sábado, 15 de abril de 2017

“Eles ainda não tinham compreendido… Ele devia ressuscitar dos mortos.”


“Eles ainda não tinham compreendido… Ele devia ressuscitar dos mortos.”
“Ele viu e acreditou”
pascoa2-01
Domingo da Páscoa
1° leitura: At 10, 34a . 37-43 | Salmo 117 | 2° leitura: Cl 3, 1-4 | Evangelho: Jo 20, 1-9
  
É Páscoa do Senhor!!! Estamos celebrando hoje a festa mais importante de nossa experiência de fé. Festa esta que foi herdada de nossos antepassados. Antes de nós cristãos enxergarmos em Jesus, o cordeiro pascal, esta festa já era celebrada por judeus que por sua vez a herdaram do povo hebreu, de camponeses e de pastores. Tudo bem que cada povo foi dando a Páscoa elementos e significados. Páscoa é passagem, é mudança: no primeiro testamento, a Páscoa para os camponeses cananeus era na primavera, na festa da colheita, na passagem do cereal velho para o novo. Para os pastores seminômades, sua festa da Páscoa era na passagem de um acampamento velho para um novo. Para os hebreus fugitivos das garras do faraó, foi a passagem da escravidão para a liberdade. Os judeus integraram estas experiências pascais e celebram até hoje a um Deus que conduziu a saída do Egito, numa cerimônia onde não faltam o pão sem fermento, o cordeiro e as ervas amargas.

Para nós cristãos, depois da sexta feira da Paixão, chegamos no domingo de Páscoa proclamando a ressurreição de Jesus. É nossa Páscoa!!! Quanta coisa… quanto simbolismo nisto tudo!!! Em nossas comunidades vivemos intensamente este período, mas é preciso se demorar mais em cada aspecto para termos tempo de assimilar tudo o que rezamos.

A caminhada de Jesus foi bonita demais, foi verdadeira e encantadora. Por onde Jesus passava ele arrastava seguidores/as, conseguiu levar multidões… Ele falava de Reino, que não era o Romano, mas era de Deus, um Reino de justiça, de partilha, de encontros, de supremacia incondicional da vida! Jesus contava estórias, sentava-se à mesa, tocava e se deixava tocar! Jesus advertia, era enfático e até brigava na defesa de uma proposta que desinstalava do poder quem não servia para amar, mas sim oprimia àos/às pequenos/as de Deus.

Jesus não morreu, foi assassinado! Mataram a Jesus! Quem estava incomodado com a pessoa e a proposta de Jesus, lhe pediu a prêmio… sua execução deveria servir de exemplo… dai a Ele morte de cruz… O interessante é que os poderes políticos e religiosos se juntaram para perseguir, prender, julgar e matar a Jesus… o jovem galileu que a tantos/as encantou com sua outra forma de ver, ser e estar no mundo, se transformou em Jesus de Nazaré[1], e acabou sendo tachado de perigoso, subversivo…

Imaginem como não sentiram aqueles/as que tinham se encantado/a com suas palavras, gestos e ações ao O verem pregado na cruz… O nosso mestre, o nosso líder, o nosso grande Jesus, morreu por causa de tudo aquilo que defendeu e nos ensinou… mataram a Jesus. Se fizeram com Ele, o que não fará com a gente? Foi tudo por água abaixo…

O Evangelho de hoje termina dizendo que eles: Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado não haviam compreendido… E nós compreendemos?

Quantas vezes sonhamos um outro mundo possível, necessário e urgente; a Civilização do Amor, o Reino de Deus… quantas vezes não nos doamos por uma causa e vem a opressão e nos dilacera… quantos assassinatos, quantas leis, quanta truculência policial, quanta jogada política, quanta maldade contra quem luta a favor da vida. É tanta coisa que o Papa Francisco nos alertava que muitos/as de nós ficamos parados na Sexta Feira da Paixão e não avançávamos para o Domingo da Ressurreição.

A comunidade de João nos conta que Maria Madalena vai ao túmulo de Jesus ainda escuro. Este e os outros evangelhos nos dão conta que as primeiras a testemunharem a Ressurreição são as mulheres, tanto é que na sequencia deste texto do evangelho veremos o primeiro relato da aparição de Jesus Ressuscitado que se dá com Maria Madalena. Mesmo escuro vale a pena se jogar e ir de encontro às dores, desilusões, medos, é lá que necessitamos da força da Ressurreição!!! Lá é que necessitamos do frescor da vida nova!

Maria Madalena, neste momento ainda desconfiada, teme terem levado o corpo de Jesus, procura ajuda, vai de encontro à Pedro e ao discípulo amado[2], e estes com ritmos e posturas diferentes vai de encontro ao sepulcro que está vazio. Provavelmente não roubaram o corpo de Jesus, os panos estavam minimamente organizados. Ele ressuscitou!

É o discípulo amado que vê, e acredita!!! Sim, é preciso mais que ver[3]… É preciso acreditar, de fato Ele tinha que ressuscitar dos mortos… Cristo não morreu!!! Ele continua vivo no povo que é seu[4]… a morte não é maior que a vida!!! Em nossa Páscoa, afirmamos crentemente que a proposta de vida nova e abundante proposta por Jesus, supera até mesmo a morte e esta ressurreição se revela quando partimos o pão e continuamos a fazer o que Ele nos ensinou, fazendo arder os nossos corações. Somos comunidades dos/as seguidores/as de Jesus Ressucitado.

A ressurreição acontece quando não morre em nós a esperança, quando não morre em nós a coragem de lutar, quando não morre em nós o desejo de sermos construtores/as do Reino. A ressurreição acontece quando teimamos em pautar a vida, mesmo quando estamos rodeados em sinais de morte!

Nos Atos dos Apóstulos, encontramos Pedro fazendo memória da vida de Jesus e dizendo da missão de anunciar o Ressucitado… sím é preciso chegar ao Domingo da Ressurreição. Nossa fala, nossa proposta tem que soar vida, tem que ter frescor. O Papa Francisco também nos diz que não podemos anunciar Cristo com cara de cemitério! Aleluia!!! Jesus ressuscitou!!! Cristo vive!!! Façamos a vida florescer.

Por Pedro Caixeta
CEBI GO
Coordenador Nacional da PJ (2006 – 2009)
pedro.caixeta.pj@gmail.com
[1] Padre Zezinho conta na música “Um certo galileu” esta trajetória. É interessante o acréscimo que ele faz depois em sua canção. O acréscimo é referente à Ressurreição, faça a experiência de ouvir a canção somente até a crucifixão e depois mergulhe nas estrofes acrescentadas. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=Z826EzAjOj4
[2] É interessante pensar o que significa essas duas figuras nesta hora. Teologicamente o que a comunidade Joanina quis dizer? Trazendo para hoje, quem seriam estas figuras? É interessante fazer a mesma análise com o movimento realizado pelos dois. E se quiser continuar lendo o texto bíblico, continuar analisando o movimento de Maria Madalena.
[3] Voltem ao texto bíblico e procurem o verbo ver todas as vezes que aparece… O que é ver? Qual é a diferença entre enxergar, ver e acreditar?
[4] Outra canção que vale meditarmos na Páscoa é O mesmo rosto, do Jorge Trevisol.

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