sexta-feira, 13 de junho de 2014

Samaria: poço que gera partilha e memória!


 Na fidelidade ao caminho do seguimento de Jesus estamos indo para Jerusalém. Nesse ano nos encontramos com Jesus na “beira do poço” em terra de Samaria. E a mística desse lugar vai invadindo nossas vidas, nosso ser e nosso fazer evangelizador com a juventude. As Pastorais da Juventude desse continente, caminhantes, sedentas de água viva, trilham esse horizonte querendo aproximar seus passos aos do Mestre.
Já falamos sobre esse encontro, mas a partilha de Jesus e da Samaritana é extremamente profundo que exige, assim como toda Palavra de Deus, que escrevamos mais. Esse diálogo narrado pelas comunidades de João no capítulo 4 é como uma grande luz e motiva que a mulher da Samaria e, igualmente, também nós retomemos a história de nossas vidas.
A Samaritana e Jesus colocam sua vida diante do balde e do poço. É uma atitude de entrega e de confiança. Gesto de empoderar o outro na escuta e na vontade de contar, de dizer. Lendo o texto temos a tentação de interpretá-lo somente pelo viés de Jesus, esquecendo que Samaria é a terra da mulher. O estranho no local é Jesus. É Ele quem pede água.
Tivemos recentemente uma notícia que chamou atenção de todos os que acham que as religiões são pontos de encontro e diálogo e não subordinação: “Juiz declara que Candomblé e Umbanda não são religiões”. Mesmo tendo reconsiderado após grande pressão popular, a atitude aponta para uma dinâmica que nós todos, de alguma maneira, vivemos: gestos fundamentalistas e intolerantes. Jesus entra em espaço estranho e se faz “do outro”. Com sede, recebe água. O diferente que gera vida, partilha, comunhão, autonomia. Ela confia, deixa o cântaro e vai anunciar.
Somos convidados, em tempos de revitalização, a nos perguntarmos, assumirmos e partilharmos nossas histórias de vida. Não somente nós, mas todos os jovens desse continente, em rodas de liberdade e de protagonismo em que a memória seja um grande manancial de encontros.
Na preparação para o III Congresso Latino-Americano de Jovens, as Pastorais da Juventude, se colocaram a escutar as histórias de vida da juventude, tecendo uma grande rede. No Brasil, naquele ano, escrevemos aos/as jovens palavras que agora retomamos:  
“Todos trazemos em nós uma história de Vida, feita por muitos caminhos, marcada por muitas coisas... Temos histórias de morte, de dor, de superação, de luta, de garra, de encontros e desencontros, de violência, de sonhos, de enfrentamento, de alegria, de amizade, de superação, de dificuldades... A nossa história de vida é marcada por muitas pessoas (família, colegas de escola e faculdade, companheiros/as de trabalho, crianças, adultos/as, namorados/as, “casos”, idosos/as, amigos/as) e tanta coisa... Cada história de vida dos/as jovens é única,singular e por isso, mesmo, importantíssima. Cada história somos nós. No desejo de ouvir as histórias de Vida dos/as Jovens latino-americanos e caribenhos queremos convidar você amigo/a jovem a partilhar sua vida com os/as jovens da América Latina. É um convite para você contar sua história, suas dores e alegrias, seus sonhos, suas atividades, falar de sua família, de sua relação com os amigos/as, de sua relação e convivência com outros/as jovens, falar da participação nos grupos, da sua experiência de fé e de Deus. Coisa boa, não é? As histórias sempre ajudam, sempre animam...” 
O caminho da revitalização nos motivava em 2010 a escutar as histórias vitais da juventude. Samaria nesse ano e nesse mês nos motiva nessa mesma direção. Samaria quer ser um poço, onde possamos assumir e partilhar nossas histórias de vida. Assim, na partilha e na acolhida dos/as outros/as, tecer a nossa história comum.
Samaria nos convida ainda a retomar a história das Pastorais da Juventude. Conhecemos a história da Igreja Jovem de nosso Continente? Assumimos essa história? Sentimo-nos parte dela? A revitalização não se fará se não conhecemos e assumimos nossa história de presença, amor e serviço à juventude em nossa Pátria Grande. Não é por nada que a memória é uma opção que fazemos como Igreja Jovem do Continente no documento Civilização do Amor – Projeto e Missão. É um bom momento de desafiarmos você a conhecermos essa história. No livro citado acima, em outros tantos, ou mesmo em sites, blogs e espaços virtuais confiáveis você poderá encontrar dados para entender esse caminho. Vale o jargão: amamos mais a medida que conhecemos mais.
Da beira do poço, em Samaria, ressoa o convite para gerarmos uma grande rede na partilha de nossas histórias de vida e na retomada da história da ação evangelizadora com os/as jovens de nosso Continente. É o Mestre que nos convida e nos envia a isso. É Dele que aprendemos e assumimos a memória como opção, como causa. É Ele que nos envia e que desejar escutar nossas histórias vitais, pessoais e comunitárias, como Igreja. Nunca deixe em seu grupo de jovens, em sua roda de amigos, nos lugares de encontro, de ouvir a história do outro. De reconhecer o outro e aquilo que ele é feito. Somos nossas histórias. Somos nossas memórias. Reserve tempo para isso. É isso que nos faz ser mais gente.  
Vamos encher nossos baldes da presença do outro. Vamos beber com ele a sua história. Gerar juntos correntes e redes de partilha de vida. De memória profética. De amor.  
Mantra:  

“Conte-me sua vida,
histórias, sonhos, memórias.
 Confie e vá anunciar,
Com sorrisos, lutas... a causa.” 
   
Cladilson Nardino, estudante de Eng. Civil, membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR
Luis Duarte Vieira – Noviço Jesuíta e Militante da Pastoral da Juventude
 Maicon André Malacarne – Padre, assessor da Pastoral da Juventude da Diocese de Erexim/RS
Fonte: Andança Jovem

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