domingo, 22 de abril de 2012

Preparação para a JMJ Rio2013 será apresentada aos bispos na 50ª Assembleia Geral



O presidente do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Rio2013 e arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, participou hoje, 20 de abril, da terceira coletiva de imprensa da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, que acontece no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, em Aparecida (SP), desde quarta-feira, 18.
Os preparativos e o andamento do trabalho para a Jornada que será realizada entre os dias 23 e 28 de julho de 2013,na cidade do Rio, serão apresentados por Dom Orani em plenário para mais de 300 bispos reunidos na 50ª Assembleia Geral, na próxima semana. Os bispos receberão material informativo e também podem visitar o estande da JMJ que está montado no local do evento.
Segundo Dom Orani, a jornada será precedida de uma semana missionária em todas as dioceses do Brasil. “A peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora pelas dioceses têm tido muito êxito", completou o arcebispo.
Dom Orani explicou ainda que não é possível fazer uma estimativa do número de jovens que estarão presentes ao evento. “Isso será possível a partir da abertura das inscrições. Mas em Madri, em 2011, cerca de dois milhões de jovens estiveram no último dia”.
Quanto a infraestrutura que está sendo preparada para o evento na Cidade Maravilhos, o arcebispo informou que os trabalhos estão acontecendo em parceria com os Governos federal, estadual e municipal. “O contato tem sido muito bom com os Governos, não há dificuldade nas conversas. Mesmo porque o Rio de Janeiro tem tradição em acolher grandes eventos”.

              rio2013.com

quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de abril: dia de luta em defesa dos povos indígenas

“Temos uma dívida social imensa com os povos indígenas pelos massacres, genocídios, inomináveis crueldades e injustiças praticadas ao longo destes 512 anos de invasão e extermínio”, disse dom Édson Tasquetto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), presidente da celebração eucarística realizada no Santuário Nacional de Aparecido neste segundo dia da 50a. Assembleia dos Bispos da CNBB.

Dom Damian é bispo na diocese onde 90% da população é formada por povos indígenas e trabalha em profunda sintonia com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), um dos organismos vinculados à CNBB com atuação reconhecida na história recente do Brasil. Ele lembrou da fundação do Conselho e destacou: “o seu início, é marcada pelo testemunho dos mártires. Lembro apenas alguns: Pe Rodolfo Lukenbein, Simão Bororo, Pe João Bosco Penido Burnier, Ângelo Pereira Xavier, cacique Pancaré, Ângelo Kretã, líder dos Kaingang, Marçal Tupã-y, líder Guarani que saudou o papa João Paulo II quando visitou o Brasil em 1980, Ir Cleusa Rody Coelho, Pe Ezechiel Ramin, Ir Jesuíta Vicente Cañas. Xicão Xucuru, Galdino de Jesus, queimado vivo por um bando de jovens em Brasília, Cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá, o último que foi assassinado, em novembro do ano passado, no Mato Grosso do Sul”.

O CIMI tem 40 anos de existência que foram comparados por dom Damian, durante a homilia, como “o tempo em que o povo hebreu andou pelo deserto rumo à Terra Prometida e ajudam a manter viva a esperança dos povos indígenas que aguardam o processo de demarcação de 335 territórios e de outros 348 que ainda estão em fase de reivindicação”. O bispo de São Gabriel da Cachoeira manifestou seu apreço pelas comunidades indígenas “Sempre me encanto com estes irmãos. Apesar de uma vida dura e penosa nunca perdem a alegria e a fé que se expressam no sorriso límpido, espontâneo, cativante. Quando adoecem demoram até uma semana, nas frágeis embarcações com motor de ‘rabeta’, para serem transportados a São Gabriel, debaixo de sol abrasador ou de chuva torrencial. Dizia-me um médico que muitos chegam tão debilitados que se torna muito difícil ou até impossível o tratamento”.

Dom Damian, diante dos mais de 340 bispos reunidos em Aparecida, compartilhou uma experiência vivida com o Papa Bento XVI. Ele contou que na visita “ad limina” de 2010, ficou surpreso com duas perguntas feitas pelo Papa. A primeira: “O povo da sua região está destruindo a floresta?” Dom Damian disse que teve a alegria de informá-lo “que na bacia do Rio Negro apenas 4% das florestas foram derrubadas, ao passo que em alguns Estados da Amazônia elas já foram totalmente destruídas pela ganância avassaladora das madeireiras, do agronegócio e das hidrelétricas. D. Erwin Kräutler, nosso presidente do CIMI, não se cansa de denunciar a grande destruição e os minguados resultados da faraônica hidrelétrica de Belo Monte. Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. “Nossa vida depende da vida da floresta”, costumava dizer nossa mártir Ir Doroty Stang.

