segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tecendo Relações

“Na medida em que cada um de nós aceita ser ele mesmo,
descobre não apenas que muda, mas que as pessoas
com as quais ele tem relações, mudam igualmente.”
(Carl R. Rogers)
Por que pensar em tecer relações?
No contexto pós-moderno as relações humanas se configuram de forma descartável, flexível, com poucas possibilidades de compromissos duradouros e respeitosos. Falta valorização da pessoa, do corpo e há pouca compreensão da sua importância social e eclesial.
As instituições (entendemos aqui a família, a escola, a Igreja) têm deixado de lado a discussão sobre afetividade e sexualidade, delegando essa importante tarefa aos meios de comunicação, os quais tratam do assunto ora com responsabilidade ora com banalidade.
A temática prioritária, nas rodas de conversas das juventudes, é, sem dúvida, as questões que tratam do corpo, da afetividade e da sexualidade. Na vivência dos grupos de base e fora deles há uma grande necessidade/curiosidade em assuntos relacionados à afetividade e sexualidade, porém muitas vezes falta uma discussão mais teórica e, ao mesmo tempo, empírica que atenda a essa necessidade.
O debate da diversidade também é demanda para a atuação do projeto e, por isso, gênero, etnia, deficiências, identidade, são temas ligados à vida humana. Quem nunca presenciou uma situação de preconceito? Uma atitude machista? Nas relações cotidianas nos defrontamos com mitos e estereótipos, situações que nos convocam a reagir, tendo como primado a prática de Jesus “amar uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15, 12).
Nessa perspectiva das relações humanas é importante criarmos oportunidades para que as pessoas se relacionem, de modo que percebam uns aos outros e lutarmos para que todos sejam respeitados, de fato, valendo para essa prática o apontamento do sociólogo Boaventura Santos: “Temos o direito de sermos iguais sempre que a diferença nos inferioriza; e temos o direito de sermos diferente quando a nossa igualdade nos descaracteriza”.
Na juventude e adolescência muitos valores estão sendo questionados, reafirmados e construídos. Deparamo-nos, constantemente, nos grupos de jovens com questionamentos acerca do pensamento sobre o futuro. Sonhos, dúvidas, decepções, alegrias, perguntas, curiosidades e atitudes diante da vida, revelam o desejo da juventude em projetar, sendo, portanto, a construção didática do projeto de vida, uma possibilidade de trabalhar com a temática da afetividade e sexualidade, sempre presente na construção dos horizontes.
Entretanto, na construção do projeto de vida a dimensão da integralidade do sujeito deve ser incorporada. Devemos pensar holisticamente, integrando as dimensões humanas. A Pastoral da Juventude propõe esse trabalho quando considera que a formação deve ser integral.
Segundo Arruda:"na construção do conceito do ser humano, estabelece-se um diálogo com o Sri Aurobindo que afirma que o ser humano tem unidos, consciente e inconsciente, corpo, mente e psique, ego e sexualidade, afeto e agressão”. É essa perspectiva que pretendemos assumir no debate, ajudando os jovens a pensarem o sentido de suas vidas, em um processo de autoconhecimento, compromisso consigo e com o próximo.
A Igreja Católica insiste em que toda a ação com os jovens considere as questões ligadas à afetividade e sexualidade, apontando para a necessidade de trabalharmos sempre com todas as dimensões da pessoa humana: “O discipulado começa com o convite pessoal de Jesus Cristo: 'Vem e segue-me' (Lc 18,22). Na formação para o discipulado é necessário partir de uma formação integral. Quem trabalha na formação de jovens necessita estar atento às cinco dimensões: psicoafetiva, psicossocial, mística, sociopolítico-ecológica e capacitação. Trata-se de efetivar, pedagogicamente, um conceito que se encaixa no contexto da sensibilidade da cultura jovem e aponta para uma nova síntese que integre o racional com o simbólico, a afetividade, o corpo, a fé e o universo”.
Por essas razões fica evidente a necessidade de coordenadores e assessores qualificarem-se para tratar desses assuntos com liberdade e maturidade junto à juventude. Esse contexto exige que a Pastoral da Juventude contribua para a construção de relações equilibradas e maduras, tecendo novas relações a exemplo de Jesus rompendo com todas as formas de discriminação.

Fonte: pj.org.br ou Subsídio de Estudo Somos Igreja Jovem (ver com a Coordenação Arquidiocesana)

2 comentários:

  1. Vamos seguindo o caminho de Nazaré. Tecendo novas relações de amorosidade e dignidade com a vida das pessoas. Beijos. Alessandra-CNA

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  2. Obrigado pelo comentário, Alessandra! Que sigamos mesmo com Ele, que sempre pensa em todos, e quer dar vida plena e digna a todos e todas! Axé!

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