domingo, 3 de fevereiro de 2013

Carta das CEBs em relação a CAJU



Solidariedade das CEBs
Carta da Ampliada Nacional das CEBs sobre as últimas medidas
tomadas em relação à ação pastoral da CAJU Pe. Burnier.


Nós, mulheres e homens, delegadas/os das Comunidades Eclesiais de Base de todo o Brasil, reunidas/os em Crato-CE, para a IV Ampliada Nacional das CEBs queremos, por meio desta, expor nossa preocupação no direcionamento tomado nos últimos meses em relação às ações pastorais da CAJU, Casa da Juventude Pe. Burnier, em Goiânia e expressar nosso apoio aos/as companheiros/as demitidos pela direção da casa.
Temos acompanhado com apreensão, nos últimos dias, a forma como têm sido feitas as mudanças nas ações da CAJU. Noticias nos chegam a todo instante afirmando o fechamento da Casa. A diretoria rebate afirmando que o que está sendo feito é um ajuste nas ações da mesma.
A Casa da Juventude Pe. Burnier (CAJU) é um Instituto de Formação, Assessoria e Pesquisa sobre juventude. Sua tarefa é contribuir na construção de ‘um outro mundo possível’ junto com várias entidades parceiras, na tecelagem de redes dinâmicas de solidariedade. É um centro de referencia em juventude para o Brasil e América Latina, participante da Rede Brasileira e da Rede Latino-Americana de Centros e Institutos de Juventude. É uma obra da Companhia de Jesus, Província Brasil Centro-Leste.
Ao longo de quase 30 anos, a partir de uma espiritualidade inaciana, exerce um papel importantíssimo na evangelização, conscientização e articulação de muitos jovens, provocando-os para serem cidadãos/ãs comprometidos/as com a Justiça. Teve, em sua fundação, como objetivo primeiro, servir de referencia na assessoria das Pastorais da Juventude ligadas à CNBB. Não por acaso, seu corpo de funcionários e voluntários é/era na maioria advinda dessas Pastorais. A partir dos anos 2000 a CAJU também começou um forte e belo trabalho na defesa dos direitos humanos, mais encorpado e com projetos em parcerias com governos locais e federal.
Hoje a CAJU passa por uma reformulação dos seus princípios pelos jesuítas e que vão, contraditoriamente, em sentido antagônico ao apregoado por sua missão descrita acima. Essa reformulação nos leva a alguns questionamentos: O que aconteceu com as suas opções? A juventude, sujeita de suas ações e parceira da casa, não mais faz parte delas? Isso nos causa minimamente uma estranheza, especialmente porque as ações atingidas são as de cunho pastoral, como escola de educadores e escolas bíblicas. Há necessidade de, além da tomada de decisões advindas da Província, a escuta também dos/as jovens, voluntários/as e parceiros/as nas ações da casa. Especialmente no que tange às ações pastorais que são as que estão sendo encerradas.
Já vimos isso acontecer na história recente. Nos anos 2000 o IPJ – Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre foi fechado sem nenhum diálogo com os jovens/as nem com os leigos/as voluntários/as. A situação na CAJU nos remete a esse episódio e nos preocupa.
Uma casa que tem, em sua fundação, o objetivo de auxiliar a evangelização da juventude, não deveria de maneira nenhuma deixar de fazer ações que expressem tal objetivo. Uma casa, como a CAJU, que sempre construiu junto, que propagou no meio do povo o censo de justiça, de solidariedade cristã, não deveria descartar valorosos/as trabalhadores/as, companheiros/as na construção do Reino.
Esta Ampliada se sente na obrigação de, além de questionar a situação, abraçar a CAJU, seus colaboradores e a juventude por ela atingida. Acreditamos na história desta casa, caminhamos juntos/as e pedimos da diretoria da casa e da província um melhor esclarecimento em relação às demissões e trancamento das ações pastorais. Somos todos/as CAJU.
Delegados e delegadas da Ampliada Nacional das CEBs
Crato-CE, 27 de janeiro de 2013
 

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