quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nota da Arquidiocese de Feira de Santana em apoio às manifestações contra as Reformas da Previdência e Trabalhista

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu grito por causa de seus opressores; pois eu conheço as suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e fazê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel (Ex 3,7-8).

A Arquidiocese de Feira de Santana, em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compartilha das dores e alegrias do povo de Deus neste momento conflitivo de retirada de direitos fundamentais conquistados à duras penas e consagrados na Constituição de 1988. O Brasil vive momentos de tensões, turbulências e agonia.
A forma com a qual o governo brasileiro encaminhou as reformas da PREVIDÊNCIA SOCIAL, SEGURIDADE SOCIAL e TRABALHISTA tem provocado tensões e revoltas das entidades que representam os trabalhadores brasileiros. O processo atropela a participação popular, tira direitos dos mais pobres, não mexem nas aposentadorias do presidente da república, senadores, deputados, governadores prefeitos e vereadores.
A CNBB recomenda que altercação na “Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão” (nota da CNBB sobre a PEC 287/16).
Escutemos o profeta Amós: “Ai de vós que destroem os direitos conquistados pelos mais pobres. Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão” (Amós 5,7), bem como o Apostolo Tiago: “Lembrai-vos de que o salário, do qual privastes os trabalhadores que ceifaram os vossos campos, clama, e os gritos dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor” (Tiago, 5,4). O direito do salário justo e da aposentadoria segura não pode ser uma concessão do governo ou do Congresso Nacional, de legitimidade questionável, mas um pacto envolvendo os vários atores da sociedade, respeitando as regras da democracia participativa.
Como pastores do povo de Deus, queremos nos somar ao grito de milhões de brasileiros atingidos pelas reformas. Como cristãos sabemos que os clamores do povo chegarão a Deus, como aconteceu durante a escravidão no Egito: “os israelitas, gemendo sob o peso da servidão, gritaram; e do fundo da servidão o seu clamor chegou até Deus. E Deus ouviu os seus gemidos” (Êxodo 2,23-24).
Os números que formam déficit da previdência apresentados pelo governo são contestados por órgãos do próprio governo e de especialistas em Previdência Social. Fala-se em uma dívida de algumas empresas com a previdência de mais de 400 bilhões de reais. Somente cobrando divida desses grandes devedores já seria o suficiente para cobrir o rompo da seguridade social. Por que penalizar os mais pobres e trabalhadores?
Como Igreja e como cidadãos não devemos nos calar diante desse clamor ingente e em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo fiel às raízes mais profundas do Evangelho, cujo amor preferencial pelos pobres se faz ecoar em nossas consciências e corações, “apoiamos e motivamos todos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”.
Apoiamos as entidades e o povo que sairão as ruas nesta sexta-feira dia 28 de abril, para que o governo volte a melhor ouvir as entidades populares, a Ordem dos Advogados do Brasil e a sociedade organizada.
Que a Senhora Sant’Ana nossa padroeira, Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, neste Ano Mariano, abençoe o seu povo que estará nas ruas, reivindicando a manutenção de direitos consagrados na Constituição Cidadã.

Dom Zanoni Demettino Castro
Arcebispo Metropolitano
Pe. Edimundo Almeida dos Santos 
Coordenador Arquidiocesano de Pastoral

