sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Viemos para incomodar

Sei que corro o risco de parecer simplista demais, mas quero lhe fazer uma proposta. Olhe para a história da humanidade. Perceba como se deram as grandes mudanças. Normalmente giram em torno de três eixos possíveis:

- intervenção tecnológica,
- acordos entre os chefes das nações,
- lutas, conflitos e sangue.
Agora, olhe novamente para a história a partir de um ponto de vista social. Eu sugiro o olhar das classes menos favorecidas. Você crê, por exemplo, que todo o aparato tecnológico surgiu para facilitar a vida destas pessoas? Era este o intuito primeiro? Foi pensando nos pobres que surgiu a imprensa? Que aconteceu a revolução industrial? Que o ser humano foi para a Lua? Que inventaram o chip do cartão de crédito?


Você crê que todos os chefes das nações, eleitos ou impostos, fazem realmente as coisas pelos pobres porque acreditam na distribuição de renda, riqueza e saber? Você crê que estas classes mais desfavorecidas são somente recebedoras dos benefícios que o Estado tem a lhes oferecer? Você crê que os benefícios que hoje estas pessoas possuem vieram por uma atitude paternalista do governo, sem nenhum interesse além do bem estar social ou da justiça?
Você pode crer nisso. Fique à vontade. Mas eu acredito que nenhum benefício bem vindo é concedido aos mais pobres sem uma luta popular por trás. Olhe as histórias que existem no início de muitos bairros nas periferias das grandes cidades. São relatos de movimentos pela saúde, pela educação, pelo asfalto, pelo saneamento básico, pela segurança.
Nunca foi uma luta fácil. Ninguém abre mão dos privilégios sem tentar reagir. E isso não foi só no passado. Veja hoje como são retratados pela grande imprensa os movimentos sociais que querem chamar a atenção para o acúmulo de terras, para a falta de incentivo para a habitação popular, para a discriminação e abandono dos povos indígenas. São baderneiros, esquerdistas, vagabundos, arruaceiros.
E eu continuo a crer que só há mudança se houver pressão. Por que não é dado o mesmo tratamento ao sindicato que vai ao congresso pressionar por um aumento salarial e ao lobista que aborda o mesmo deputado para garantir mais fundos para esta ou aquela obra?
As camadas populares não tem o dinheiro dos lobistas, mas tem a pressão das pessoas que sentem na pele o descaso e a dor social. A mudança só acontece pela luta organizada. E em muitas delas a Igreja teve papel fundamental.
Existem arruaceiros, vagabundos, esquerdistas e baderneiros nas fileiras da Igreja Católica? Existem aqueles que querem modificar o “estado natural das coisas”? O que existe, meus caros amigos, é gente que estrutura sua ação motivada pelas palavras de Jesus e pelo exemplo das primeiras comunidades.
Jesus foi bem claro quando disse que veio para todos tivessem vida e vida em abundância. Como pode uma pessoa que se diz cristã, seguidora de Jesus, não se incomodar com tanta vida em falta por aí? Com gente sem ter o que comer, onde morar, como tratar da saúde, como ter melhores oportunidades de aprender. Sem isso, não há vida plena. As primeiras comunidades cristãs entenderam o recado. No meio delas, ninguém passava necessidade. Tudo era dividido e posto em comum.
Sensibilizar-se com o drama social e colocar em prática o assistencialismo é só um primeiro passo. É importante, mas não pode parar por aí. Em vários lugares somos nós, enquanto cristãos, que vamos contribuindo na organização popular pelas melhorias na qualidade de vida, seja fazendo abaixo-assinados, panelaços, ocupações, passeatas. Só grupos organizados e motivados conseguem mobilizar para as melhorias necessárias.
E por falar em pastoral, vida plena e desafios sociais, não se pode esquecer que milhares de jovens continuam vítimas da violência, seja matando, seja morrendo. Há uma campanha nefasta que tenta nos empurrar goela abaixo a tal da redução da maioridade penal como “solução” para este mal que aflige as famílias “de bem”. E você, pejoteiro, vai comprar esta história? E você, pejoteira, como pensa em organizar sua comunidade local quanto a isso? Seguindo os passos de Jesus de Nazaré, é preciso continuar incomodando os acomodados.

