sábado, 25 de janeiro de 2014

Na beira de um poço – Em Samaria!



“Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço.

Era quase meio-dia.”
[João 4,6]

“Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente quer a vida...Como a vida quer!”
[Titãs]

Chegamos a Samaria. Nós, Pastorais da Juventude – Igreja Jovem do Continente Latino, estamos sempre a caminho. É que o seguimento de Jesus e o serviço à juventude não nos deixa parar. Nosso destino é a doação máxima da vida, com Jesus, em Jerusalém. O caminho para Jerusalém vai se fazendo. Guiados pela estrela vivemos Belém. Calçando sandálias de amor, de doação, de serviço e de seguimento percorremos Nazaré. Ungidos pelos perfumes da juventude desbravamos Betânia. E, de repente, em nosso caminho de serviço à juventude na América Latina nos deparamos com um poço. E na beira desse poço viveremos este ano que se inicia.

Samaria estava a mais de 100 km de Jerusalém. Tornou-se a capital do Reino do Norte até a sua destruição. Era uma região montanhosa. Elaine Neuenfeldt nos ajuda a compreender o impasse que existia há muito tempo entre Judeus e Samaritanos: “O conflito é de origem étnico-religiosa, com consequências sociais e políticas. No Antigo Testamento, recebemos a informação histórica sobre as causas do conflito. As pessoas samaritanas são remanescentes de um processo de colonização promovido pela dominação assíria, que trazia pessoas de outras regiões colonizadas e as misturava com os habitantes locais. Tal processo gerou reações de desprezo e rivalidades entre aquelas pessoas que se consideram "legítimos filhos de Israel" e aquelas que são "misturadas". Podemos encontrar estes relatos em 2 Reis 17,24-31, Eclesiástico 50,26 e Esdras 4,2-9. Esta carga histórica de rivalidade e conflito está presente na memória das pessoas que guardam o relato do encontro de Jesus com a samaritana como testemunho de sua fé. A afirmação de que Jesus, para chegar até seu destino, precisa passar pela Samaria, desencadeia estas lembranças na memória. Repetir o que já é conhecido, em situações conflituosas, pode ter esta função: verbalizar para provocar a reflexão. Neste contexto de conflito, o encontro e o diálogo entre Jesus e a samaritana rompem barreiras étnico-geográficas. Ela é mulher e é samaritana. Sua condição de gênero impede que converse com um homem em lugar público e, especialmente, perto do poço (no imaginário daqueles grupos, o poço é um lugar mítico, simbólico da erótica, relacionamento amoroso - Gênesis 24 e 29; Êxodo 2,11-22). Sua pertença a um povo resulta em problemas para estabelecer relações de amizade e confiança, de ajuda e solidariedade com alguém do povo inimigo.”

É um caminho conflituoso por natureza. Na prática, ação, palavras de Jesus e da Samaritana/dos Samaritanos o Reino acontece. A fronteira entre Judeus e Samaritanos é rompida através dos encontros de Jesus com estes. Já no início desse caminho a Samaria poderíamos nos perguntar: que conflitos temos vivido como jovens? Nos grupos de jovens? Que encontros são necessários para superar os desencontros que nos dividem?

Na Samaria de Jesus e nas “Samarias” da juventude, à beira do poço, percorreremos um caminho. Um caminho de saborear o mistério da gratidão. De pisar, tocar nas “Samarias” de hoje. Indagar-nos sobre qual postura e atitude de vida assumimos no serviço à juventude, em especial àquela ferida na beira de tantos “poços” em nosso Continente. De dialogar sobre os/as samaritanos/as de hoje. Um caminho de descobrir algo já sabido, sempre velho e sempre novo: a compaixão. Um caminho de pedir água às juventudes e de provocar-nos a perguntar sobre qual “água” temos buscado. Um caminho de diálogo sobre a espiritualidade juvenil e a espiritualidade da Pastoral da Juventude. Um caminho de re-aprender a escuta, como caminho de acompanhamento que gera autonomia. Um caminho de encontro com Jesus,
na beira do poço, e desse encontro sermos cada vez mais nós mesmos. Um caminho de retomarmos nossas histórias de vida. Um caminho que iremos descobrindo à medida que formos vivendo.




Neste mês de Janeiro o sentar-se na beira do poço, com as juventudes de nosso Continente, tem muito sabores, marcas, sentimentos, esperanças e causas. Com as Comunidades Eclesiais de Base do Brasil celebramos o 13º Interclesial. Momento de reafirmar a opção pela profecia e pela justiça desde as nossas comunidades. Vivemos com a Pastora da Juventude do Meio Popular o 4° Congresso Nacional, que teve como tema “PJMP: Terra fértil, canto forte" e lema "Sem arriscar não vivemos a esperança". Congresso que celebra os seus 35 anos. Vivemos com a Pastoral da Juventude Rural (PJR) o III Congresso da Juventude Camponesa. Com a Pastoral da Juventude Estudantil (PJE) vivemos a XV Assembléia Nacional. E com a Pastoral da Juventude (PJ) encerramos a celebração dos 40 anos com a Ampliada Nacional da PJ de Belo Horizonte. Quanta coisa bonita! Quantos sinais do Reino de Deus! Quantos encontros superando desencontros! Igreja-jovem! Planos sendo construídos, projetos avaliados, horizonte sendo cada vez mais clareados!



Sentar-se na beira desse poço nesse mês também tem sabor de gratidão. Sim, de gratidão! É que o nosso Thiesco, depois de três anos de doação da vida como secretário nacional da PJ, deixa esse serviço. O caminho para Jerusalém só pode ser trilhado nos passos de Jesus e com esperança, ternura e utopia. E essas três palavras marcam muito a vida de nosso irmão, pois, ele as vive e as viveu nesse tempo de serviço. A ele, em nome da Igreja Jovem do Continente, nosso apertado abraço de gratidão e amizade pela doação de sua vida.




O caminho por Samaria apenas começa. Muito viveremos juntos/as nesse tempo e nesse caminho. Um caminho que faremos na beira do poço. Na beira do poço, sentados com Jesus e com os/as jovens de nosso Continente. A arte, o canto, a poesia..., são dos elementos que mais traduzem nossos sentimentos nas Pastorais da Juventude. A partir desse ano, junto com a gente passa a caminhar ajudando nessa construção o jovem Catarinense de Chapecó e morador de Curitiba/PR: Cladilson Nardino. Com a inspiração dele, cantaremos mantras a cada mês. Mantras inspirados em cada texto nesse caminho. Pra se cantar nos grupos, pessoalmente, nas comunidades... ajudando assim nesse vivenciar e saborear a Samaria. O Mantra sempre será a conclusão dos nossos textos. Bem-vindo nosso irmão!

Com os baldes nas mãos, buscando a água da vida da juventude que nos enche de Deus, iniciamos esse caminho.

Mantra:
“Caminhamos de Belém pra Samaria...
Na beira de um poço cheio de água e vida
Repleto de esperança, ternura e utopia
Buscamos em nossos baldes, justiça e profecia.
Repleto de esperança, ternura e utopia
Buscamos em nossos baldes, justiça e profecia.”

Cladilson Nardino, estudante de Eng. Civil, membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR
Luis Duarte Vieira – Noviço Jesuíta e Militante da Pastoral da Juventude
Maicon André Malacarne – Padre, assessor da Pastoral da Juventude da Diocese de Erexim/RS

Fonte: Cajueiro

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