segunda-feira, 1 de abril de 2013

Encontro com o Ressuscitado

Segundo o relato de João, Maria de Magdala é a primeira que vai ao sepulcro, quando todavia está escuro, e descobre desconsolada que está vazio. Falta-lhe Jesus. O Mestre que a tinha compreendido e curado. O Profeta que tinha seguido fielmente até ao final. A quem seguirá agora? Assim se lamenta ante os discípulos: “Levaram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram”.

Estas palavras de Maria poderiam expressar a experiência que vivem hoje não poucos cristãos: Que fizemos de Jesus ressuscitado? Quem o levou? Onde o pusemos? O Senhor em quem acreditamos, é um Cristo cheio de vida ou um Cristo cuja recordação se vai apagando pouco a pouco nos corações?
É um erro que procuremos “provas” para acreditar com mais firmeza. Não basta chegar ao magistério da Igreja. É inútil indagar nas exposições dos teólogos. Para nos encontrarmos com o Ressuscitado é necessário, antes de tudo, fazer um percurso interior. Se não o encontramos dentro de nós, não o encontraremos em nenhuma parte.
João descreve, um pouco mais tarde, Maria correndo de um lado para outro para procurar alguma informação. E, quando vê Jesus, cega pela dor e as lágrimas, não chega a reconhecê-lo. Pensa que é o encarregado da horta. Jesus só lhe faz uma pergunta: “Mulher, porque choras? a quem procuras?”.
Talvez tenhamos de nos perguntarmos também a nós algo semelhante. Porque a nossa fé é às vezes tão triste? Qual é a causa última dessa falta de alegria entre nós? Que procuramos os cristãos de hoje? Que desejamos? Andamos a procurar Jesus que necessitamos sentir cheio de vida nas nossas comunidades?
Segundo o relato, Jesus está a falar com Maria, mas ela não sabe que é Jesus. É então quando Jesus chama-a pelo seu nome, com a mesma ternura que colocava na Sua voz quando caminhavam pela Galileia: “Maria!”. Ela volta-se rápida: “Rabi, Mestre”.
Maria encontra-se com o Ressuscitado quando se sente chamada pessoalmente por Ele. É assim. Jesus mostra-se cheio de vida, quando nos sentimos chamados pelo nosso próprio nome, e escutamos o convite que nos faz a cada um. É então quando a nossa fé cresce.
Não reavivaremos a nossa fé em Cristo ressuscitado alimentando-a apenas de fora. Não nos encontraremos com Ele, se não procuramos o contato vivo com a Sua pessoa. Provavelmente, é o amor a Jesus conhecido pelos evangelhos e procurando pessoalmente no fundo do nosso coração, o que melhor pode conduzir-nos ao encontro com o Ressuscitado.
Autor: José Antonio Pagola

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