Por Rogério Oliveira

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nota da CNBB sobre a seca no Nordeste


cnbb“Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados” (2Cor 4,8)
Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 27 e 28 de novembro de 2012, vimos manifestar nossa solidariedade aos irmãos e irmãs que sofrem com a seca no Nordeste. Esta situação, que se prolonga de forma desalentadora, exige a soma de esforços e de iniciativas de todos: governo, Igrejas, empresários, sociedade civil organizada - para garantir às famílias a superação de tamanha adversidade.
Os recursos liberados pelo governo e o auxílio das Cáritas Diocesanas e de outras entidades são, sem dúvida, imprescindíveis para o socorro imediato dos afetados por tão longa estiagem, considerada a pior nos últimos 30 anos. Estas iniciativas têm contribuído para diminuir a fome, a mortalidade infantil e o êxodo. Sendo, porém, a seca uma realidade do semiárido brasileiro, é urgente tomar medidas eficazes que possibilitem a convivência com este fenômeno. Considerem-se, para esse fim, o desenvolvimento de políticas públicas específicas para a região e o aproveitamento das potencialidades das populações locais.
Preocupa-nos o risco de colapso hídrico urbano devido à falta de planejamento para um adequado fornecimento de água. Especialistas na área vêm nos mostrando que há meios mais baratos e de maior alcance social do que os megaprojetos, como a transposição dos recursos hídricos do Rio São Francisco, construção de grandes açudes, dentre outros.
No meio rural, as cisternas para a captação de água de chuva, iniciativa da Igreja Católica, mostraram-se eficientes para enfrentar períodos de estiagem prolongada. É importante ampliar essa iniciativa e também investir na construção de cisternas “calçadão” para a produção de hortaliças. Já a aplicação dos recursos financeiros e técnicos necessita ser ampliada e universalizada, levando-se em conta o protagonismo das populações locais e de suas organizações, no campo e na cidade. Torna-se necessário o controle para que os recursos sejam otimizados e cheguem realmente aos mais necessitados. Um planejamento adequado pode garantir soluções permanentes e duradouras que assegurem as condições de vida digna para todos.
A fé e a esperança, distintivos de nossos irmãos nordestinos, animem seus corações nesta hora de sofrimento e de dor. “Esperando contra toda esperança” (Rm 4,18), confiem-se ao Deus da vida e por seu Filho clamem: “Fica conosco, Senhor, porque ao redor de nós as sombras vão se tornando mais densas, e tu és a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e tu os fazes arder com a certeza da Páscoa” (DAp 554).
Que o Divino Espírito Santo e Maria iluminem e inspirem a todos na esperança e na construção do bem.
Brasília, 28 de novembro de 2012.
Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Caminho da Campanha da Fraternidade 2013


Caderno 'A Caminho da Campanha da Fraternidade 2013'


A Igreja do Brasil também deseja, cada vez mais, estar entre as juventudes. Nessa perspectiva, vai realizar a Campanha da Fraternidade 2013, com o tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui. Envia-me.” (Is 6,8), e acolherá a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. 

A Província Marista Brasil Centro-Norte, em comunhão com a Igreja do Brasil, lançou o Caderno de Reflexões sobre as Juventudes, no desejo de contribuir com a formação dos agentes de pastoral que fazem do contato com as juventudes o lugar teológico da revelação de Deus.

Para fazer o download do documento acesse o link: http://goo.gl/NWlWv

Autor: Província Marista Brasil Centro-Norte

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Consciência Negra: reflexão sobre a identidade nacional


O dia 20 de novembro, por meio da lei 10.639/2003, é o dia nacional da Consciência Negra. A escolha desta data é uma referência ao líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, morto nesta data no ano de 1695. “A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão no período do Brasil Colonial”, avalia o coordenador nacional da Pastoral Afro-Brasileira, Pe. Jurandyr Azevedo de Araújo.


