terça-feira, 2 de junho de 2015

CEBs do Regional NE3 enviam carta após seu 2º Encontrão

MENSAGEM DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE DO REGIONAL NORDESTE III AO POVO DE DEUS DA BAHIA E SERGIPE

Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz..(Cfr. Lc 11, 33).
Nós, das Comunidades Eclesiais de Base, do Regional Nordeste III – Bahia e Sergipe, reunidos e reunidas, na cidade de Caetité-Ba, nos dias 21 a 24 de maio de 2015,com a presença das Dioceses de Aracaju,Alagoinhas, Barra, Bom Jesus da Lapa, Senhor do Bomfim, Caetité, Camaçari, Feira de Santana, Itabuna, Ilhéus, Irecê,Jequié, Juazeiro, Livramento de Nossa Senhora, Paulo Afonso, Ruy Barbosa, Salvador, Serrinha e Vitória da Conquista.
Em consonância com a Semana de oração pela unidade dos Cristãos, nas celebrações preparativas e a solenidade de Pentecostes, que lembra o nascimento da Igreja, tempo inspirador em que acontece o II Encontrão das CEB´s com a missão de refletir,sobre o tema: “As CEB´s e a força do Testemunho”e, o Lema: “O jeito de ser Igreja em todos os cantos”.Ao todo, éramos 282 participantes, compreendidos em: Leigos e Leigas, Bispos, padres, seminaristas, religiosas e religiosos, comunidades remanescentes de quilombolas, indígenas,assessorias, e da pastora Nancy Cardoso da Igreja Metodista.Juntos, vimos de várias e diferentes comunidades, com muito entusiasmo e expectativas, em busca de um novo revigoramento da vida celebrada e das comunidades em estado permanente de missão.
Objetivando atender às expectativas de um povo que clama por justiça e dignidade humana, as CEB´s prepararam as seguintes oficinas: 1- Na defesa da Vida, com o assessor Roberto Malvezzi (Gogó); 2- Juventude, com o assessor Pe. Cláudio; 3- Conflitos Sociais, com assessor Frei Luciano Bernard; 4- A Igreja em saída missionária, com Mônica Muggler e 5- Meios de Comunicação, com assessor Pe. Paulo Henrique.
O encontro iniciou com uma celebração trazendo a memoria da religiosidade popular. No segundo dia, lançamos um olhar sobre a atual conjuntura. A assessora, profª. Alidéia, de Caetité, foi muito feliz na explanação do assunto, de forma bem atualizada, pedagógica e ilustrativa. Apresentou uma conjuntura atual, mundial, nacional e local deixando na assembleia sentimentos de perplexidade, inquietação e questionamentos da gravidade do momento histórico e nos chamando para a responsabilidade como Igreja. Como continuar em silêncio diante de tamanha situação?
Os pronunciamentos do PAPA Francisco, tem sido contundentes e denuncia as diversas realidades de violência contra a humanidade, a exemplo de: migração de haitianos, aumento do trabalho escravo, estado subservienteao poder econômico, privatização dos elementos da natureza: água, ventos, terras, minérios, corrupção, descrédito da população para com os políticos, violência, investida contra os direitos das comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, fundos e fechos de pasto e brejeiros, investidas contra os direitos trabalhistas, conquistados com tantos sofrimentos.
Seguindo as colocações do frei Dom Luis Cappio, bispo da Diocese de Barra, ainda sonhamos com uma Igreja atenta à inspiração do Divino Espírito Santo a exemplo das primeiras comunidades cristãs e fieis ao projeto de Jesus Cristo. Uma Igreja em missão permanente que dê atenção aos necessitados de seu tempo. Que a ação de cada comunidade seja fruto de uma experiência pessoal, a partir de Jesus Cristo e não baseada em atitudes meramente pessoais.
Seguindo a programação no sábado à tarde, houve a socialização do Documento 100 da CNBB, pelo padre Osvaldino Alves Barbosa, da Diocese de Caetité. O mesmo abordou a temática: “Comunidade de Comunidades;” conversão pastoral e paroquial, conversão pessoal e estrutural. Fundamentado no documento citado, nos mostrou uma igreja preocupada com sua missão e ação. Uma igreja em continuidade com a eclesiologia do Concílio Vaticano II e das conferências latino-americanas. Uma igreja que insiste no valor das Comunidades e incentiva a presença e a participação de leigos e leigas, visando uma igreja toda ela ministerial. Que busca formar, motivar, acompanhar e dar apoio a seus membros seja qual foro ministério de cada um e de cada uma.Uma igreja tão sonhada por Dom Oscar Romero e que hoje se torna o sonho de todos nós.
A exemplo de dom Hélder Câmara que nos dizia: “Não deixem a profecia morrer.” e diante da problemática apresentada e como resultado das oficinas, surgiram as seguintes propostas como compromissos que podem ser assumidos pelas comunidades:
1. Que a Igreja incentive formação específica para suas lideranças no intuito de participarem dos conselhos municipais de educação,visando uma educação contextualizada para atender às necessidades do aluno do campo;
2. Formar e fortalecer, nas paróquias e municípios as comissões de meio ambiente;
3. Revigorar nas paroquias COMIPAS (Comissão Missionária Paroquial) e nas comunidades, equipes missionárias;
4. Criar grupos ou equipes de ação missionaria que visitem os novos areópagos: condomínios fechados, novos conjuntos habitacionais, periferias, povoados desassistidos;
5. Criar grupos de formação para o uso correto dos meios de comunicação social;
6. Criar ou fortalecer as equipes de pastoral da comunicação;
7. Fortalecer as lutas contra a maioridade penal;
8. Fortalecer as campanhas contra a violência e o extermínio de jovens.
9. Fortalecer as Campanhas de Revitalizações dos rios e contra o desmatamento.
10. Assumir a luta pelo saneamento a partir da Campanha da Fraternidade de 2016.
Ao entardecer do terceiro dia, em caminhada pelas ruas da cidade de Caetité, celebramos o testemunho de nossos mártires: Índio Galdino, dos pataxós, Antônio Conselheiro, o povo negro e o extermínio de jovens. Lembramos também da beatificação de Dom Oscar Romero, em El Salvador como mártir da justiça pelo Reino, também a reivindicação dos Tupinambás contra a PEC 215/00 (sobre a demarcação das terras indígenas) que tramita no congresso
Encerrando o II Encontrão, nos dirigimos em caminhada à Catedral de Senhora Santana com o povo de Deus para a celebração eucarística de nosso Pentecostes.

Segundo o Espirito do Deus dos vivos assumimos estes compromissos acima citados.
Amem, axé, awerê, aleluia.
Caetité. 24 de Maio de 2015.

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