A segunda pergunta feita por Bento XVI foi: “Os índios são bons católicos. Eles se confessam?” Dom Damian respondeu: “Todos, se confessam, desde as crianças que há pouco fizeram a Eucaristia até aos mais idosos. E com um detalhe original. A maioria começa dizendo: ‘Agora vou me confessar na minha língua’. Continua contando dom Damian dizendo que o Papa reagiu e o indagou: “E você entende todas as línguas?” E o bispo respondeu: “De que jeito, respondi. São 18 línguas e tão diferentes umas das outras. Mas quem perdoa é o Pai que criou todos os povos e culturas e Ele se entende muito bom com seus filhos prediletos. Assim a boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa nova de Jesus”.

Antes de terminar a homilia, o bispo de São Gabriel da Cachoeira fez um agradecimento: “Agradeço, de coração, a todos os que, com generosidade e abnegação, se dedicam à causa indígena como uma causa do Reino, às missionárias e missionários do CIMI, às dioceses e seus agentes de pastoral, às congregações religiosas, enfim, a todos os que vivem ‘em estado de missão inculturada e se empenham para que nossa Igreja se torne realmente morada de povos irmãos e, assim também, casa dos povos indígenas”.

Fonte: Conselho Indigenista Missionário (cimi.org.br)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dia de Luta pela Terra: O campo floresce

Marcelo Barros*

O mundo saúda o desenvolvimento econômico do Brasil, hoje, país emergente e respeitado internacionalmente. Entretanto, organismos internacionais reconhecem que uma das lacunas mais graves desse desenvolvimento é a falta de uma política agrícola voltada para o povo brasileiro e de uma justiça no campo.

Há 16 anos, em Eldorado de Carajás, no sul do Pará, 155 policiais militares abriam fogo contra 1500 pessoas, homens, mulheres e crianças, acampadas pacificamente às margens de uma rodovia. Assassinaram 19 lavradores e deixaram inúmeros feridos e mutilados. Até hoje, ninguém foi punido por esse crime.

Tantos anos depois que o presidente da República, ainda Fernando Henrique Cardoso, estabeleceu o 17 de abril, como Dia Internacional da Luta pela Terra, a realidade dos lavradores no Brasil continua ignorada e incompreendida. A violência contra os sem-terra continua. Nesse último mês, somente em Pernambuco, foram assassinados dois lavradores sem terra: no dia 23 de março, Antônio Tiningo e já em abril (02), Pedro Bruno. Ambos, vítimas da ferocidade da concentração da terra e da insensibilidade de senhores que se sentem ainda donos de escravos no campo.

Jaime Amorim, membro da coordenação do MST em Pernambuco, afirma: "O latifúndio é essencialmente violento e impede as pessoas de viver e trabalhar no campo. O que ocorreu em Carajás nos dá força e clareza para lutar, pois enquanto houver concentração da terra, a desigualdade, a violência e a falta de democracia no Campo vão continuar".

Para Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e co-fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), é importante esse dia em memória dos mártires de Eldorado de Carajás. Ele declara: "esse dia lembra a força da caminhada dos trabalhadores do campo, que se arrasta desde os tempos de Zumbi dos Palmares até hoje na história do Brasil. A luta pela reforma agrária não é questão de conseguir apenas um pedaço de chão, mas de mudar nosso país. A luta é profunda, ampla e de mudanças".

Um dos grandes desafios dos lavradores no campo é que sua caminhada pacífica e justa seja compreendida e apoiada por toda a sociedade civil do país. Sem dúvida, no mundo inteiro, de todos os movimentos sociais, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) é o que mais conta com o reconhecimento internacional e recebeu diversos prêmios importantes de organizações e instituições reconhecidas no mundo. Entretanto, no Brasil, a maioria dos meios de comunicação social não permite que a sociedade civil conheça melhor os movimentos no campo e saiba realmente o que de fato está acontecendo e que sua luta é em benefício de todo o povo brasileiro e da justiça na terra.

