sábado, 31 de maio de 2014

"Convidamos os cristãos para celebrar o primeiro sínodo de Nicéia, no ano de 2025"


 

"Junto com o Papa Francisco concordamos em deixar como um legado para nós mesmos e para nossos sucessores o reencontro em Nicéia, em 2025, para celebrarmos juntos, depois de 17 séculos, o primeiro sínodo verdadeiramente ecumênico, onde foi autenticado o Credo".
Foi o que disse o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, no retorno a Jerusalém, após o encontro com o Papa no Santo Sepulcro, em entrevista à Asia News, sobre um importante evento para a unidade entre católicos e ortodoxos.
O Concílio de Nicéia (hoje Iznik, 130 km a sudeste de Istambul) que reuniu mais de 300 bispos do oriente e do ocidente, em 325, é considerado o primeiro verdadeiro concílio ecumênico. Neste foi autenticado o Credo, semelhante ao que é recitado hoje durante a liturgia, afirmando que Jesus compartilha "a mesma substância do Pai”, contra a ideologia ariana.
Bartolomeu encontrou Francisco por ocasião dos 50 anos do abraço entre Paulo VI e Atenágoras. O encontro de 1964 quebrou o silêncio de séculos entre o Oriente e o Ocidente cristão, com todas as consequências sócio-políticas que surgiram, e pelas quais a Europa ainda sofre.
O encontro no Santo Sepulcro, nestes dias, deu um novo impulso ao diálogo entre católicos e ortodoxos, a duas visões cristãs que, apesar das diferenças, têm uma visão comum dos sacramentos e da tradição apostólica.
"O diálogo para a unidade entre católicos e ortodoxos - disse Bartolomeu à Asia News –parte novamente de Jerusalém. Nesta cidade, no Outono, haverá uma reunião da Comissão Mista católico-ortodoxo, organizado pelo patriarca grego -ortodoxo Teófilo III. Será uma longa jornada em que todos devem se comprometer sem hipocrisia".
"Jerusalém - continuou o Patriarca – é o local, a terra do diálogo entre Deus e o homem, o lugar onde se encarnou o Logos de Deus. Nossos predecessores Paulo VI e Atenágoras escolheram este lugar para quebrar um silêncio que durou séculos entre as duas Igrejas irmãs". E conclui: "Eu caminhei com o meu irmão Francisco nesta Terra Santa não com o temor de Lucas e Cléofas a caminho de Emaús, mas inspirado pela esperança viva, como nos ensina o nosso Senhor". 
Fonte: Zenit

quarta-feira, 28 de maio de 2014

16º Força Jovem: Civilização do Amor - Projeto e Missão


 
No dia 25, foi realizado o 16º Força Jovem, na cidade de Santanópolis, reunindo a juventude pjoteira das Foranias 4 e 5. O tema foi baseado no documento do CELAM: Civilização do Amor - Projeto e Missão (Considerações para uma Pastoral da Juventude Latino-americana.
As atividades foram iniciadas com a acolhida das caravanas das paróquias, na Praça do Coreto. Logo depois foi feita a oração inicial, e a caminhada com a animação do Ministério Filhos de Maria, quando fomos até o colégio estadual. No colégio foram realizadas as oficinas com temáticas variadas, incluindo uma com a temática central do encontrão. 
Na parte da tarde, iniciamos com a Santa Missa, celebrada pelo Padre Raimundo Souza, referencial da juventude no Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe). Em sua homilia, e durante toda a celebração, falou da necessidade que nós jovens temos de construir uma Civilização do Amor, o Reino de Deus,  um outro mundo possível. 
Depois da Santa Missa, tivemos a parte dos shows, em que a juventude pode também demonstrar sua alegria de viver, de ser pjoteiro/a e de ser comunidade. O primeiro show foi o da dupla Liz e Bruno, que com um repertório diverso, fez a galera pjoteira cantar do início ao fim da apresentação. Logo depois, tivemos as apresentações das oficinas da parte da manhã, onde os jovens apresentaram cartazes, músicas, poemas sobre as temáticas apresentadas. Por fim, tivemos o show da Banda Akua Viva, que agitou a galera, com um axé católico de qualidade. 

Enfim, temos que compartilhar de momentos de celebração de nosso jeito de ser e fazer uma Igreja Jovem, mas sem dúvida, construímos a Civilização do Amor em nossos grupos de base, em nossas formações e atividades! Somos Igreja Jovem do Continente!