terça-feira, 25 de abril de 2017

Curso Regional de Formação de Assessores da PJ é realizado em Feira de Santana

A imagem pode conter: 23 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas sentadas
Foi realizado neste fim de semana (21-23 de abril) o Curso de Formação de Assessores (CUFA) da Pastoral da Juventude do Regional Nordeste 3. A formação ocorreu na Chácara Santo Inácio, em Feira de Santana. O encontro contou com a presença de assessores diocesanos das várias partes do regional. Também contamos com a presença de Samantha Gadelha (Secretaria Regional), Ivan Santos (Assessoria Regional) e articuladores de RP, e da equipe local (Arquidiocese de Feira de Santana).
O encontro começou na sexta, com a Mística Inicial, conduzida por Selma, da Diocese de Jequié, e outros assessores e jovens. Rezamos o Ofício Divino da Juventude, e sem seguida nos apresentamos.
O sábado iniciou com o ofício da manhã, e logo em seguida começou-se a formação, que ficou por conta de Hildete Emanuele, da Arquidiocese de São Salvador. O tema do CUFA foi: “Ministério da assessoria: chão, caminhos e horizontes”. Na parte da manhã de sábado, Hildete ajudou a todos a fazer uma visão geral de como está a assessoria em todo nosso Regional. E especial, foram utilizados os dados dum questionário respondido pelos assessores. Ainda pela manhã contamos com a visita de Dom Zanoni, arcebispo metropolitano de Feira de Santana, que também nos falou da importância da formação e da pastoral de conjunto.
A parte da tarde foi o momento de pensar luzes para o caminho, e no fim da tarde foram divididos grupos para pensar nesse sentido, e ver através da metodologia e subsídios utilizados, como trabalhar a assessoria em nossas Dioceses e Regional. Após o intervalo e janta, foi o momento da noite cultural, onde contamos com a apresentação teatral da Taís, que faz parte da comunidade católica local, e do grupo Magis (juventude ligada aos Jesuítas). Esta apresentação falou da realidade sofrida dos retirantes da nossa regiuão nordeste, que graças a Deus, tem diminuído nos últimos anos. Ainda houve um karaokê, provocado por Ivan, da nossa assessoria regional.

O domingo iniciou com a Santa Missa na Igreja Todos os Santos, junto à toda comunidade. Em seguida, voltamos à plenária. Momento de pesar o agir, o concreto, definir caminhos e horizontes para a assessoria da PJ nas Dioceses e Regional. Por fim, rezamos a mística de envio, com a condução da Arquidiocese de Feira de Santana, onde nos abençoamos, pedindo luz para o caminho de serviço nas Dioceses e bases. 

Com informações de Erik Nascimento, pela Articulação da PJ na Região Pastoral 3

terça-feira, 18 de abril de 2017

Comissão Pastoral da Terra lança caderno de Conflitos no Campo 2016


Relatório chama atenção para o aumento de assassinatos no campo em 2016
“Esse relatório não é um livro. Não são apenas dados, mas são pessoas que pretendemos mostrar ao Brasil”, dessa forma dom Leonardo Steiner, secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo auxiliar de Brasília se referiu à publicação "Conflitos no Campo Brasil 2016" que a Comissão Pastoral da Terra lançou dia 17 de abril, na presença de jornalistas, lideranças de movimentos sociais e representantes do parlamento brasileiro. 
A advogada Divanilce de Sousa Andrade, presente no lançamento, não deixou que a história da sua mãe Nilce de Souza Magalhães, liderança do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), fosse apenas um número do relatório. Divanilce ressaltou aspectos da luta de sua mãe assassinada em 7 de janeiro de 2016, em Rondônia. Emocionada, ela falou da morosidade da justiça, da ausência do Estado brasileiro e da certeza da impunidade.
O relatório Conflitos no Campo Brasil 2016 organizado pela Comissão Pastoral da Terra, desde 1985, chama a atenção para o aumento de assassinatos. O ano 2016 entra para a história como o ano com o maior número de assassinatos no campo em decorrência de conflito agrários, de luta pela terra e pela água, nos últimos 13 anos. O monitoramento da CPT registrou 61 assassinatos ano passado, 11 a mais que em 2015, com registro de 50 assassinatos.
Rigor científico
O bispo responsável pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) dom Enemésio Lazzaris ressaltou a seriedade do trabalho da equipe da CPT na documentação e organização do levantamento e pesquisa dos conflitos no campo. Ele chama atenção também para o estado de abandono no qual se encontram comunidades tradicionais, as comunidades do campo, os povos originários, os quilombolas e os pescadores. “É necessário pressionar mais para que os direitos adquiridos por essas comunidades sejam mantidos, confirmados e até ampliados”, disse dom Enemésio.
O relatório destaca ainda que vem aumentando, desde 2015, atos do Executivo e do Legislativo brasileiros, que implicam e resultarão em redução dos direitos já conquistados pela agricultura familiar, indígenas e quilombolas. Um exemplo citado pelo professor da Universidade Federal da Paraíba, Marco Mitidiero, é o fato de executivo ter retirado do censo agropecuário questões relativas ao uso de agrotóxicos e à agricultura familiar. 
Com este relatório a CPT espera que os dados, organizados com rigor científico, sensibilizem as autoridades para que tenham um pouco mais de atenção e facilitem a vida dos camponeses e comunidades indígenas. Os dados da pesquisa e o relatório podem ser acessados no site da CPT:www.cptnacional.org.br.
Fonte: CNBB

sábado, 15 de abril de 2017

“Eles ainda não tinham compreendido… Ele devia ressuscitar dos mortos.”


“Eles ainda não tinham compreendido… Ele devia ressuscitar dos mortos.”
“Ele viu e acreditou”
pascoa2-01
Domingo da Páscoa
1° leitura: At 10, 34a . 37-43 | Salmo 117 | 2° leitura: Cl 3, 1-4 | Evangelho: Jo 20, 1-9
  
É Páscoa do Senhor!!! Estamos celebrando hoje a festa mais importante de nossa experiência de fé. Festa esta que foi herdada de nossos antepassados. Antes de nós cristãos enxergarmos em Jesus, o cordeiro pascal, esta festa já era celebrada por judeus que por sua vez a herdaram do povo hebreu, de camponeses e de pastores. Tudo bem que cada povo foi dando a Páscoa elementos e significados. Páscoa é passagem, é mudança: no primeiro testamento, a Páscoa para os camponeses cananeus era na primavera, na festa da colheita, na passagem do cereal velho para o novo. Para os pastores seminômades, sua festa da Páscoa era na passagem de um acampamento velho para um novo. Para os hebreus fugitivos das garras do faraó, foi a passagem da escravidão para a liberdade. Os judeus integraram estas experiências pascais e celebram até hoje a um Deus que conduziu a saída do Egito, numa cerimônia onde não faltam o pão sem fermento, o cordeiro e as ervas amargas.

Para nós cristãos, depois da sexta feira da Paixão, chegamos no domingo de Páscoa proclamando a ressurreição de Jesus. É nossa Páscoa!!! Quanta coisa… quanto simbolismo nisto tudo!!! Em nossas comunidades vivemos intensamente este período, mas é preciso se demorar mais em cada aspecto para termos tempo de assimilar tudo o que rezamos.

A caminhada de Jesus foi bonita demais, foi verdadeira e encantadora. Por onde Jesus passava ele arrastava seguidores/as, conseguiu levar multidões… Ele falava de Reino, que não era o Romano, mas era de Deus, um Reino de justiça, de partilha, de encontros, de supremacia incondicional da vida! Jesus contava estórias, sentava-se à mesa, tocava e se deixava tocar! Jesus advertia, era enfático e até brigava na defesa de uma proposta que desinstalava do poder quem não servia para amar, mas sim oprimia àos/às pequenos/as de Deus.

Jesus não morreu, foi assassinado! Mataram a Jesus! Quem estava incomodado com a pessoa e a proposta de Jesus, lhe pediu a prêmio… sua execução deveria servir de exemplo… dai a Ele morte de cruz… O interessante é que os poderes políticos e religiosos se juntaram para perseguir, prender, julgar e matar a Jesus… o jovem galileu que a tantos/as encantou com sua outra forma de ver, ser e estar no mundo, se transformou em Jesus de Nazaré[1], e acabou sendo tachado de perigoso, subversivo…

Imaginem como não sentiram aqueles/as que tinham se encantado/a com suas palavras, gestos e ações ao O verem pregado na cruz… O nosso mestre, o nosso líder, o nosso grande Jesus, morreu por causa de tudo aquilo que defendeu e nos ensinou… mataram a Jesus. Se fizeram com Ele, o que não fará com a gente? Foi tudo por água abaixo…

O Evangelho de hoje termina dizendo que eles: Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado não haviam compreendido… E nós compreendemos?

