quarta-feira, 30 de abril de 2014

Com Jesus em Samaria – aproximação, diálogo e acolhida



“Então chegou uma mulher da Samaria para tirar água.
Jesus lhe pediu: dá-me de beber”
[Jo 4,7]


Estamos pisando nas terras de Samaria. Terra que nos vai provocando nesse ano de 2014 no caminho de revitalização das Pastorais da Juventude. Tempo de reconhecer e conviver com a juventude do nosso continente. A “Samaria” que vamos saboreando e desvelando juntos e nesse movimento nos vai desinstalando e fazendo-nos romper nossas distâncias culturais, religiosas, sociais...
No tempo de Jesus viver na Samaria era viver na margem, na exclusão. Ser samaritano era ser vítima da discriminação, do preconceito, do isolamento do povo judeu. Ser samaritano era carregar o estigma da exclusão. Por serem considerados impuros, eram tidos como a pior raça existente. Carlos Mesters e Francisco Orofino nos ajudam entender esse contexto: Os samaritanos eram desprezados pelos judeus. Este desprezo vinha de longe, desde o século VIII antes de Cristo (2Rs 17,24-41), e transparece em alguns livros do Antigo Testamento. O livro do Eclesiástico, por exemplo, fala de um ‘povo estúpido que mora em Siquém, que nem sequer é nação" (Eclo 50,25-26). Muitos judeus da Galiléia, quando viajavam para Jerusalém, não passavam pela Samaria. O Evangelho de João mostra Jesus fazendo o contrário, passando pela Samaria e acolhendo os samaritanos. Por causa disso, era criticado pelos judeus, que o xingavam de "samaritano, possesso de demônio" (Jo 8,48). Depois da ressurreição, os seguidores e as seguidoras de Jesus, superaram seus preconceitos e anunciaram a Boa Nova aos samaritanos (At 8,4-8). Nas ‘comunidades do Discípulo Amado' havia muitos samaritanos.
Nessa reflexão e vivência queremos olhar pra Jesus e pensar também em quais “Samarias” nós precisamos entrar e quais “Samarias” precisamos acolher? Quem são os discriminados de hoje em uma cultura que “se acha” superior? Quem são, hoje, os excluídos? Entre os/as jovens, quem são os/as samaritanos? Os/as jovens que estão nas periferias das grandes cidades? Os/as jovens do campo? Os/as jovens negros? As jovens mulheres? Os/as jovens homossexuais? Os/as jovens portadores de necessidades especiais? Os/as jovens que lutam por seus direitos? Os/as jovens migrantes? Os/as jovens que questionam? Os/as jovens ateus ou de outras religiões? Quem são, hoje, os/as jovens que estão excluídos? Que sofrem com o preconceito?
Jesus e a Samaritana são o exemplo de que a aproximação, a acolhida e o diálogo quebram aquilo tudo que os separa. Há disposição dos dois lados em um entrar na vida e na cultura do outro. O diálogo transforma a samaritana que vai anunciar: "venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Será que ele é o Messias?". O diálogo transforma também Jesus que percebe nela – no diferente – a presença de Deus.
De quantas realidades juvenis nós precisamos nos aproximar! Quantas e quantas realidades que necessitam o reconhecimento do divino que brota deles e que os torna sagrados! Quanto nos falta de capacidade de diálogo. De ouvir. De dizer com ternura e cuidado! É o mestre que nos pede pra revitalizarmos esse nosso caminho. O caminho da juventude!
Vamos encher nossos baldes de diálogo, de acolhida, de aproximação, de ternura... E com eles cheios vamos rompendo estruturas e fronteiras que nos impedem de amar...!



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Mantra: 

Com diálogo e amor, da exclusão, Jesus nos tirou.
Caminhando com a juventude, a boa nova, Ele anunciou.

  

Cladilson Nardino, estudante de Eng. Civil, membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR 
Luis Duarte Vieira – Noviço Jesuíta e Militante da Pastoral da Juventude 
Maicon André Malacarne – Padre, assessor da Pastoral da Juventude da Diocese de Erexim/RS


Fonte: Andança Jovem

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