Fonte: Erik Nascimento (Coordenação Arquidiocesana pela Forania 4 - São Lucas)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Juventude que ousa lutar!


            
       No ano de 2013, muitos olhares se voltaram para as juventudes. No meio eclesial, a Semana Missionária, a Jornada Mundial da Juventude e a Campanha da Fraternidade, foram alguns dos diversos eventos e processos que demonstraram o reconhecimento da Igreja de se contribuir para que os e as jovens tornem-se cada vez mais protagonistas na construção de outro mundo possível, baseado na solidariedade e justiça social para que todos e todas tenham vida digna em abundancia (cf. Jo 10,10). 
 No âmbito social, o ano foi marcado pelas as Jornadas de Lutas da Juventude Brasileira, que aconteceram em abril e que desembocaram na construção de uma plataforma política encabeçada por grande parte das organizações juvenis brasileiras e que tiveram seu ponto alto nas grandes marchas construídas naquele mês, além de uma audiência com a presidência da republica. Esta unidade marcava um momento importante na história das lutas juvenis brasileiras, pois era a primeira vez em mais de 10 anos que o governo federal recebia um grande grupo de organizações juvenis auto organizadas e com uma plataforma comum. Outro grande marco foi sanção do Estatuto da Juventude, conquista que reconhece a juventude como sujeito que precisa de políticas específicas, garantindo que anos de luta e reinvindicações da juventude no nosso país se tornassem efetivamente politicas de Estado. Torna-se o marco legal mais importante da historia da juventude brasileira.     
 Ainda sobre 2013, não podemos esquecer as manifestações populares de junho, protagonizadas em grande parte pela juventude, que inicialmente tiveram como pauta a tarifa de transporte publico na capital paulista, mas que tomou proporções gigantescas após a onda de violência policial para reprimir tais manifestações. Essas manifestações criaram uma grande efervescência popular no nosso país, no qual criou as condições para que de fato chegasse a hora de pautar, com mais força e adesão popular, o modelo de sociedade que temos e que queremos. Houve até mesmo uma fala do Papa Francisco, que disse em entrevista: "um jovem que não protesta, não me agrada". A juventude traz consigo inquietação e vontade, coragem e ousadia de mudanças profundas, quase genéticas.
O fato é que essa revolta causada pela repressão da PM foi aproveitada pela juventude como uma grande oportunidade de demonstrar o quão insatisfeita está com a realidade e a desigualdade social brasileira e pautar as melhorias e garantias de direitos básicos necessários como educação, saúde, transporte, moradia, lazer, cultura e segurança. Dentre as reivindicações feitas, um tema recorrente foi a reforma do sistema político e eleitoral. As manifestações eram contra a corrupção, por transparência, por mais participação popular nas decisões importantes para o país. Demonstrou o quanto o sistema político atual não atende e não representa essas juventudes, nem tampouco a maioria dos/as brasileiros/as.
 Outro fato importante é que as Pastorais Sociais da CNBB e vários movimentos sociais construíram a 5Semana Social Brasileira (SSB) que trouxe a discussão "O Estado para que e para quem?" e reforçou que a estrutura de Estado que temos continua conservadora e não está a serviço da sociedade, sobretudo dos mais pobres. Mais do que discutir o Estado, a 5SSB se propôs a discutir a sociedade, acreditando em sua organização e força política para propor o Estado que queremos, que precisa ser democrático de fato, e essa democracia é mais que votar e ser votado como demonstrou a insatisfação das ruas. Acreditamos em uma sociedade e, consequentemente, num Estado em que todos e todas tenham voz, vez e lugar, para que estejamos em conformidade com que Jesus afirma: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude." (cf. Jo 10,10).
Não há duvidas de que para garantir que a juventude seja protagonista da própria vida e na sociedade, se faz necessária uma mudança estrutural. As estruturas que temos não atendem mais ao ideário democrático, nem tampouco solidário e justo ao qual temos tanto orgulho de afirmar que nossa sociedade se baseia. Como diz a música: "é hora de transformar o que não dá mais”. É hora de tomar conta dessa reflexão, nos grupos de jovens, no trabalho, nos bairros e nas famílias. É hora de mobilizar a juventude outra vez, agora não somente com cartazes, mas com faixas, com bandeiras diversas, em comunhão, pois somos muitos, mas “sozinho e isolado, ninguém é capaz”.
 É por isso que este ano, várias organizações tem se organizado para lutar por essa causa. Agora, com a experiência do que foram as manifestações de junho, em 2013, temos a possibilidade de construir essa unidade popular, para que as lutas sejam fortalecidas. Já existem muitas iniciativas importantes sendo disseminadas. Dentre elas, é muito importante citar a Coalizão pela Reforma Política, capitaneada pela CNBB3 e OAB4 e que reúne ainda outras organizações e parlamentares que desejam transformação social e que entendem que o primeiro passo é rever o sistema eleitoral e o financiamento de campanhas.
 “Na cola” dessas mobilizações temos a Semana da Cidadania5 de 2014, atividade proposta pelas Pastorais da Juventude do Brasil, organização de jovens ligados à CNBB e escolheu este ano o tema da Reforma Política para a discussão. É importante que as juventudes dos grupos de jovens se sintam parte das decisões políticas e sociais e de fato envolvidas nos processos democráticos. É por acreditarem nos e nas jovens protagonistas, sujeitos da ação, construtores e construtoras de um outro mundo possível e necessário, que as PJs apontam várias ações concretas, que tem apoio da CNBB, e fazem parte da discussão atual da sociedade brasileira.
 Outra grande possibilidade de mobilização é o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político6 que está sendo construído por mais de 100 (cem) movimentos sociais, sindicatos, igrejas e ONGs. O objetivo do plebiscito é de organizar uma grande consulta popular, na semana da pátria, onde o povo brasileiro dirá sim ou não a uma Constituinte Exclusiva e Soberana, composta por cidadãos e cidadãs exclusivamente para mudar o sistema político, e não pelo Congresso Nacional7. Para além da própria consulta que se efetivará no voto, temos a oportunidade de mobilizar todos e todas no debate do tema, aproveitando o sentido pedagógico do trabalho de base, da reflexão e da unidade de todos os envolvidos. Sabemos que o Plebiscito Popular não finda em si, ele é um meio de envolver de fato as pessoas, e assim as juventudes, no processo democrático, de dar-lhes voz, vez e lugar na sociedade. Buscar de fato uma estrutura política que represente e trabalhe em prol do povo, sobretudo os mais pobres é tarefa de todos e todas.
 Sabemos que para essas mudanças houveram tentativas que para dar frutos, necessitavam de um interesse político e que hoje é quase inexistente. Poucos são os que têm interesse em realizar a Reforma do sistema político e eleitoral. É fácil perceber isso se observarmos os dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que mostram que dos 594 parlamentares eleitos em 2010, 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 73 da bancada evangélica e apenas 72 representam os interesses dos trabalhadores. As mulheres representam 9% dos 513 deputados e 12,3% dos 81 senadores. Se observarmos as juventudes, são 40% do eleitorado, mas, 3% apenas no Congresso Nacional. E, que ainda assim, não defendem de fato os direitos dos mais pobres e excluídos, nem tampouco das juventudes. A política precisa ser mais acessível e menos excludente. E nós jovens queremos e devemos ser envolvidos e envolvidas nesses processos, afinal, nós não somos só o futuro, somos muito mais o presente desse país.
 Não resta dúvida que o ano de 2014 será tão cheio quanto o anterior. Já tivemos a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira que “botou o bloco na rua”, tendo como consequência, inclusive, uma reunião com a presidência da republica. Lá foram apresentadas as pautas que foram construídas coletivamente em todo o país. Mas sabemos que somente isso não resolverá nossos problemas. Sabemos que o diálogo é necessário, mas a pressão popular torna-se obrigatória quando não há mudanças. O nosso desejo de transformação não pode ceder espaço para a boa vontade de alguns. Esta precisa ser somada ao nosso sonho. Somente o povo organizado e unido dará as condições para as mudanças que queremos!
Essa é, sem medo de errar, a tarefa das juventudes brasileiras: contribuir na construção de uma frente popular que garanta as mudanças necessárias, que ouse lutar e sonhar e que avance na construção do Projeto Popular para o Brasil!
1Laísa Silva é estudante de Psicologia pela UFMG e estagiária no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Direitos Humanos do Ministério Público de MG. É Articuladora da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte e foi Secretária do Serviço Regional de Evangelização das Juventudes do Leste 2 da CNBB (Minas Gerais e Espírito Santo) no período de 2013 a 2014. Contato: laisa.silva7@yahoo.com.br
 2Thiesco Crisóstomo é bacharel em Sistemas de Informação pela UFPA e estudante de Ciências Sociais pela UNIFESSPA. Foi Secretário Nacional da Pastoral da Juventude no período de 2011 a 2013. É membro na Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pelo Regional Norte 2 da CNBB (Pará e Amapá). Contato: thiesco@gmail.com
 3 Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil: www.cnbb.org.br
 4 Ordem dos Advogados do Brasil: www.oab.org.br
 5 A Semana da Cidadania (SdC) faz parte das Atividades permanentes das Pastorais da Juventude do Brasil. A SdC acontece todo ano na semana de 14 a 21 de abril. Este ano o tema da SdC é “Juventudes na luta pela Reforma Política” e o lema “É hora de transformar o que não dá mais”.
 6 Visite a página do Plebiscito: www.plebiscitoconstituinte.org.br
 7 Cartilha Plebiscito por um novo Sistema Político, pág. 1. 
Fonte: Laísa Silva e Thiesco Crisóstomo - No site do Plebiscito pela Constituinte

terça-feira, 20 de maio de 2014

Confira como foi a 2ª Etapa da Escola da Juventude Dom Hélder Câmara


Entre os dias 16 e 18 de maio, foi realizada pela Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana, a 2ª Etapa da Escola da Juventude Dom Hélder Câmara, neste ano de 2014. Foram momentos cheios de fé e alegria próprias da maior organização de jovens da América Latina, que é PJ. 

As atividades foram iniciadas na sexta feira, com a mística inicia, onde foi iniciada a temática História da Pastoral da Juventude. Foram feitas entre outras coisas a Oração dos 40 anos da PJ e a leitura de textos de Antônio Frutuoso  e Padre Hilário Dick sobre o caminho da PJ nessas quatro décadas. 

No sábado, as atividades começaram com o Ofício Divino da Juventude, e logo após começamos as nossas formações. As duas primeiras temáticas foram realizadas pelo Eric Gamaliel, pjoteiro de Baianópolis (Diocese de Barreiras/BA). Ele é psicólogo de formação e até o começo do ano era articulador das Pastorais da Juventude no Regional Nordeste 3. A primeira formação (pela manhã) foi sobre Afetividade e sexualidade e a segunda (pela tarde) foi sobre Concepções de Juventude. O sábado foi concluído com  a confraternização junina, com alimentos, roupas típicas e muito forró, na expectativa da festa popular mais importante do Brasil: o São João.

No domingo, as atividades também foram iniciadas com a reza do ODJ, seguida pela formação feita pelo nosso assessor arquidiocesano, Johnny Santos. A temática foi História da Pastoral da Juventude. 


Fonte: Teias da Comunicação - Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nota em favor do acolhimento digno aos imigrantes no Brasil

Por meio de nota, aprovada na última Assembleia Geral, realizada de 30 de abril a 9 de maio, em Aparecida (SP), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) expressa “solidariedade aos imigrantes que aportam no país em busca de trabalho e vida digna”, com especial atenção ao haitianos. De acordo com o texto, no Haiti, “a pobreza e a falta de condições de vida provocam há anos um verdadeiro êxodo migratório”.
Na nota, os bispos recordam que muitos imigrantes que chegam no Brasil em busca de oportunidade são “vítimas de diversas formas de exploração ou mesmo de tráfico humano e de abandono do poder público”. Pedem às autoridades públicas e aos organismo internacionais para que “combatam eficazmente esta deplorável situação com a definição de efetiva política migratória e de políticas públicas que favoreçam a integração social, laboral e cultural de todos os imigrantes”.
Quanto ao Haiti, os bispos fazem um apelo aos governos brasileiros e de outros países para que “intensifiquem os esforços para a reconstrução deste país”.
Leia, na íntegra, a nota: 
NOTA EM FAVOR DO ACOLHIMENTO DIGNO AOS IMIGRANTES NO BRASIL
"Eu era e estrangeiro e me acolhestes" (Mt 25,35)
Nós, Bispos reunidos na 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, em Aparecida, SP, expressamos nossa solidariedade aos imigrantes que aportam em nosso país em busca de trabalho e de vida digna, com paz e segurança. A esse seu direito corresponde o dever das autoridades governamentais de propiciar-lhes acolhimento compatível com sua dignidade de filhos e filhas de Deus.
Nosso sentimento cristão não nos deixa insensíveis diante do sofrimento de todos os imigrantes haitianos, senegaleses, bengalis, bolivianos e de tantas outras nacionalidades que chegam ao nosso país. Manifestamos especial reconhecimento às Igrejas em Rio Branco (AC), Manaus (AM), São Paulo (SP) e em outros lugares que, através das Paróquias, Congregações e Pastorais, nos últimos anos, têm acolhido inúmeros desses irmãos que chegam à nossa terra de forma tão precária.
O Brasil tem grande tradição de acolhimento de imigrantes que buscam oportunidade para reconstruir sua vida. Eles vêm dispostos a contribuir com seu trabalho o desenvolvimento do País. Lamentamos, no entanto, que muitos deles sejam vítimas de diversas formas de exploração ou mesmo de tráfico humano e de abandono do poder público. Instamos, pois, as autoridades públicas e os organismos internacionais a que combatam eficazmente esta deplorável situação com a definição de efetiva política migratória e de políticas públicas que favoreçam a integração social, laboral e cultural de todos os imigrantes. Que o governo federal, em união com os governos estaduais e municipais, avance com mais efetividade na criação de condições que garantam acolhida digna aos imigrantes, bem como a documentação de que necessitam, sua inserção laboral, seu acesso às políticas sociais e aos direitos que a Constituição Federal lhes assegura.
Chamamos a atenção especialmente para o Haiti onde a pobreza e a falta de condições de vida há anos provocam verdadeiro êxodo migratório. Após o terremoto de 2010 a situação se agravou e precarizou ainda mais sua realidade social e política. A Igreja do Brasil está presente no Haiti com uma atividade missionária e assistencial intensa, ajudando na reconstrução social e na promoção humana de seu povo. Reiteramos nosso apelo aos governos brasileiro e de outros países que, em nível internacional, intensifiquem os esforços para a reconstrução deste país, sobretudo de sua capital Porto Príncipe, onde 350 mil de seus habitantes vivem em 496 acampamentos.
Cuidemos todos, diante da exigente realidade de tantos imigrantes em nosso país, para não cair na “globalização da indiferença”, que nos torna insensíveis ao sofrimento e à dor destes nossos irmãos. Ecoe, especialmente no coração dos cristãos, a palavra de Jesus Cristo: "Eu era e estrangeiro e me acolhestes" (Mt 25, 35).
Nossa Senhora Aparecida, Mãe dos Migrantes, nos ajude a viver a solidariedade e o serviço a nossos irmãos e irmãs imigrantes.
Aparecida-SP, 09 de maio de 2014.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida (SP)
Presidente da CNBB
Dom José Belisário
Arcebispo de São Luís (MA)
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Missa é celebrada em memória a dom Tomás Balduíno

Representantes de organismos, movimentos, instituições religiosas e civis participaram, no último dia 9, da missa de sétimo dia de dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás (GO), celebrada na capela da sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF).  
Na ocasião, foi lida a carta do bispo de Goiás (GO), dom Eugênio Rixen, enviada aos bispos do Brasil, reunidos em Assembleia, em Aparecida, de 30 de abril a 9 de maio. “Escrevo-lhes para compartilhar com todos os momentos de graça que vivi nestes dias em torno à Páscoa de nosso querido Dom Tomás Balduino”, disse dom Eugênio no texto.
Dom Tomás Balduíno faleceu no dia 2 de maio, aos 91 anos de idade. Era natural de Posse (GO). Antes de ser bispo, foi superior da missão dominicana em Conceição do Araguaia (PA) de 1956 a 1964 e prelado administrador desta prelazia, entre 1966 e 1967, sendo também bispo coadjutor. Nesta região, atuou na defesa dos povos indígenas e das famílias sertanejas. Em 1967, foi nomeado bispo da diocese de Goiás, onde permaneceu até 1999. Neste período, dom Tomás colaborou na fundação do Conselho Indigenista Missionário e da Comissão Pastoral da Terra. Em 2006, recebeu o Prêmio de Direitos do Homem Dr. João Madeira Cardoso, pela Fundação Mariana Seixas, de Portugal, e também o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, pelo seu trabalho em favor da cidadania e direitos humanos. Em 2008, recebeu, nos Estados Unidos, o prêmio Reflections of Hope, da Oklahoma City National Memorial Foudation, por sua atuação no combate à miséria.
Segue, abaixo, a carta de dom Eugênio Rixen
Carta de Dom Eugênio Rixen, enviado de Goiás no dia 06 de maio
Caros Irmãos no Episcopado
Escrevo-lhes para compartilhar com todos os momentos de graça que vivi nestes dias em torno à Páscoa de nosso querido Dom Tomás Balduino.
As pessoas que o acompanharam nos dias em que esteve internado, e eu mesmo o comprovei numa visita que fiz a ele, do interesse e da vontade que tinha em participar desta 52ª Assembleia da CNBB. Os que estavam com ele na noite em que faleceu me relataram que até poucos momentos antes da morte queria de alguma forma dar sua contribuição ao documento “A Igreja e a Questão Agrária”. Desejava telefonar, pediu para que lhe trouxessem um computador móvel para ditar uma mensagem. Estava em profunda sintonia com esta Assembleia. O frade dominicano que esteve mais perto disse que Dom Tomás, até o último momento esteve lúcido, sereno e bem humorado.
As notícias da sua morte se espalharam mundo afora e de todos os lados pipocaram mensagens ressaltando a importância da sua figura e o que ele representou para a Igreja e a sociedade.
Houve uma bonita celebração no domingo pela manhã, em Goiânia. Esteve presente o bispo Anglicano de Brasília, Dom Mauricio Andrade que ressaltou a abertura ecumênica de Dom Tomás.
Mas o que marcou mesmo as celebrações foi a presença dos movimentos camponeses e indígena.
Indígenas Krahô, Apinagé, Karajá, Xerente, do Tocantins, Tapuia, de Goiás, e Tapirapé, de Mato Grosso, celebraram rituais ao redor de seu corpo quando chegou à catedral de Goiás, fizeram no seu rosto uma pintura indígena, e na cabeceira do caixão colocaram um cocar indígena. Emocionados falaram da importância de Dom Tomás para sua luta, do apoio que sempre prestou. Uma indígena pediu em alto e bom som que a Igreja continue junto a eles como Dom Tomás que nunca os deixou. “Não deixem a gente sozinhos”, disse ela.
Praticamente não faltou a presença de nenhum dos movimentos do campo. Suas bandeiras diziam da importância da Igreja, representada na pessoa de Dom Tomás, para as suas lutas, para a defesa dos seus direitos, para a conquista da terra. Suas palavras emocionadas ressaltavam que o legado de Dom Tomás continuará presente, que a morte de Dom Tomás é mais um impulso para a continuidade de suas lutas.
Na celebração eucarística final Dom Enemésio, bispo de Balsas, MA e presidente da CPT, representou a todos os senhores que continuam em Assembleia. Presentes estavam também os bispos eméritos, Dom Antônio, de Goiânia e Dom Celso, de Itumbiara. Dom Almir, bispo emérito Anglicano, e o bispo, Raimundo da Igreja de Cristo participaram da eucaristia. Algumas dezenas de padres concelebraram, representando os bispos do Centro-Oeste e outras dioceses.
A CPT e o CIMI ressaltaram que a vida e o compromisso de Dom Tomás com a causa indígena e dos camponeses ajudarão a reavivar a vontade de continuar sendo a presença evangélica junto aos excluídos e excluídas.
Dom Enemésio, na sua fala, pontuou que Dom Tomás viveu o que o Papa Francisco prega, de a Igreja sair das sacristias, estar presente nas periferias existenciais. Ele observou que somente três ou quatro, das quase 50 coroas de flores, eram de instituições ligadas à igreja, as demais eram de movimentos, associações, sindicatos, entidades políticas. Eram o sinal do fermento do Evangelho na sociedade.
Estou em comunhão com os senhores nestes dias que a Assembleia votará o documento “Igreja e a questão agrária”. Muitos esperam que a voz profética da Igreja que marcou tão profundamente a vida de dom Tomás continue produzindo frutos de justiça e de solidariedade no meio de nós.
Em comunhão fraterna!

