terça-feira, 29 de outubro de 2013

A PJ e as CEBs na Construção do Reino

A Pastoral da Juventude e as Comunidades Eclesiais de Base - com pobres, construímos o Reino!

Sempre do lado dos mais pobres”. Como pensar em fazer Pastoral sem pensar nesta frase? Ela me foi dita em 2011 por um verdadeiro pai e pastor: Pedro Casaldáliga, o bispo dos pobres e da esperança!
É uma das poucas frases das quais me lembro daquela ocasião, quando estávamos participando da Romaria dos Mártires da Caminhada em Ribeirão Cascalheira. Foi um momento surpreendente, a acolhida, as partilhas... Não que eu esperasse algo normal ao estar do lado do Pedro. Ele sempre nos desinstala, nem que seja só com o olhar – profundo, de cuidado e atenção com tudo o que é dito para ele.
Essa recomendação tem me guiado no fazer Pastoral, mesmo que muitas vezes eu não consiga lidar com as realidades de pobreza, as diversas pobrezas que existem hoje no Brasil. Ao recomendar isso, Pedro nos identifica como pastores/as, e por isso nos pede para cuidar das ovelhas. Mas cuidarnão significa tutelar, e as ovelhas que queremos não são aquelas que baixam a cabeça para tudo que dizemos.
Para nós, o que precisa ficar claro é a relação pastor/a versus ovelha que Jesus estabeleceu entre seus/suas amigos/as. A relação é de cuidado, de afeto, de companheirismo. Ser seguidor e seguidora de Jesus é ser pastor/a, mas também garantir que quem recebe nosso serviço seja sujeito, seja protagonista de sua ação, de sua história. Porém, quase sempre somos nós que devemos nos deixar ensinar por tanta gente que com tão pouco consegue grandes proezas em meio a tantas desventuras da vida... Quem somos nós, jovens da Pastoral da Juventude, no acompanhamento a tantos/as outros/as jovens nesse imenso país? Sim, somos pastores e pastoras! Somos cuidadores/as, amigos/as e companheiros/as de luta e de caminhada. Não podemos esquecer-nos disso. São 40 anos cuidando de tantos e tantas jovens, dos seus grupos de base, de sua formação, de sua espiritualidade, de suas vidas...
Esse cuidar não é algo desprendido da realidade, nem interessado em apenas fortalecer a própria PJ. É um cuidado que prima, sobretudo, pela vida destes/as jovens. Tal espiritualidade não tem origem na própria PJ, pois ela não se encerra em si mesma.
 A história nos conta que a Pastoral da Juventude é herdeira de um processo que se inicia, mais organicamente, lá pela década de 30 do século XX. Foi a Ação Católica que fomentou os caminhos para que nossa organização fosse o que é hoje. Seus processos, sua forma de agir e de refletir, tiveram fundamental importância na nossa vida. O método da Ação Católica é algo que está na essência da Pastoral da Juventude e no nosso fazer Pastoral.
Há algo que vem também desse período e que se fortalece em outro meio mais popular: a nossa ESPIRITUALIDADE! Também herdamos muito do “relacionar-se com Deus” da Ação Católica. Mas sem dúvida, é de um lugar muito específico que esta espiritualidade brota e reaviva nossos sonhos e esperanças na construção do Reino. Estou falando das Comunidades Eclesiais de Base. As CEBs vão se fazendo espaço de acolhida, de cuidado, de reflexão e de luta, no mesmo período em que nós vamos forjando-nos através da Ação Católica Especializada (ACE). As juventudes da ACE (JAC, JEC, JIC, JOC e JUC[1]) também fazem parte da mesma construção libertadora de Igreja Latino-Americana em que as CEBs estão inseridas.
Hoje nos deparamos com muitos discursos de que a PJ e as CEBs estão morrendo, que são propostas fracassadas de Igreja. Se somos fracassadas, também  a Igreja, no chão da América Latina é fracassada! Fracassados/as somos também aqueles e aquelas que professamos nossa fé em Jesus e nos dizemos seus seguidores/as.
Não fracassamos! Estamos vivas! Mais vivas do que nunca! Erramos e acertamos. O Espírito de Deus é quem nos guia! Ele nos provoca e nos ilumina a avançarmos no fortalecimento de nossa utopia, o Reino. Não quero negar que caminhamos com muitas dificuldades. Sim, isso é real. Mas as dificuldades nunca foram problemas para quem segue o Crucificado-Ressuscitado. Nós somos o povo da cruz, mas também da Ressureição! Somos o Povo da Esperança, Testemunhas fiéis do Reino!
Este ano estamos celebrando 40 anos das primeiras articulações da Pastoral da Juventude no Brasil. Fazemos memória do primeiro encontro realizado no Rio de Janeiro para conhecer as iniciativas que se configuravam como uma Pastoral da Juventude no país. A partir deste encontro, foram feitos vários esforços para que houvesse de fato uma articulação de PJ orgânica, dentro da Pastoral de Conjunto da Igreja, que estivesse sempre com os pés fincados no chão das comunidades. Não podemos fazer memória dessa construção sem fazer memória de nossas comunidades. As CEBs são o chão de nossa realidade e são elas que nos impulsionam na construção do Reino! Elas são nosso lugar vital! “As CEBs são o modo normal de ser Igreja[2]”!
Nós, Pastoral da Juventude, não podemos sobreviver fora da comunidade! Não sobreviveremos se o nosso espírito não for o espírito das CEBs. Assim como as CEBs não podem sobreviver sem nossa vontade, ousadia e força! Somos a grande maioria dos/as jovens que se engajam nas comunidades. Somos, sem dúvida alguma, a juventude das CEBs. Claro que há muitas outras juventudes, mas nós somos essencialmente jovens das Comunidades Eclesiais de Base. As CEBs, como a PJ, são sinais fiéis de Deus na história de seu povo, por isso devem ser nossa esperança e o nosso jeito de construir os caminhos do Reino.
A chegada avassaladora de Francisco, suas palavras e atos têm fortalecido ainda mais nossa esperança nas CEBs e na Igreja da Libertação. Temos dado grandes passos no fortalecimento das CEBs. Muitas vezes fazemos uma caminhada com certa dificuldade em compreender os espaços e acabamos nos articulando de forma ainda tímida, mas ao longo dos últimos anos, estamos nos aproximado de novo, mostrando nosso desejo de construir juntos e juntas esses caminhos. E este ano é o momento propício. Sabemos que ainda há muito a ser feito, mas estamos no caminho certo! Em janeiro de 2014 teremos o 13º Intereclesial das CEBs[3], e terá uma plenária especial para dialogar a respeito da “Comunidade como lugar da Juventude”. Momento propício de jovens e adultos, mulheres e homens, refletirem o jeito de ser Igreja hoje, para acolher melhor a juventude que busca se engajar na construção do Reino, no seguimento a Jesus, sendo profetas e profetizas no campo e na cidade.
Ainda em janeiro, teremos nossa Ampliada Nacional da PJ[4], onde refletiremos nosso caminhar, nossa organização, o futuro de nosso serviço. Momento profundo de partilha e oração, de confirmar nosso seguimento ao Jovem de Nazaré e a nossa opção fundamental pela juventude empobrecida. No espírito das CEBs, celebrando e partilhando os 40 anos de caminhada, vamos girar o mundo, gritando aos quatro ventos o nosso jeito de ser Igreja Jovem, pois não podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos (cf. At 4, 20).
Que esta caminhada nos fortaleça sempre mais na fidelidade do seguimento a Jesus e na construção do Reino, sobretudo, pois é a partir daí que ‘cambiamos’ nossa realidade, no cuidado com aqueles que mais necessitam do nosso ser Igreja hoje.
Que nunca abandonemos o Evangelho! Que nunca abandonemos os pobres!
Fora dos pobres, não há salvação, nos provoca Jon Sobrino. E assim como Pedro me disse, sussurrando ao ouvido, eu lhes digo também, com toda certeza: fora dos pobres não somos Igreja!

Permaneçamos fieis à Testemunha Fiel!


Belo Horizonte/MG, 29 de outubro de 2013.


Thiesco Crisóstomo
Secretário Nacional da Pastoral da Juventude

Esse texto também está disponivel para baixar: clique aqui
  

[1] JAC: Juventude Agrária Católica, JEC: Juventude Estudantil Católica, JIC: Juventude Independente Católica, JOC: Juventude Operária Católica e JUC: Juventude Universitária Católica.
[2] Mensagem de Pedro Casaldáliga ao 12º Intereclesial das CEBs, em Porto Velho/RO, 2009.
[3] O 13º Intereclesial acontecerá em Juazeiro do Norte, na diocese do Crato/CE, nos dias 7 a 11 de janeiro de 2014, tendo como tema: “Justiça e profecia a serviço da vida”, e lema: “CEBs, Romeiras do Reino no campo e na cidade”.
[4] A ANPJ será realizada na cidade de Ribeirão das Neves, Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, nos dias 19 a 26 de janeiro, com o lema: “Somos Igreja Jovem: 40 anos construindo a Civilização do Amor” e a iluminação bíblica referenciada em At 4,20: “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos”.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Há de se cuidar da amizade e do amor

A amizade e o amor constituem as relações maiores e mais realizadores que o ser humano, homem e mulher, pode  experimentar e desfrutar. Mesmo o místico mais ardente só consegue uma fusão com a divindade através do caminho do amor. No dizer de São João da Cruz, trata-se da experiência da “a amada(a alma) no Amado transformada”.
Há vasta literatura sobre estas duas experiências de base. Aqui restringimo-nos ao mínimo. A amizade é aquela relação que nasce de uma ignota afinidade, de uma simpatia de todo inexplicável, de uma proximidade afetuosa para com a outra pessoa. Entre os amigos e amigas se cria uma como que comunidade de destino. A amizade vive do desinteresse, da confiança e da lealdade. A amizade possui raízes tão profundas que, mesmo passados muitos anos, ao reencontrarem-se os amigos e amigas, os tempos se anulam e se reatam os laços e até  se recordam da última conversa havida há muito tempo.

Cuidar da amizade é preocupar-se com a vida, as penas e as alegrias do amigo e da amiga. É oferecer-lhe um ombro quando a vulnerabilidade o visita e o desconsolo lhe oculta as estrelas-guias. É no sofrimento e no fracasso existencial, profissional ou amoroso que se comprovam os verdadeiros amigos e amigas. Eles são como uma torre fortíssima que defende  o frágil castelo de nossas vidas peregrinas.
A relação mais profunda é a experiência do amor. Ela  traz as mais felizes realizações ou as mais dolorosas frustrações. Nada é mais misterioso do que o amor. Ele vive do encontro entre duas pessoas que um dia cruzarem seus caminhos, se descobriram no olhar e na presença e viram nascer um sentimento de enamoramento, de atração, de vontade de estar junto até resolverem fundir as vidas, unir os destinos, compartir as fragilidades e as benquerenças da vida. Nada é comparável à felicidade de amar e de ser amado.  E nada  há de mais desalodor, nas palavras do poeta Ferreira Gullar, do que não poder dar amor a quem se ama.
Todos esses  valores, por serem os mais preciosos, são também os mais frágeis  porque  mais expostos às contradições da humana existência.
Cada qual é portador de luz e de sombras, de histórias familiares e pessoais diferentes, cujas raízes alcançam arquétipos ancestrais, marcados por experiêncis bem sucedidas ou trágicas que deixaram marcas na memória genética de cada um.
O amor é uma arte combinatória de todos estes fatores, feita com sutileza que demanda capacidade de compreensão, de renúncia, de paciência e de perdão e, ao mesmo tempo, comporta o desfrute  comum do encontro amoroso, da intimidade sexual, da entrega confiante de um ao outro. A experiência do amor serviu de base para entendermos a natureza de Deus: Ele é amor essencial e incondicional.
Mas o amor sozinho não  basta. Por isso São Paulo em seu famoso hino ao amor, elenca os acólitos do amor sem os quais ele não consegue subsistir e irradiar. O amor tem que ser paciente, benigno, não ser ciumento, nem gabar-se, nem ensoberbecer-se, não procurar seus interesses, não se ressentir do mal…o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta…o amor nunca se acaba(1Cor 13, 4-7). Cuidar destes acompanhates do amor é fornecer o húmus necessário para que o amor seja sempre vivo e não morra pela indiferença. O que se opõe ao amor não é o ódio mas a indiferença.
Quanto mais alguém é capaz de uma entrega total, maior e mais forte é o amor. Tal entrega supõe extrema coragem, uma experiência de morte pois não retém nada para si e mergulha totalmente no outro. O homem possui especial dificuldade para esta atitude extrema, talvez pela herança de machismo, patriarcalismo e racionalismo de séculos que carrega dentro de si e que lhe  limita a capacidade desta  confiança extrema.
A mulher é mais radical: vai até o extremo da entrega no amor, sem resto e sem retenção. Por isso seu amor é mais pleno e realizador e, quando se frustra, a vida revela contornos de tragédia e de um vazio abissal.
O segredo maior para cuidar do amor reside no singelo cuidado da ternura.  A ternura vive de gentileza, de pequenos gestos que revelam o carinho, de sacramentos tangíveis, como recolher uma concha na praia e levá-la à pessoa amada e dizer-lhe que, naquele momento, pensou carinhosamente nela.
Tais “banalidades” tem um peso maior que a mais preciosa jóia. Assim como uma estrela não brilha sem uma atmosfera ao seu redor, da mesma forma, o amor não vive  sem um aura de enternecimento, de afeto e de cuidado.
Amor e cuidado formam um casal inseparável. Se houver um divórcio entre eles, ou um ou outro morre de solidão. O amor e o  cuidado constituem uma arte. Tudo o que cuidamos também amamos. E tudo o que amamos também cuidamos.
Tudo o que vive tem que ser alimentado e sustentado. O mesmo  vale para o amor e para o cuidado. O amor e  o cuidado se alimentam da afetuosa preocupação de um para com o outro. A dor e a alegria de um é a alegria e a dor do outro.
Para fortalecer a fragilidade natural do amor precisamos de Alguém maior, suave e amoroso, a quem sempre podemos invocar. Daí a importância dos que se amam, de reservarem algum tempo de abertura e de comunhão com esse Maior, cuja natureza é de amor, aquele amor, que segundo Dante Alignieri da Divina Comédia “move o céu e as outras estrelas”  e nós acrescentamos: que comove os nossos corações.
Autor: Leonardo Boff

domingo, 27 de outubro de 2013

Confira a Programação do DNJ2013

Cada dia se aproxima mais o tão esperado Dia Nacional da Juventude em nossa Arquidiocese. Toda a juventude de nossas bases se articula para participar deste dia tão importante de nossa caminhada, momento de celebrar a vida das nossas juventudes. Esta edição celebramos também os 40 anos de caminhada da Pastoral da Juventude no Brasil. Queremos aqui nesta postagem colocar a programação do 22º DNJ da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana:

