas irmãs mais velhos na fé.Todos nós pertencemos a uma única família, a família de Deus; juntos, Ele nos acompanha e nos protege como seu Povo; juntos, como judeus e como católicos, somos chamados a assumir as nossas responsabilidades por esta cidade, dando a nossa contribuição, também espiritual, e favorecendo a resolução dos diversos problemas atuais.
Espero que aumentem, sempre mais, a proximidade espiritual e o conhecimento e estima recíprocos entre as nossas duas comunidades de fé. Por isso, é significativa a minha vinda entre vocês, precisamente hoje, 17 de janeiro, quando a Conferência Episcopal italiana celebra o “Dia do diálogo entre Católicos e Judeus”.
Comemoramos, há pouco, o 50° aniversário da Declaração Nostra aetate do Concílio Vaticano II, que tornou possível o diálogo sistemático entre a Igreja católica e o Judaísmo.
No passado dia 28 de outubro, na Praça São Pedro, pude saudar também um grande número de representantes judaicos, aos quais me expressei assim: “A verdadeira e própria transformação da relação entre Cristãos e Judeus, durante estes 50 anos, merece uma gratidão especial a Deus. A indiferença e a oposição se converteram em colaboração e em benevolência. De inimigos e estranhos, tornamo-nos amigos e irmãos”.
O Concílio, com a Declaração Nostra aetate, traçou o caminho: “sim” à descoberta das raízes judaicas do cristianismo; “não” a toda forma de antissemitismo e condenação de toda injúria, discriminação e perseguição, que disso derivam”.
Nostra aetate definiu, teologicamente, pela primeira vez e de maneira explícita, as relações da Igreja católica com o Judaísmo. Ela, naturalmente, não resolveu todas as questões teológicas que nos dizem respeito, mas fez uma referência, de modo encorajador, fornecendo um estímulo importantíssimo para ulteriores e necessárias reflexões.
A propósito, em 10 de dezembro de 2015, a Comissão para as Relações religiosas com o Judaísmo publicou um novo documento que aborda as questões teológicas, emergidas nos últimos decênios, após a DeclaraçãoNostra aetate (n. 4).
Com efeito, a dimensão teológica do diálogo judaico-católico merece ser sempre mais aprofundada. Por isso, encorajo todos aqueles que estão comprometidos com este diálogo a continuar neste caminho, com discernimento e perseverança.
Precisamente de um ponto de vista teológico, aparece claramente a indivisível ligação que une Cristãos e Judeus. Para compreender-se, os cristãos não podem não fazer referência às raízes judaicas; a Igreja, mesmo professando a salvação, mediante a fé em Cristo, reconhece a irrevocabilidade da Antiga Aliança e o amor constante e fiel de Deus por Israel.
Por mais importante que sejam as questões teológicas, não devemos perder de vista as situações difíceis, com as quais o mundo de hoje se defronta. Os conflitos, as guerras, as violências e as injustiças causam ferimentos profundos na humanidade e nos impelem a comprometer-nos pela paz e a justiça. A violência do homem contra o homem está em absoluta contradição com qualquer religião, digna deste nome e, em particular, com as três grandes Religiões monoteístas.
A vida é sagrada, como dom de Deus. O quinto mandamento do Decálogo, diz: “Não matar” (Ex 20,13). Deus, que é Deus da vida, quer sempre promovê-la e salvaguardá-la. E nós, criados à sua imagem e semelhança, devemos fazer o mesmo. Todo ser humano, como criatura de Deus, é irmão, independentemente da sua origem ou da sua pertença religiosa.
Toda pessoa deve ser vista com benevolência, como faz Deus, que estende a sua mão misericordiosa a todos, independentemente da sua fé e da sua proveniência; Ele dispensa atenção particular aos que mais precisam dele: os pobres, os enfermos, os marginalizados, os indefesos.
Lá, aonde a vida corre perigo, somos chamados, ainda mais, a promovê-la e salvaguardá-la. Quanto mais nos sentirmos ameaçados, tanto mais deveríamos confiar em Deus, que é a nossa defesa e o nosso refúgio (cf. Sal 3,4; 32,7), procurando fazer resplandecer em nós o seu rosto de paz e de esperança, sem jamais ceder ao ódio e à vingança. A violência e a morte jamais terão a última palavra diante de Deus, que é Deus do amor e da vida!
Devemos invocá-Lo com insistência, para que nos ajude a praticar - na Europa, na Terra Santa, no Oriente Médio, na África e em qualquer outra parte do mundo, - não a lógica da guerra, da violência, da morte, mas a da paz, da reconciliação, do perdão, da vida.
O povo judaico, na sua história, teve que padecer violências e perseguições, até ao extermínio dos judeus europeus, durante a Shoah. Seis milhões de pessoas, apenas por pertencerem ao povo judaico, foram vítimas da barbárie mais desumana perpetrada em nome de uma ideologia, que queria substituir Deus com o homem. Em 16 de outubro de 1943, mais de 1 mil homens, mulheres e crianças da comunidade judaica de Roma, foram deportados para Auschwitz.
Hoje, quero recordá-los de modo particular: seus sofrimentos, suas angústias, suas lágrimas nunca devem ser esquecidas. O passado deve servir de lição par o presente e o futuro. A Shoah ensina-nos que é preciso sempre máxima vigilância, para poder intervir, tempestivamente, em defesa da dignidade humana e da paz. Queria expressar a minha solidariedade a cada testemunha da Shoah que ainda vive; saúdo, de modo particular, aqueles que hoje estão presentes aqui.
Queridos irmãos mais velhos, devemos realmente ser gratos por tudo o que foi possível realizar nos últimos cinquenta anos, porque aumentaram e aprofundaram a compreensão recíproca e a mútua confiança e amizade.
Peçamos juntos ao Senhor, a fim de que conduza o nosso caminho rumo a um futuro bom e melhor. Deus tem para nós projetos de salvação, como diz o profeta Jeremias: “Conheço meus projetos sobre vocês – oráculo do Senhor -: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança” (Jer 29,11).
Que o Senhor nos abençoe e nos guarde. Faça resplandecer sobre nós a sua face e nos dê a sua graça. Que o Senhor volva o seu rosto para nós e nos dê a paz (Num 6,24-26).
Shalom alechem!" 