Dom Eugênio Rixen
Bispo de Goiás
Fonte: com colaboração das Pontifícias Obras Missionárias
Fotos:  Pontifícias Obras Missionárias

domingo, 11 de maio de 2014

Presidência da CNBB avalia a 52ª Assembleia Geral

Após dez dias intensos de estudos e reflexões, encerra nesta sexta-feira, 8, a 52ª Assembleia Geral da CNBB, que reuniu mais de 350 bispos dos 18 regionais, no período de 30 de abril a 9 de maio, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, em Aparecida (SP).
Com programação diária que incluiu celebração diária de missas, reuniões e retiro de oração, o episcopado brasileiro dedicou-se ao estudo da temática central da “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, além de temas prioritários sobre a questão agrária, laicato, liturgia. Outros assuntos também estiveram em pauta como evangelização da juventude, eleições 2014, campanha contra a fome, Copa do Mundo, entre outros.
Na avaliação do arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Damasceno Assis, a Assembleia termina com resultados positivos, deixando testemunho da unidade e comunhão entre os bispos do Brasil. “Os trabalhos transcorreram em clima de muita fraternidade, oração e partilha. Conseguimos concluir os temas previstos na pauta. Estou feliz com os resultados”, ressalta.
O arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB destaca que a Assembleia encerra com orientações práticas para a continuidade da missão da Igreja no Brasil e já antecipa os trabalhos do próximo ano. “Teremos um trabalho muito importante que é a revisão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Por decisão do episcopado, as diretrizes serão atualizadas na próxima Assembleia”, comenta dom Belisário.
Resultados
Entre os textos estudados e avaliados pelo episcopado brasileiro, foram aprovados dois documentos e um estudo. Sendo um documento sobre a Renovação Paroquial e outro que trata da Questão Agrária no Brasil.
O documento “Comunidades de Comunidades: uma nova paróquia” aprovado na Assembleia discute a renovação das paróquias. De acordo com o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o texto quer contribuir para dinamizar a vida de comunidade. “Vai nos ajudar a sermos presença do Evangelho de maneira fecunda e samaritana, no anúncio do Reino de Deus”, disse.
Outro documento esperado pela sociedade e aprovado pelos bispos discute a Questão Agrária brasileira no início do século XXI. “É uma reflexão sobre a realidade do campo e ajudará a compreender a necessidade do cuidado pela terra e também com nossa agricultura familiar”, explica dom Leonardo.
O tema prioritário “Os cristãos leigos e leigas” estudado na Assembleia, após diversas reflexões da plenário, foi aprovado como Estudo da CNBB. O texto será enviado às dioceses do Brasil para reflexão e debate nas paróquias e comunidades, a fim de receber contribuições dos leigos. No próximo ano, a temática volta a ser avaliada para possível aprovação como documento oficial sobre o laicato.
Confira a cobertura completa da 52ª AG, no link: Assembleia Geral 2014
Fonte: CNBB

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pastorais da Juventude do Sub 3, se reúnem em Feira de Santana


Foi realizada entre os dias 02 a 04 de maio, a Ampliada das Pastorais da Juventude do Brasil, do Sub 3 da CNBB NE3 (BA/SE). Com o tema: Pastorais da Juventude do Sub 3, construindo a Civilização do Amor, e a iluminação bíblica "Eu vi um novo céu e uma nova terra" Ap 21,1, os trabalhados foram realizados na Chácara Santo Inácio, em Feira de Santana. Estavam na Ampliada representantes de 5 dioceses (Feira de Santana, Irecê, Juazeiro, Senhor do Bonfim, Ruy Barbosa, além de Serrinha e Paulo Afonso que não estavam representadas), e das três específicas presentes neste Sub Regional 3: PJ, PJMR e PJMP. 

As atividades começaram já na sexta, com a reza do Ofício Divino da Juventude. Este teve como tema a mística de Samaria, que é o lugar bíblico que a Pastoral da Juventude Latino americana está pisando firme nesse ano. Samaria, é o local de encontro, com os irmãos e com Deus, e onde podemos beber da água viva que nos reanima na caminhada. Para isso se propôs também a Ampliada, que nesse ano teve caráter mais formativo. 

