quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O projeto do “bem viver e a situação dos brasileiros” é tema de seminário na 5ª Semana Social Brasileira


SSBO Seminário Regional da 5ª Semana Social Brasileira, será realizado entre os dias 3 e 5 de maio, em nossa Arquidiocese, Vamos ver abaixo como serão as atividades do Seminário a nível nacional.

O seminário que ocorrerá em Brasília (DF) de 20 a 23 de maio de 2013, é parte do processo de realização da 5ª Semana Social Brasileira (SSB) que acontece em todos os regionais da CNBB em articulação com diversos movimentos sociais, pastorais, organismos, associações, paróquias e comunidades do Brasil. O seminário reunirá representares dos grupos que constroem a 5ª SSB com o objetivo de discutir o “Estado e o Bem Viver”, tendo como tema o projeto do “bem viver e a situação dos brasileiros”.

A 5ª SSB é um processo nacional que está em curso desde 2011 em todo o Brasil e promove a participação ampla de pessoas e entidades, a abertura ao ecumenismo e diálogo inter-religioso, o pluralismo de ideias e valores, o exercício do debate democrático em todas as instâncias e o ensaio coletivo de iniciativas transformadoras. O momento de encerramento dos trabalhos será entre os dias 2 a 5 de setembro de 2013.

Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O caminho aponta para Betânia


“Seis dias antes da páscoa, Jesus foi para Betânia.
Na casa, Maria levou perfume de nardo puro e ungiu com ele os pés de Jesus”.
[João 12, 1.3]

     Somos Igreja Jovem. Somos Pastorais da Juventude. Somos o Povo de Deus. Somos seguidores/as de Jesus. E como Povo Deus estamos a caminho. Estamos a caminho seguindo Jesus. Estamos a caminho, assumindo a vida da juventude na perspectiva do discipulado e da missão. Estamos a caminho no compromisso com a vida da juventude.     Estamos a caminho, no desejo de revitalizar a fortalecer a ação eclesial/pastoral com os/as jovens.
     Desde o nosso chão, nossa Pátria Grande - América Latina, seguimos na fidelidade ao projeto de Jesus e aos/às jovens. Essa caminhada rumo ao Horizonte já percorreu um longo caminho através de muitos anos nos quais a Pastoral da Juventude serviu e serve aos/às jovens. Essa caminhada tem marcas profundas em nossa Latino-América e na vida da juventude. Esse caminho em busca de construir no hoje e no agora a Civilização do Amor nos últimos anos nos levou a optar a ir com Jesus e com os/as jovens para Jerusalém. Com Ele seguimos decididamente para Jerusalém.
     O caminho para Jerusalém, na fidelidade a vontade do Pai, é um longo caminho. Caminho de discipulado e missão. Caminho de serviço, escuta e discernimento. Caminho de compromisso e causa. Caminho de aprendizado e doação. Por isso, mesmo, com os/as jovens e com Jesus, partimos de Emáus, passamos por Belém, residimos em Nazaré e agora chegamos em Betânia.
     Betânia, casa dos pobres. Casa de amigos/as. Casa de escuta. Casa de silêncio, choro, dor. Casa de partilha. Casa de cuidado. Casa de humanidade. Casa de ressurreição. Casa de dar a vida, de resgatar a vida. Casa de ir ao encontro. Casa de amor e doação. Casa de unção e envio. Casa de cultivo e de alimento pra missão. Casa de festejar a vida. Casa de comer e beber. Casa de desafio. Casa que exala perfume. Casa de coragem e profecia. Casa que nos inquieta e desafia. Casa de encarar o mau cheiro e a podridão, no compromisso com a vida. Casa...
     Betânia é casa que nos acolhe e recebe. É casa que nos envia. É casa que queremos habitar com Jesus e com os/as jovens neste caminho de compromisso com o Reino, rumo a Jerusalém. Casa onde nos encontraremos com o Senhor e com os/as jovens neste ano de 2013. Casa que nos envia e fortalece no amor e no serviço à juventude.
Casa que nos acolhe neste tempo. Casa que nos fortalece e nos provoca a fortalecer a opção preferencial pelos jovens, pelos pobres. Casa que nos motiva e inspira neste ano de Campanha da Fraternidade sobre juventude. Casa que nos provoca e nos alimenta neste ano de Jornada Mundial da Juventude. Casa que nos fortalece e nos envia no amor e no serviço aos/às jovens de nosso Continente.
     Queremos refletir, pensar e rezar sobre essa Casa, essas Casas... Sobre Betânia. E já no inicio deste caminho somos provocados pela realidade que nos interpela. A CAJU, Casa da Juventude Pe. Burnier, instituto de formação, pesquisa e assessoria em juventude, que durante 29 anos prestou um grande serviço à juventude e à Pastoral da Juventude, fechou. Dos 28 cursos e serviços prestados, funcionarão neste ano apenas 5. É uma Betânia que se fecha pra muitos jovens. É uma Betânia que marcou nossas vidas e a vida de milhares de jovens e assessores/as que por lá passaram ou tiveram contato através de muitos materiais, subsídios, formações, serviços e assessorias. Estamos unidos/as a todos/as que fizeram a história dessa Casa, dessa Betânia. E com eles/as seguimos firmes no compromisso com a vida da juventude.
     O ano igualmente começou com uma triste fatalidade. Mais de 230 jovens foram mortos e outras centenas ficaram feridos/as em um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria/RS. Muitas vidas ceifadas. Muitos sonhos, projetos de vida, desejos e vidas interrompidas abruptamente. A Pastoral da Juventude escreveu uma nota, que fazemos nossa. Diz a PJ e nós com ela: “Diante da morte não podemos nos calar. Não podemos aceitar que a morte tenha a última palavra. Aprendemos a ter esta postura por meio do seguimento a Jesus Cristo, o Jovem de Nazaré. Que a memória desses jovens falecidos/as e feridos/as nos comprometa sempre mais com a vida da juventude, em especial com os/as que mais sofrem e estão à margem da sociedade. Gastemos nossas vidas no cuidado,
no serviço e no amor incondicional à juventude. Na Páscoa de Cristo temos a certeza que a morte não tem a última palavra, por isso, apesar da dor e da tristeza, sigamos, juntos/as, no compromisso com a vida da juventude.” Que este ano de Betânia que começa com essa triste fatalidade nos comprometa sempre mais com a vida da juventude. Que possamos, “apesar da dor e da tristeza, seguirmos juntos/as, no compromisso com a vida da juventude.” Estamos unidos/as e solidários com os/as feridos/as e com as famílias das vítimas. Desejamos sempre mais gastar a vida pela vida da juventude.
     Casa que quer nos acolher. Casa que acolhe Jesus, seus amigos/as. Casa que acolhe os/as jovens de nossa Pátria Grande. Casa onde somos convidados a partilhar e conhecer neste ano. Vamos juntos/as viver Betânia, com os/as jovens e com Jesus, na causa do Reino?
Desde Betânia, sintamos o perfume que brota do encontro com o Mestre e com a Juventude. E exalemos esse perfume de vida e esperança por todos os cantos....