Fonte: Rádio Vaticano


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

As motivações para o ano que chega, por Aline Ogliari



novo
Chapecó/SC, 04 de janeiro de 2016.
“E esperamos e fazemos contigo,
Entre sombras e luzes,
Mas na certeza do teu Amor fiel,
O novo Céu e a nova Terra que o teu Coração nos garante”
(Credo da Ecologia Total, Dom Pedro Casaldáliga)
Companheiras e companheiros que constroem a Pastoral da Juventude por esse Brasil!
Mais um ano findou, e a impressão é que 2015 passou voando… Parece que foi semana passada que nos reuníamos em Manaus para o 11º ENPJ! Foi um ano que trouxe, deixou e levou muitas coisas, muitos sentimentos, desafios, muitas alegrias e tristezas também, muitas experiências… Nossas retrospectivas podem ser diversas, tanto pessoais, quanto pastorais, políticas, sociais e eclesiais. Que ano!
E 2016 já chega trazendo outros tantos desafios diversos, enormes e exigentes.
Temos, enquanto PJ, um desses desafios: o de construir um belo, intenso e profético processo de mais uma Ampliada Nacional durante o ano inteiro, desde os grupos de jovens até toda e qualquer instância de coordenação e assessoria. Queremos que todas as cores, sabores, cheiros e lutas de nossas juventudes estejam dando as linhas no processo. É o trem da PJ que segue para as terras santas do Cariri, terras que acolheram o Intereclesial das CEBs em 2014, e que acolherão agora os filhos e as filhas desse modelo de Igreja-Povo de Deus em janeiro de 2017.
É nessa motivação que nos colocamos na ciranda do novo ano, nos provocando a viver intensamente o Ano da Misericórdia, instituído pelo Papa Francisco no início do Advento de 2015.
Já de início desse novo tempo, motivamos nossos grupos a ajudar a construir a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. No respeito à diversidade religiosa que existe no Brasil, e na alegria de comungarmos do mesmo compromisso, vamos construir redes de proteção da nossa Casa Comum, nossa Mãe Terra, através da discussão sobre Saneamento Básico.
Lembramos que será ano eleitoral também, com discussões de projetos políticos e demandas locais. Que participemos desse processo em nossos bairros e cidades, incidindo de forma positiva e compromissada, construindo e fortalecendo espaços de promoção da Vida. Nos atentemos ainda às propostas que atingem diretamente a vida de nossa juventude.
No desejo de que em 2016 estejamos mais próximos/as e atentos/as aos gritos de nosso povo, façamos nossa prece aquilo que o Papa Francisco apresenta no número 15 da Carta do Ano da Misericórdia:
“Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”.
Amém!
Fraterno e ternuroso abraço. Seguimos, juntas e juntos, organizando a esperança.
Nos encontramos nas peleias desse novo ano!
Aline Ogliari,
No serviço da Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude