quarta-feira, 29 de outubro de 2014

“Solidariedade é um modo de fazer história”, diz papa Francisco

“A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história e isso é o que fazem os movimentos populares”, disse o papa Francisco, na manhã de ontem, dia 28, durante encontro com os participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares.
Ao falar sobre solidariedade, Francisco sugeriu pensamentos e atos em favor da comunidade e da prioridade de vida a todos. “Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a violência, a negação dos direitos sociais e trabalhistas”, enumerou. Para ele, a solidariedade se traduz no enfrentamento aos “efeitos destruidores do ‘Império do dinheiro’, como os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência. “Todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história e isso é o que fazem os movimentos populares”, disse.
A transformação da realidade dos que sofrem com a pobreza conduziu o papa a três elementos que para ele são uma resposta a algo que deveria estar ao alcance de todos, mas que está cada vez mais longe da maioria: "terra, casa e trabalho”. A abordagem em relação ao escândalo da pobreza não deve promover “estratégias de contenção que somente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos”.
O papa Francisco alertou, ainda, ao tratar dos elementos “terra, casa e trabalho”, que fala do amor pelos pobres, que está “no centro do Evangelho”. “É estranho, mas quando falo sobre estas coisas, para alguns parece que o papa é comunista”, comentou.
Francisco também falou sobre a “cultura do descartável”, na qual aqueles que não podem se integrar no fenômeno da exportação e da opressão, são excluídos como resíduos, sobras. Ele explicou que isso acontece quando no centro de um sistema econômico está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. “Ao centro de todo sistema social ou econômico deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa é desprezada e vem o deus dinheiro, acontece esta troca de valores”, alertou.
Falando sobre trabalho, o papa destacou direitos a uma remuneração digna, à seguridade social e à cobertura previdenciária aos catadores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, todo tipo de cooperativistas e trabalhadores de ofícios populares, que, segundo Francisco, estão excluídos dos direitos trabalhistas e têm negada a possibilidade de sindicalizar-se e de ter uma renda adequada e estável. “Hoje quero unir minha voz à sua e acompanha-los em sua luta”, afirmou.
O papa ainda falou sobre paz e ecologia no contexto dos três elementos apresentados em seu pronunciamento. “Não se pode haver terra, não pode haver casa, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruirmos o planeta”, disse. Ele exorta que a criação não é uma propriedade da qual se pode dispor a esmo gosto, nem que pertence a uns poucos. “A criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratuidade”, acrescentou.
Em relação à “globalização da indiferença”, presente no mundo, foi apresentado um “guia de ação, um programa” considerado “revolucionário”: as bem-aventuranças, presentes no Evangelho de Mateus.
Ao final, Francisco afirmou que os movimentos populares expressam “as necessidades urgentes de revitalizar as democracias”. Ele considera “impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação como protagonista das grandes maiorias”.
Encontro
O Encontro Mundial dos Movimentos Populares aconteceu de 27 a 29 de outubro, com organização do Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano, em colaboração da Pontifícia Academia de Ciências Sociais e líderes de vários movimentos. São 100 leigos, líderes de grupos sociais, 30 bispos engajados com as realidades e os movimentos sociais em seus países, e cerca de 50 agentes pastorais, além de alguns membros da Cúria romana presentes no evento. Representou a CNBB o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da instituição, dom Leonardo Steiner.
O evento buscou fortalecer a rede de organizações populares, favorecer o conhecimento recíproco e promover a colaboração entre eles e suas Igrejas locais, representadas por bispos e agentes pastorais provenientes de vários países do mundo. O Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano ressalta o compromisso na promoção e tutela da dignidade e dos direitos da pessoa humana, assumido pelos movimentos.
 Com fotografia da Rádio Vaticano - Programa brasileiro

terça-feira, 28 de outubro de 2014

''Quando eu falo de terra, teto e trabalho, dizem que o papa é comunista''. Discurso de Francisco aos movimentos populares


Entre os dias 27 e 29 de outubro, ocorre o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Nesta terça-feira, o Papa Francisco proferiu o seu discurso aos participantes do encontro.
Eis o texto.
Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares
Bom dia de novo. Eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui [na Aula Velha do Sínodo], nunca tinha vindo.
Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês, que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Eminência, pelo seu trabalho e pelas suas palavras.
Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela!
Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.
Solidariedade é uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavrão, não se pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história, e é isso que os movimentos populares fazem.
Este encontro nosso não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram... têm os pés no barro, e as mãos, na carne. Têm cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ouça a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam, mas, sem a sua presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas conferências internacionais ficam no reino da ideia, é meu projeto.
Não é possível abordar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver quando, por trás de supostas obras altruístas, se reduz o outro à passividade, se nega ele ou, pior, se escondem negócios e ambições pessoais: Jesus lhes chamaria de hipócritas. Como é lindo, ao contrário, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperança. Esse é o meu desejo.
Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terrateto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista.
Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque vocês os escolheram como tema para este encontro.
Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sobrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais. A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção.
A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300).
Não sou só eu que digo isso. Está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, pela água, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra.
Em segundo lugar, teto. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um estábulo porque na hospedagem não havia lugar, que a sua família teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje há tantas famílias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Família e moradia andam de mãos dadas. Mas, além disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimensão comunitária: e é o bairro... e é precisamente no bairro onde se começa a construir essa grande família da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da convivência com os vizinhos.
Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e eles são chamados, elegantemente, de "pessoas em situação de rua". É curioso como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com a contundência, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? Vocês, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por trás de um eufemismo há um crime.
Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem negócios imobiliários... mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como dói escutar que os assentamentos pobres são marginalizados ou, pior, quer-se erradicá-los! São cruéis as imagens dos despejos forçados, dos tratores derrubando casinhas, imagens tão parecidas às da guerra. E isso se vê hoje.
Vocês sabem que, nos bairros populares, onde muitos de vocês vivem, subsistem valores já esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos estão abençoados com uma rica cultura popular: ali, o espaço público não é um mero lugar de trânsito, mas uma extensão do próprio lar, um lugar para gerar vínculos com os vizinhos. Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento. Como são lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro.
Por isso, nem erradicação, nem marginalização: é preciso seguir na linha da integração urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradicação, desde já, mas também esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de curá-las, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. 

