sábado, 22 de dezembro de 2012

Outro Natal é possível



Indignados pela total manipulação que nesses dias se faz do Natal, queremos manifestar que nos roubaram o verdadeiro Natal. A loucura de anúncios e adornos natalinos que invadem as ruas, pouco ou nada têm a ver com o significado do nascimento de Jesus.
Estamos fartos do bombardeio constante a que somos submetidos pela publicidade, incitando-nos a consumir e a comprar o que não necessitamos e a gastar o que não temos, utilizando o Natal simplesmente como um meio para aumentar vendas e benefícios.
Percebemos como esse neoliberalismo selvagem no qual estamos imersos produz valores contrários ao Natal e à mensagem de Jesus, e fazemos um chamado firme a recuperar os verdadeiros valores que o Natal implica e a denunciar a hipocrisia desse sistema que utiliza Deus para promover o benefício empresarial, enquanto esquece os pobres, que são os preferidos do Pai. Hoje, para o pobre José, para a pobre Maria e para o pobre Jesus não haveria lugar nos centros comerciais, nem nos supermercados, nem nos hoteis de luxo.
Queremos denunciar que esse sistema neoliberal no qual vivemos exclui as maiorias e beneficia aos mais ricos e às grandes empresas nacionais e transnacionais. Nada mais distante da mensagem de amor, solidariedade e fraternidade, que o nascimento de Jesus nos traz.
"E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura” (Lucas 2,10-12).
Imaginamos "outro Natal possível”, mais próximo a esse Menino Jesus, nascido humildemente em um presépio... e que continua nascendo hoje nos mais pobres e excluídos. Não queremos esse Papai Noel comercial, interessado somente em promover esse consumismo exacerbado. Queremos abrir corações e portas à chegada salvadora do Menino Deus. A solidariedade e a ternura abrirão caminho ante o individualismo, egoísmo e consumismo.
Imaginamos um Natal onde aproveitamos para fazer uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita o Deus da Vida e lhe pedimos que nos ajude a reconhecê-lo hoje entre os mais pobres e excluídos e a lutar com eles por uma vida digna, como Ele quer para todas/os as/os seus filhas/os.
Imaginamos um Natal simples, solidário, alegre..., sem luxos, onde estarão presentes em nossos corações todas as pessoas que sofrem e que são as preferidas de Deus Pai e Mãe: crianças das ruas, trabalhadoras exploradas nas montadoras, desempregadas/os, doentes sem acesso à saúde, camponeses do interior e moradores de tantos bairros que passaram mais um dia com fome, nossos irmãos trabalhadores migrantes que passarão o Natal longe de suas famílias, as mulheres golpeadas e abusadas em tantas casas, as mulheres que também no Natal, para sobreviver e levar o pão a suas crianças, estão na prostituição.
Sonhamos, desejamos que nossos corações não possam permanecer impassíveis ante tanta dor e injustiça e nos moverão a caminharmos em busca de maneiras para que essas situações, escandalosas aos olhos de Deus, cessem de uma vez por todas.
E em nossas comunidades, queremos um Natal Missionário. Não queremos celebrar o Natal fechados em nós mesmos; nem reduzi-lo a nossas famílias. Desde nossas famílias e comunidades queremos ir além e levar a Boa Notícia de Jesus e celebrá-la pelo menos com outros vizinhos, em outros setores de nossos bairros e também com os que, de alguma maneira, estão excluídos.
Imaginamos e queremos outro Mundo possível, outra América possível, outra Pátria possível... justa, fraterna e solidária, como é o nascimento de Jesus.

Arnaldo Zenteno S.J.
Da Equipe de Serviços da CNP. Comunidades Eclesiais de Base de Nicarágua
Fonte: Adital

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