“Ele foi morto defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil”, afirma Pe. Jurandyr. Zumbi recebeu, em 1996 o título de Herói nacional, e seu nome está inscrito no Livro do Aço, no Panteão da Liberdade e da Democracia, na praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

A comemoração do Dia da Consciência Negra é um momento importante de reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. De acordo com Jurandyr, os descendentes dos povos negros africanos colaboraram muito com a história do país em diversos aspectos. “A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão”, afirma o sacerdote.

O papa João Paulo II, durante a visita a Santo Domingo em 1992, recordou que "A estima e o cultivo dos vossos valores Afro-americanos, enriquecerão infalivelmente a Igreja”. Por este motivo, a Pastoral Afro-Brasileira atua no processo de cidadania do povo negro. A CNBB, no documento 65, intitulado “Brasil: 500 Anos de diálogo e Esperança”, publicado em 2000, afirma que "acolher, com abertura de espírito as justas reivindicações de movimentos - indígenas, da consciência negra, das mulheres e outros - (...) e empenhar-se na defesa das diferenças culturais, com especial atenção às populações afro-brasileiras e indígenas" (CNBB, Doc. 65, nº 59).


Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Assembleia Nacional da Pastoral da Juventude será realizada em Belo Horizonte


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A próxima Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude, em 2014, será realizada na Arquidiocese de Belo Horizonte.  Segundo o padre Sebastião Corrêa Neto, assessor referencial do serviço regional de evangelização da juventude do Regional Leste 2 da CNBB, o projeto apresentado pela Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte foi acolhido pela coordenação nacional da pastoral. Assim, o evento que reúne representantes da Pastoral da Juventude de todas as (arqui)dioceses do Brasil será realizado na capital mineira.

O tema da Assembleia Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude 2014 será “Somos Igreja jovem: 40 anos construindo a civilização do amor”. Trata-se de uma referência ao aniversário da Pastoral da Juventude. O lema é inspirado no Livro de Atos: “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos 4,10)

De acordo com o padre Sebastião, o evento ocorre a cada dois anos. Nele, serão decididos os caminhos e prioridades da Pastoral da Juventude. “Também é oportunidade para avaliar projetos”, explicou o sacerdote. A Assembleia será de 19 a 26 de janeiro de 2014.

Fonte: cnbb.org.br

sábado, 17 de novembro de 2012

Senado divulga pesquisa sobre percepção dos brasileiros sobre violência contra jovens e racismo



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Embora dados do Ministério da Saúde apontem os jovens de cor negra como as maiores vítimas da violência, os brasileiros tendem a achar que os homicídios atingem de maneira semelhante os jovens brancos e os negros. A constatação é de uma pesquisa realizada pelo DataSenado de 1º a 11 de outubro deste ano com 1.234 pessoas de 123 municípios do país, incluindo todas as capitais. Veja a íntegra da pesquisa.