É uma espécie de direito arquitetura de maquiagem, não? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as famílias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, gás, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam vínculos e que unem, acesso à saúde – já disse – e à educação e à segurança.

Terceiro, trabalho. Não existe pior pobreza material – urge-me enfatizar isto –, não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, são efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora.
Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão, soma-se uma nova dimensão, um matiz gráfico e duro da injustiça social; os que não podem ser integrados, os excluídos são resíduos, "sobrantes". Essa é a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que não tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econômico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa inversão de valores.
E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fiéis a história da torre de Babel e, então, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esforço, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cortá-lo em quadrados; depois, secá-lo; depois, cozinhá-lo; e, quando já estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre.
Se um tijolo caía – o tijolo era muito caro –, com todo esse trabalho, se um tijolo caía, era quase uma tragédia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou não sei o que lhe faziam. E se um operário caía não acontecia nada. Isso é quando a pessoa está a serviço do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horríveis.
E, a respeito do descarte, também temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que estão na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crianças porque a taxa de natalidade em muitos países da terra diminuiu, ou se descartam as crianças porque não se ter alimentação, ou porque são mortas antes de nascerem, descarte de crianças.
Descartam-se os idosos, porque, bom, não servem, não produzem. Nem crianças nem idosos produzem. Então, sistemas mais ou menos sofisticados vão os abandonando lentamente. E agora como é necessário, nesta crise, recuperar um certo equilíbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milhões de jovens. Eu não quero dizer o dado, porque não o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milhões de jovens descartados do trabalho, desempregados.
Nos países da Europa – e estas são estatísticas muito claras –, aqui na Itália, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma geração, anular toda uma geração para manter o equilíbrio. Em outro país da Europa, está passando os 50% e, nesse mesmo país dos 50%, no sul são 60%. São dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crianças, descarte de idosos, que não produzem, e temos que sacrificar uma geração de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro está o deus dinheiro, e não a pessoa humana.
Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de vocês, trabalhadores excluídos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu próprio trabalho com tudo aquilo que parecia não poder dar mais de si mesmo... mas vocês, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunitário, com a sua economia popular, conseguiram e estão conseguindo... E, deixem-me dizer isto, isso, além de trabalho, é poesia. Obrigado.
Desde já, todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui há papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, operários de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de ofícios populares que estão excluídos dos direitos trabalhistas, aos quais é negada a possibilidade de se sindicalizar, que não têm uma renda adequada e estável. Hoje, quero unir a minha voz à sua e acompanhá-los na sua luta.
Neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia. É lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta. São temas tão importantes que os Povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis.
Há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços das economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!
Um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo.
Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão. Talvez vocês saibam que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, daFederação dos Papeleiros e tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto.
Falamos da terra, de trabalho, de teto... falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza... Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto idólatra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferença! Se globalizou a indiferença. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que é meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão, porque deixou Deus de lado.
Alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. É preciso fazer isso com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, de paz e de justiça.
Os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas(cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem de Mateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, vocês têm o programa de ação.
Sei que entre vocês há pessoas de distintas religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje, estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos tantas vezes. Entre os excluídos, dá-se esse encontro de culturas em que o conjunto não anula a particularidade, o conjunto não anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a confluência de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, vocês também estão buscando essa síntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia após dia no próximo, no concreto, no seu território, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os também a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo.
Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experiências de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, vão se encontrando, como vocês fizeram nestes dias. Atenção, nunca é bom espartilhar o movimento em estruturas rígidas. Por isso, eu disse encontra-se. Também não é bom tentar absorvê-lo, dirigi-lo ou dominá-lo; movimentos livres têm a sua dinâmica própria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste salão, que é o salão do Sínodo velho. Agora há um novo. E sínodo significa precisamente "caminhar juntos": que esse seja um símbolo do processo que vocês começaram e estão levando adiante.
Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participação que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum. E isso com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor.
Eu os acompanho de coração nesse caminho. Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá.
Queridos irmãos e irmãs: sigam com a sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma bênção de humanidade. Deixo-lhes de recordação, de presente e com a minha bênção, alguns rosários que foram fabricados por artesãos, papeleiros e trabalhadores da economia popular da América Latina.
E nesse acompanhamento eu rezo por vocês, rezo com vocês e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os abençoe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa força que nos mantém de pé: essa força é a esperança, a esperança que não desilude. Obrigado.
Fonte: Instituto Humanitas - Unisinos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Uruguaios dizem não à redução da maioridade penal

Efe
Junto das eleições presidenciais e parlamentares, o Uruguai realizou no domingo (26) o plebiscito para definir se haverá ou não redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Segundo a Corte Eleitoral, 53,23% dos votos foram contra a diminuição.
A proposta de redução previa os seguintes crimes: homicídio, homicídio qualificado, graves lesões, lesões gravíssimas, furto, roubo, extorsão, sequestro e estupro. Propunha também que os antecedentes criminais dos adolescentes – mesmo aqueles cometidos antes da redução da maioridade – não seriam desconsiderados e contariam nos processos penais a que seriam submetidos após completarem 16 anos. A reforma, caso aprovada, alteraria o artigo 43 da Constituição do Uruguai.
Até 10h desta segunda-feira (27), 90% das urnas haviam sido apuradas.
Fonte: Rede Brasil Atual

domingo, 26 de outubro de 2014

Movimentos populares e Papa Francisco debatem desigualdade e exclusão social

Terá início nesta segunda-feira, 27 de outubro, o Encontro Mundial do Movimento Popular com o Papa Francisco, no Vaticano. O evento é realizado pelos movimentos representativos dos mais excluídos e excluídas de todo o mundo juntamente com o Pontifício Conselho Justiça e Paz e a Academia Pontifícia de Ciências Sociais, e se estenderá até a quarta-feira, 29.
Reprodução
Em entrevista à Adital, João Pedro Stédile, fundador e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Brasil, – um dos movimentos que estarão representados no Encontro – salienta que não há registros na historia do Vaticano que algum Papado tenha tomado iniciativa semelhante, a de convidar os mais diferentes movimentos populares, representativos de vários segmentos sociais, entre os trabalhadores que enfrentam mais dificuldades, para ouvi-los. "Estamos há um ano preparando esse evento, em diálogo com o Vaticano. Deles participarão dirigentes populares de todos os continentes, de diferentes religiões e doutrinas e, inclusive, alguns agnósticos”, assinala.
Stédile acrescenta: "como MST e Via Campesina, nos somamos a esse esforço porque consideramos uma oportunidade histórica de convergir os esforços dos movimentos populares em diálogo com o Vaticano e o Papa, e a doutrina social da igreja, para olharmos, sem preconceitos, para a realidade, procurar entender os desafios que o capitalismo está impondo a toda a humanidade, e buscar saídas comuns”.
As expectativas dos participantes são as mais positivas possíveis. Para o dirigente do MST/ Via Campesina, um encontro mundial de dirigentes de movimentos populares com o Papa é por si só um marco histórico. Ocorrerá a confluência de pessoas que têm enormes responsabilidades sociais na organização de milhões de pobres trabalhadores pelo mundo afora, o intercâmbio entre eles, reflexões sobre as perversidades do capitalismo e suas influencias na vida das pessoas. "Os desafios da humanidade como um todo. Tudo isso representam expectativas positivas que todos levaremos juntos para Roma. E lá esperamos sair com mais conhecimento, mais sabedoria, apreendendo com a visão dos demais, para podermos retonar a nossos países e movimentos e podermos organizar ainda melhor nosso povo”, destaca Stédile.
Reprodução
Em sua avaliação, a humanidade vive uma crise civilizatória. Os Estados, os governos e organismos internacionais nãoo têm tido capacidade e nem representatividade suficiente para enfrentá-los. Por isso, afirma, só há um caminho, a conscientização e o debate entre os trabalhadores, os pobres, a imensa maioria da população que se organiza em movimentos sociais, para que possam convergir energias, entender a causa da crise mundial e encontrar as melhores soluções.
Público-alvo
O Encontro é destinado, principalmente, às organizações e movimentos dos excluídos. Espera-se a participação de cerca de 100 delegados de diferente procedência, que reúnem: 1) trabalhadores precarizados, temporários, migrantes e os que participam do setor popular, informal e/ou de autogestão, sem proteção legal, reconhecimento sindical nem direitos trabalhistas; 2) camponeses sem terra e povos indígenas ou pessoas em risco de serem expulsas do campo por causa da especulação agrícola e da violência; 3) pessoas que vivem nos subúrbios e assentamentos informais, os marginalizados, desalojados, os esquecidos, sem infraestrutura urbana adequada. Também participarão organizações sindicais, sociais e de direitos humanos que acompanham os processos de organização e luta desses setores sociais.
Além disso, bispos e outros trabalhadores da Igreja de vários países foram convidados, com a finalidade de estimular o diálogo e a colaboração com a Igreja. A reunião será realizada em espanhol, francês, inglês, italiano e português. O Encontro concluirá com a promoção de uma instância internacional de coordenação entre os movimentos populares, com o apoio e colaboração da Igreja.

Programação
Na programação dos três dias do Encontro está assim dividida: a) o objetivo do primeiro dia é conhecer a realidade de hoje, as lutas e os pensamentos dos movimentos populares, será realizada no Salesianum; b) o objetivo do segundo dia é apreciar o ensino do Papa Francisco sobre a forma de avançar juntos rumo a um autêntico desenvolvimento humano integral, terá lugar na Aula Velha do Sínodo; c) o terceiro e último dia será dedicado a construir e assumir compromissos concretos para coordenar as organizações dos excluídos e sua colaboração com a Igreja, será acolhido no Salesianum.
acnur.org

Objetivos e resultados
Os objetivos centrais do Encontro são: compartilhar o pensamento social de Francisco, em especial os elementos aportados em sua Exortação Apostólica "A Alegria do Evangelho” e debatê-lo a partir da perspectiva dos movimentos populares; elaborar uma síntese da visão dos movimentos populares em torno das causas da crescente desigualdade social e do aumento da exclusão em todo o mundo, fundamentalmente a exclusão da terra, do trabalho e de moradia; refletir coletivamente sobre as experiências organizativas dos movimentos populares como formas de solução para as mencionadas injustiças, colocando em debate as práticas, formas de interação com as instituições e perspectivas futuras.
Também são objetivos: propor alternativas populares para enfrentar os problemas – guerra, deslocamentos, fome, miséria, desemprego, precarização, exclusão –, gerados pelo capitalismo financeiro, pela prepotência militar e o imenso poder das transnacionais, a partir do ponto de vista dos pobres, com a perspectiva de construir uma sociedade pacífica, livre e justa; e, por fim, discutir a relação dos Movimentos Populares com a Igreja, e como avançar na criação de uma instância de articulação e colaboração permanente.
Participarão movimentos populares de países de todo o mundo e, especificamente latino-americanos, do Brasil, Argentina, Haiti, Colômbia, Uruguai, México, Guatemala, Peru, Venezuela, Equador, Paraguai, Honduras, Bolívia, Nicarágua, Cuba e El Salvador.

Fonte: Adital

sábado, 25 de outubro de 2014

Qual é o mandamento maior da lei? (Mateus 22,34-40)

Os poderosos armam ciladas contra quem está com o povo

No evangelho para este final de semana, a comunidade de Mateus apresenta-nos Jesus ensinando o mandamento maior no templo de Jerusalém (cf. Mateus 21,23; 24,1). Auxiliado pela sinagoga, o templo era o pilar de um sistema que garantia o ensino e o cumprimento das leis, bem como a aplicação das penas para quem não as cumprisse. 

Nesse templo, mais uma vez, alguns fariseus procuram Jesus para “pô-lo à prova” (Mateus 22,35). Assim já haviam feito ao armarem, junto com herodianos, uma cilada em torno do pagamento dos impostos aos imperadores de Roma, a fim de “apanhá-lo por alguma palavra” (Mateus 22,15). Este relato foi o evangelho do domingo passado, quando, tanto representantes da religião oficial de Jesus (fariseus) bem como do império romano (partidários de Herodes), já haviam se dado conta de quanto o projeto de Jesus era perigoso para os seus privilégios. Ainda mais depois que Jesus também “fechara a boca dos saduceus” (Mateus 22,34). Os saduceus compunham o partido judaico mais poderoso naquele momento. Eles juntavam os que controlavam a religião a partir do templo, os sacerdotes, e os que detinham o poder sobre o comércio em Jerusalém, os anciãos. Hoje, diríamos que é o partido do capital financeiro com apoio da grande mídia empresarial.

O conflito entre diferentes projetos de vida leva-nos a perceber que a plataforma do Reino de Deus revoluciona todos os sistemas, de ontem e de hoje, grandes ou pequenos, dentro ou fora de nós. No momento eleitoral que estamos vivendo no Brasil, vemos claramente esse conflito ainda presente. Apesar de todos os limites impostos por um sistema político e econômico intrinsecamente injusto, quem não percebe que ainda hoje os poderosos armam golpes contra quem procura melhorar a vida do povo, especialmente dos mais pobres, chamados por eles de “menos informados”, ignorantes?

No tempo de Jesus, não era diferente, como percebemos na narrativa da liturgia deste final de semana. Fariseus partem pra cima de Jesus com uma nova armadilha: “Mestre, qual é o mandamento maior da lei?” (Mateus 22,36). Em resposta, Jesus faz memória da centralidade do amor nas Escrituras de seu povo. Dessa forma, ao colocar o amor como motivação maior para todo o nosso agir, Jesus torna relativas todas as leis, doutrinas e tradições. Elas somente estão conforme a vontade de Deus, caso tiverem, como fonte primeira, o amor. 

Jesus acusa esses fariseus de traírem o projeto de Deus ao colocarem a letra acima do espírito da lei. Incomodados pela acusação de Jesus, ficaram sem resposta e silenciaram. Porém, como podemos ler na narrativa seguinte ao nosso texto, novamente eles se reuniram. Seria para preparar outro golpe? (Mateus 22,41). No entanto, segundo o relato de Mateus, a partir de agora é Jesus quem passa a desmascará-los, fazendo perguntas (Mateus 22,42) e acusações fortes contra fariseus, incluindo também doutores da lei (Mateus 23,1-36), de modo que “ninguém podia responder-lhe nada. E a partir daquele dia, ninguém se atreveu a interrogá-lo” (Mateus 22,46). Estavam nus, totalmente desmascarados.
 
Jesus resgata o espírito da lei

Em que parte das Escrituras Jesus busca o espírito da lei, o princípio do amor? Para o primeiro mandamento, ele recorre a um dos livros da lei judaica, o Deuteronômio (6,4-5): “Amarás o Senhor, teu Deus...”. É um amor intenso, isto é, com todo o nosso ser: coração e alma, força vital e mente. 

O segundo, ele o encontra em outro escrito do Pentateuco, o livro do Levítico (19,18): “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Também esse é um amor profundo, pois é amar o próximo tanto quanto amamos a nós próprios. Segundo o sermão da montanha (Mateus 5-7), Jesus diz o mesmo em outras palavras, resumindo a lei e os profetas, isto é, todas as Escrituras: “Tudo que desejais que as pessoas vos façam, fazei-o vós a elas” (Mateus 7,12). Jesus vai além do senso comum que dizia: “Não faça às outras pessoas o que não queres que te façam”. Ele propõe um amor mais intenso. E amar intensamente é acolher de coração. É cuidar com corpo e com alma. É escutar com mente aberta. É solidariedade, força de vida...

O amor é o centro da vida nutrida em Deus, pois Deus é amor (1 João 4,8.16). Segundo o apóstolo Paulo, se andamos no caminho de Deus, vivemos o amor que gera vida, “pois toda a lei se resume neste único mandamento: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5,14; Romanos 13,9). Portanto, “o amor é o cumprimento pleno da lei” (Romanos 13,10). Ao dizer que “toda lei e os profetas dependem desses dois mandamentos” (Mateus 22,40), Jesus torna todas as Escrituras relativas. Elas têm sentido somente quando estão em relação ao amor e dele dependem. Somente o amor é absoluto e dá sentido às Escrituras. O amor, portanto, é critério para reler qualquer texto da Bíblia.

Os judeus mais piedosos haviam catalogado todas as leis do Pentateuco. Chegaram a relacionar 613 leis. Dessas, 365 eram proibições como, por exemplo, “não matarás” (Êxodo 20,13). E 248 eram leis afirmativas como “lembra-te de santificar o dia de sábado” (Êxodo 20,8). Uma quantidade tão grande de leis era difícil para o povo cumprir. De um lado, por não saber ler e, por isso, não conhecer as leis em seus detalhes. De outro, por não ter, na luta cotidiana pela sobrevivência, condições de cumprir a lei em todos os seus pormenores.

Conforme uma informação que encontramos no evangelho segundo João, fariseus diziam que “esse povinho que desconhece a lei, são uns malditos” (cf. João 7,47-49). Segundo essa postura preconceituosa e intolerante de fariseus, as pessoas “menos informadas” sobre a lei e, em consequência, não a cumprindo, seriam amaldiçoadas por Deus. E essa era a situação da maioria do povo pobre daquele tempo. Apenas uma minoria considerava-se abençoada por Deus pelo fato de ser “mais informada” e cumprir a lei, bem como as tradições orais sobre o puro e o impuro. 

Ao dar valor relativo às inúmeras prescrições e ao colocar o amor como único princípio no cuidado e promoção da vida, Jesus abre a possibilidade aos pobres de também fazerem parte das bênçãos do Pai. Para muitos fariseus, por considerarem os pobres “menos informados” sobre a lei, estes estariam excluídos dessas bênçãos de Deus. Somente eles achavam ter esse privilégio. No entanto, em sua prática, Jesus derruba os muros que impediam o acesso dos pobres ao Reino. E mais. Alegra-se porque são justamente eles que acolheram a boa nova, enquanto os que se achavam “os mais informados”, porém, prisioneiros de inúmeras regrinhas e preconceitos, fecharam-se ao projeto de Deus (Mateus 11,25). Assim, diante da dificuldade para cumprir tantas leis, Jesus propõe um caminho alternativo, o caminho do amor. 

Caminhemos pela estrada do amor

O caminho do amor é um novo jeito de caminhar, é uma nova prática. Sua vivência não é algo abstrato, teórico, mas é um amor bem concreto. Antes de procurar um próximo para amar, importa tornar-se próximo de quem precisa de solidariedade. É isso que a comunidade de Lucas quer-nos lembrar ao acrescentar, à narrativa em que revela o mandamento do amor, a parábola do samaritano misericordioso (Lucas 10,29-37). Conforme a comunidade de Mateus, Jesus lembra-nos das principais atitudes de solidariedade: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a criação do mundo. Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era sem teto e me acolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me” (Mateus 25,34-36). Definitivamente, o caminho do amor é o caminho da solidariedade.

As comunidades de João, diferentemente das de Mateus, Marcos e Lucas, não separam o mandamento de Jesus em dois: amar a Deus, de um lado, e o próximo, de outro. Elas vão mais fundo e identificam o amor a Deus com o amor ao próximo: “Se alguém disser: ‘amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1 João 4,20). 

Ademais, essas comunidades consideram insuficiente “amar o próximo como a si mesmo”. É preciso ir além: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (João 13,34; 15,12.17). O amor deve ser sem limites, tal como Jesus mesmo amou, isto é, sendo fiel ao projeto do Pai até as últimas consequências. E sabemos que essa fidelidade lhe custou a vida. Porém, ela também é a razão fundamental porque ele continua vivo, presente na luta de quem o segue pelo caminho da justiça do Reino.

Ó Deus de ternura e de bondade,
diante da crise em que este mundo se encontra,
permite-nos que teu amor nos conduza
na superação de todas as estruturas de morte
que ameaçam a vida no planeta. Amém!
Autoria: Ildo Bohn Gass
Fonte: CEBI

O Bom Samaritano, inspiração para a formação integral e para um projeto de sociedade!


Povo pobre e oprimido
No ferido, seu irmão.
Num projeto bem político
Vida nova, em comunhão.


Nos passos de Jesus e renovando diariamente nosso compromisso com o Reino e com o serviço à juventude e aos/às pobres, nós Pastoral da Juventude do Continente, estamos caminhando decididamente para Jerusalém, vivendo nesse ano a mística de Samaria.

Ir para Jerusalém, com Ele e em Seus passos, é uma decisão madura que fazemos como Pastoral da Juventude, mas sobretudo como seguidores/as do Mestre. Essa escolha, na doação total da vida pelo Reino, é consequência da formação integral que buscamos desenvolver junto à juventude.

Não é à-toa que a obra “Civilização do Amor – Projeto e Missão”, assume a Formação Integral como uma consequência da experiência vivida com a juventude, como uma opção pedagógica em dimensões e processos, como uma escola de Jesus para o discipulado-missionário e como um caminho de formação da juventude (Civilização do Amor – Projeto e Missão 472-562). É que em nossa ação pastoral queremos formar homens e mulheres, que cresçam em sua totalidade, integralmente. Sonhamos jovens que se conheçam, se acolham e se amem. Que saibam se relacionar, acolham o/a outro em sua diversidade e saibam amar o/a irmã/o. Que se encontrem com o Divino falando em sua vida, se abram ao Mistério Trinitário, que encarnem o compromisso de Jesus (o Reino) em suas vidas e que doem suas vidas no seguimento a Jesus, alimentados/as por uma mística. Que sejam lideranças, capazes de se colocar a serviço do povo. Que sejam capacitados/as, a partir dos valores da Civilização do Amor, e exerçam um serviço qualificado na direção da vida, rompendo com a lógica da morte. Que sejam capazes de se comprometer com a vida do povo. Que sejam capazes de enxergar além do que está dado. Que sejam conscientes, críticos, cuidantes. Que não se deixem manipular pelo poder (que servem ao capital e não ao povo). Ou seja, com a formação integral queremos formar autênticos/as seguidores/as de Jesus, pessoas humanas, inteiras, integradas, felizes e comprometidas, a partir do seguimento e do Reino, com a vida plena para todos os povos. Estar caminhando com Jesus para Jerusalém é re-assumir constantemente que não abrimos mão da formação integral. Samaria nos inspira a pensar a formação integral. Nossa referência para a formação integral é Jesus Cristo. E da boca Dele ouvimos uma parábola que inspira nosso compromisso com a formação integral e com a vida da juventude e do povo. Dele escutamos a tão conhecida e sempre nova parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

Pensando a formação integral podemos dizer que, percorrido o processo de formação integral, formamos jovens que são “bons samaritanos” em suas realidades concretas. O Bom Samaritano está integrado na relação consigo, por isso, pode romper os esquemas culturais de sua época e cuidar do ferido no caminho. O Bom Samaritano vê no ferido seu irmão. O Bom Samaritano, no cuidado com o homem, faz uma experiência de Deus porque se faz presença amorosa, cuidadora e misericordiosa. O Bom Samaritano sabe o que fazer, a partir do compromisso com a vida. O Bom Samaritano não pactua com a lógica do sistema de morte e por isso se coloca na contramão dos esquemas sociais, culturais e religiosos de seu tempo. Pode ser ousado, mas tranquilamente podemos dizer que o Bom Samaritano é modelo de alguém que viveu um processo de formação integral. É modelo igualmente porque ao ser contada por Jesus e olhando para a vida Dele podemos dizer que Ele nos narra sua ação, está dizendo de si e do modo de ser que cada um/a de seus seguidores/as deve assumir e viver.

O Bom Samaritano além de ser inspiração para a formação integral é inspiração para um modelo de sociedade, um projeto político que é preciso assumir. Estamos vivendo um período eleitoral. Nessa reflexão queremos debater um projeto político a nível nacional. Nessa direção o Bom Samaritano é inspiração para nós.

O projeto político que somos chamados/as a assumir e a ajudar a construir é um projeto que deve ser marcado por um compromisso com a vida do povo, em especial do povo pobre e oprimido. Não foi essa a ação do Bom Samaritano? Uma ação geradora de vida e que rompe com os esquemas de um projeto de morte. Nesse caminho de compromisso com a vida do povo não podemos pactuar com um sistema pensado pelo capital e para o capital. Comprometemo-nos sim com um projeto gerador de vida. Um projeto que siga rompendo com o esquema social de dominação e opressão. Assumimos um projeto político capaz de tirar as pessoas da miséria. Que siga gerando mais acesso á educação (básica, fundamenta, média e superior) e melhores condições na saúde pública. Que siga investindo pesado nas políticas públicas de juventude. Que não aceite a política de extermínio que tem ceifado a vida de milhares de jovens e de pobres. Que fortaleça o combate a corrupção. Que defenda o meio ambiente. É questão de compromisso com um projeto político. É questão de um compromisso com a vida da juventude e do povo.

Que nosso caminho para Jerusalém, desde as terras da Samaria, nos fortaleça sempre mais no compromisso com a formação integral da juventude e no pacto com um projeto político marcado pela vida e não pela morte. Que Jesus, o Bom Samaritano por excelência, e que a parábola desse samaritano, conhecido como “bom” por sua ação pela vida do ferido no caminho, siga nos inspirando. Não descuidemos a formação integral. Não esqueçamos de defender um projeto político que gere vida. Não descuidemos da vida. Não fujamos do caminho rumo à Jerusalém.

Cladilson Nardino – Estudante de Engenharia Civil e membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR
Luis Duarte – Militante da PJ – Diocese de Jataí/GO
Maicon Malacarne – Padre e assessor da PJ de Erexim/RS

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

CNBB: Sínodo, Assembleia e nota sobre povos indígenas são temas da entrevista coletiva

“Viver o acolhimento em nossas comunidades, respeitando cada filho e filha de Deus; ajudando das famílias e superarem os desafios deste tempo”, disse o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, durante entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 23, na sede da Conferência, em Brasília (DF). Também atenderam os jornalistas o arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, dom José Belisário da Silva, e do bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner.
A fala de dom Damasceno referia-se aos resultados da 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, realizado de 5 a 19 de outubro, no Vaticano. O evento discutiu o tema "Os desafios da família no contexto da evangelização". O Brasil esteve representado na Assembleia Sinodal por cardeais e bispos, além de um casal brasileiro, membros da Equipe de Nossa Senhora.
O cardeal Damasceno foi um dos três presidentes delegados da 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo. Ele explicou que, pela primeira vez, o Sínodo está sendo realizado em duas etapas, por decisão do papa Francisco, o que facilita no amadurecimento dos temas de trabalhos. Em outubro de 2015, acontecerá a 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.
“O resultado deste Sínodo, ou seja, a síntese, aprovada pelos padres sinodais como primeiro texto, será enviado às Conferências Episcopais e dioceses para ser trabalhado e refletido. A partir desse primeiro estudo, as contribuições serão devolvidas à Secretaria Geral do Sínodo para a elaboração de um novo instrumento de trabalho para o Sínodo de 2015. E então, ao final do Sínodo, teremos a Exortação Apostólica pós-sinodal”, explicou dom Damasceno.
De acordo com o cardeal, a CNBB, assim como outras Conferências, poderá eleger quatro padres sinodais e também dois suplentes para o Sínodo do próximo ano.
Visita ao papa Francisco
Dom Damasceno recordou aos jornalistas, que antes do Sínodo, a Presidência da CNBB realizou uma visita ao papa Francisco, no final do mês de setembro. Segundo o arcebispo de Aparecida, o encontro foi um momento fraterno e agradável. Na oportunidade, a Presidência entregou ao papa Francisco os últimos documentos produzidos pelos bispos do Brasil. “Nós voltamos desse encontro muito encorajados e animados, muito fortalecidos por essa comunhão com o papa”, disse o cardeal.
Assembleia Geral
O cardeal falou, ainda, na entrevista coletiva, sobre os preparativos para a 53ª Assembleia Geral da CNBB, que será realizada de 14 a 25 de abril, em Aparecida (SP). O Conselho Permanente da CNBB, reunido em Brasília, de 21 a 23 de outubro, avaliou os trabalhos da última Assembleia e definiu a programação da próxima edição do evento.
A Assembleia Geral de 2015 será eletiva, ou seja, haverá a escolha da nova Presidência da entidade para o próximo quadriênio (2015-2019). Haverá também a revisão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Sobre as Diretrizes, dom Damasceno explicou que não haverá um novo texto, mas a atualização das atuais ações pastorais.
“As Diretrizes Gerais serão atualizadas, com base no discurso do papa aos bispos do Rio de Janeiro e aos Bispos do Celam, durante visita ao Brasil. Também buscaremos inspiração na Exortação do papa, “Alegria do Evangelho”.
Pelos direitos indígenas
O vice-presidente, dom José Belisário da Silva, apresentou a nota aprovada pela Conselho Permanente sobre “Os direitos dos povos indígenas”. No texto, os bispos manifestam preocupação com a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que anula o reconhecimento da Terra Indígena Guyraroká, do Povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, como de ocupação tradicional indígena, e a Portaria  que declara a Terra Indígena Porquinhos, no Maranhão, como de posse permanente do grupo indígena Canela-Apãniekra.
Para o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, as decisões são indícios de retrocesso que podem ameaçar os direitos já conquistados pelos povos indígenas. “Temos a impressão de que vamos para um retrocesso já quanto às terras demarcadas”, afirmou.
Segundo a nota da CNBB, “concluir o processo de demarcação das terras indígenas é saldar uma dívida histórica com os primeiros habitantes do país e decretar a paz onde há graves conflitos que vitimam inúmeras pessoas”.
Para dom José Belisário, a questão vai além da demarcação das terras indígenas. É preciso que a sociedade se livre de uma visão preconceituosa sobre os índios. “Na nossa sociedade, a opinião pública vê o indígena de maneira negativa. Nós temos de mudar a nossa visão e a de nosso povo sobre a comunidade e os povos indígenas”, acrescenta.
Dom Leonardo ressalta que a Conferência estará atenta aos direitos dos povos indígenas. “Vamos procurar os membros do Supremo para entregar a nota, pois acreditamos que os pequenos merecem nosso cuidado”, concluiu.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PJ lança subsídio em preparação ao 11º ENPJ

ENPJ_Rodas de conversa
Querida juventude PJteira!
Estamos em tempo de festa. A Pastoral da Juventude se prepara para viver mais um Encontro Nacional, nos dias 18 a 25 de janeiro em Manaus/Amazonas, pleno coração da Amazônia. Estamos esperando centenas de jovens vindos de todos os cantos do Brasil, para celebrar a história, a identidade e o caminhar da PJ.
Desde o último Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (em janeiro de 2012, em Maringá/Paraná), e após 3 anos de espera, este 11º ENPJ se aproxima trazendo muitos sentimentos bons, de espera-esperança, mística, espiritualidade, cultura, formação, missão… Queremos que ele fique profundamente marcado na história de nosso caminhar pastoral.
Dentro do processo que estamos nos propondo fazer até janeiro, está este presente subsídio que chega até vocês. Ele foi construído com mãos de jovens e de assessores/as, com muito carinho e cuidado para contemplar a reflexão que nos propõem o lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia” e a iluminação “Mestre onde moras? Vinde e vede” (cf. Jo 1, 38-39).
Ele está dividido na dinâmica de três Rodas de Conversa e mais um roteiro do Ofício Divino da Juventude. As Rodas de Conversa contemplam um passo metodológico, uma palavra-chave e dois lugares teológicos, assim ficando:
  • 1ª Roda – Passo metodológico: Ver; Palavra chave: Vida; Lugares Teológicos: Pobre e Comunidades;
  • 2ª Roda – Passo metodológico: Julgar; Palavra chave: Pão; Lugares teológicos: Palavra e Criação;
  • 3ª roda – Passo metodológico: Agir; Palavra chave: Utopia; Lugares teológicos: Jovem e Reino.
Queremos que esse subsídio chegue a todos os nossos grupos de base, espalhados por todo Brasil, para que, mesmo que nem todos/as os e as jovens possam estar presentes em Manaus, possam viver e se fazerem presentes nesse momento tão bonito.
Um fraterno abraço em cada um e cada uma!
Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude

terça-feira, 21 de outubro de 2014

DNJ 2014: formação e celebração, por uma juventude livre!


Neste final de semana foi celebrado em todo o Brasil o Dia Nacional da Juventude, com o tema: Feitos para sermos livres, não escravos. A Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana promoveu o DNJ Formativo durante o dias 17 e 18, enquanto o celebrativo foi realizado na Paróquia São Gonçalo do Amarante. 
Na sexta os trabalhos foram iniciados com uma mistica que recordou a temática do tráfico humano, uma mazela que traz tanta negação de direito e de vida digna a muitos jovens. No momento foi utilizado um material audiovisual da Campanha Missionária 2014, que também recorda a temática do tráfico humano. 
No sábado pela manhã, logo após a oração do Ofício Divino da Juventude, a formação sobre a temática central foi feita pelo Padre Paulino, sj. Com uma maneira participativa e dinâmica essa formação foi realizada, inclusive se utilizando do filme "O Rei Leão", para trazer aspectos que relembram a Criação em Gênesis, bem como nos recorda o que é a verdadeira liberdade: escolher, e como filhos de Deus, acima de tudo temos que escolher a vida. 

Pelo sábado à tarde, a programação seguiu com gincanas e atividades que trouxeram mais uma vez temas como liberdade, união, compromisso entre outros, com a facilitação da Ir Jovelina Oliveira. Logo depois assistimos o filme Anel de Tucum, o nosso assessor Johnny Santos ajudou na partilha, em que foram trazidas falas sobre o compromisso e a missão, em especial junto às pessoas mais empobrecidas, que estão muitas vezes bem próximas de nossa realidade. Por fim, no sábado a noite aconteceu a noite cultural, com muita celebração pela vida de nossos grupos de jovens. 


O domingo foi o dia da celebração do DNJ, realizado pela Paróquia São Gonçalo do Amarante. Foram shows como o do ministério Irmãos de Coração, Banda Descensus entre outros que animaram toda as juventudes das paróquias presentes. Pela manhã foi celebrada a Missa com o Arcebispo Metropolitano Dom Itamar Vian, que relembrou que a juventude tem que ser prioridade em toda ação pastoral da Igreja. 



Sem dúvida uma marca desse DNJ foi a Tenda da Pastoral da Juventude, que nos horários "vagos" animou a juventude com muita dança, música, e que realizou a ciranda pela vida, em sintonia com a Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens. Com a animação da pjoteira Lizandra Santana, nossa tenda teve muita animação, e o público jovem pode ver em nosso painel, fotos que recordaram a caminhada da Pastoral da Juventude desde 1992, quando foi implantada na Arquidiocese, bem como foi realizado o primeiro Dia Nacional da Juventude. 

  

Fonte: Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O DNJ e a Pastoral da Juventude

Aline Ogliari - Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude
Nos passos de Jesus e renovando seu compromisso com a vida da juventude, como Igreja Jovem, a Pastoral da Juventude participa da realização do Dia Nacional da Juventude 2014, que será celebrada na maior parte das dioceses no próximo domingo (19 de outubro).

A PJ assume e vive o Dia Nacional da Juventude desde sua criação, na década de oitenta, e provoca que o DNJ tenha sempre um caráter celebrativo, processual, formativo, convocatório e de compromisso. Com o DNJ, a PJ celebra a caminhada dos grupos de jovens da Diocese e a vida da juventude, e aproveita para que a atividade tenha um caráter de convocar e nuclear novos grupos de jovens. Celebra também, na Eucaristia, a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus, renovando nos jovens o seguimento ao Mestre, sua pertença eclesial e seu compromisso de contribuir na construção da Civilização do Amor. Logo, o DNJ não é apenas um evento isolado, e sim é parte do processo de educação na fé que a Pastoral da Juventude realiza com os/as jovens.
DNJ pelo Brasil
Nessa direção, o DNJ sempre reflete um tema que afeta diretamente a vida da juventude. Esse tema em geral dialoga com as temáticas da Campanha da Fraternidade e está em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e do documento 85 da CNBB, e é por isso que a PJ se mobiliza no aprofundamento da temática e na preparação para o DNJ. Da mesma forma, tem em si um caráter de compromisso, pois se faz lugar de reafirmar o compromisso com a vida da juventude, em especial, da mais empobrecida. Esse compromisso brota do seguimento a Jesus, que veio para dar vida e vida em abundância para todos (Jo 10, 10), da celebração da Eucaristia, de nosso ser Igreja e de nosso amor incondicional à juventude.
Oxalá o DNJ siga reunindo os/as jovens, celebrando a vida da juventude, renovando nosso compromisso com a sua vida e com os/as pobres, nossa doação da vida, na causa do Reino e nos passos de Jesus.
Fonte: Aline Ogliari, Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude