terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pastorais Sociais, Pastorais da Juventude e Juventude Franciscana definem pauta em comum em defesa da vida da juventude

Por: Jardel Lopes
Neste final de semana (01 e 02 de novembro),  no Centro de Formação Sagrada Família, da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, fundada por Santa Paulina, São Paulo,   aconteceu o 1º Seminário Nacional de Articulação das Pastorais Sociais, Pastorais da Juventude e Jufra: Construindo redes de enfrentamento da Criminalização e do Genocídio da Juventude.
A aproximação entre essas pastorais buscam um olhar em conjunto para a defesa da vida da juventude, categoria demográfica mais criminalizada e exterminada na sociedade brasileira. A criminalização da juventude, pautas sociais, políticas e religiosas conservadoras que excluem a juventude e o genocídio da juventude negra, pobre, e da periferia são os principais temas abordados pelas pastorais como urgências que demandam denuncias e anúncio de iniciativas em defesa da vida.
Segundo o Mapa da Violência 2014, o Brasil registrou, em 2012, 56.337 homicídios, atingindo a taxa de 29 assassinatos por 100 mil habitantes. Desse total, 30.072 foram pessoas jovens, o que faz a taxa de homicídios subir, tratando-se exclusivamente da população juvenil, para 57,6/100 mil, tendo o pico na faixa entre 20 e 24 anos de idade (nesta idade, a taxa chega à 66,9/100 mil). De acordo com o Mapa da Violência 2015, do total de óbitos de jovens de 16 e 17 anos em 2013, 46% foram causados por homicídios.
Os números são ainda mais alarmantes quando se referem à situação da juventude negra: enquanto 6.823 jovens brancos foram assassinados em 2012, 23.160 jovens negros tiveram suas vidas tolhidas. Isso significa que a taxa de homicídios do primeiro grupo chegou à 29,9/100 mil, ao passo que no segundo atingiu 82,3/100 mil. Naquele ano, portanto, foram mais de 63 jovens negros assassinados por dia. Neste contexto, ainda, ganha relevo a altíssima letalidade da polícia brasileira, explícita nos números de mortes causadas em suas intervenções e maquiada pelos grotescos “autos de resistência”. Evidencia-se o que tanto as Pastorais da Juventude como o que inúmeros Movimentos Sociais vêm gritando há anos: está em curso um verdadeiro genocídio da juventude negra brasileira.
Entre momentos de oração e de estudo, Vanessa Correa (Anchietanum)  ajudou a refletir a condição e situação juvenil, Ana Marcela (PJE)  provocou sobre a criminalização da juventude, destacando a redução da maioridade penal; Ana Rita (PJMP) falou sobre o genocídio da juventude negra, pobres e das periferias. Também a professora Celina (ITEPA)  ajudou com reflexões e críticas em relação à proposta. Para ajudar a iluminar essa realidade Thiago Valentim (CPT) e Jardel Lopes (PO)  ajudaram com a refletir sobre o pastoreio (Ez 34, 1-4) e os lugares de primordiais da ação de Jesus.
Dentre as ações propostas para o coletivo de pastorais preocupadas com a realidade que crucifica a juventude, sobretudo os pobres e negros. È preciso visibilizar a realidade e desenvolver ações conjuntas, construindo redes de ações que venham superar as estruturas que geram mortes. Em 2016 deveremos ter um seminário ampliado com outras pastorais e movimentos populares que defendem a causa da vida da juventude. Também deve haver publicações, Grupos de Trabalhos, além de dar visibilidade a essa realidade nas ações.
“Essa ciranda não minha só, ela é de todos nós” (Lia de Itamaracá). Por isso, a defesa da vida da juventude, sobretudo, é uma “missão de todos nós” que acreditamos na ação pastoral transformadora, motivados por uma “igreja em saída” como propõe o Papa Francisco.
Fonte: CNBB – Sul 2 (Paraná)

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