Quantas vezes sonhamos um outro mundo possível, necessário e urgente; a Civilização do Amor, o Reino de Deus… quantas vezes não nos doamos por uma causa e vem a opressão e nos dilacera… quantos assassinatos, quantas leis, quanta truculência policial, quanta jogada política, quanta maldade contra quem luta a favor da vida. É tanta coisa que o Papa Francisco nos alertava que muitos/as de nós ficamos parados na Sexta Feira da Paixão e não avançávamos para o Domingo da Ressurreição.

A comunidade de João nos conta que Maria Madalena vai ao túmulo de Jesus ainda escuro. Este e os outros evangelhos nos dão conta que as primeiras a testemunharem a Ressurreição são as mulheres, tanto é que na sequencia deste texto do evangelho veremos o primeiro relato da aparição de Jesus Ressuscitado que se dá com Maria Madalena. Mesmo escuro vale a pena se jogar e ir de encontro às dores, desilusões, medos, é lá que necessitamos da força da Ressurreição!!! Lá é que necessitamos do frescor da vida nova!

Maria Madalena, neste momento ainda desconfiada, teme terem levado o corpo de Jesus, procura ajuda, vai de encontro à Pedro e ao discípulo amado[2], e estes com ritmos e posturas diferentes vai de encontro ao sepulcro que está vazio. Provavelmente não roubaram o corpo de Jesus, os panos estavam minimamente organizados. Ele ressuscitou!

É o discípulo amado que vê, e acredita!!! Sim, é preciso mais que ver[3]… É preciso acreditar, de fato Ele tinha que ressuscitar dos mortos… Cristo não morreu!!! Ele continua vivo no povo que é seu[4]… a morte não é maior que a vida!!! Em nossa Páscoa, afirmamos crentemente que a proposta de vida nova e abundante proposta por Jesus, supera até mesmo a morte e esta ressurreição se revela quando partimos o pão e continuamos a fazer o que Ele nos ensinou, fazendo arder os nossos corações. Somos comunidades dos/as seguidores/as de Jesus Ressucitado.

A ressurreição acontece quando não morre em nós a esperança, quando não morre em nós a coragem de lutar, quando não morre em nós o desejo de sermos construtores/as do Reino. A ressurreição acontece quando teimamos em pautar a vida, mesmo quando estamos rodeados em sinais de morte!

Nos Atos dos Apóstulos, encontramos Pedro fazendo memória da vida de Jesus e dizendo da missão de anunciar o Ressucitado… sím é preciso chegar ao Domingo da Ressurreição. Nossa fala, nossa proposta tem que soar vida, tem que ter frescor. O Papa Francisco também nos diz que não podemos anunciar Cristo com cara de cemitério! Aleluia!!! Jesus ressuscitou!!! Cristo vive!!! Façamos a vida florescer.

Por Pedro Caixeta
CEBI GO
Coordenador Nacional da PJ (2006 – 2009)
pedro.caixeta.pj@gmail.com
[1] Padre Zezinho conta na música “Um certo galileu” esta trajetória. É interessante o acréscimo que ele faz depois em sua canção. O acréscimo é referente à Ressurreição, faça a experiência de ouvir a canção somente até a crucifixão e depois mergulhe nas estrofes acrescentadas. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=Z826EzAjOj4
[2] É interessante pensar o que significa essas duas figuras nesta hora. Teologicamente o que a comunidade Joanina quis dizer? Trazendo para hoje, quem seriam estas figuras? É interessante fazer a mesma análise com o movimento realizado pelos dois. E se quiser continuar lendo o texto bíblico, continuar analisando o movimento de Maria Madalena.
[3] Voltem ao texto bíblico e procurem o verbo ver todas as vezes que aparece… O que é ver? Qual é a diferença entre enxergar, ver e acreditar?
[4] Outra canção que vale meditarmos na Páscoa é O mesmo rosto, do Jorge Trevisol.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Aborto: nova nota de condenação da CNBB