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ na Diocese de Erexim
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e noviço admitido à Companhia de Jesus

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CF 2013: Fraternidade e Juventude


Cartaz da Campanha da Fraternidade 2013
Criada, a partir dos ideais de renovação propostos no Concílio Vaticano II, neste ano, a Campanha da Fraternidade (C.F.) completa 50 anos! Para celebrar o seu “Jubileu de Ouro”, o lançamento nacional acontecerá no dia 13 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, no mesmo local de sua fundação: a Arquidiocese de Natal – RN. E, em seguida, em todas as dioceses do Brasil.

A Campanha da Fraternidade, coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é realizada anualmente pela Igreja Católica, no período da Quaresma. A cada ano é escolhido um tema, que define sob qual perspectiva a solidariedade será despertada, em relação a questões que envolvem a necessidade de “conversão” da sociedade. É, portanto, um “elo” entre Igreja, fiéis e sociedade, evangelizando de forma ampla, e despertando iniciativas sociais que respondam diretamente às reflexões e aos estudos realizados através do Texto-base.
Ao longo dos anos, muitas foram as conquistas realizadas a partir das reflexões da Campanha da Fraternidade. Podemos elencar a aprovação do Estatuto do Idoso, a consciência em relação aos direitos das pessoas portadoras de deficiências, o Estatuto do Índio, a Campanha de Desarmamento, a consciência da relação entre “Fé e Política” e também diversas propostas de políticas públicas referentes à Mulher, aos encarcerados e em questões como ecologia, saúde, trabalho, educação, moradia e o valor inviolável da Vida.
E, agora, mais uma vez, em 2013, vivemos um tempo da “Graça do Senhor”: com a realização da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, com a presença do Papa Bento XVI e da Semana Missionária, no mês de julho, que contará com a presença de milhões de jovens de todo o mundo, teremos, pela segunda vez, uma Campanha da Fraternidade trazendo o tema: “Fraternidade e Juventude”, agora com o lema: “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8).
A Igreja do Brasil, a partir do exemplo de Isaías, ousa olhar os jovens do Brasil com esperança: aposta no potencial positivo e transformador de uma juventude comprometida com o Evangelho e engajada na Igreja, na vida acadêmica, profissional e nas esferas de participação da sociedade. Trata-se de uma posição divergente daquela visão retratada diariamente pelos Meios de Comunicação Social, que apresentam os jovens como “problema social”.
Mas, a questão do tema “juventude” não se restringe apenas ao aspecto cronológico da vida! É muito mais abrangente: “Jovem” é aquele(a) que sente o vigor de Deus, que revitaliza as pessoas, os ideais e estruturas sociais. Assumir a Campanha da Fraternidade significa abrir-se a acolher novas pessoas, ideias, projetos e maneiras alternativas para realizar o trabalho de evangelização. É “jovem” a pessoa que se deixou tomar pelo amor próprio de Deus, pela força e seu vigor de amar, princípio da “conversão” desejada na Quaresma.
Por fim, a Campanha da Fraternidade deste ano deseja refletir as questões dos jovens em três níveis: 1) Propiciar às comunidades eclesiais a reflexão da necessidade de acolher melhor os jovens, aceitando-os como são e criando canais próprios para sua participação; 2) Revigorar os organismos pastorais para um melhor acompanhamento e formação dos jovens já existentes em nossas comunidades, para que levem o seu testemunho cristão ao mundo e, 3) Refletir e propor soluções para a Vida dos jovens, especialmente, daqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade social.
“Há que se cuidar do broto para que a vida nos dê flor e fruto”.
Fonte: Jovens Conectados

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Nota da PJ em solidariedade a tragédia ocorrida no RS



Nota da Pastoral da Juventude em solidariedade
a tragédia ocorrida em Santa Maria/RS.

Sigamos no compromisso com a vida da juventude!

"Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!
Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela
ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
para uma viva esperança."
(1Pd 1,3)
 
A Pastoral da Juventude recebe com profunda tristeza e dor a notícia da tragédia que aconteceu nesta madrugada do dia 27 de janeiro em Santa Maria/RS. Tragédia que ceifou a vida de mais de 233 jovens e deixou outros/as tantos/as feridos/as. Projetos de vida e sonhos foram interrompidos abruptamente pela fatalidade e pela falta de cuidado.
            Nossa solidariedade a todos os familiares, amigos/as e conhecidos/as dos/das jovens vítimas dessa terrível tragédia. Choramos juntos/as por tantas vidas interrompidas. Entre as vítimas se encontravam a jovem Maria Mariana Ferreira, do Grupo de Jovens ASPA - Amigos Semeando Paz e Amor, da Paróquia Nossa Senhora de Aparecida – Santa Maria. Unimo-nos à Arquidiocese de Santa Maria, à PJ dessa arquidiocese e à PJ do Rio Grande do Sul para juntos/as nos mobilizarmos no socorro e cuidado com os/as feridos/as e com as famílias dos/as falecidos/as.
            Igualmente manifestamos nossa solidariedade e apoio a todos/as, que doando suas vidas, estão contribuindo no cuidado, no atendimento e no socorro aos/às feridos/as e às famílias dos/as falecidos/as.
            Convocamos toda a sociedade brasileira a ser cuidadora da vida da juventude, promovendo ações pela vida, efetivando políticas públicas de juventude e garantindo os direitos dos/as jovens em nosso país.
Diante da morte não podemos nos calar. Não podemos aceitar que a morte tenha a última palavra. Aprendemos a ter esta postura por meio do seguimento a Jesus Cristo, o Jovem de Nazaré. Que a memória desses jovens falecidos/as e feridos/as nos comprometa sempre mais com a vida da juventude, em especial com os/as que mais sofrem e estão à margem da sociedade. Gastemos nossas vidas no cuidado, no serviço e no amor incondicional à juventude.
Na Páscoa de Cristo temos a certeza que a morte não tem a última palavra, por isso, apesar da dor e da tristeza, sigamos, juntos/as, no compromisso com a vida da juventude.  A Juventude Quer Viver!

Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as
da Pastoral da Juventude

Fonte: PJ Nacional (pj.org.br)

domingo, 27 de janeiro de 2013

CNBB e arcebispo de Santa Maria (RS) manifestam solidariedade com as famílias das vítimas de incêndio


domhelioO cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB, se une ao arcebispo de Santa Maria (RS), dom Hélio Adelar Rupert, que manifestou nesta manhã solidariedade às famílias das vítimas de um incêndio em uma casa noturna da cidade.

“Como Igreja de Santa Maria lastimamos este acidente e manifestamos a nossa solidariedade às famílias e a toda a sociedade. Não se perca a esperança: olhemos para Jesus Cristo, fonte da vida, o nosso Salvador. Oramos pelos falecidos e seus familiares e toda a sociedade que sofre esta tragédia”, afirmou dom Hélio.

O incêndio ocorreu durante a madrugada deste domingo, 27 de janeiro. Até o início da tarde de hoje, foi confirmada a morte de pelo menos 232 pessoas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. O número total de vítimas ainda é incerto. Há centenas de feridos sendo atendidos em hospitais da cidade, e uma campanha pede doações de sangue. Entre as vítimas estão muitos estudantes da Universidade Federal de Santa Maria.
Fonte: cnbb.org.br

sábado, 26 de janeiro de 2013

Calendário da PJ Regional NE3


Confira as atividades da PJ em nosso regional Bahia e Sergipe:

Fonte: Teias da Comunicação - Regional NE 3

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Calendário da PJ Nacional - 2013



Fevereiro
14 a 17 – Encontro Nacional de Coordenadores das Expressões da Pastoral Juvenil da CNBB – Natal/RN

Março
7 a 10 – Reunião da Coord. Nacional e Comissão de Assessores da Pastoral da Juventude – São Leopoldo/RS

Abril
14 a 21 – Semana da Cidadania

Maio
3 a 5 – Seminário ‘‘Campanha Nacional Contra Violência e o Extermínio de Jovens’’ – local a definir
20 a 23 – Seminário Nac. da 5ª Semana Social Brasileira

Julho
16 a 20 – Semana Missionária – em todo o Brasil
23 a 28 – Jornada Mundial da Juventude 2013 - Rio de Janeiro/RJ
  
Agosto
5 a 12 – Semana do/a Estudante
15 a 18 – Reunião da Coord. Nacional e Comissão de Assessores da Pastoral da Juventude – Belo Horizonte/MG

Setembro
2 a 5 – 5ª Semana Social Brasileira (Nacional)
7 – Grito dos/as Excluídos/as
25 a 29 – Assembleia da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB – Brasília/DF

Outubro
27 – Dia Nacional da Juventude (DNJ)
31 – Reunião da Coord. Nacional e Comissão de Assessores da Pastoral da Juventude – Belo Horizonte/MG

Novembro
1 a 3 – Reunião da Coord. Nacional da Pastoral da Juventude – Belo Horizonte/MG
15 a 17 – Encontro Nacional de Fé e Política – Brasília/DF

Janeiro 2014
7 a 11 - 13º Intereclesial das CEBs - Crato/CE
20 a 26 - Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude - Belo Horizonte/MG

Fonte: pj.org.br

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PJ de Mariana lança material para dinamização da CF2013


 

Em 2013, a Igreja no Brasil volta seu olhar para a juventude. Momentos como a Campanha da Fraternidade e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ajudarão a refletir sobre os anseios e desafios que os jovens enfrentam. Além disso, a 20ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral nos interpela a termos "atenção pastoral especial à juventude".

Diante disso, a Equipe Central da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Mariana elaborou um material de apoio a fim de que as comunidades possam dinamizar os trabalhos da Campanha da Fraternidade.


 
Fonte: Agência de Noticias - PJ Arquidiocese de Mariana

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A razão espiritual do cristianismo de libertação