Iniciamos o sábado com o ODJ, também ainda na mística de Samaria e do encontro de Jesus e a samaritana no poço. E depois partimos para o estudo aprofundado do Marco da Realidade do Documento do CELAM, sobre a Pastoral da Juventude no Continente: Civilização do Amor: Projeto e Missão. E com esse estudo se desenrolou a maior parte da Ampliada. No sábado pela noite, tivemos a Santa Missa, presidida pelo Padre Raimundo Souza, responsável pelas juventudes no Regional Nordeste 3. Padre Raimundo, nos recordou alguns pontos importantes do Civilização do Amor, em especial compromissos de ordem prática. Tivemos a colaboração ao final da formação, do pjoteiro e noviço jesuíta Luís Duarte, que ajudou na revisão deste mesmo documento. Também tivemos reunião das específicas, para se resolver as questões desta na organização de Sub Regional, bem como para se passar repasses  a nível regional e nacional.  Por fim, na mística final, relemos o texto de João 4 (Jesus e a samaritana) e reafirmamos nosso compromisso com as juventudes e nossas comunidades, no serviço e na missão. 



Fonte: Articulação da Pastorais da Juventude do Brasil - Sub Regional 3 (CNBB NE3)

domingo, 4 de maio de 2014

Dom Tomás Balduíno, faz sua Páscoa

Você partiu para entrar na pátria definitiva. Deixa imensas saudades, incontáveis lembranças, agradáveis recordações. Choramos a sua morte, mas ao mesmo tempo somos tão gratos a Deus por ter-nos concedido sua presença fraterna e solidária durante tanto tempo.

O que seria o Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, sem você! Você não deixou apenas marcas, você foi um dos fundadores do Cimi nos idos de 1972. Diante dos desafios já daquele tempo sentiu a necessidade de criar um organismo na CNBB que coordenasse todo o empenho em favor dos povos indígenas deste País. Quem fala no Cimi, lembra o Dom Tomás: intransigente defensor dos direitos e da dignidade dos povos indígenas. Mas sua doação generosa não se restringiu aos índios. Dedicou sua vida igualmente aos agricultores expulsos de suas terras, ameaçados em sua sobrevivência, aos sem-terra, sem-teto, sem-nada. Seu exemplo de vida doada a quem um sistema iníquo e injusto exclui e considera supérfluo e descartável nos incentiva e fortalece na continuação desta nobre luta em favor dos prediletos de Deus.

Caro Dom Tomás, quero lhe agradecer também pessoalmente por sua fraterna amizade. Nunca esquecerei sua presença no Xingu e as viagens que fizemos, só nós dois, no seu aviãozinho para às aldeias do povo Kayapó.

Dom Tomás, que Deus o tenha na sua glória! Que receba agora o prêmio de contemplar por toda a eternidade o que Deus preparou para aqueles que o amam (cf. 1 Cor 2,9).

Do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida,
da 52ª Assembleia Geral da CNBB,
4 de maio de 2014

Erwin Kräutler
Bispo do Xingu
Presidente do Cimi

Fonte: CIMI

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dom Itamar Vian fala sobre a Questão Agrária

Tema de discussão dos bispos neste segundo dia da 52ª Assembleia Geral da CNBB, o  texto “A Igreja e a questão agrária no início do século 21” foi apresentado na coletiva de imprensa pelo arcebispo de Feira de Santana (BA) e presidente da Comissão para o texto da Questão Agrária, dom Itamar Vian.
Segundo dom Itamar, o texto, que já está em discussão desde 2010 deve ser aprovado na próxima semana. “ Há 34 anos que a igreja não publica um documento sobre a questão da terra”, informou.
O bispo explicou que a questão agrária é muito mais envolvente que a reforma agrária. “É  um dos aspectos. Ela envolve ainda a questão da água, a questão dos povos ribeirinhos, das florestas, do meio ambiente, dos sem terra, e de todos aqueles que cultivam a terra”, disse.
Para dom Itamar, o que chama mais atenção hoje é a defesa da natureza e do meio ambiente. “Nós estamos destruindo a Mãe Natureza e já sofremos as consequências dessa ação humana. Por isso, um documento envolvendo dezenas de questões centraliza o que é fundamental no ser humano, como responsável por tudo aquilo que acontece no mundo”.
O texto foi dividido em três partes. “Na primeira, a o clamor dos povos; na segunda, a palavra da Igreja sobre essas questões e, no terceiro, o trabalho que nós podemos ”, explicou.
Fonte: CNBB