8:00 - Ofício Divino da Juventude (Praça do Quilombo)
8:30 - Caminhada Contra o Extermínio da Juventude (em direção ao Colégio)
9:00 - Chegada no Colégio ACM
9:15 - Apresentação Teatral sobre Missão, apresentações das PJ's na Foranias, e animação etc.
11:00 - Santa Missa
12:30 - Almoço (com Liz na voz e violão)
13:30 - Show: Padre João Eudes Rocha (reggae de Cristo)
15:00 - Samba de Roda Local
15:30 - Banda Cheiro de Chuva (forró)
17:00 - Benção Final + Encerramento

Além da programação temos algumas informações importantes para o DNJ:
  • O almoço custará 6 reais.
  • O lanche com suco custará 2 reais.
  • A água será repassada ao valor simbólico de 0,50 centavos.
  • Pedimos que as caravanas se organizem, dizendo quantas pessoas vieram de cada localidade, para sabermos a quantidade aproximada do participantes do DNJ2013. 
E dentro do DNJ, teremos também materiais pjoteiros a serem vendidos:
  • Ofício Divino da Juventude (7 reais).
  • Coleção Na Trilha do grupo de jovens (7 reais a unidade).
  • Subsídio Somos Igreja Jovem (5 reais).
  • Camisa do DNJ2013 (12 reais).
  • Camisa da Pastoral da Juventude (15 reais).

Fonte: Comunicação da Pastoral da Juventude - Arquidiocese de Feira de Santana

sábado, 26 de outubro de 2013

Fundo Nacional de Solidariedade aprova mais de 200 projetos em todo o Brasil


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Total de recursos disponíveis para 2013 já foram finalizados
Em sua terceira reunião, que ocorreu anteontem (24) na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade aprovou mais 82 projetos que acessarão recursos para desenvolver ações sociais em todo o Brasil.
Ao todo 241 projetos foram aprovados em 2013 e mais de R$ 4 milhões investidos. Todos os anos, o conselho gestor realiza quatro reuniões, porém, excepcionalmente este ano, os recursos disponíveis já foram finalizados e, por este motivo, não haverá a quarta reunião de análise e aprovação de novos projetos que estava prevista para ocorrer no dia 11 de dezembro.
Para conferir os projetos aprovados na terceira reunião CLIQUE AQUI
Resultado do gesto concreto da Campanha da Fraternidade (CF), promovida pela CNBB, o Fundo Nacional de Solidariedade apoia projetos sociais em todo Brasil cujos trabalhos estiveram, preferencialmente, relacionados com o tema da CF deste ano “Fraternidade e Juventude”. Os recursos foram de R$ 10 mil a R$ 50 mil, dependendo a abrangência da experiência.
por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional
Fonte: Caritas Brasileira

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Jovens em missão: a experiência de evangelização de analfabetos em ilhas do Pará