Recentemente assisti uma entrevista de um padre famoso por suas liturgias-show em um canal de TV aberto. Ele disse que respeitava a Teologia da Libertação, mas que ela levava somente assistência social aos pobres, mas não a fé; e que ele levava a fé e também a assistência social.
Eu não quero discutir aqui se a opinião dele sobre a TL está correta ou não, mas temos que reconhecer que essa é uma imagem muito divulgada sobre a TL. Isto é, difundiu-se na sociedade, e também em muitos setores das igrejas cristãs, que a TL se preocuparia somente ou prioritariamente com as questões sociais e políticas (o que é mais do que mera assistência aos pobres dito por aquele padre) e, com isso, deixaria sem segundo plano a religião, fé e espiritualidade.
Quem conhece melhor a TL sabe que isso não é correto, mas algo deve ter passado para que essa "falsa imagem” tenha se espalhado. Não pode ser somente culpa ou responsabilidade de algum tipo de "difamação” ou incompreensão por parte dos que se opõe a TL. Talvez não tenhamos sido suficientemente claro em explicitar os fundamentos bíblicos, a experiência viva da fé e a espiritualidade que nos move nas lutas e debates sociais e políticos. Em me lembro de uma aula que tive com Hugo Assmann, no mestrado em teologia, em 1988, quando ele nos dizia muito seriamente: se a TL perder a bandeira da espiritualidade para setores carismáticos conservadores será o início do seu fim.
Não sei se já perdemos essa bandeira e luta, mas penso que é fundamental sempre nos relembrarmos e reforçarmos uma das convicções fundamentais dos primeiros teólogos da libertação: a TL é uma teologia espiritual! Não porque discute a espiritualidade na Bíblia ou retoma o estudo dos grandes mestres espirituais – coisas que também faz –, mas porque assume como o seu momento "zero” uma experiência espiritual. É bastante divulgada a tese de que a TL é o momento segundo, sendo o momento primeiro as lutas pela libertação. (Por isso, a TL não é uma simples releitura dos tratados teológicos a partir da opção pelos pobres, ou como diversos propõe hoje a partir do pluralismo religioso, mas uma reflexão teológica a partir e sobre as lutas de libertação.) Mas, poucos se lembram que, na tradição do cristianismo de libertação, o que nos motiva para essa luta é a indignação ética frente a realidade da injustiça social, do sofrimento dos pobres. E que essa indignação é mais do que meramente uma questão ética. Como a primeira geração da TL afirmou: é uma experiência espiritual de ver na face do pobre a face de Jesus.
Talvez esse ponto fundamental, que está no fundamento, deva ser mais aprofundado e difundido pelo cristianismo de libertação. Quando se diz que no encontro solidário com os pobres e outras vítimas das injustiças e preconceitos encontramos com Jesus ressuscitado, é claro que isso não deve ser entendido no sentido literal, como se pudéssemos ver Jesus com os olhos que " a terra irá comer”. É uma linguagem espiritual-teológica. Entendemos melhor o seu sentido quando nos perguntamos de onde vem essa força que nos empurra a lutar por pessoas que não podem nos pagar ou retribuir – lutar de "graça” – e quando nos perguntamos também porque, apesar de tanta dificuldade e incompreensões, essa luta deixa nossa vida com mais "graça” de ser vivida, razão pela qual nos mantemos fieis a luta.
É da sabedoria espiritual cristã ser capaz de "ver” esses "mistérios da fé” – a experiência da "graça” de Deus no cotidiano – que estão por detrás, para além da mera aparência, de "assistência social” ou de "luta política”. Uma sabedoria que é capaz de perceber e compreender o Espírito de Jesus Crucificado e Ressuscitado nas nossas vidas. É isso que quer dizer "encontrar Jesus no encontro solidário com os pobres e vítimas”.
Pessoas e grupos que vivem movidas por essas experiências espirituais se congregam em comunidades para celebrar sua fé e sua caminhada espiritual. É uma celebração "energizada” por algo mais profundo do que performances de rituais humanos, uma celebração movida por esse Espírito de Amor solidário, que nos faz compreender o que diz a primeira carta de são João: "Ninguém jamais contemplou a Deus. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu Amor em nós é realizado” (1Jo, 4, 12).
Talvez o que precisamos é melhorar nossa comunicação com a igreja e a sociedade para mostrar mais claramente que o que move o cristianismo de libertação não é ideologia política ou problemas sociais, mas é a fé em Jesus e o Espírito Santo, que nos movem ao encontro das pessoas que sofrem e juntos lutar pela Vida. E isso porque, além de ser teologicamente correto, a força social do cristianismo está na sua espiritualidade.

Autor: Jung Mo Sung
Fonte: Adital

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Religião e Diversidade



Apesar de que todas as religiões pregam amor, compaixão e misericórdia, infelizmente, quando as religiões se tornam dogmáticas e autoritárias, todas têm sido instrumentos de fanatismo e de intolerância. Mesmo caminhos espirituais baseados na compaixão universal e na não violência absoluta como é o Budismo tem servido em alguns momentos e lugares como pretextos para intolerâncias e perseguições a dissidentes e pessoas consideradas infiéis. E durante a história, a religião que mais caiu nessa tentação da violência e da intolerância contra "os outros” e os diferentes, foi o Cristianismo. Isso em absoluta contradição com o evangelho e o espírito de Jesus de Nazaré.
No Brasil, apesar da Constituição Brasileira defender a liberdade de culto para todas as tradições religiosas, ainda existem programas de rádio e televisão nos quais se pregam a intolerância e se combatem algumas tradições religiosas, como por exemplo, as de matriz afrodescendente. Assim, em janeiro do ano de 2000, no Rio de Janeiro, Mãe Gilda, Yalorixá do Candomblé, viu duas vezes o seu templo ser invadido por pessoas de uma Igreja neopentecostal que entraram no templo e destruíram os assentamentos dos Orixás. E no dia 21 de janeiro, Mãe Gilda viu estampada em um jornal uma foto sua com a legenda: "Macumbeiros ameaçam a vida e o bolso dos clientes”. Ao ver aquilo, aquela senhora idosa teve um infarto e faleceu. Para que não se repitam mais fatos como esse, em 2007, o presidente Lula assinou uma portaria através da qual, cada ano, 21 de janeiro é considerado o "Dia Nacional contra a Intolerância Religiosa”.
Para acabar com a intolerância cultural e religiosa, não basta uma lei ou decreto. É preciso transformar interiormente o processo da fé. Muitas confissões religiosas ainda confundem a verdade com uma forma cultural de expressar a verdade. Por isso absolutizam dogmas e tendem a se fechar em um autoritarismo fundamentalista. Daí, facilmente, se justificam conflitos e até guerras em nome de Deus. Em 1965, em um dos seus mais belos documentos, (a declaração Nostra Aetate), o Concílio Vaticano II proclamava o valor das outras religiões e incentivava os católicos do mundo inteiro ao respeito ao diferente e ao diálogo. Também, em 1961, o Conselho Mundial de Igrejas, que reúne mais de 340 Igrejas evangélicas e ortodoxas, pediu às Igrejas cristãs uma atitude de respeito e diálogo com todas as culturas e colaboração com outras tradições religiosas.
Atualmente, no mundo, a diversidade cultural e religiosa é, não somente um fato que, queiramos ou não, se impõe à humanidade. Devemos reconhecê-la como graça divina e bênção para as tradições religiosas. Assim, elas podem se complementar e se enriquecer mutuamente. Nenhuma tem o monopólio da verdade. Todas estão em caminho, como peregrinas da verdade que a maioria das tradições chama de Deus. Com nenhuma religião, Deus assinou contrato de exclusividade. E ao contrário, nas diversas tradições, de um modo ou de outro, revelou que se deixa encontrar no diálogo e na abertura ao diferente.
Para que este diálogo seja verdadeiro e profundo, cada grupo religioso tem de reconhecer o que Deus nos revela, não somente a partir da sua própria tradição, mas do caminho religioso do outro. Não para que o cristão se torne budista ou o budista se torne cristão, mas para que cada um, em sua tradição, seja enriquecido espiritualmente com a iluminação que o outro recebe.
Para esta abertura pluralista e para o diálogo daí decorrente vale o que, no século IV, dizia Santo Agostinho: "Apontem-me alguém que ame e ele sente o que estou dizendo. Deem-me alguém que deseje, que caminhe neste deserto, alguém que tenha sede e suspira pela fonte da vida. Mostre-me esta pessoa e ela saberá o que quero dizer”(1).
Nota:
(1) AGOSTINHO, Tratado sobre o Evangelho de João 26, 4. Cit. por Connaissance des Pères de l’Église32- dez. 1988, capa.

