domingo, 12 de janeiro de 2014

Missa de envio na terra de romeiros encerra Intereclesial das CEBs


 
Os participantes do 13º Intereclesial das CEBs que aconteceu em Juazeiro do Norte (CE), diocese de Crato, reuniram-se, na tarde deste sábado, dia 11, na praça da igreja Nossa Senhora do Socorro, onde está sepultado padre Cícero, para seguir em procissão ao último compromisso do encontro, a celebração Eucarística com envio para missão.
 
A caminhada até a basílica Nossa Senhora das Dores homenageou o centenário da diocese de Crato e proporcionou aos romeiros e romeiras das CEBs, mais um momento de mística. Durante a procissão, cânticos e orações populares das romarias criaram um ambiente de fé e confiança para viver os compromissos assumidos pelo tema do Intereclesial: “Justiça e Profecia a serviço da Vida” e o lema “CEBs romeiras do reino no campo e na cidade”.

 Um dos cânticos entoados dava o ritmo da caminhada. “Sou, sou teu, Senhor, sou povo novo, retirante e lutador, Deus dos peregrinos, dos pequeninos, Jesus Cristo Redentor”. Intercessões reuniam demandas do povo na vida das comunidades.

 
A representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Maranhão, Maria Madalena Borges, estava entre a multidão. “O Cimi tem um compromisso com a vida e a defesa dos povos indígenas e a participação neste Intereclesial significa alimentar esse compromisso. Este encontro vem reafirmar o que o Cimi já assumiu em seu Congresso nacional por ocasião dos 40 anos de sua fundação”, explica a missionária.
 
João Paulo dos Santos Silva faz parte do Movimento Social da Juventude conhecido como Levante Popular, e circula entre a Via Campesina e as CEBs. “Estamos acompanhando a comunidade do Gravatá no vizinho município de Caririaçu. Essa comunidade está sendo removida para dar lugar a um Aterro Sanitário, projetado por dez municípios da região do Cariri. Estamos na luta para evitar essa remoção”, diz o jovem.  
 
Na chegada à Praça da Basílica, o povo foi recebido com o refrão: “É muito gostoso este nosso aconchego, este nosso chamego, essa nossa alegria de ser feliz”. Nesse clima familiar e típico das CEBs, a multidão se acomodava para a missa que foi presidida por dom Fernando Panico, bispo de Crato, ladeado por vários outros bispos, padres e diáconos.
 
“Façamos deste momento uma grande festa de fé no Batismo do Senhor. Vamos ouvir a Palavra de Deus e partir o Pão da Eucaristia solícitos às necessidades dos nossos irmãos e irmãs”, exortou dom Fernando ao convidar para a oração.
 
Em diversos momentos, a equipe de liturgia formada por representantes dos regionais levou até o altar símbolos da caminhada.
 
A missão das CEBs
 
“Neste encontro, nos renovamos na missão de evangelizar a serviço da vida, pois esta é a nossa vocação”, disse o bispo na homilia. “Convido-os a ir e anunciar. Chegou a hora de partir para a missão”, completou. “Nas margens do Jordão, Jesus é revelado o Filho dileto do Pai. Ele nos envia dois a dois formando pequenas comunidades para que o tornemos presente na caminhada do povo. As CEBs são chamadas a contribuir para a salvação de todos os povos da terra, sem nada impor ou desanimar”, lembrou o celebrante. A exemplo de Jesus, “também as CEBs levarão a justiça às nações não com o recurso da força, da violência ou do espetáculo, mas com a bondade, a mansidão que definem o jeito de Deus. A sua missão não se desenvolve no triunfalismo, mas na obediência ao Pai”. 
 
Dom Fernando lembrou ainda que, “a profecia desencadeou um processo corajoso por justiça. Na América Latina, a conferência de Medelín foi a maior expressão dessa profecia”. O bispo de Crato fez um apelo: “CEBs, sejam romeiras do Reino a serviço da justiça e profecia. CEBs em missão é o grito que levamos desta terra de romarias. O trem das CEBs não pode parar e a próxima estação será Londrina, no Paraná. O trem está de partida. Boa viagem e boa missão. CEBs, não percam o trem, não atrasem a marcha e o ritmo da missão”, concluiu.
 
Na Festa do Batismo de Jesus, empunhando velas acesas no Círio Pascal, o povo renovou as promessas do batismo e seus compromissos, dentre os quais, guardar os conselhos deixados pelo padre Cícero: denunciar a cobiça do poder e a devastação da terra, a degradação do meio ambiente, combater a miséria. Anunciar a economia solidária, numa sociedade onde todos tenham oportunidades, casa, escola, saúde, segurança, festa e felicidade. O povo cantava: “Ao chegar em Juazeiro, temei a resolução de seguir os conselhos do padre Cícero Romão”.
 
O convite para a comunhão resumia a motivação para a missão: “Comungar é comprometer-se com a nova sociedade inaugurada com o Batismo de Jesus”, dizia. Os cânticos entoados com emoção reforçavam os anseios do povo das CEBs. “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão... É Jesus este Pão de igualdade, viemos pra comungar, com a luta sofrida de um povo que quer ter voz, ter vez, lugar...”
 
No final da missa, padre Vileci Vidal, coordenador do Intereclesial, agradeceu todas as comissões de serviço e as famílias das cinco cidades da região que hospedaram os participantes do encontro. A Diocese de Crato, na pessoa do seu bispo, entregou à delegação do Paraná a réplica de um caminhão Pau de Arara, meio utilizado pelos romeiros, como símbolo de comunhão na preparação do 14º Intereclesial a ser realizado na diocese de Londrina em 2017.
 
  
Fotografias: Jaime C patias
Fonte: Site do 13º Intereclesial

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