Resultado de imagem para cnbb

"O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro", afirmam os bispos.
Na tarde desta terça-feira, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu Nota Oficial "Pela vida, contra o aborto". Os bispos reafirmam posição firme e clara da Igreja "em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural" e, desse modo lembra condenam "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil". 
"O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu", sublinham os bispos.
Os bispos ainda lembram que "o respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto".  E afirmam: "A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade". 
Atitudes antidemocráticas
Na Nota, os bispos afirmam: "Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar". 
A CNBB pede: "O Projeto de Lei 478/2007 - “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado". E conclama: as "comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana".

Leia a Nota:
  CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 
Presidência


NOTA DA CNBB
PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio”
(Didaquê, século I)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Presidência, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural . Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil. 
O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início . Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso.
A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência  e o arcabouço moral  do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo . As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores . O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis” .
O respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto. O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro. A ninguém pode ser dado o direito de eliminar outra pessoa. A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade. O Papa Francisco afirma que “as mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer” .
Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar. 
O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 - “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado. 
Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto” . São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto. 
É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças. É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos. 
Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana.
Neste Ano Mariano Nacional, confiamos a Maria, Mãe de Jesus, o povo brasileiro, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.  

Brasília-DF, 11 de abril de 2017.


Cardeal Sergio da Rocha
 Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

             Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ   
 Arcebispo de São Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo U. Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

terça-feira, 4 de abril de 2017

PJ define tema e lema do 12º Encontro Nacional


A imagem pode conter: texto

O tema do 12º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, que acontece em janeiro de 2018 na cidade de Rio Branco/AC, traz a força de uma saudação própria dos índios Kaxinawá: “Txai: da seiva da vida, a festa do Bem Viver”. A iluminação bíblica faz parte do texto da Samaritana: “Sou eu que estou falando com você” (cf Jo 4,26). A escolha foi feita após oração e reflexão da Coordenação Nacional da PJ e Comissão Nacional de Assessores em transição, reunida em São Paulo/SP de 30 de março a 02 de abril.
O “Txai” significa “a outra metade de mim”, companheiro e reflete o desejo de saudar a diversidade numa poesia própria dos povos intimamente ligados com a natureza. Os demais elementos do lema representam o desejo da PJ de celebrar a cultura do bem viver e a Mística do chão acreano, tão próximo de outros países da América Latina e berço de imigrantes 
WhatsApp Image 2017-04-02 at 21.40.49 (2)
e povos dos mais diversos.

Segundo o representante do Regional Noroeste, que acolhe o ENPJ, Deivisson Souza, a expectativa que brota no coração das lideranças tem sido marcante. “É com coração contemplado e cheio de alegria que acolhemos o tema/lema e iluminação bíblica do 12°ENPJ, reconhecendo em cada palavra um pouco da história do nosso chão que é marcado por muitas lutas. Entusiasmados queremos continuar a caminhada, passar pela Samaria, celebrar nas proximidades da tríplice fronteira com os povos latinos americanos e efetivar a cultura do bem viver em nossa Pachamama. Como diz os índios da tribo Kaxinawá: TXAI, para que possamos ser mais que companheiros/as, possamos ser irmãos/ãs”, ressaltou.
A Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude, Comissão Nacional de Assessores e a equipe local da Arquidiocese de Rio Branco e Regional Noroeste vão continuar a reflexão a partir do lema e iluminação para construírem a proposta metodológica do ENPJ. Os materiais e elementos subsidiarão os e as jovens pelo Brasil para estarem em sintonia com a atividade.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional