quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Visto Branco: pela liberdade de fé!



O dia 21 de janeiro é marcado como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Um dia de luta, de reflexão, debate e ações que motivem a busca pela liberdade de culto religioso e combate ao racismo, além da consolidação de um Estado laico, de fato.
A data foi sancionada pela Lei nº 11.635 em 2007 e faz referência ao dia da morte de Mãe Gilda, Ìyálòrìsà (Yalorixá)do IIé Àṣẹ (Axé) Abassá ti Ògún, que faleceu em 2000, em Salvador (BA), após sofrer atos de intolerância. Em 1999, o jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, estampou em sua capa uma foto da Ìyálòrìsà(Yalorixá) Gildásia dos Santos e Santos. Mãe Gilda trajava roupas de sacerdotisa para ilustrar uma matéria cujo título era: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Depois disso, sua casa foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente, e seu terreiro foi depredado por evangélicos. Mãe Gilda não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu no dia 21 de janeiro de 2000.
Na mistura das cores, de Branco nos vestimos de luta:
A Campanha Visto Branco deste ano remete, em sua identidade visual, a uma releitura das fitas do Senhor do Bonfim. Símbolo forte do sincretismo, inicialmente entre católicos(a) era conhecida como “medida do Bonfim”, por sua medida original de 47 centímetros ter o tamanho do braço direito da estátua de Jesus Cristo, o Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia. Para as matrizes africanas, cada cor estaria ligada a um Òrìşà (Orixá). O efeito das cores ressalta a diversidade.
Ao vestirmos branco, denunciamos as violações de direitos humanos e unimos forças para superação das intolerâncias e desigualdades que estruturam nosso mundo. Casos como o de Mãe Gilda, como da menina Kailane Campos, candomblecista apedrejada na saída de um culto no Rio de Janeiro, e tantos outros que passam velados, mostram a necessidade da efetivação de um Estado laico, uma trajetória longa para ser consolidada de fato.
O combate à intolerância começa com a mudança de comportamento individual e coletivo dos seres humanos que convivem dentro da mesma comunidade. É, portanto, uma predisposição de (re)conhecer o/a diferente e aceitá-lo/a.
Pela liberdade de fé!
A liberdade está e sempre esteve em disputa. E, para que ocorram conquistas em termos de direitos, é necessário lutar. Uma luta que ocorre mediante diálogo, comprometimento e tem como utopia a mudança e superação das violações de direitos.
Que o símbolo desta data sinalize possíveis atitudes durante o ano todo: dialogar mais e, principalmente, ouvir e se predispor a conhecer. São caminhos de construção de um mundo onde as diferenças entre crentes e não crentes possa coexistir, para a convivência comum.
A Rede Ecumênica da Juventude se coloca a serviço, em irmandade e parceria, juntas e juntos, na promoção dos direitos das juventudes, na efetivação de um Estado laico de fato e na superação das intolerâncias, para um debate que acontece todo dia nas mais variadas esferas, sociais, políticas e religiosas.
Participe com a gente: venha para a luta
Para apoiar e se integrar à Campanha Visto Branco durante os dias 21 a 24 de janeiro, publique uma foto, de forma pública, nas redes sociais e vestindo branco com as hashtags: #vistobranco #estadolaicodefato #reju.
Ainda serão divulgadas as atividades relacionadas à data. Fique atenta/o para participar da programação na sua cidade.
Basta de intolerâncias e preconceitos com as religiões de matriz africana e afro-brasileiras, pelo direito à livre consciência, culto e crença de todas religiões! Pela liberdade de crer e não crer!
Àṣẹ (Axé), Amém, Awere, Aleluia, Namastê, Gasshô, Shalom!
Alexandre Magno da Glória (Candomblecista)
 Débora Ludwig (Luterana)
 Edoarda Sopelsa Scherer (Católica)
Fonte: Rede Ecumênica de Juventude (REJU)

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