No evangelho, Jesus compara o projeto divino no mundo com um pobre lavrador que joga a semente no campo e depois deve confiar no tempo e na força intrínseca da vida, contida na pequenina e frágil semente. "Depois que ele semeia, quer durma ou levante, a semente germina e cresce, sem que ele saiba como" (Mc 4, 23- 26). Essa esperança teimosa é o que tem mantido firmes as comunidades de lavradores sem terra na luta pela justiça e liberdade. Que todos nós vivamos a alegria de participar com eles desse caminho pascal.

* É monge e autor de Parábolas do projeto divino no mundo e outros livros.

Fonte: cptnacional.org.br

sábado, 14 de abril de 2012

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”

A Conferência Nacional dos bispos do Brasil, logo após a conclusão do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, emitiu nota oficial lamentando a decisão. No texto, os bispos afirmam que "Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso".

Leia a integra da Nota:

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”

Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.

Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe. Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida

Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

Fonte: CNBB

quinta-feira, 12 de abril de 2012

E se não existisse a PJ?

Passamos a pouco pela Semana Santa e quero crer que para muitos de vocês que leem este texto, foram dias de boas e relevantes reflexões. O tríduo pascal reúne as celebrações mais importantes da nossa fé cristã. E nos faz pensar sobre os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Para mim, em particular, estes dias me fazem pensar que, apesar da dor, apesar das tristezas ou do sacrifício, a morte não tem a última palavra. Ela não é o fim das coisas. A vida prevalece afinal. A proposta boa de Jesus não poderia morrer e ficar sepultada naquele buraco na pedra. Não era possível que a morte dominasse Jesus, como lembra Pedro no discurso após o Pentecostes.

O que estaríamos fazendo hoje se a notícia da ressurreição não tivesse se espalhado pelo mundo? É possível que muito de nossa linguagem cultural, simbólica e política seria bem diferente. Mesmo entre aqueles que não creem, a influência cristã é relevante. Nossa sociedade é bem marcada por esta história. Sem a ressurreição toda nossa fé é vazia. E, claro, não existiria também a PJ.

Fazer o exercício do que seria o mundo sem o cristianismo já foi tema de livros e teses. Daria assunto para muita conversa. E se restringíssemos nosso olhar? O que seria um mundo sem PJ? Como você que lê este texto reagiria?

Antes de mais nada, vamos partir de dois pontos óbvios:

A PJ é fruto de um contexto histórico que pediu a sua criação. Se olharmos o caminhar da Igreja no mundo e em especial no Brasil do final dos anos 1950 para cá, veremos que era necessário que algo assim surgisse após as conferências de Medellin e Puebla. Ou seja, pensar que a PJ não existe é deixar de lado toda a reflexão acumulada nestes anos todos e ignorar todo o pensamento da Igreja, em especial da Igreja Latino americana.

A PJ que engatinhava nos anos 1970, que começou suas articulações maiores nos anos 1980, que encarou suas crises nos anos 1990, que rediscutia sua identidade nos anos 2000 e que olha o presente e futuro com esperança nestes anos de 2010 nunca foi exatamente a mesma, embora não fosse contraditória em sua essência. Ou seja, a história fez com que nos adaptemos aos novos contextos. Não somos os mesmos, iguais ao longo desta caminhada, mas guardamos marcas e sinais comuns e importantes que nos identificam e nos caracterizam.

Deixando claro que estamos ignorando estes dois pontos, façamos o exercício: como seria o trabalho pastoral com a juventude sem a contribuição da PJ. É uma tarefa difícil de ser feita? Infelizmente não é. E explico o motivo.

Há muitas paróquias e dioceses onde a PJ não entra ou não se organiza. Há muitos jovens engajados nas comunidades que sequer sabem a que ela se propõe, que desconhecem sua história e que ignoram as opções da Igreja nestes últimos cinquenta anos. Nestes lugares a PJ não existe.

E como funciona o trabalho com a juventude onde não existe PJ? A tendência maior é pensarmos que as opções pastorais apontariam para o oposto daquilo que a PJ vive e prega:

Teríamos grupos de jovens com muitos participantes. Alguns deles teriam uma alta rotatividade de membros. A PJ valoriza pequenos grupos. Não teríamos trabalho articulado entre grupos, paróquias e dioceses. A PJ se dá na articulação entre os grupos. Seriam supervalorizadas as atividades de massa. Elas seriam o mote do trabalho. A PJ crê na importância destas atividades, mas dentro de um processo, não como fim em si mesmas.

O trabalho dentro da Igreja seria o ponto forte. A proposta maior seria trazer os jovens do mundo para a Igreja. A PJ acredita na importância da vivência comunitária, mas não como via exclusiva. Ela crê que é importante levar a proposta e experiência vivida na Igreja para fora dos muros eclesiais.

