sábado, 20 de agosto de 2011

Povos unidos pela fé

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“Ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!” (At, 2, 11). O espanto que tomou conta de partos, medas e elamitas no dia de Pentecostes, quando testemunharam os apóstolos falando em várias línguas e povos de toda a terra compreendendo o que eles diziam se repete agora, dois mil anos depois, em Madri. A Jornada Mundial da Juventude reúne uma multidão de povos como nenhum outro evento é capaz de fazer. Estão todos misturados e falando incontáveis idiomas, mas todos se entendem em uma língua verdadeiramente universal: a língua da fé.

São 428 mil jovens inscritos na Jornada Mundial da Juventude de Madri – mais de 360 mil deles vindos de fora da Espanha. São mais de 80 mil espanhóis e mais de 80 mil italianos, mais de 50 mil franceses, quase 30 mil americanos e mais de 15 mil alemães. Só de brasileiros, são quase 14 mil – isso sem falar em todos os outros povos do mundo.

Todos esses peregrinos tomaram as ruas da cidade com uma infinidade de bandeiras, de cores, de jeitos diferentes. A grande maioria anda com as bandeiras de seus países. Os grupos italianos cantam quando se encontram. Os franceses fazem algazarra com bandeiras enormes. Os brasileiros entoam músicas nacionais. Peregrinos do Zimbábue apresentam danças típicas nas ruas. Houve até um grupo de argentinos cantando e dançando samba. Vemos mexicanos com sombreros e chineses e filipinos com seus chapéus típicos, grupos de escoteiros europeus, jovens com as cores de seus países nas roupas.

Uma coisa é unânime. Basta ver a camisa da seleção ou a bandeira verde e amarela para que os outros jovens – não importa de onde venham – sorriam e gritem “Brasil!”. Os italianos, em especial, são doidos por uma bandeira brasileira.

Enquanto se deslocam pela cidade – seja para participar das catequeses com os bispos, seja para ir a alguma atividade cultural ou aos atos centrais com o Papa, as multidões se encontram nas estações e nos vagões de metrô. Nesses momentos, se cumprimentam, tentam conversar um pouco, fazer amizades. Os jovens tiram fotos uns com os outros, trocam seus contatos nas redes sociais, conversam um pouco sobre os países de onde vieram. O cambio, a troca de lembrancinhas de cada país, acontece a toda hora.

Nas catequeses, brasileiros e portugueses se encontram. Os jovens também procuram participar de eventos culturais promovidos por artistas de outros países. Para atrair esse público, a Comunidade Shalom apresentou em espanhol o espetáculo ‘O Canto das Írias’. O mesmo fez a banda Rosa de Saron, que apresentou versões em espanhol de seus sucessos.

Os idiomas diferentes nem chegam a ser uma barreira. Cada um mistura sua própria língua com um pouco de inglês e um pouco de espanhol e nessa confusão, todos se entendem. É um tal de “What is the name desta calle?”, “What´s your nombre?”, “Eu soy de Brasil!”…

O jovem americano Austin Wilcox disse gostar muito dessa interação com os jovens de países diferentes. “Eu vim de uma cidade pequena. Aqui posso conhecer muitas realidades diferentes”, disse. Já o padre o padre espanhol Nicolás Ribero, destacou a unidade dos jovens. “É uma experiência única. Há um espírito comum, uma unidade da juventude que supera todas as diferenças”.

Essa multiplicidade de povos fica evidente nos atos centrais, quando todas as bandeiras são desfraldadas num mar de cores. Mas o coro dos jovens é uníssono: “Benedito! Esta és la juventud del Papa”. Assim vai se cumprindo, na Jornada Mundial da Juventude, um novo Pentescostes: com todos os povos falando a mesma língua do amor de Cristo.

Por Moisés Nazário, de Madri
jovensconectados.org.br

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