Jovens da Caju realizam todos os meses a evangelização nas ilhas de Urubuoca e Nova, no Pará.
O mês das missões está quase no fim e muitas são as experiências missionárias e, às vezes, pouco conhecidas, que jovens empreendem por todo Brasil. Umas delas é o projeto de evangelização com analfabetos realizado por membros da Casa da Juventude Comunidade Católica (Caju) nas ilhas de Urubuoca e Nova, no estado do Pará.
A partir do apelo da Arquidiocese de Belém, todos os meses, aproximadamente 25 jovens do grupo de Assistência Missionária da Caju saem da capital Belém, pegam os barcos no distrito de Icoaraci e navegam por 40 minutos até chegarem à população ribeirinha.
Muitos deles são analfabetos ou estão em processo de alfabetização, especialmente adultos. Contudo, isto não impede que a Palavra de Deus os atinja. De acordo com a coordenadora geral da Caju, Heloísa Sami Daou, os missionários realizam sempre as adaptações de linguagem, dinamizam os conteúdos e leem os textos bíblicos e demais documentos em voz alta.
Ao mencionar as palavras do Papa Francisco, na Missa de envio da JMJ Rio2013, de que o Evangelho é para todos, Heloísa define com satisfação o trabalho missionário realizado com os analfabetos: “Esta missão exige um despojamento de sair da realidade cotidiana e ‘atravessar fronteiras’ para chegar a uma realidade completamente diferente, onde recursos são escassos e as pessoas não tem acesso à Igreja”.
Kátia Cardoso é uma das moradoras de Ilha Nova. Ela conta que lia o Evangelho sozinha, em casa, e não conseguia compreender muito bem. Mas, a partir do trabalho desenvolvido pela comunidade, esta situação mudou: “Sempre participei da Igreja, mas só fui ter a Bíblia há pouco tempo e descobri que, quando partilho com os outros, também consigo entender muito mais”.
Ela relata ainda como os jovens missionários a ajudam em sua caminhada com Deus e até se preocupa se, um dia, deixarem de ir à ilha. “Percebo que não somente eu, mas outras pessoas têm mudado sua visão e participado mais das coisas da Igreja, a partir deste trabalho. Tomara que todos perseverem!”, ressalta.
Moradores da ilha de Urubuoca que participam do projeto “Lançai as redes e evangelizai”
Rodas de estudo do Youcat com jovens ribeirinhos
A evangelização dos ribeirinhos faz parte do projeto “Lançai as redes e evangelizai” lançado em 2009 pela Caju. A comunidade é responsável pelas mesmas ilhas onde são realizadas as atividades com os analfabetos.
Uma outra atividade são as rodas de estudo do Youcat. Impulsionados pela movimentação ocorrida na capital com a distribuição de exemplares da obra em 2012, os integrantes da Assistência Missionária manisfestaram ao Bispo Auxiliar de Belém, Dom Teodoro Tavares, o desejo de levar o Youcat aos jovens das ilhas, devido à dificuldade de acesso destes ao catecismo jovem.
Aline Sotão é vice-coordenadora do gupo de Assistência Missionária e trabalhou para conseguir doações de Youcat para os jovens das ilhas. Ela conta como é positiva a troca de experiências com a comunidade ribeirinha e como a juventude têm sede de conhecimento e de Deus. “O Youcat ajuda a desmistificar muitas dos conceitos errados que o mundo apresenta sobre a doutrina da Igreja Católica, sobretudo em uma região ribeirinha onde o acesso à informação é precário e os costumes e tradições norteiam a cultura e conhecimento dos jovens”, explica.
“Precisamos ir além de nossos medos e preconceitos e enxergar o outro com o olhar de Deus. Mais do que nunca é tempo de sermos uma juventude missionária”. Com estas palavras o coordenador do grupo de Pastoral Universitária da Caju e um dos promotores das rodas de estudo do Youcat, Gabriel Sampaio, enfatiza, a partir dos discursos do Papa Francisco, como se faz necessário, para cada cristão, ir às  “periferias existenciais” e, assim, concretizar a “cultura do encontro”.
Gabriel relata também que, até o início das rodas de estudo nas ilhas, a maioria dos jovens não conhecia o Youcat. Foi aí que o grupo de missionários introduziu a atividade explicando o surgimento da obra, seus ensinamos e como manuseá-la. Em seguida, iluminados pelo prefácio escrito pelo Papa Emérito Bento XVI, refletiram sobre a importância e urgência de um engajamento da juventude católica no seio da Igreja, através de uma vida de oração comprometida, estudo constante dos temas da fé e testemunho concreto da experiência com Jesus.
“A verdade de Deus precisa iluminar a vida de todos. Nosso dever, enquanto cristãos, é levar o Cristo aos irmãos, independente de quem sejam, de onde moram ou do quanto tenham estudado”, conclui.
Outros projetos são promovidos nas ilhas como catequese, Celebração da Palavra e formação. Como enfatiza a coordenadora da Casa da Juventude, o diferencial do trabalho nas ilhas precisa ser a adaptação à realidade daquelas pessoas: “Respeitar e interagir com eles, sua cultura e sua história, para que, em Jesus, todas as pessoas tenham as condições necessárias ao seu pleno desenvolvimento, ou seja, tenham vida e vida em abundância”.
Fonte: Jovens Conectados

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cáritas e CNBB assumem campanha internacional contra fome e pobreza

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Prevista para ser lançada no dia 10 de dezembro deste ano, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Caritas Internationalis prepara uma campanha mundial de combate à fome e a pobreza. A Rede Cáritas Brasileira, em consonância com a temática também lançará na mesma data uma campanha nacional cujo tema é “Uma família humana: pão e justiça para todos.”
Neste contexto, foi apresentada na manhã de hoje (24) ao Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma proposta para que toda a Igreja se engaje na participação e na mobilização desta grande campanha mundial.
A boa notícia trazida por Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional da Cáritas Brasileira, é que a proposta foi acolhida com muita receptividade pelos bispos e aprovada pelo Conselho. “A campanha quer unir a humanidade no combate à fome e à pobreza até que sejam extintas. Ela é desafiadora, mas a participação efetiva de toda a Igreja fortalecerá e dará maior amplitude a essa luta”, salientou Cristina.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é a sexta economia mais rica do mundo, mas 57 milhões de pessoas ainda vivem em estado de pobreza, ou seja, sobrevivem com meio salário mínimo. Mesmo com programas de distribuição de renda promovidos pelo Governo Federal, 20% dos mais ricos ainda detém 63,8% da renda nacional, enquanto os 20% mais pobres acessam apenas 2,5% de toda a riqueza que é produzida pelo país.
Para dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB, é importante que a Igreja assuma essa campanha que chamará a atenção de toda a sociedade para essas realidades. Confira no vídeo.
Os principais objetivos da campanha são sensibilizar e mobilizar a Igreja e a sociedade sobre a realidade da fome, da miséria e das desigualdades no mundo e no Brasil, além de evidenciar ações promovidas pela Igreja no enfrentamento a essas realidades.
por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional
Produção áudiovisual: Elkin Torres Giraldo