Os resultados do levantamento vieram à luz nesta quarta-feira (07) durante solenidade na qual o Senado aderiu à campanha "Igualdade Racial é pra Valer", da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Diante dos números, a titular da Seppir, Luiza Bairros, adverte que eles não refletem apenas o grau de informação da sociedade, mas, acima de tudo, a influência dos valores étnicos na percepção dos problemas sociais.
Para a maior parte dos entrevistados (62,3%), jovens brancos e negros são mortos na mesma proporção, enquanto 31,4% concordam que jovens negros são mortos em maior proporção que os brancos. Apenas 26,3% dos participantes acreditam que a cor dos jovens tem influência no número de mortes.
As estatísticas oficiais, entretanto, revelam um quadro com outros contornos: 53% dos homicídios vitimam pessoas jovens, das quais mais de 75% são jovens negros, de baixa escolaridade, sendo a maioria do sexo masculino. O número de mortes de jovens negros passou de 14.055 em 2000 para 19.255 em 2010 – um crescimento de 37%.
Os resultados da pesquisa mostram que a disseminação de informações e a assimilação delas pela população está aquém do esperado. Ainda assim, os pesquisadores captaram entre os brasileiros a visão já consolidada de que, sem levar em conta a faixa etária, a violência atinge mais as mulheres e os negros. Os principais grupos vulneráveis à violência foram indicados por aproximadamente 67% dos entrevistados.
Renda
Segundo a diretora da Secretaria de Opinião Pública do Senado (Sepop), Elga Lopes, “a população parece aceitar com mais facilidade a ideia de que as mortes violentas estão associadas a fatores socioeconômicos do que a fatores raciais”. Um indício dessa afirmação é que 90,4% declararam acreditar que a violência mata mais pobres do que ricos.
Perguntados sobre as causas das mortes entre jovens, 63% dos entrevistados atribuíram a violência a aspectos sociais, enquanto 34,8% identificaram fatores comumente associados ao comportamento juvenil de risco. Quando inquiridos especificamente sobre a principal causa de morte entre os jovens, a maioria indicou o uso de drogas (56,2%), os acidentes de trânsito (22,4%) e os homicídios (19,8%).
A fim de evitar que as respostas a perguntas genéricas distorcessem uma percepção mais apurada do que os entrevistados pensam sobre a questão da violência, os entrevistadores apresentaram indagações mais específicas. Diante, por exemplo, da frase “homicídio é a principal causa de morte dos jovens negros”, 56,6% dos entrevistados se manifestaram favoravelmente. Percentual semelhante (55,8%) foi registrado para os que concordaram com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte violenta de um jovem branco”. E para 55,1% dos participantes da pesquisa é correto afirmar que “a principal causa de homicídios de jovens negros é o racismo”.
Elga Lopes chama a atenção para outros resultados que merecem análise. Os pesquisadores procuraram mensurar a consciência dos entrevistados sobre “o estigma da pele, uma marca de nascença que influencia a vida das pessoas e é carregada até à morte”. Questionados, quase 52% afirmaram que ser negro ou branco no Brasil, hoje, afeta a vida de uma pessoa – contra 46% que acreditam não afetar.
A diretora destaca, ainda, que a diferença de tratamento por policiais, experimentado por brancos e negros participantes da pesquisa, “chega a ser gritante”. Cerca de 20% dos brancos afirmaram ter se sentido ameaçados ou ofendidos por policiais, quando abordados. Esse mesmo percentual, entre os negros, chega próximo de 30%. Já o tratamento cordial e polido foi relatado por mais de 60% dos brancos – e por menos de 45% dos negros.
Imagens negativas
Na opinião da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, os dados mostram a dimensão da diferença de valor que têm as vidas dos brancos e negros no Brasil.
- Esses resultados decorrem dos vários estereótipos e das imagens negativas que o racismo cola na pessoa negra. Na verdade, o racismo é uma tentativa de desumanização daqueles grupos considerados inferiores - avaliou a ministra.
Luíza Bairros apontou como principal contribuição da pesquisa revelar que “os brasileiros estão perdendo o medo de revelar conflitos derivados do racismo na nossa sociedade".
- Isso é muito bom. Quando o problema é admitido, há mais condições de combatê-lo - observou.
Na opinião de 36,4% dos entrevistados, a principal ação para combater o racismo deve ser a melhoria do ensino nas escolas. A mudança nas leis foi assinalada por 22,7% ao passo que 20,8% consideraram, como principal ação, a garantia do cumprimento das leis.
– A partir da pesquisa, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário poderão fazer um trabalho de combate mais forte contra o preconceito. A própria pesquisa mostra que há dois caminhos: mais investimento em educação e a legislação. Por isso, aprovamos o Estatuto da Igualdade Racial e a política de cotas nas universidades - disse o senador Paulo Paim (PT-RS).

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

CNBB diz NÃO à redução da maioridade penal


Todas as vezes que fizestes isso a um desses mais pequenos (...) foi a mim que o fizestes” (Mt  25,40)
   
“A redução da maioridade penal violenta e penaliza ainda mais adolescentes, sobretudo os mais pobres, negros, moradores de periferias”. A afirmação está na declaração aprovada pela Assembleia da CNBB na tarde desta sexta-feira, 24, em Indaiatuba (SP). “Persistir nesse caminho seria ignorar o contexto da cláusula pétrea constitucional - Constituição Federal, art. 228­ - além de confrontar a Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente, as regras Mínimas de Beijing, as Diretrizes para Prevenção da Delinquência Juvenil, as Regras Mínimas para Proteção dos Menores Privados de Liberdade (Regras de Riad), o Pacto de San José da Costa Rica e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instrumentos que demandam proteção especial para menores de 18 anos”, continua a declaração.
Segundo os bispos, crianças, adolescentes e jovens são vítimas da violência e que “proposta de redução da maioridade penal não soluciona o problema... Crianças, adolescentes e jovens precisam ser reconhecidos como sujeitos na sociedade e, portanto, merecedores de  cuidado, respeito, acolhida e principalmente oportunidades."
  
Fonte: CNBB (cnbb.org.br)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CAJU elabora círculos bíblicos para a CF 2013


Leia o relato-síntese sobre o processo de elaboração dos subsídios para Círculos Bíblicos da Campanha da Fraternidade 2013.


A Igreja do Brasil realiza todos os anos a Campanha da Fraternidade, num esforço de gerar, durante o tempo quaresmal, um processo de conversão, que seja vivenciado a partir da fraternidade e da solidariedade. Em 2013, a Igreja convida seus fiéis a olhar para a Juventude, considerando os sinais que geram vida e morte.




O lema, inspirado na Profecia de Isaias 6,8: “Eis-me aqui, envia-me”, convida para assumir a missão do Reino de Deus, como norte que anima a vida da comunidade, a partir da experiência com Jesus. Para animar as comunidades a vivenciarem este tempo quaresmal e de fraternidade, com intensidade e compromisso, a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organiza uma série de instrumentos pedagógicos e orientações, como é o caso do texto base, dos círculos bíblicos, dos roteiros de encontros para jovens, crianças, escolas e catequese.

Durante o processo de produção e organização de materiais que sejam referencias para as comunidades vivenciarem a CF 2013, a CNBB tem convidado pessoas e instituições com histórico no serviço de evangelização da juventude para fazer parte deste caminho. A Casa da Juventude Padre Burnier – CAJU foi uma das instituições convidadas pela Comissão Bíblico-Catequética para colaborar na elaboração de Círculos Bíblicos com a temática da Campanha da Fraternidade 2013.
Os Círculos Bíblicos são momentos em que as comunidades se encontram para partilhar a vida, as dores e alegrias da semana, a experiência de ler a Bíblia com os olhos da fé e da vida. Herdado da Leitura Popular da Bíblia, os círculos bíblicos são experiências do cotidiano, de fazer teologia e leituras bíblicas a partir do corpo pessoal e comunitário. Nesse esforço de convocar (convidar com o coração) a comunidade a vivenciar com intensidade o tempo quaresmal, como tempo de converter na direção da juventude, a CAJU, obra apostólica da Companhia de Jesus, assumiu essa missão, como Igreja do Brasil, a “serviço da fé e da promoção da justiça”.
Para essa tarefa, nos reunimos em torno da mesa, como seguidores/as de Jesus, para pensar quais eram os caminhos que podíamos convidar as comunidades a percorrerem um caminho na direção da conversão e do compromisso com a juventude. Traçamos um itinerário de viagem, a partir dos lugares bíblicos: Belém, Nazaré, Betânia, Samaria, Jerusalém e Galileia. Um itinerário que provoca a comunidade a olhar para a pessoa do jovem, seu jeito de ser e se apresentar na sociedade de hoje, para construir relações marcadas pelo afeto; tecer redes de proteção, em defesa da vida da juventude empobrecida, vítima primeira do sistema capitalista; assuma com profetismo, a luta contra a violência e o extermínio de jovens e a favor da vida, num movimento de proclamar a vitória da vida sobre a morte e como comunidade proclamar “A Juventude Quer Viver”. Ao final desse caminho, há um convite para celebrar a conversão, a esperança e a solidariedade, num compromisso permanente com a vida da juventude.
A missão e o Seguimento de Jesus se dão na comunidade daqueles que se amam e se querem bem, crentes nesta opção politico-teológica, tecendo uma ciranda de mulheres e homens comprometidos/as com a causa da juventude, para colaborar na elaboração dos círculos bíblicos. São elas/eles: Aurisberg Leite Matutino, Carmem Lucia Teixeira, Débora da Costa Barros, Edina Lima Cardoso, Edinaldo Gomes Barbosa, Erika Pereira Santos, João Paulo Pucinelli, Katiuska Serafin Nieves, Lourival Rodrigues da Silva, Marcelo Antonio Lemos, Marcelo Igor de Sousa, Maria das Graças Figueiredo da Silva Mendes, Regina Marta Pereira Morais.
No subsídio lançado pela Editora CNBB, ainda que não apareçam os nomes das pessoas que colaboraram no caminho, nem da Casa da Juventude Pe. Burnier, ao tomarmos os textos nas mãos, reconhecemos as trajetórias, as pedagogias e as leituras de mundo que a CAJU carrega ao longo de 28 anos de serviço à Juventude, aos Empobrecidos, às Pastorais da Juventude e à Igreja do Brasil e da América Latina.
As comunidades que vivenciarem esses Círculos Bíblicos são convidadas a contar suas experiências, colaborando com a Casa da Juventude, na busca do Magis – do ser mais -, para a maior glória de Deus. Enviem sugestões e apontamentos, para o e-mail: caju@casadajuventude.org.br. Os Círculos Bíblicos podem ser adquiridos nas 

Carmem Lucia Teixeira e João Paulo Pucinelli
Casa da Juventude Padre Burnier
Fonte: Casa da Juventude Padre Burnier (casadajuventude.org.br)

domingo, 11 de novembro de 2012

Reunião da CNPJ e CNAPJ


                                    
Terminou no ultimo dia 4, na cidade de Marabá, a reunião da Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude. Após quatro dias de debates intensos e muitos caminhos para o trabalho da PJ Nacional, foi definido o local que acolherá a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude.
A Arquidiocese de Belo Horizonte foi eleita para acolher a Ampliada Nacional que ocorrerá entre os dias 19 a 26 de janeiro, em 2014. Com o tema “Somos Igreja Jovem: 40 anos construindo a Civilização do Amor” e iluminação bíblica “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4, 20). Será um momento ímpar, pois a Pastoral da Juventude celebra em 2013, 40 anos das suas primeiras articulações em âmbito nacional.
Ainda ficaram definidos durante esta reunião o calendário de atividades da Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude e outras demandas para ação pastoral que se apresentam para o ano de 2013.
Nos dias 05 e 06 de novembro, foi o momento especifico da Comissão Nacional de Assessores da Pastoral da Juventude se reunir também na cidade de Marabá para avaliar e refletir o serviço de acompanhamento junto à Coordenação Nacional da PJ. 

 Fonte: Teias da Comunicação (pj.org.br)

domingo, 4 de novembro de 2012

Os jovens e a construção da autonomia. Um desafio. Entrevista especial com Hilário Dick




