quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Protagonismo Juvenil

Na década de setenta do século passado, depois que o regime de exceção  tinha desarticulado as organizações juvenis surgiram, na Igreja, por todo o Brasil os encontros e os grupos de jovens. Aos poucos muitos foram percebendo que para serem eficazes deveriam ser menores, com um número de participantes que possibilitasse relacionamentos interpessoais, mas, sobretudo ajudassem os jovens a serem protagonistas e  gradualmente se formassem  tanto na vida de fé quanto na cidadania.

Estes pequenos grupos passaram a utilizar nas suas reuniões o método Ver-Julgar e Agir que vinha das décadas anteriores. Este método tem o mérito de partir da análise da realidade utilizando-se do arsenal teórico oferecido pelas ciências humanas, de maneira especial a sociologia e a história. O Julgar além de análises que também se utilizam da filosofia entre outras ciências humanas, leva a uma leitura bíblica contextualizada e exigente. O Agir parte para as consequências práticas e as exigências de transformação da sociedade levando a uma junção entre fé e vida. Os jovens foram então desafiados a se comprometer nos grêmios estudantis, nos sindicatos, nos partidos políticos, nas pastorais sociais que iam surgindo, mas também na catequese, na liturgia, na vida religiosa consagrada e no ministério presbiteral. Os grupos também aprenderam a avaliar e a celebrar a caminhada que iam fazendo. Os jovens se iniciavam na dinâmica de grupo, no exercício da liderança, na arte de argumentar, de redigir, de organizar assembleias e eventos.

Algumas figuras de assessores surgem neste momento. Entre estes um padre irlandês, Jorge Boran, que desde a sua chegada ao Brasil no final dos anos sessenta se envolvera com os movimentos e encontros de jovens. Os grupos foram se organizando e com o patrocínio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil surgiu oficialmente a Pastoral da Juventude.

Nos últimos quarenta anos a partir dos seus pilares que são o seguimento de Jesus Cristo, o protagonismo juvenil, o grupo de base, o uso do método Ver-Julgar e Agir, a ligação fé e vida e a organização, a PJ (Pastoral da Juventude) como é carinhosamente chamada tem formado gerações de lideranças, muitas atuando na Igreja, mas a  maior parte na sociedade,  fazendo a diferença e vivendo os valores evangélicos na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna.

A atual campanha contra  o extermínio de jovens que a PJ  já vem fazendo há alguns anos , julgada sensacionalista e exagerada por alguns, mostra-se profética quando a sociedade  se confronta com a morte violenta de jovens ou assassinados ou massacrados no trânsito que reflete as mazelas da sociedade.


A PJ está viva e atuante. São milhares de grupos em todo o Brasil. Inspirando-se nas Comunidades Eclesiais de Base querem continuar a anunciar o Reino no seguimento de Jesus de Nazaré, comprometidos com a transformação deste mundo tão marcado pela morte e pela dor num mundo que aponte para a civilização do amora.
D. SÉRGIO EDUARDO CASTRIANI - Arcebispo Metropolitano de Manaus

Fonte: Arquidiocese de Manaus

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