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

“A fome existente não é algo natural” – mensagem final da XIX Assembleia Nacional da Rede Cáritas


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Terminou na tarde de domingo (20), a XIX Assembleia Nacional da Rede Cáritas. Prevista para ser lançada em dezembro deste ano, a Rede Cáritas Internacional prepara uma campanha mundial contra a fome a pobreza. Foi com vistas a esta grande mobilização que a Cáritas Brasileira debateu temáticas relacionadas às realidades da fome e da pobreza no Brasil e no mundo. O evento, que ocorreu em Brasília (DF), reuniu 216 agentes de todo o país e culminou em uma mensagem final que partilha os resultados das reflexões e os novos compromissos com agentes pastorais, pastorais sociais e entidades parceiras e com todas as pessoas comprometidas na luta em favor de um mundo sem fome e sem pobreza. 
“A fome existente não é algo natural. É fruto da concentração da propriedade da terra, da riqueza gerada e da renda em mãos de uma minoria cada dia menor e que usa seu poder para concentrar ainda mais. É fruto também da submissão dos governantes das nações aos interesses dessa minoria em nome de um progresso que só destina migalhas para os direitos das pessoas. Sendo a pobreza causada pela concentração da riqueza, ela somente será superada com uma profunda transformação estrutural da sociedade e com a distribuição dessa riqueza com critérios de justiça e de igualdade em relação ao direito à vida na Terra.”

 Para ler a mensagem na íntegra CLIQUE AQUI

Fonte: Caritas Brasileira

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Preparação para o DNJ 2013

Neste fim de semana foram realizadas formações com a temática do Dia Nacional da Juventude 2013, em 3 das 5 foranias de nossa Arquidiocese. Na Forania 1 foi realizada na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na comunidade da Liberdade. Na Forania 2, a formação foi feita na Paróquia São José Operário (Campo Limpo). Na Forania 4, a formação foi realizada na Paróquia de São Gonçalo.  Já foi feita a mais tempo a Formação da Forania 3, na Paróquia Nossa Senhora do Resgate, em Antonio Cardoso (sede do DNJ2013). 

A preparação também está sendo feita em diversos grupos de jovens, através dos subsídios pro DNJ, que foram repassados para boa parte dos grupos de base da PJ em nossa Arquidiocese. São encontros com temáticas voltados ao tema "Juventude e Missão". 
A coordenação arquidiocesana, pede alguns encaminhamentos para os grupos e equipes paroquiais fazerem nesse período de preparação ao DNJ:
  • Fazer os encontros do subsídio do DNJ2013.
  • Preparar caravanas paroquiais para ir ao dia celebrativo.
  • Repassar as camisas do DNJ a quem quiser (12R$).
  • Contribuir com algo para o lanche no dia celebrativo. 
Outra coisa importante foram as Missões que aconteceram na semana passada em nossa Arquidiocese. Aproveitando esse espaço, a PJ na Forania 3 participou da Missão em Antonio Cardoso e aproveitaram para divulgar o DNJ, e já utilizando a camisa do evento. 


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

PJ lança cartaz da Ampliada Nacional

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Atividade acontecerá na Arquidiocese de Belo Horizonte em janeiro de 2014.

 A Pastoral da Juventude lança hoje o cartaz de sua próxima Ampliada Nacional. O evento acontecerá de 19 a 26 de janeiro na cidade de Ribeirão das Neves/MG, arquidiocese de Belo Horizonte, Regional Leste 2 da CNBB, A atividade marcará uma etapa importante dentro do processo de comemoração dos 40 anos de caminhada da PJ em todo o Brasil.
O cartaz valoriza o selo comemorativo dos 40 anos da Pastoral da Juventude. A partir de hoje sua divulgação deve alcançar os grupos de base de todo o Brasil. “A arte traz elementos importantes na nossa caminhada, como as fitas coloridas, que dizem da diversidade e também fazem referência à religiosidade popular no Brasil, com o tema e lema da ANPJ. Também temos símbolos que fazem referência ao regional Leste 2 (MG e ES). Este cartaz quer retratar aquilo que acreditamos ser um dos objetivos de nossa ação pastoral através dos grupos de base: ser o lugar da felicidade” – destacou o Secretário Nacional da PJ, Thiesco Crisóstomo.
 A AMPLIADA NACIONAL
A Ampliada Nacional acontece a cada três anos, podendo ser convocadas Ampliadas extraordinárias, conforme a necessidade. Essa reunião tem a participação de delegados diocesanos escolhidos pelas organizações regionais. É a instância em que acontecem as deliberações, escolhas das diretrizes para a ação e caminhada.  É nela que, também, se reflete a representação na coordenação nacional da PJ, além de apontar rumos para a escolha de assessores e secretaria nacionais.
Não se constitui como assembleia, pois tem uma estrutura mais ágil. Porém, é a instância maior de consulta e deliberação da Pastoral da Juventude. Sua coordenação é de responsabilidade da Coordenação Nacional da PJ, com seus assessores. A última ANPJ ocorreu na cidade de Imperatriz/MA, em janeiro de 2011.
 A INSCRIÇÃO
Para divulgar o cartaz a organização da Ampliada lança também a ficha de inscrição para os delegados e delegadas de todo o país que serão indicados pelos Regionais. Esses delegados terão a missão de deliberar e avaliar os passos da PJ para os próximos anos.
“Será uma alegria muito grande receber jovens, assessores e convidados de todo o Brasil em nosso regional, na Arquidiocese de Belo Horizonte. Vamos ter muitos assuntos a discutir, mas também será uma grande celebração” – afirmou o representante do Regional Leste 2, anfitrião da Ampliada, Vinícius Borges.
O lançamento do cartaz e da inscrição para a Ampliada Nacional da PJ marca mais um passo desse caminho que vem sendo construído desde o fim de 2012, quando a Arquidiocese de Belo Horizonte foi eleita como sede. Em breve será lançada a oração da ANPJ e outros materiais preparatórios desta importante atividade da PJ.
Para informações sobre a ANPJ entre em contato com a PJ por meio do site: www.pj.org.br, de nossa fanpage: fb.com/pastoraldajuventude, ou pelo e-mail: ampliadabh2014@pj.org.br.
  Autor/Fonte: Equipe Executiva da ANPJ

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PJ na luta pelo PL4471: #FimDosAutosDeResistência


O projeto de Lei 4471/12 altera o Código de Processo Penal e acaba com o recurso dos ‘autos de resistência’, exigindo investigação em casos de mortes violentas e lesões corporais graves ocorridas em ações policiais. Trata-se de uma medida que impede que estes casos sejam classificadas como "autos de resistência" e estabelece regras claras para a investigação com vistas a coibir práticas de extermínio e de execução extrajudicial.

Entre os pontos que o projeto altera, estão a proibição do acompanhamento do exame de corpo de delito por pessoa estranha ao quadro de peritos, a obrigatoriedade de documentação fotográfica e coleta de vestígios em casos de morte violenta e exame interno do cadáver, sempre que a morte ocorra em com envolvimento de agentes do Estado. Reivindicações antigas do movimento social que podem ser transformadas em Lei pela decisão do Congresso Nacional.
No Brasil ao lado de uma  crescente onda de violência  há também um alto grau de descrença nas instituições policiais tanto pela percepção da violência praticadas por membros destas corporações quanto pelas várias pesquisas que revelam que é grande o número de pessoas – especialmente jovens negros e do sexo masculino – que são vítimas de execução praticada por policiais em ações obscuras e vítimas desaparecidas e cujas mortes jamais são investigadas. O caso do ajudante de pedreiro Amarildo, no Rio de Janeiro, é um exemplo nacional da tragédia cotidiana de milhares de brasileiros e brasileiras.
Neste sentido, nós, da Pastoral da Juventude, em consonância com diversas organizações religiosas e sociais do Brasil, apoiamos este projeto que extingue os “autos de resistência” e lutamos pela sua aprovação no Congresso Nacional. Sabemos que é preciso fortalecer o trabalho da defesa dos Direitos Humanos, no combate ao racismo e na luta pela superação de toda a forma de violência e por isso nos manifestamos claramente em defesa deste importante instrumento de combate às violações por parte de agentes do Estado.
As leis devem ser aplicadas de forma justa e transparente e as ações da Polícia investigadas como as de qualquer outro cidadão no Estado Democrático. A lisura na vigilância sobre nossos aparatos de segurança é um princípio para garantia do direito à vida e para a manutenção da dignidade humana.
Não desejamos uma Polícia opressora, especialmente em um país com diversas e complexas desigualdades sociais, que cobram do Poder Público ações de cidadania e não de violência. Nenhuma morte é apenas estatística. Em defesa da vida e contra o extermínio pedimos a aprovação do PL 4471/2012 e o fim dos autos de resistência já!

#FimDosAutosDeResistência
Fonte: A juventude quer viver! (pj.org.br)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

No Brasil, o termo capitalismo selvagem não é uma metáfora, afirma Luiz Ruffato

Em discurso na Feira do Livro de Frankfurt, escritor fez críticas às desigualdades sociais do país e falou sobre o poder transformador da literatura
11/10/2013