“A juventude quer vivência grupal. Nunca houve tanta busca dessa vivência como nos dias de hoje. Por outro lado, a essência da Igreja é ser comunidade (ecclesia). Não se entende uma Igreja que não seja e não promova a comunidade, o grupo. Por isso a juventude espera acolhida”, diz padre jesuíta.
Confira a entrevista:
IHU On-Line – Em que consiste o projeto de revitalização da Pastoral da Juventude Latino-Americana? Em que medida é preciso revitalizar a ação pastoral?
Hilário Dick  É um atestado de sanidade e de saúde para qualquer instituição o fato de ter vontade de sempre se renovar. Ora, a Pastoral Juvenil Latino-Americana tem uma caminhada de 30 anos, fundamentada na construção daCivilização do Amor. As diretrizes dessa caminhada já mereceram várias reelaborações. A grande decisão da revitalização, falada e sonhada há mais tempo, foi a proposta assumida no 3º Congresso Latino-Americano, em 2010, na Venezuela. Trata-se de reforçar o espírito missionário da juventude, seguindo uma inspiração bíblica. A novidade foi a escolha dos lugares bíblicos alimentando essa revitalização, isto é, impulsionada por aquilo que é mais de Deus: o Evangelho. Vai sair, por isso, em breve, nova edição da obra Civilização do Amor com o subtítuloProjeto e Missão. A Conferência de Aparecida, embora não tenha dito algo novo neste campo da evangelização da juventude, não deixou de reforçar o que já se vinha fazendo, embora dificultando um aspecto fundamental: a articulação, considerada como o melhor instrumento para suscitar a formação de jovens caminhando para o empoderamento, a autonomia ou, então, o protagonismo. A revitalização é uma exigência da vida; também o é da ação pastoral. Uma das formas de sempre se renovar é saber alimentar-se da Palavra de Deus.
IHU On-Line – Na sua avaliação, a juventude está mais consciente do seu papel como ator social?
Hilário Dick  Toda a humanidade e também toda a juventude, com o decorrer da história, cresce em consciência social.  Assim como se descobrem e se conquistam novos direitos, também vão-se conquistando e descobrindo novos deveres. É arriscado dizer que a juventude, hoje, tem mais consciência. A juventude atual não é melhor nem pior que a juventude de outrora: ela é diferente. Assim como nos anos 1960 a juventude tentou fazer tudo o que fez sem TV, sem celular, sem internet, etc., a juventude de 2012 deve tentar fazer tudo o que pode com os auxílios que a técnica e a comunicação oferecem. Nos últimos tempos estamos vendo manifestações juvenis significativas em várias partes do mundo. Poderiam ser mais? Poderiam ser melhores? Ser ator social nem sempre é fácil. Assim como também não foi. O mundo dos adultos não quer e nem pode entregar, nas mãos da juventude, o protagonismo e a autonomia. Isso sempre será conquista e sempre será conflitivo.
IHU On-Line – Quais os limites e desafios da Igreja diante da Juventude?
Hilário Dick  O documento 85 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desenvolvendo sua doutrina sobre a evangelização da juventude, chama-se Desafios e Perspectivas da Evangelização da Juventude. Não vou repetir o que está exposto nesse documento. Você faz, no entanto, outra pergunta, dizendo: "O que a juventude procura na Igreja e o que a Igreja tem para oferecer a esta juventude". Eu gostaria de responder às duas questões numa só resposta. Pensando bem, a Igreja e a juventude se encontram: a Igreja naquilo que ela deveria ser e a juventude naquilo que ela sonha com uma instituição como a Igreja. Acentuaria cinco aspectos:
1) a juventude quer vivência grupal. Nunca houve tanta busca dessa vivência como nos dias de hoje. É falso dizer que a juventude não quer viver em grupo. Por outro lado, a essência da Igreja é ser comunidade (ecclesia). Não se entende uma Igreja que não seja e não promova a comunidade, o grupo. Por isso a juventude espera acolhida;
2) a juventude espera ser reconhecida em sua realidade concreta. A Igreja, por sua vez, que não se encarna nas diferentes realidades onde deseja anunciar a Boa Nova, não é a Igreja de Jesus Cristo que se encarnou. É nessa inserção que nasce o profetismo e a juventude deseja uma Igreja profética;
3) a juventude quer ser ela mesma, quer deixar de ser massa para ser povo, isto é, um segmento organizado. Por outro lado, na Igreja, a pastoral orgânica e a colegialidade episcopal fazem parte de seu ser. É só na organização que a juventude vai construir a sua autonomia e seu protagonismo. Não há outro instrumento;
4) a Igreja tem consciência de que ela, como Deus, deve ser acompanhante. Nas últimas Diretrizes Gerais da CNBB, os bispos até dizem que a Igreja é a casa da iniciação cristã. A juventude não quer caminhar sozinha; ela sonha com a presença de alguém que saiba ser “companheiro”, alguém que, com ela, coma do mesmo pão. Portanto, as duas vocações se encontram;
5) a juventude sonha com uma formação que seja integral, que a ajude em todas as suas dimensões. Um dos maiores vazios que ela sente é a ausência destes/as companheiros. Por outro lado, a Igreja diz nas suas Diretrizes que ela é e deseja ser uma Igreja a serviço da vida plena para todos. Por isso que afirmamos que não é grande a distância entre a Igreja e a juventude.
Voltando às JMJ, devemos ter presente essas realidades por parte da Igreja (instituição) e por parte da juventude. Se for grande a distância entre os sonhos e as vocações, o diálogo será mais difícil.
IHU On-Line – O que espera da visita do Papa ao Brasil no próximo ano, quando participará da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro?
Hilário Dick  Deixemo-lo primeiramente vir. Claro que é bem-vindo. O povo brasileiro e a juventude brasileira vão estar de festa. Depois, talvez, possamos fazer uma avaliação. Sonhamos, contudo, que nosso Papa não deixe de estimular a juventude do mundo para que sejam uma novidade no seguimento a Jesus Cristo, indo além das sacristias e dos templos, proclamando o Reino de Deus e não só incentivando o amor à Igreja.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CNPJ e CNAPJ reunidas em Marabá/PA