Autor: Marcelo Barros
Fonte: Adital

domingo, 20 de janeiro de 2013

Dia de Combate à Intolerância Religiosa


Pela reafirmação de um Estado Laico e pela garantia do direito à diversidade e respeito à liberdade de consciência, culto e crença, a Rede Ecumênica da Juventude (REJU) – como uma das atividades da Campanha Nacional Contra a Intolerância Religiosa – lança uma mobilização simbólica: “Eu visto branco pelo fim da intolerância religiosa”.
Quando? 21 de janeiro de 2013, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Estaremos unid@s em diversos cantos do país, tod@s vestid@s de branco (camiseta, blusa ou calça...) com os desejos mais sinceros de um outro mundo possível e irmanado! Ao vestirmos branco, estamos nos envolvendo em um símbolo comum de paz, justiça e liberdade.
Entre nesta mobilização! Vista branco e se some à luta pela reafirmação do Estado Laico, contra qualquer forma de intolerância religiosa! Se desejar, também participe conosco: das atividades em Favor da Liberdade Religiosa, que estamos organizando, juntamente com outros movimentos: a) caminhadas no dia 21, no Rio de Janeiro (RJ) e em Salvador (BA); b) seminários em Belém (20) e em São Paulo (21).
Para saber informações dos casos de intolerância religiosa, acesse o Dossiê Intolerância Religiosa, organizado por KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço
(http://intoleranciareligiosadossie.blogspot.com.br/).
Para aprofundar esta temática a partir de uma hermenêutica juvenil, acesse o site da REJU, há textos para diálogos em grupo, estudos bíblicos e vídeos (http://www.reju.org.br/).

Pela paz no mundo, pela paz entre as religiões, a REJU veste branco!
 
 
 
Fonte: REJU - Rede Ecumênica da Juventude

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tráfico de pessoas: jovens vítimas escravizadas fora do país


Cartaz da OIT sobre o tráfico de pessoas
O que restou para a família de Simone foi uma foto, a sensação de impotência e impunidade, além do vazio eterno ocasionado pela saudade. A jovem de 23 anos deixou o Brasil em busca de melhores condições de vida na Espanha. Aliciada por uma quadrilha que trafica mulheres para fins sexuais, Simone morreu misteriosamente no país desconhecido, apenas três meses após sua chegada. Até hoje, os pais buscam explicações para o fato e dizem que nunca mais foram os mesmos desde o falecimento precoce da filha.
Simone faz parte da obscura estatística, que não possui números precisos para medir a quantidade de seres humanos vendidos e explorados como animais fora do país. Os ativistas na luta contra essa realidade, como o bispo de Marajó (PA), Dom José Luiz Azcona Hermoso, afirmam que isso acontece porque as quadrilhas de traficantes são grupos tolerados pela sociedade por seu alto poder econômico e a capacidade de eliminar aqueles que as denunciam.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, o tráfico de pessoas para exploração sexual é a terceira maior fonte de renda ilegal no mundo, movimentando em torno de 32 bilhões de dólares por ano. Estima-se que, por ano, quase um milhão de pessoas são traficadas, das quais 98% são mulheres. O Brasil lidera o vergonhoso ranking dos maiores exportadores de mulheres, com 85 mil vítimas.
O estado de Goiás figura como um dos campeões nacionais no tráfico de pessoas, sobretudo mulheres. Para o membro do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), o juiz Rinaldo Aparecido Barros, muitos aspectos contribuem para a liderança do estado, entre eles, a beleza da mulher goiana, que é a mão de obra predileta e prioritária para os traficantes, os quais fazem falsas promessas de emprego como babás e modelos e até mesmo apresentam a prostituição como uma oportunidade mágica de enriquecimento.
O juiz afirma que o tráfico de mulheres costuma ser mais vantajoso para um criminoso que o tráfico de drogas, uma vez que a mulher explorada não é descartável e pode ser reutilizada por meio de diversas vendas, sendo esse ciclo encerrado apenas com a morte ou o enlouquecimento da vítima.
Mulheres de vida nada fácil
Entre promessas de despesas pagas, emprego garantido e muitos sonhos de uma vida melhor, as vítimas do tráfico internacional de pessoas, têm como destinos mais frequentes Espanha, Suíça e Portugal.
Ao chegar no país de destino, a realidade é totalmente diferente daquela prometida pelos aliciadores. As mulheres se endividam com o traficante, que lhes cobra o valor da passagem e da hospedagem, e exigem uma porcentagem dos muitos programas que são obrigadas a realizar. Eles também cerceam sua liberdade, retendo o passaporte e não permitindo que elas transitem livremente pela rua nem falem ao telefone sem monitoramento.
Nas senzalas do século XXI, as escravas sexuais são algemadas às crescentes e impagáveis dívidas impostas pelos “barões do tráfico”, que tornam a alforria um ato praticamente impossível.
A situação se torna ainda pior com as inúmeras pequenas regras que regem o serviço e que geram multas se forem infringidas. Os mais variados motivos geram penas financeiras absurdas, como uso de tênis. Nos prostíbulos onde são essas mulheres escravizadas, não se pode descer dos quartos de sandália, nem deitar no balcão ou passar da hora; é proibido ir à rua com roupas curtas; as atividades exploratórias sempre devem começar em horário determinado. Quem infringe essas normas paga multa. As mulheres também pagam multa quando recusam um cliente. Ou seja, é praticamente impossível se libertar desse cativeiro e para conseguir dar conta das “regras” e aguentar essa vida, muitas dessas mulheres se veem obrigadas a fazer uso de drogas.
As mentiras que os aliciadores contam
De acordo com a titular da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal, Marcela Rodrigues, o aliciador (ou aliciadora) geralmente aborda as jovens oferecendo trabalho no exterior ressaltando sua beleza, suas características corporais e a facilidade para ganhar dinheiro. “Elas sabem dos desejos e das dificuldades dessas jovens e sabe convencê-las porque apresentam sua própria trajetória como vitoriosa. E, ainda, ressaltam a superioridade da mulher brasileira em relação às européias no que concerne à sexualidade e que seriam as preferidas dos homens estrangeiros. Esse discurso está todo baseado na subalternidade e na condição heterônoma da mulher”, destaca.
Por incrível que pareça, comumente o aliciador é uma pessoa próxima, e possui com a vítima, relações que envolvem afetividade. Para a psicóloga Cíntia Maia, da Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres, como já há um vínculo com o aliciador, existe um maior respaldo na hora do convencimento, que envolve promessas de uma vida farta e dinheiro em abundancia.
Vislumbradas com essas possibilidades elas encaram tais propostas, como uma oportunidade de enriquecimento. Dados da Polícia Federal apontam que as mulheres aliciadas, são em maioria, jovens de baixa renda, entre 18 e 30 anos. Muitas são mães solteiras, responsáveis pelo sustento de seus familiares.
Segundo Nelma Pontes, do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), a prostituição pode ser até uma opção pessoal, mas é preciso desconfiar do oferecimento de muitas vantagens. “Para vencer na vida, não existem facilidades demais, é preciso desconfiar dessas propostas muito boas. Se a pessoa fizer uma conta matemática, o custo de vida lá é muito mais alto e para ter o mesmo padrão de vida daqui a pessoa precisa se desdobrar. Ninguém é muito bonzinho para te ajudar na a ganhar na loteria”, alerta.
Combate ao crime enfrenta desafios
A desarticulação das redes de tráfico humano é uma atitude arriscada e extremante difícil. De acordo com o bispo de Marajó, Dom Azcona, a atividade conta com a conivência de políticos e pessoas influentes, além de estar intimamente atrelada ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à exploração sexual de menores.
A delegada Marcela Rodrigues também expõe a dificuldade de desarticulação por conseqüência das próprias vítimas, pois há uma grande dificuldade para efetuarem denúncias e se desvincularem da rede. “A maior dificuldade para desarticular redes de tráfico de mulheres é que as envolvidas têm muitas dificuldades de se perceberem como vítimas, devido ao fato de o aliciador pertencer à sua convivência social; as relações são permeadas por contradições e um desejo muito grande de melhorar de vida, ser independente financeiramente e ajudar a família; e as condições de trabalho das mulheres que atuam no mercado do sexo no Brasil são difíceis e permeadas, também, pela violência”, explica.
Mesmo com as inúmeras dificuldades, já elencadas, muitas mulheres conseguem retornar ao Brasil através de instituições, como a Organização Não Governamental (ONG), “Resgate”, que possui escritórios em diversos países, e como o próprio nome revela, resgata pessoas que vivem em condições desumanas fora do país.
Uma vez, de volta à terra natal, essas mulheres enfrentam grandes dificuldades de readaptação, por conseqüência da história de terror vivida durante o tempo de permanência fora. Além disso, muitas delas adquirem marcas irreversíveis, como as doenças sexualmente transmissíveis e o vício em álcool e drogas.
A diretora de Políticas Públicas para as Mulheres de Goiás, Erondina de Moraes, ressalta que em muitos atendimentos feitos por sua diretoria, a mulher resgatada possui bens, mas não encontra estrutura psicológica e monetária para um recomeço em sua comunidade original. “Elas até têm uma casa organizada, levando as pessoas a pensarem que não há necessidade de apoio, mas o que não se sabe é que essas mulheres não têm como se manter socialmente”, afirma.
A crise econômica na Europa tem prejudicado o tráfico e favorecido o resgate das vítimas. Se antes uma mulher cobrava 100 euros por programa, com a crise foi obrigada a baixar seu preço para 20 euros. Ou seja, a prostituição não está mais tão atrativa como antigamente e essas garotas mal vêm conseguido recursos para a própria sobrevivência. No entanto, o principal foco das entidades de luta contra o tráfico humano continua sendo a educação e o esclarecimento, para que as vítimas não caiam nessa terrível cilada.
Por Maria Amélia Saad
Fonte: Jovens Conectados

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PJ lança edital para 11º ENPJ



Às Coordenações Regionais e Diocesanas da Pastoral da Juventude 
“Eu quero ver a vida nova florescer
Eu quero ver a luz do sol, um novo dia
Estamos juntos e juntas até o final
Vamos lutando espalhando alegria .” 
(Jair Oliveira - Hino do 10º ENPJ em Maringá/PR)

 Gente querida,
Há exatamente um ano, estávamos encerrando o 10º ENPJ em Maringá/PR. Foi um tempo de muita alegria, fé, partilha e ousadia! Desde então, o “Décimo” tem sido sempre assunto em rodas de conversas de pejoteiros/as em todo o país. O encontro marcou nossas vidas!
Estamos caminhando, com muita força desde então. A Coordenação Nacional e a Comissão Nacional de Assessores têm buscado, sem cessar, formas de melhorar cada vez mais nossos momentos de encontro. Nessa caminhada já avançamos muito, mas há ainda mais a fazer! E sabemos que a forma como nós organizamos estes espaços é de fundamental importância para a acolhida e também para a celebração do reencontro. É por isso que com muita alegria lançamos hoje, num dia especial para nós, o edital de candidatura para o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude que deverá acontecer em janeiro de 2015! (clique para baixar)
O Edital tem por objetivo esclarecer as principais questões referentes à candidatura aos Regionais interessados em acolher o 11º ENPJ. Além de apresentar o processo a ser desencadeado para a candidatura desta importante atividade na caminhada da Pastoral da Juventude, define também quais são as tarefas de cada instancia após a escolha da diocese que sediará o encontro.
O Encontro Nacional é um momento em que a Pastoral da Juventude se reúne para refletir, discutir, partilhar e celebrar a vida e a caminhada dos grupos de jovens.  O encontro é realizado a cada três anos, reunindo jovens e assessore/as da PJ de todas as dioceses do Brasil. 
Desejamos que este caminho de construção seja de modo muito especial coletivo e de profundo protagonismo dos/as jovens envolvidos/as. Vamos lá Pejoteiros/as, vamos construindo, ‘até o final’, a Civilização do Amor!

Um grande abraço,
Thiesco Crisóstomo
Secretário Nacional da Pastoral da Juventude
Pela Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as

Autor: CN/CNA
Fonte: pj.org.br

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sobre a morte e a ressurreição da CAJU


Sabe aquele vazio no peito que aparece quando uma notícia triste lhe é contada? Passei por isso há bem pouco tempo. Foi por conta de uma perda considerável. A Casa da Juventude Padre Burnier (CAJU) encerrou boa parte das atividades pastorais. Era um centro de referência de Direitos Humanos e da juventude. Publicava materiais importantes, úteis e necessários. Dava cursos, promovia debates, levantava questões, colocava o dedo na ferida, era local de acolhida, carinho e cuidado. 

Era para muitos pejoteiros do Brasil um referencial, quase um oásis. Era um local onde se estudava e partilhava a honestidade, o bom senso, a crítica, a humanidade, o ser cristão, o estar junto. Muitos jovens puderam construir seus projetos de vida sob orientação da casa. Muita gente que passou pelos cursos da CAJU acabou se tornando referência de formações pastorais nos seus locais de origem. Era de fato uma CASA da JUVENTUDE. O bem querer era a marca forte. 

Mas isso agora é história a ser contada. Eu, da minha parte, tive um misto de emoções desde que soube da notícia. Acabei, sem querer, passando pelo chamado estágio do luto, que são as cinco etapas que vão da negação do fato até a aceitação do mesmo.

Primeiro eu neguei toda a história. Você pensa que é brincadeira, conversa de rede social. Boato ou pegadinha que logo em seguida será desmentida. Não poderia ser verdade. Uma casa associada aos Jesuítas não poderia ser fechada sob a alegação de falta de verbas ou que não apresentava o carisma religioso da congregação. Isso é tudo muito surreal.

Em seguida passei pela segunda etapa do estágio do luto: a raiva. Qualquer um sabe que há inúmeras saídas para a questão financeira, que basta readequar os projetos e que simplesmente eliminá-los é a saída mais rasteira e doída. Claro que há outras questões envolvidas. O antigo diretor da casa apresentou denúncias contra a polícia local. Teve que se mudar em razão das ameaças sofridas. Há quem prefira o silêncio das mentes aquietadas ao barulho da denúncia das injustiças. Sim, eu sei disso. Mas que isso me corrói o estômago, não há como negar.

A terceira etapa é a depressão. Na verdade nem sempre é uma fase atrás da outra. No meu caso, eu misturei a raiva (já citada) com a tristeza desta etapa. Pense no bem que uma casa assim pode trazer para as mais diversas manifestações juvenis. Pense num local que é nacionalmente uma referência pastoral. Pense agora que muitos jovens, coordenadores e assessores não irão conhecer este ambiente e usufruir do conhecimento, afeto e relações que eram ali criados. Ainda mais acontecendo num ano significativo para a juventude católica, com a Campanha da frataternidade falando sobre os jovens e a Jornada Mundial da Juventude acontecendo no país. É muito triste. É o fim de uma proposta. É um fato que se repete. O mesmo triste fim já havia acontecido com o Instituto de Pastoral da Juventude de Porto Alegre.

Passei à fase da negociação e diálogo. Será que um abaixo assinado resolveria? E se nos manifestássemos para mostrar nosso descontentamento? Cartas, e-mails, mensagens. Quem sabe os jesuítas não voltariam atrás? Mas e se voltassem? Por quanto tempo seria? Quanto mais tempo viveria a Casa da Juventude? Claro que é importante marcar posição e dizer com o que não se está de acordo. Mas sabemos que são poucas as lideranças eclesiais hoje em dia que se movem pela pressão popular.

E é justamente por estas reflexões que entrei na quinta e última fase do meu estágio de luto. A aceitação. Quem se envolve com os menos favorecidos, quem denuncia as injustiças, quem faz as opções que faz sabe que não terá uma vida tranquila. Era inevitável que isso fosse acontecer. E é impressionante como não aconteceu antes. Afinal são seguidores de Jesus. E têm no nome da casa a referência ao Padre Burnier, jesuíta morto em 1976 quando, junto com Dom Pedro Casaldáliga, foi interceder por duas mulheres que sofriam torturas numa delegacia de polícia.

Da mesma maneira que os membros da Caju, nós também sabemos que morte não tem a última palavra. Se a casa acaba aqui, vai ressurgir ali de outra forma, nova e transfigurada. A morte é uma semente lançada na terra. Se for bem cuidada e não for esquecida trará bons frutos. Nossa resistência está na memória histórica. Nosso exemplo está em Jesus de Nazaré. Nosso lugar está ao lado da juventude. Nossa ação está no serviço. Nossos gestos são sempre com amor. E, apesar do sonho interrompido, dos projetos encerrados, ainda temos memória, exemplo, lugar, serviço e amor. E é por conta de tudo isso que a CAJU sempre viverá.

Autor: Rogério Oliveira
Fonte: pejotando.blogspot.com

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Após refúgio, D. Pedro Casaldáliga retorna para região de conflito de MT


O bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, 84, retornou a Mato Grosso após três semanas escondido em Goiás devido a ameaças de morte.
A informação é de Daniel Carvalho e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-01-2013.


O bispo defende o direito de posse dos índios xavantes sobre a terra indígena Marãiwatsédé, no nordeste do Estado. Por isso, estava sendo ameaçado por posseiros.

Os não índios foram obrigados pela Justiça, em novembro, a desocupar a área de 165 mil hectares em que viviam desde 1992.

O padre Paulo Santos, assistente do religioso que se refugiou com ele, disse à Folha que ambos retornaram a São Félix no dia 29. Eles haviam ido para Goiás em 7 de dezembro, após recomendação do governo federal.

A volta de Casaldáliga foi discutida com representantes do governo. A decisão levou em conta o apaziguamento da situação na região.

A Secretaria-Geral da Presidência da República diz não haver mais resistência. As poucas famílias de não índios remanescentes aguardam caminhões de mudança.

Segundo Santos, dom Pedro Casaldáliga recusou a oferta de segurança feita pelo Planalto no refúgio e no trajeto de volta e só dará entrevistas quando a situação estiver resolvida.

"A gente quer evitar qualquer impasse nesse momento", disse o padre, referindo-se à retirada de posseiros.

Santos não quis informar em que cidades se esconderam, pois teme necessitar novamente de refúgio.

Ele diz que as ameaças - que são investigadas pela Polícia Federal- não foram feitas diretamente ao bispo.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, o bispo ganhou notoriedade internacional ao denunciar atos de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no regime militar, época em que os xavantes foram expulsos de suas terras.

Fonte: ihu.unisinos.br

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Atitudes face à crise atual


Ninguém face à crise pode ficar indiferente. Urge uma decisão e encontrar uma saída libertadora. É aqui que se encontram várias atitudes para ver qual delas é a mais adequada a fim de evitarmos enganos.
A primeira é a dos catastrofistas: a fuga para o fundo: estes enfatizam o lado de caos que toda crise encerra. Veem a crise como catástrofe, decomposição e fim da ordem vigente. Para eles a crise é algo anormal que devemos evitar a todo custo. Só aceitam certos ajustes e mudanças dentro da mesma estrutura. Mas o fazem com tantos senões que desfibram qualquer irrupção inovadora.
Contra estes catastrofistas já dizia o bom Papa João XXIII referindo-se à Igreja; mas, que vale para qualquer campo: "A vida concreta não é uma coleção de antiguidades. Não se trata de visitar um museu ou uma academia do passado. Vive-se para progredir, embora tirando proveito das experiências do passado, mas para ir sempre mais longe”.
A crise generalizada não precisa ser uma queda para o abismo. Vale o que escreveu um suíço que muito ama o Brasil, o filósofo e pedagogo Pierre Furter: "Caracterizar a crise como sinal de um colapso universal, é uma maneira sutil e pérfida dos poderosos e dos privilegiados de impedirem, a priori, as mudanças, desvalorizando-as de antemão”.
A segunda atitude é a dos conservadores: a fuga para trás. Estes se orientam pelo passado, olhando pelo retrovisor. Ao invés de explorar as forças positivas contidas crise atual, fogem para o passado e buscam nas velhas fórmulas soluções para os problemas novos. Por isso são arcaizantes e ineficazes.
Grande parte das instituições políticas e dos organismos econômicos mundiais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC, os G-20; mas, também, a maioria das Igrejas e das religiões procura dar solução aos graves problemas mundiais com as mesmas concepções. Favorecem a inércia e freiam soluções inovadores.
Deixando as coisas como estão fatalmente nos levarão ao fracasso senão a uma crise ecológica e humanitária inimaginável. Como as fórmulas passadas esgotaram sua força de convencimento e de inovação, acabam transformando a crise numa tragédia.
A terceira atitude é a dos utopistas: fuga para frente. Estes pensam resolver a situação-de-crise fugindo para o futuro Eles se situam dentro do mesmo horizonte que os conservadores apenas numa direção contrária. Por isso, podem facilmente fazer acordos entre si.
Geralmente são voluntaristas e se esquecem que na história só se fazem as revoluções que se fazem. O último slogan não é um pensamento novo. Os críticos mais audazes podem ser também os mais estéreis. Não raro, a audácia contestatória não passa de evasão do confronto duro com a realidade.
Circulam atualmente utopias futuristas de todo tipo, muitas de caráter esotérico como as que falam de alinhamento de energias cósmicas que estão afetando nossas mentes. Outros projetam utopias fundadas no sonho de que a biotecnologia e a nanotecnologia poderão resolver todos os problemas e tornar imortal a vida humana.
Uma quarta atitude é a dos escapistas: fogem para dentro. Estes dão-se conta do obscurecimento do horizonte e do conjunto das convicções funda­mentais. Mas fazem ouvidos moucos ao alarme ecológico e aos gritos dos oprimidos. Evitam o confronto, preferem não saber, não ouvir, não ler e não se questionar. As pessoas já não querem conviver. Preferem a solidão do indivíduo mas geralmente plugado na internet e nas redes sociais.
Por fim há uma quinta atitude: a dos responsáveis: enfrentam o aqui e agora. São aqueles que elaboram uma resposta; por isso os chamo de responsáveis. Não temem, nem fogem, nem se omitem, mas assumem o risco de abrir caminhos. Buscam fortalecer as forças positivas contidas na crise e formulam respostas aos problemas. Não rejeitam o passado por ser passado. Aprendem dele com um repositório das grandes expe­riências que não devem ser desperdiçadas sem se eximir de fazer as suas próprias experiências.
Os responsáveis se definem por um a favor e não simplesmente por um contra. Também não se perdem em polêmicas estéreis. Mas trabalham e se engajam pro­fundamente na realização de um modelo que corresponda às necessidades do tempo, aberto à crítica e à autocrítica, dispostos sempre a aprender.
O que mais se exige hoje são políticos, líderes, grupos, pessoas que se sintam responsáveis e forcem a passagem do velho ao novo tempo.

Autor: Leonardo Boff
Fonte: Adital