da Redação

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora?”. Com esta pergunta, o escritor Luiz Ruffato, iniciou seu discurso na abertura da Feira do Livro de Frankfurt, na terça-feira (8). O escritor fez duras críticas às desigualdades sociais do Brasil e à violência contra índios, negros, mulheres e homossexuais.
Para o escritor, a diminuição da população indígena ao longo destes anos mostra que o Brasil nasceu sobre a égide do genocídio. Hoje, no país, há apenas cerca de 900 mil indígenas que ainda vivem sob condições precárias e em luta constante pela demarcação de suas terras. Em 1500, eles eram mais de 4 milhões de indivíduos.
Na questão racial, Ruffato falou sobre os resquícios da escravidão mais de um século depois de sua abolição. Ele lembrou que em 1888 não houve qualquer esforço do Estado em promover políticas que dessem aos negros condições mínimas de se inserir na sociedade. “Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores”, disse.
Entre os poucos pontos positivos relatados, a questão da conquista da democracia teve destaque. “São 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil”, disse o escritor lembrando que várias conquistas sociais foram conquistadas após o fim da ditadura militar.
Diante de tantas precariedades que culminam no acúmulo de ódio um para com o outro, Ruffato, mesmo reconhecendo ser um utópico, disse acreditar que a literatura pode ser uma saída para a sociedade. “Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora", concluiu.
Leia a íntegra do discurso do escritor Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt:

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.
O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro --é a alteridade que nos confere o sentido de existir--, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.
Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas - ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.
Até meados do século 19, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.
Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania --moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade--, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...
Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios --o semelhante torna-se o inimigo.
A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.
Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.
Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.
E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.
O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais --ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.
A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.
Mas, temos avançado.
A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia - são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.
Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.
Nós somos um país paradoxal.
Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo --amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.
Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...
Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?
Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."
Fonte: Brasil de Fato

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Protagonismo Juvenil

Na década de setenta do século passado, depois que o regime de exceção  tinha desarticulado as organizações juvenis surgiram, na Igreja, por todo o Brasil os encontros e os grupos de jovens. Aos poucos muitos foram percebendo que para serem eficazes deveriam ser menores, com um número de participantes que possibilitasse relacionamentos interpessoais, mas, sobretudo ajudassem os jovens a serem protagonistas e  gradualmente se formassem  tanto na vida de fé quanto na cidadania.

Estes pequenos grupos passaram a utilizar nas suas reuniões o método Ver-Julgar e Agir que vinha das décadas anteriores. Este método tem o mérito de partir da análise da realidade utilizando-se do arsenal teórico oferecido pelas ciências humanas, de maneira especial a sociologia e a história. O Julgar além de análises que também se utilizam da filosofia entre outras ciências humanas, leva a uma leitura bíblica contextualizada e exigente. O Agir parte para as consequências práticas e as exigências de transformação da sociedade levando a uma junção entre fé e vida. Os jovens foram então desafiados a se comprometer nos grêmios estudantis, nos sindicatos, nos partidos políticos, nas pastorais sociais que iam surgindo, mas também na catequese, na liturgia, na vida religiosa consagrada e no ministério presbiteral. Os grupos também aprenderam a avaliar e a celebrar a caminhada que iam fazendo. Os jovens se iniciavam na dinâmica de grupo, no exercício da liderança, na arte de argumentar, de redigir, de organizar assembleias e eventos.

Algumas figuras de assessores surgem neste momento. Entre estes um padre irlandês, Jorge Boran, que desde a sua chegada ao Brasil no final dos anos sessenta se envolvera com os movimentos e encontros de jovens. Os grupos foram se organizando e com o patrocínio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil surgiu oficialmente a Pastoral da Juventude.

Nos últimos quarenta anos a partir dos seus pilares que são o seguimento de Jesus Cristo, o protagonismo juvenil, o grupo de base, o uso do método Ver-Julgar e Agir, a ligação fé e vida e a organização, a PJ (Pastoral da Juventude) como é carinhosamente chamada tem formado gerações de lideranças, muitas atuando na Igreja, mas a  maior parte na sociedade,  fazendo a diferença e vivendo os valores evangélicos na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna.

A atual campanha contra  o extermínio de jovens que a PJ  já vem fazendo há alguns anos , julgada sensacionalista e exagerada por alguns, mostra-se profética quando a sociedade  se confronta com a morte violenta de jovens ou assassinados ou massacrados no trânsito que reflete as mazelas da sociedade.


A PJ está viva e atuante. São milhares de grupos em todo o Brasil. Inspirando-se nas Comunidades Eclesiais de Base querem continuar a anunciar o Reino no seguimento de Jesus de Nazaré, comprometidos com a transformação deste mundo tão marcado pela morte e pela dor num mundo que aponte para a civilização do amora.
D. SÉRGIO EDUARDO CASTRIANI - Arcebispo Metropolitano de Manaus

Fonte: Arquidiocese de Manaus

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Intenção de oração da Igreja em outubro recorda Dia Mundial das Missões



Como todos os anos, a Igreja celebra no penúltimo domingo de outubro o Dia Mundial das Missões. Em 2013, ocorrerá no dia 20 de outubro e terá como intenção missionária o próprio Dia Mundial, a fim de que os cristãos sejam animados a serem os destinatários e anunciadores da Palavra de Deus.
Em sua mensagem para este dia, Papa Francisco ressaltou que o homem de hoje necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. “A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe”, destacou.
Já como intenção geral, a Igreja, para o mês de outubro, rezará por aqueles que estão desesperados a ponto de desejar o fim da própria vida para que sintam a proximidade amorosa de Deus.
Fonte: Rádio Vaticano