A cidade de Marabá/PA acolhe dos dias 1 a 4 de novembro de 2012, mais uma reunião da Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude. Espaço que reúne jovens e assessores de todas as partes do país, organizados nos dezessetes regionais da CNBB. A reunião acontece no Centro de Formação do Sagrado Coração de Jesus, na diocese de Marabá e conta também com a participação do Pe. Antonio Ramos (Toninho), assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB.
 
Dentre os diversos assuntos que serão pautados durante a reunião estão previstos os temas sobre a análise de conjuntura sócio-política-eclesial; formação sobre o subsídio de estudo “Somos Igreja Jovem”; apresentação das candidaturas para acolhida da próxima Ampliada Nacional da PJ; estudo, avaliação e planejamento dos projetos nacionais da PJ; reflexão e encaminhamentos sobre a Campanha Nacional contra a violência e extermínio de jovens; análise sobre a presença da PJ no CONJUVE; Campanha da Fraternidade 2013 e o envolvimento da Pastoral da Juventude; realização da Jornada Mundial da Juventude, peregrinação da cruz e ícone de Nossa Senhora e a participação dos jovens e assessores da PJ; e parcerias com organizações, entre outros temas afins.
Segundo Thiesco Crisóstomo, secretário nacional da PJ, “esta reunião tem importância singular por reafirmar a proposta organizativa da PJ e também por ser a ocasião para a definição do local, tema e iluminação bíblica da próxima Ampliada Nacional da PJ”.
A Ampliada acontecerá em janeiro de 2014, sendo o espaço deliberativo para a organização da PJ no seu todo e começa a ser organizada a partir desta reunião, sendo desenvolvida ao longo de todo o ano de 2013 culminando na realização do evento em 2014.
 Para Elayne Cristina, coordenadora nacional da PJ pelo regional Norte 1 (Amazonas e Roraima), “a importância da reunião acontecer no norte do Brasil é muito significativa por várias questões, dentre elas a dimensão cultural, pois será momento de que os jovens e assessores oriundos de várias regiões brasileiras terão contato com a realidade amazônica”.
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Fonte: Site da PJ Nacional