quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nota da Arquidiocese de Feira de Santana em apoio às manifestações contra as Reformas da Previdência e Trabalhista

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Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu grito por causa de seus opressores; pois eu conheço as suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e fazê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel (Ex 3,7-8).

A Arquidiocese de Feira de Santana, em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compartilha das dores e alegrias do povo de Deus neste momento conflitivo de retirada de direitos fundamentais conquistados à duras penas e consagrados na Constituição de 1988. O Brasil vive momentos de tensões, turbulências e agonia.
A forma com a qual o governo brasileiro encaminhou as reformas da PREVIDÊNCIA SOCIAL, SEGURIDADE SOCIAL e TRABALHISTA tem provocado tensões e revoltas das entidades que representam os trabalhadores brasileiros. O processo atropela a participação popular, tira direitos dos mais pobres, não mexem nas aposentadorias do presidente da república, senadores, deputados, governadores prefeitos e vereadores.
A CNBB recomenda que altercação na “Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão” (nota da CNBB sobre a PEC 287/16).
Escutemos o profeta Amós: “Ai de vós que destroem os direitos conquistados pelos mais pobres. Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão” (Amós 5,7), bem como o Apostolo Tiago: “Lembrai-vos de que o salário, do qual privastes os trabalhadores que ceifaram os vossos campos, clama, e os gritos dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor” (Tiago, 5,4). O direito do salário justo e da aposentadoria segura não pode ser uma concessão do governo ou do Congresso Nacional, de legitimidade questionável, mas um pacto envolvendo os vários atores da sociedade, respeitando as regras da democracia participativa.
Como pastores do povo de Deus, queremos nos somar ao grito de milhões de brasileiros atingidos pelas reformas. Como cristãos sabemos que os clamores do povo chegarão a Deus, como aconteceu durante a escravidão no Egito: “os israelitas, gemendo sob o peso da servidão, gritaram; e do fundo da servidão o seu clamor chegou até Deus. E Deus ouviu os seus gemidos” (Êxodo 2,23-24).
Os números que formam déficit da previdência apresentados pelo governo são contestados por órgãos do próprio governo e de especialistas em Previdência Social. Fala-se em uma dívida de algumas empresas com a previdência de mais de 400 bilhões de reais. Somente cobrando divida desses grandes devedores já seria o suficiente para cobrir o rompo da seguridade social. Por que penalizar os mais pobres e trabalhadores?
Como Igreja e como cidadãos não devemos nos calar diante desse clamor ingente e em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo fiel às raízes mais profundas do Evangelho, cujo amor preferencial pelos pobres se faz ecoar em nossas consciências e corações, “apoiamos e motivamos todos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”.
Apoiamos as entidades e o povo que sairão as ruas nesta sexta-feira dia 28 de abril, para que o governo volte a melhor ouvir as entidades populares, a Ordem dos Advogados do Brasil e a sociedade organizada.
Que a Senhora Sant’Ana nossa padroeira, Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, neste Ano Mariano, abençoe o seu povo que estará nas ruas, reivindicando a manutenção de direitos consagrados na Constituição Cidadã.

Dom Zanoni Demettino Castro
Arcebispo Metropolitano
Pe. Edimundo Almeida dos Santos 
Coordenador Arquidiocesano de Pastoral

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