Uma psicoafetividade reprimida. Pouca discussão sobre a vida política e social. A PJ crê na formação integral. Nenhum aspecto deve se sobrepor a outro. Somos seres humanos inteiros e não “departamentalizados”.

Parece um cenário bem ruim, não? Existiria esperança pastoral num mundo sem PJ? Claro que sim! Quem pode prender a esperança? Há quem não conheça o trabalho pejoteiro, mas que teria uma profunda identificação com ele se chegasse a conhecê-lo. Para estas pessoas, falta o contato, a aproximação, a apresentação da proposta. Elas são pejoteiras, mas não sabem ainda.

Onde não existe a PJ é preciso cria-la, inventá-la. Ela é útil e necessária. Importante e significativa, não nos enganemos quanto a isso. Aproveitemos a oportunidade que o ano de 2013 nos apresenta. A Juventude será o grande ponto de pauta nas discussões eclesiais. É preciso que nos organizemos para isso!

Fonte: pejotando.blogspot.com.br

sábado, 7 de abril de 2012

Festa da vida, partilha, alegria e comunhão...

Desde o princípio o nosso Deus “é do lado dos pobres” ele toma partido em defesa do seu povo oprimido porque criou todos e todas para terem a plenitude da vida. E quando esta não é uma realidade ele age na história. Desta forma, diante da escravidão do povo no Egito, o próprio Deus se manifesta: “Eu vi a opressão do meu povo... Ouvi o seu clamor... e desci para libertá-los... e para fazê-los subir para uma terra fértil e espaçosa” (Ex. 3, 7-8).

Todos os anos o povo fazia memória deste acontecimento tão importante em suas vidas, com uma grande festa: a Celebração da Páscoa, que se refere à passagem. Recordavam, pois a passagem desta situação de escravidão e morte para a libertação e conquista da terra prometida, que é a vida nova do povo de Deus que resgata a sua dignidade, celebra a partilha e vive em comunhão.

Em Jesus a Páscoa se renova e por meio da sua paixão, morte e Ressurreição celebramos o seu mistério pascal e em vez de sacrifícios de cordeiros que antes eram oferecidos a Deus na festa da Páscoa, agora o próprio Jesus se oferece em sacrifício. Ele foi identificado como “Cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo. 1,29).

E quando celebrou com os seus discípulos a festa da Páscoa, Jesus indicou o sentido da sua morte. Ele se entregou em favor de todos, ofereceu sua vida pela libertação dos filhos de Deus: “Isto é meu corpo, que é dado por vocês... Este cálice é a nova aliança do meu sangue” (Lc. 22,19). Jesus tornou-se assim a nossa Páscoa e pediu para que nós nunca nos esqueçamos deste acontecimento e sempre o celebremos: “Façam isto em memória de mim” (Lc. 22,19).

Celebrar a Páscoa é celebrar o mistério pascal de Cristo, fazer memória atualizando-o com as angústias, lutas e sofrimentos do povo; também com os sinais de ressurreição, as conquistas, sonhos e esperança de ver chegar “a terra prometida”, um mundo melhor para todos.

Celebrar a Páscoa de Jesus, comungar a cada domingo é se comprometer com os sofrem, pois:“É Jesus este pão de igualdade. Viemos pra comungar, com a luta sofrida de um povo, que quer ter voz, ter vez, lugar. Comungar é tornar-se um perigo. Viemos pra incomodar. Com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar.”É preciso se comprometer porque a dignidade humana não pode continuar sendo violada. A justiça social precisa acontecer urgentemente, pois muitos de nossos irmãos e irmãs estão ainda no sepulcro da morte: pela fome avassaladora, violência e opressão;estão pregados na cruz da miséria, do abandono e da exclusão. Precisamos ver esta realidade, ouvir estes clamores e descer, ou seja, agir para que a Páscoa aconteça no nosso dia-a-dia e na vida destes nossos irmãos e irmãs!

Somente assim, “ninguém mais terá fome, ninguém mais terá sede” (Is. 49,10). É este o banquete do Reino, o sonho de Deus para todos os seus filhos e filhas. Uma Páscoa e vida plena onde todos são iguais, irmãos, onde a justiça acontece e o amor é a lei maior. A festa da vida, partilha, alegria e comunhão. Páscoa, vida nova, libertação:“Um novo céu e uma nova terra” aqui entre nós!

Por Elaine Cristiana de Lima

(Pedagoga, membro da Equipe de Coordenação da PJ da Arquidiocese de São Paulo e membro do GT –Mística e Construção da PJ Regional Sul 1)

Fonte: www.pjsul1.org

terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma Semana diferente

Começa neste domingo, a grande semana, uma semana diferente, a Semana Santa. Grande pelo significado dela para nós, cristãos. Nela se celebra a concretização do plano de salvação para a humanidade que Deus anunciou logo após a queda de nossos primeiros pais.

É UMA SEMANA santa, porque são santos os mistérios que se celebram, é o santo dos santos que morre por nós na cruz e ressuscita ao terceiro dia. E é santa porque na celebração desses mistérios todos nós experimentamos Jesus Cristo e sua salvação em nossa vida.

NA SEMANA Santa, acolhemos com flores, ramos e vivas, o Cristo que entra em Jerusalém. Nela sentamo-nos à mesa com o Cristo para receber dele o mandamento do amor, marca registrada de seus discípulos, e o dom da Eucaristia, em que Jesus se faz pão, o verdadeiro maná que descido do céu dá vida ao mundo. Na Semana Santa acompanhamos, passo a passo, a paixão de Jesus, subimos o calvário e o contemplamos pregado e morto na cruz. Enfim, nós paramos, maravilhados, diante do túmulo aberto do Cristo e constatamos a verdade maior que dá sentido à nossa fé: Ele ressuscitou!

A CELEBRAÇÃO da morte e ressurreição de Jesus não se reduz à simples memória de acontecimentos que ficaram no passado. Ao contrário, é memória que traz para o tempo presente o que aconteceu no passado. Realidade misteriosa, que só se pode perceber pela fé.

CELEBREMOS com fé todos os mistérios decisivos de nossa salvação. Façamos das reflexões, das preces e dos atos de piedade que a Igreja nos propõe, meios para que experimentemos o Cristo Pascal em nossa vida para que tenhamos vida. É Deus solidário que vence a morte e, ressuscitando, se apresenta a nós oferecendo-nos a paz.

TUDO ISTO vamos celebrar solenemente, mais uma vez na Semana Santa, que se aproxima. É a Páscoa de Jesus e a nossa páscoa. Páscoa é passagem. Passagem da morte para a vida imortal e gloriosa, no Reino do Pai.

VAMOS, portanto, nos preparar em espírito e de coração para estes dias solenes e santos, em que queremos participar profundamente da Morte e Ressurreição de Jesus. Será um encontro forte, pessoal e comunitário com Jesus Cristo. Desse encontro podemos sair transformados.


domingo, 1 de abril de 2012

Papa convida jovens à verdadeira alegria


Nesta terça-feira (27), o Vaticano publicou a mensagem do papa Bento XVI para a 27ª Jornada Mundial da Juventude, celebrada em dioceses de todo o mundo no Domingo de Ramos. O tema da JMJ 2012, "Alegrai-vos sempre no Senhor!", é tirado da carta de São Paulo aos Filipenses.

“De fato a alegria é um elemento central da experiência cristã. Também experimentamos em cada Jornada Mundial da Juventude uma alegria intensa, a alegria da comunhão, a alegria de sermos cristãos, a alegria da fé. Esta é uma das características desses encontros”, diz Bento XVI.

“Dou graças a Deus pelos muitos frutos que a Jornada suscitou e que no futuro seguirão multiplicando-se entre os jovens e as comunidades às quais pertencem. Agora nós estamos nos dirigindo para o próximo encontro no Rio de Janeiro no ano de 2013, que terá como tema ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’ (cf. Mt 28,19)", diz a mensagem do papa.

Bento XVI aponta um caminho para encontrar e vivenciar a alegria, com origem em Deus. O texto da mensagem está dividido em sete pontos: Nosso coração foi feito para a alegria; Deus é a fonte da verdadeira alegria; Conservar no coração a alegria cristã; A alegria do amor; A alegria da conversão; A alegria nas provas; Testemunhas da alegria.

Na última parte da mensagem o papa Bento XVI convida os jovens a serem missionários da alegria. Não se pode ser feliz se os demais não são felizes. Por isso é necessário compartilhar a alegria. “Vão contar aos demais jovens a sua alegria de ter encontrado aquele tesouro precioso que é Jesus. Não podemos conservar para nós a alegria da fé; para que esta possa permanecer em nós, temos que transmiti-la”, disse.

Fonte: cnbb.org.br